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10 discos ao vivo completamente subestimados pela crítica

Quando se fala em discos ao vivo é muito comum que trabalhos como "Made In Japan" (Deep Purple - 1972) ou o clássico do The Allman Brothers, "At The Fillmore East", lançado em 1971, venham a mente.

Além desses registros fundamentais, é claro que existem grandes lives que infelizmente não puderam gozar da mesa fama. Por isso que o Macrocefalia preparou uma lista com 10 discos ao vivo que, apesar de não serem tão badalados, merecem tanta atenção quanto a sua cópia do "Frampton Comes Alive" (1976). 

1) Buddy Miles -  "Live"



Lançado em 1971, esse registro solo do baterista é um dos maiores exemplos do poder que o Funk pode assumir, ainda mais quando captado por um time de metais e uma cozinha desse nível.

Famoso também por ser um item raro na coleção de qualquer fã do Buddy Miles, esse LP foi um dos registros do baterista soul man que nunca recebeu um relançamento. LP duplo , esse trabalho mostra como Buddy Miles definitivamente merecia mais. A versão de "Down By The River" é belíssima.



2) Eumir Deodato - Live At Felt Forum



Gravado no Madison Square Garden Center, no dia 20 de abril de 1973 e lançado em 1977, esse disco mostra a força do riquíssimo repertório de um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos.

Recheado com composições do nível de "Do It Again" (Steely Dan) e temas exuberante, como "September 13" (em parceria com Billy Cobham), que o arranjador pega o embalo da fase "Deodato 2" (1973) e malha o Jazz-Funk. Se liga na versão de "Do It Again".


3) Brecker Brothers - Heavy Metal Be-Bop



Uma amostra contundente do que acontecia toda vez que os irmãos Randy e Michael Brecker se encontravam nos estúdios, "Heavy Metal Be-Bop'', lançado em 1978, assusta pela potência do trompete e do sax da dupla.

Um dos de maior sucesso durante os anos 70 e toda a onda Fusion/Funk que rolava nessa década, a dinâmica explorada pela dupla contava com músicos do calibre de Terry Bozzio (Frank Zappa), além de explorar novos timbres na hora de entrar numa jam que mesmo nos anos 200, ainda soa a frente de seu tempo.



4) Billy Preston - Live European Tour



Primeira gravação ao vivo de Billy Preston, "Live European Tour" foi lançado em 1974 na europa e no Japão.

Gravação da fase em que o músico abria os shows do Rolling Stone na europa (em 1973), esse vertiginoso Rock com pitadas classudas de Soul conta com Mick Taylor nas guitarras, além do trio que acompanhava o músico na época, o The God Squad.

 


5) Al Di Meola/John McLaughlin/Paco de Lucia - Friday Night In San Francisco



Uma gravação acústica capaz de reunir 3 dos maiores mestres do nylon? Sim, "Friday Night In San Francisco", ao vivo que coloca  Al Di Meola, McLaughlin e Paco no mesmo cômodo, o repertório desse encontro mostra como existem pessoas que não sabem pegar leve.

Tocando arpejos de nível celestial, esse disco mostra, não só um nível técnico intergalático, mas também evidencia que Paco de Lucia, mesmo ao lado desses monstros, reina soberano, com seu flamenco infalível. 1981... Nem faz tanto tempo assim.


6) Frank  Zappa - Zappa In New York



O Frank Zappa sempre teve uma boa relação com o Palladium. Quer uma prova disso? Escute "Zappa In New York", disco ao vivo gravado em 1976 e lançado apenas 2 anos depois, já em 1978.

Com a presença de músicos fundamentais para a carreira do guitarrista nos anos 70, desde Ruth Underwood até Terry Bozzio, esse duplex ainda contou com a presença dos Brecker Brothers e ressignificou o conceito de Jazz Fusion que Zappa criou a partir de diversas linhas de Big Band.


7) Go - Live From Paris



Supergrupo formado pelo percussionista e tecladista japonês Stomu Yamashta, o Go foi um dos projetos de Jazz Fusion mais loucos dos anos 70. Com a presença de nomes como Al Di Meola, Steve Winwood e Michael Shrive, o projeto teve vida curta, conta com apenas 3 discos em sua discografia, mas a qualidade é no mínimo diferenciada.

Vale lembrar que esse disco foi o sucessor do debutante homônimo, lançado no mesmo ano e que a banda ainda voltou para o estúdio em 77 para gravar o também competente "Go Too", última gravação do projeto.

O motivo pelos quais culminaram com o fim do grupo ainda não são claros, mas a banda ganhou novo fôlego graças a relançamentos recentes. Um som desses não pode ser esquecido, os discos de estúdio são soberbos, mas esse ao vivo gravado no Palais Des Sports no dia 12 de junho de 1976, esse realmente não pode passar batido Os climas do japonês Stomu Yamashta são memoráveis.


8) Dave Mason - Certified Live



Dave Mason é um daqueles caras sortudos. O americano não só foi um dos fundadores do Traffic, como ao longo de sua prolífica carreira ainda tocou ao lado de nomes como Eric Clapton, Jimi Hendrix, Fleetwood Mac, Michael Jackson... Acredite, essa lita é praticamente infinita!

Com um approach venenoso na guitarra, Dave fez um Rock primoroso, cheio de balanço e em "Certified Live", LP duplo lançado em 1976, eterniza toda a sua técnica e estilo econômico com um uma facilidade que tornou-se sinônimo de seu nome. Preste atenção no trampo de teclas do Mike Finnigan!


9) John Mayall - Jazz Blues Fusion



Apenas um dos diversos e também seminais registros ao vivo de John Mayall, "Jazz Blues Fusion", lançado em 1972, é uma dos discos mais importantes da história do Blues. Consagrando, dessa vez ao vivo, um novo Blues que ninguém sabia dizer se era Jazz ou do que se alimentava, o godfather do Blues britânico fez miséria e ainda contou com Blue Mitchell no trompete.

O primeiro lado do vinil é de um show em Boston, no Boston Music Hall, dia 18 de novembro de 1971. Já o segundo lado foi pinçado a partir de 2 shows específicos, ambos realizados no Hunter College, em Nova York, nos dias 3 e 4 de dezembro de 1971. Escute esse disco com uma vela acesa. 



10) Taste - Live At The Isle Of Wight



O Taste foi um dos maiores grupos de hard setentão que o mundo já viu. O trio chefiado pelo futuro astro, Rory Gallagher, tocou ao lado de grupos do seu quilate, como Cream e Traffic, mas nunca gozou da mesma notoriedade.

Nos últimos anos a banda voltou ao hype do mainstream em função de relançamentos que resgatam, além da filmagem do icônico show do trio no festival Isle Of Wight, muito material nunca antes lançado pelo grupo, como as versões alternativas dos 2 registros de estúdio (o debutante homônimo de 69 e "On The Boards", lançado no ano seguinte) que saíram nos últimos 2 anos.

Esse show gravado em 1970 só viu a luz do dia depois que o grupo acabou... Até hoje é difícil ouvir isso e pensar que os caras não fizeram mais nada depois. Bom, pelo menos ainda teve Rory Gallagher.

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Você sabia que o Hiram Bullock tocou Hendrix com uma Big Band?

Um dos grandes músicos norte americanos quando o assunto é Jazz, Funk, Blues e outras cozinhas que podem ser tocadas numa Fender Stratocaster, Hiram Bullock é um nome que merecia mais projeção quando o assunto é guitarra.

Com um approach dos mais versáteis, característica que o permitiu trabalhar ao lado de nomes como Bootsy Collins, Stevie Ray Vaughan, Miles Davis, Jaco Pastorius e Marcus Miller sem perder o rebolado, o músico nascido em Osaka (onde seu pai servia o exército na época), mas radicado nos Estados Unidos (na cidade de Baltimore), foi dono de um grande feeling.


Mais do que Blues, Funk ou Jazz, Hiram tinha sentimento em sua guitarra. Tocava fácil, fácil até demais alguns diriam... Não tinha tempo ruim, era só plugar o instrumento que o negrão se aproveitava de suas Fender.

Com ampla visão quando o assunto era dinâmica musical, Hiram foi parar na guitarra só depois de tocar piano, baixo e saxofone, quando já tinha 16 anos de idade.


Falecido em 2008, aos 52 anos de idade, em função de um câncer de gargante, o prolífico guitarrista deixou uma sólida discografia solo (com 16 registros), além de 3 discos ao lado de Carla Bley, mais 3 com a criativíssima Roberta Flack, vários lives ao lado de Jaco Pastorius, uma mão cheia de trampos com o Gil Evans... Vou parar por aqui, caso contrário não vai ter resenha.


Em resumo, existem poucos músicos que não tiveram a oportunidade de tocar ao lado desse senhor. Só que dentre ótimas colaborações e lives, existe um CD em particular que é de longe o menos badalado de sua discografia, porém um dos mais inspirados e originais, falo sobre "Hiram Bullock Plays The Music Of Jimi Hendrix".

Line Up Hiram Bullock Band:
Billy Cobham (bateria)
Hiram Bullock (guitarra/vocal)
Christopher Dell (vibrafone)
Stefan Rademacher (baixo)


Line Up WRD Big Band Koln:
Heiner Wiberny (saxofone tenor)
Matthias Erlewein (saxofone alto)
Oliver Peters (saxofone tenor)
Jorg Kaufmann (saxofone barítono)
Andy Haderer (trompete)
Rob Bruynen (trompete)
Rick Kiefer (trompete)
Klaus Osterlog (trompete)
John Marshall (trompete)
Ludwig Nuss (trombone)
Dave Horler (trombone)
Bernt Laukamp (trombone)
Mattis Cederberg (trombone)
Frank Chastenier (teclados)



Track List:
"Crosstown Traffic/Little Miss Lover"
"Red House"
"Foxy Lady"
"Little Wing"
"Voodoo Child"
"Gypsy Eyes"
"Manic Depression"


Lançado pelo selo JazzThing em 2008, esse ao vivo ainda conta com a presença de Billy Cobham na bateria e da WDR Big Band Koln, uma das mais tradicionais Big Bands, não só da Alemanha, mas da europa como um todo.

É interessante perceber que esse show foi gravado no dia 27 de maio de 2004, diretamente da universidade de Colônia, zona oeste da Alemanha, mas só foi mixado quase 4 anos depois, já em agosto de 2008, no próprio estúdio que a Big Band está acostumada a frequentar, o WRD Studio 4. O trampo de mixagem ficou sob a tutela de Reinhold Nickel e, apesar da demora, o resultado final paga os ouvintes com juros e correção monetária.


Esse live é bastante singular principalmente na questão dos arranjos. Hendrix era um grande fã dos instrumentos de sopro. Admirador de Rahsaan Roland Kirk, Jimi sempre prestou muita atenção na sutileza dos metais e é possível encontrar depoimentos do americano comentando sobre os impactos dessa influência no seu modus operandi de tocar.

São 14 peças só para os metais. Sobre a banda do Hiram Bullock? Bom, na bateria temos Billy Cobham, que era de fato "The man for this job". O panamenho mostra uma visão pra tocar nesse esquema que é brilhante e, junto do próprio Bullock, que manda surpreendentemente bem nos vocais, além da guitarra, o baixão do Stefan Rademacher (um dos destaques do disco), além do trampo de Christopher Dell nos vibrafones. Zappa estaria particularmente orgulhoso desse último.

O maior problema desse CD mesmo é o tempo. O set não dura nem meia hora, mas vou lhe dizer, esses serão cerca dos melhores 28 minutos do seu dia. Logo na abertura já entra um medley com "Crosstown Traffic/Little Miss Lover" que se aprochega com um baixo gorduroso, meliante da pior espécie.


Com "Red House" os metais da WDR Big Band mostram como o Blues pode soar majestoso. O sofrimento chega até a ser bonito e as teclas arrepiam o público com o maior improviso da noite. Depois o Hiram faz uma sessão fritação com o hit "Foxy Lady" e mostra a força de um bom arranjo de metais num compacto combo de Rock 'N' Roll.

A casa já devia estar de pé depois dessa. O Rock já tinha virado Funk, todo mundo estava sem solando sem o mínimo de vergonha na cara, mas ai a banda faz todo mundo chorar com um belíssimo mea culpa para um dos sons símbolo da áurea Hendrixiana, a doce "Little Wing".

Mas não pense que acabou, a safadeza volta logo na sequência, explorando um dos temas mais cavernosos do cherokee. É com "Little Wing" que a acidez chega ao ápice, já com "Gypsys Eyes" virando a esquina. Aí pra fechar os caras desconstroem a inventiva "Manic Depression" e depois de meia hora tu para e pensa: "Am i experienced?"

Que isso, vou pegar uma breja. Acho até que congelou.

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Led Zeppelin: Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra

Existem muitas bandas que só ficam famosas depois de muito tempo de estrada. É até meio injusto ver como esse fenômeno acontece, mas são coisas da vida, muitas delas inclusive inexplicáveis.

Tenho amigos com bandas e muitos deles já passaram dos 20 anos. É normal vê-los com pressa para criar material e programar shows, pois eles não tem muito tempo para isso e a música que tanto amam é dividida entre a faculdade e o trabalho, ou seja, tem tempo de validade caso ela não lhes brinde com o futuro que tanto almejam. 

Muitos dos meus compadres andam de ônibus, contam moedas para a cerveja e vivem reclamando que estão duros, que música não paga bem e etc e tal, mas aos 21 anos o Robert Plant já estava milionário, ele e todo o Led Zeppelin, banda que com absoluto primor, é contextualizada por Mick Wall em ''Led Zeppelin: Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra'', fantástico trabalho lançado em 2009.




O caso do Led Zeppelin é bem raro, poucas bandas explodem tão rápido como os britânicos da Black Country e creio que só eles deixaram este estrago. O lado ''injusto'' da história é que pra eles parece ter sido fácil demais. De fato, tudo aconteceu muito rápido, mas fácil? Fácil nunca foi. Todos os envolvidos dentro da banda seguiram o caminho da música desde muito jovens, sendo que quando a banda entrou no estúdio, Page e Jones estavam em casa, Plant e Bonham nem tanto, mas esses também estavam bem engatilhados no processo.

Este grande registro histórico da Larousse, que dentre outras surpresas ainda conta com capa dura e um rico material fotográfico, é de fato um dos melhores livros sobre música que foram lançados em nosso país. São quase 560 folhas no padrão Mick Wall: informação de qualidade em profundidade e de forma objetiva, tudo diretamente da fonte, afinal Mick é uma autoridade no assunto.


Robert Plant foi observado por Jimmy Page e Peter Grant. Bonham também, e só Jones veio graças ao jornal para passar no teste com seu absurdamente técnico fraseado, e sua grande experiência nos estúdios como Page. E estava aí, uma das maiores bandas de todos os tempos, formada por quatro dos maiores nomes da história de suas respectivas áreas de atuação.

Teve Led Zeppelin I, II, III,IV. Muita história sendo escrita a cada passo, e que aqui está mais do que bem documentado, passando por todos os supostos plágios, pelas carreiras de coca, excessos alcoólicos, óbitos e problemas legais.

Mick Wall traça um panorama de dezenas de estilos musicais e consegue fazer conexão com tudo que o Led já fez. Desde o Blues nos campos de algodão, passando por Gene Vincent e a cena psicodélica da Bay Area de São Francisco, que dentre milhares de bandas contou com o excelente Moby Grape, grupo que Plant tanto idolatrava

Por que de resto os fãs já sabem, quando esses quatro indivíduos blindados de características completamente diferente se juntavam, o resultado era inexplicável, e só isso foi o que segurou John Paul Jones e alguns de seus companheiros no caminho, mas se você esqueceu de certos detalhes fique tranquilo, Mick vai repassar tudo.

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Nunca fiz uma Playlist no Spotify #15 - Groovin' with Macrocefalia Musical

Não tem nada melhor na música do que o groove. Pelo menos aqui no Macrocefalia Musical esse é o primeiro detalhe que é notado nas jams: se notarmos a ausência de balanço a chance de virar resenha é mínima.

Sem o swing não tem motivo pra batucar palavras. Não importa se for Blues, Progressivo, MPB... Pode ser até um Gospel arrastado na voz da Aretha Franklin, mas precisa ter groove. A barreira de estilos é um detalhe, mas o groove sim é universal.


Por isso que, pra variar, ele é o foco central de mais uma playlist do nosso clã psicodélico. Por isso, separe uma cerveja, prepare seus quitutes, sente-se num lugar confortável e apenas aprecie as ondas sonoras.

Esqueça os gêneros, apenas sinta o groove. E fique tranquilo minha joia, se acabar o som, basta escolher outra playlist pra reiniciar a sessão. Aperte o play, padawan.


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Atenção para os sacos de vacilo: logo mais tem Kadavar no Brasil

Depois de colarem no Brasil em 2015 com uma das tours mais demenciais patrocinadas pela Abraxas, quase 3 anos depois, adivinha só quem está de volta na praça? Sim meus caros, os 3 meliantes alemães de 3 metros de altura, que juntos, formam o Kadavar, uma das maiores bandas do mundo quando o assunto é aquele som que faz o seu vizinho chamar a policia.

Essa é a segunda chance que o público brasileiro tem pra pegar um show ao vivo  de um dos melhores grupos europeus em ação na cena atual. Agora com o quarto disco de estúdio debaixo do braço "Rough Times", lançado em 2017, o trio membro do cast da Nuclear Blast está se preparando para a varrer as plateias brasileiras outra vez.


Uma iniciativa em parceria com as produtoras Red House (Chile) e Noiseground (Argentina), além da já citada Abraxas, os gigantes chegam para uma gira sulamericana evenenada, contando com 9 datas, sendo 5 delas no Brasil.

Escolhe a sua cidade de preferência e verifique todos os detalhes do serviço logo abaixo e se você ainda estiver com dúvida, trate de sanar isso ai com a cobertura completa da tour passada que passou 4 estados nacionais.

Foto: Macrocefalia Musical

Serviço:


Show do Kadavar em Belo Horizonte
Data: quinta-feira, 1 de março de 2018
Local: Studio Bar
Endereço: Rua Guajajaras nº 842, Centro
Horário: 21h
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Show do Kadavar em Florianópolis
Banda de abertura: Monte Resina
Data: sexta-feira, 2 de março de 2018
Local: Célula Showcase
Endereço: Rodovia João Paulo nº 75
Horário: 23h
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Show do Kadavar em São Paulo
Data: sábado, 3 de março de 2018
Local: Fabrique Club
Endereço: Rua Barra Funda nº 1071
Horário: 18h
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Show do Kadavar no Rio de Janeiro - Hocus Pocus Festival 2018
Data: domingo, 4 de março de 2018
Bandas de abertura: Galactic Gulag & Anjo Gabriel
Local: Cais da Imperatriz
Endereço: Rua Sacadura Cabral nº 145
Horário: 17h
Página do evento no Facebook: clique aqui.

Show do Kadavar em Santa Maria
Data: terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Bandas de abertura: Moonmath, Peixes Voadores & Quarto Ácido
Local: Sonho de festa
Endereço: Rua Francisco Manuel
Horário: 20h
Página do evento no Facebook: clique aqui.

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Medusalodoom - Qual é a fita desse Rock fumado brasileiro? Renan Casarin Explica

Meu nome é Guilherme Espir. Sou de São Paulo e escrevo sobre música tem quase 6 anos. Esse espaço, o Macrocefalia Musical, tem sido meu laboratório desde o final de 2012, pra falar, não só sobre Rock, mas também Blues, Soul, muito Funk, Jazz, Fusion, MPB, Zappa e etc, isso desde que eu curta e tenha uma ideia pra abordar em texto.

Desde que comecei a escrever, sempre priorizei esse canal, mas também fiz ponte no La Parola, do Flaubi Farias, no Southern Rock Brasil (Filipi Junio), New Yeah Música, Whiplash, CDM (Joyce Guillarducci), O Inimigo (MTV), Oganpazan e Obvious Lounge, sempre percebendo como a cena, agora com foco no bandido "Rock nacional", está mudando.

Hoje existem dezenas de bandas aqui em sampa. No Rio tem mais uma penca, Nordeste está quentíssimo nesse aspecto, em Londrina tem muita gente boa também e quando tu desce de carro indo em direção ao sul do país, o eixo Rio Grande do Sul-Floripa, espanta pela efervescência e pela volatilidade com a qual a cena está se desenrolando de 2010 pra cá.

Necro no Morfeus Club. Nesse dia ainda teve Hammerhead Blues e Saturndut

Tem gente em Minas Gerais (Deserto Elétrico), Goiânia, Brasilia... São dezenas de estados e muitas bandas interessantes. O movimento é bastante rico e conta com uma galera bem jovem e com uma maturidade que assusta em termos de quantidade de grupos, qualidade de gravação e maturidade sonora mesmo.

O problema disso tudo é que, agora falando só de São Paulo, a cena underground não é todo esse glamour utópico que a galera fala ou finge que dá apoio através do Facebook.

O público de São Paulo é resistente pra caralho. A grade de eventos da cidade é insana de movimentada e sempre, SEMPRE, vai ter alguma coisa pra fazer, seja um rolê pra encher a cara e fumar maconha ou até mesmo pegar um show da cena, patrocinado pelos produtores locais que sofrem demais pra conseguir 10 pagantes num show que, no evento do Facebook, tinha 200 confirmados.

Abraxas Fest com Bombay Groovy, Anjo Gabriel e The Flying Eyes

É foda tu encher uma casa. É bem difícil colocar um público bom num rolê de semana ou final de semana, isso além de ter que contar com a sorte de escolher uma data que já não tenha 7 shows coexistindo, fora que precisa torcer pra não chover.

Se choveu no dia do seu rolê cara, esquece, a galera daqui vai desistir de ir e digo mais, não fique puto caso eles ainda tenham a moral de ir num bar tomar chopp ouvindo banda cover. Esse negócio de banda cover está sumindo, é verdade, mas ainda assim faz parte da noite paulistana e ainda vai demorar pra descentralizar isso aí.

Por que estou chorando tantas pitangas assim? No dia 22 de janeiro saiu, com exclusividade pela Vice (Noisey), o documentário "Medusalodoom", um trampo com produção do Renan Casarin, talvez um dos caras mais criativos quando o assunto é clipe e live session da galera que forma a cena "Stoner", puro revisionismo, pelo menos em termos de nomenclatura pra definição de gênero.

Monstro Amigo numa noite de mais chapação - Foto: Macrocefalia Musical

É estranho isso também, como existe gente que precisa classificar o som, até por que se você parar pra pensar, é impossível colocar a Augustine Azul, da Paraíba, por exemplo, no mesmo patamar do Radio Moscow em termos de estilo. Hoje chamam ambos de Stoner, mas é claro que não é assim que funciona. 

É bom perceber isso por que fica fácil entender que a cena hoje caminha como um bloco, mas na prática o bagulho ainda é muito embrionário e foi isso que o documentário do Renan Casarim mostra. Apesar do fulminante crescimento, a cena do Brasil ainda é um bebê engatinhando perto dos caras da Europa e Estados Unidos.

Existe muito mato pra capinar. É claro que também não quer dizer que falte profissionalismo, mas ainda existe muito espaço pra crescimento, abertura de eixos, novos espaços pra esses rolês (até mesmo em São Paulo), e também seria interessante contar com mais produtoras por que uma Abraxas só não faz verão. Os irmãos Toscano precisam sofrer umas 420 meioses pra dar conta de tanta coisa que pinga na caixa de entrada deles.

Munoz no Superloft - Foto: Macrocefalia Musical

Não existe nada parecido com esse documentário na cena. Esse é apenas mais um indicador pra comprovar como ainda tem espaço pra crescimento, algo que é bom pra todo mundo. Aqui, as lentes derretidas do Renan conseguem captar a essência de todo o corre que é feito pra sustentar a correria do underground minimamente, seja em floripa ou em sampa com a Doomnation.

Com foco no festival Megalodoom, realizado em Brusque e no Medusa Stoner Fest, sediado em Florianópolis, o documentário  "Rock Chapado Brasileiro" serve pra você que já saca a cena e pra qualquer meliante que ainda esteja estudando o movimento. As próprias bandas que fazem a parada, falando sobre elas mesmas e desenrolando sobre os seus companheiros de van, trocando ideia sobre o eixo do Nordeste, lembrando da Necro, Black Witch, salientando a galera de Curitiba, lembrando dos caras da Pantanum...

Arte: Lucas Klepa

Discussão com quem entende e faz o bagulho acontecer, tudo aí, sem cuspe e sem massagem direto para os seus ouvidos e com a sensibilidade do cara que dirigiu tudo isso e fez o corre de edição durante o ano de 2017 inteiro. 

Com ajuda do Júlio Miotto (produção - Calamar Sounds), Renan nas filmagens, edição e direção, além do Lucas Klepa e do Felipe Maciel nas câmeras adicionais, "Rock Chapado Brasileiro" é o primeiro trampo brasuca que cumpre a difícil função de prover um plano de fundo para o underground nosso de cada dia.

Ainda consegui trocar uma ideia com o responsável por toda essa empreitada. Foi importante pra sacar a visão dele sobre tudo isso e projetar outras coisas, visando o crescimento de todo mundo, desde as bandas até a galera que fica atrás das câmeras.

1) Renan, como que é fazer um corre independente desse, mesmo numa cena que, como vimos no documentário, está crescendo bastante, mas que em termos concretos, ainda está num estágio embrionário?


Cara, é um corre trabalhoso, porém muito satisfatório porque tem paixão envolvida no trampo. É difícil de fazer acontecer o que rolou no doc, que foram  2 festivais em um dia, no outro dia gravar um monte de sessions e para finalizar captar mais um show pela noite.

Porra, foi uma sequência de eventos de música “chapada” em um final de semana, e isso não acontece sempre. Tudo isso aconteceu pela união da galera que produziu a porra toda, as bandas, os produtores, o público que saiu de um fest em uma cidade e foi para outra na mesma noite só para colar nos shows. E pô, isso não acontece sempre, por isso que documentamos esses rolês, foi algo além do normal. União é a palavra que resume tudo.

2) Como que você vê esse lance de bandas com diferentes estilos estarem no mesmo bloco do Stoner?


Acho isso lindo man, traz diversidade nos sons e em tudo que está relacionado a música, cada banda tem a sua releitura nas influências que cercam esse meio. Eu sempre falo que o Stoner é um movimento, e é como o Mauro da Muñoz disse no doc, tudo hoje em dia virou Stoner.

Se tu tens uma banda que tem um som “chapado”, um riff arrastado ou umas paradas psicodélicas no meio, já rotulam como Stoner. E eu não vejo mal nisso, tem gente que sim, mas é uma parada que tá rolando e tá massa demais, ainda mais pra quem curte esse tipo de som. Mas no final das contas é tudo Rock ’N' Roll.

3) Como você acha que é possível evoluir com a qualidade da produção local, sempre aliado a sua área, a produção audiovisual?


Cara, temos que produzir mais, muito mais! Falo isso em relação a música no geral e agregando o audiovisual junto. Eu comecei nessa de gravar bandas em 2013, e essa é a minha paixão desde então, é uma parada que eu sinto tesão em fazer, música e vídeo, os dois tem que andar juntos.

Uma coisa é só escutar a música, mas se tu adiciona uma produção audiovisual junto, porra, a brisa só aumenta. Seja em um clipe, uma live, um vídeo experimental, cobertura de rolê, documentário, tanto faz, só vai agregar.

Aí muita gente vem falar, “Ah, mais e a grana pra bancar a porra toda?” Galera, tudo se resolve na conversa, tem que ficar bom para os 2 lados. Aproveitando a deixa, bandas e produtores, banquem o transporte, o rango, aquele colchão na sala com um ventilador, e uma grana a mais (porque tenho que pagar contas também rsrs) e bora produzir porra, me chamem que eu vou com o maior prazer, tô falando sério.

4) Hoje em dia eu acho que o maior problema dos eventos menores é o pouco tempo de divulgação + pré evento fraco + pós evento pífio. Quais são os detalhes de produção que você acha que podem fazer diferença no resultado final, mas que aqui no Brasil ainda estão em fase experimental?


Eu falo que a publicidade é a alma do negócio, tem que ser marqueteiro, afinal estamos envolvidos no mundo da música e de certa maneira quem produz música e eventos tem que tratar isso como um empreendimento. Mas mesmo divulgando pra caralho tem muita gente que não cola, seja por falta de grana, transporte/distância, compromissos no mesmo dia do rolê, ou porque é pau no cú mesmo e não vai prestigiar as bandaças que nosso país tem, ou só paga pau pra banda gringa, enfim, são muitas variáveis.

E tem aquele velho lance do brasileiro de deixar tudo para a última hora, muita galera decidi ir nos rolês em cima do laço e acaba não indo. Eu mesmo só não vou em alguns rolês por causa do meu trampo “comum” e pelo translado.

Mas voltando a pergunta, temos que ampliar mais em termos de público, falo no sentido de fazer uma parada que atraia mais pessoas de fora, tipo esses festivais que agregam arte no geral, feiras de arte coletiva (tem muitos artistas fodas no nosso meio), rangos para todos os gostos, cerva barata e colocar bandas de outras vertentes do rock também. Acho que é por aí.

5) E sobre a mescla de bandas, você acredita que o negócio ideal é montar um line que traga o cara do Punk, mas também chame o meliante do Hardcore ou é melhor deixar as coisas cada uma na sua caixinha?


Quanto mais diversidade melhor, mais galera vai colar nos rolês né. Amo o som arrastado, psicodélico, mas não podemos nos fechar apenas nisso. Pô, um exemplo foi o Giramondo Underground Festival, que rolou em Brusque/SC. Tinha Punk, Blues, tinha Rock ’N' Roll, e Doom, E foi foda pra caralho! Foi um dos fests mais doidos que já fui e teve feira de arte coletiva, rangos e tudo mais, como comentei na resposta anterior. Na minha opinião tem que ter mais festivais como foi esse.

6) A cena nunca viu um trabalho parecido com esse. Você pretende fazer outros documentários com foco em outras regiões do país? Depois do sul acho que o sudeste e o nordeste são 2 dos principais pilares na cena hoje, como você vê a galera, pensando regionalmente?


Sim man, por favor! Hahaha Quando gravamos o Medusalodoom foi sem noção nenhuma, apenas peguei a câmera e saímos gravando tudo, sem planejar nada, mas ficou bom mesmo assim, mas os próximos vou planejar melhor, até faltou várias bandas para inserir aqui na região sul, como a Cattarse, Pantanum, Cassandra, Quarto Ácido, Rinoceronte que agora voltou a ativa.

Até daria para fazer outro doc só com essas bandas. Mas como tu falou, o Sudeste e Nordeste são uma ótima pedida! E porra, o Nordeste só tem banda foda cara, se rolar mesmo vou ficar mó feliz de conhecer essa região do nosso país e a galera que faz acontecer por lá, e já estou conversando com uma galera pra fazer esses próximos docs rolarem.

Mas tudo no seu devido tempo, porque não é tão fácil assim também. Cara, cada região tem suas características, seja na geografia, na cultura, no rolê. Em Sampa só fui em um rolê até hoje, que foi o Belzebong, e o mais próximo do Nordeste que cheguei foi em Brasilia, mas não foi pra rolê, então não sei bem como as coisas rolam por lá. Mas quero muito ir sim e mostrar tudo o que rola nesse cenário da música chapada, arrastada, psicodélica que tem no nosso Brasa.

Aperta play ai:

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Bloco Ritaleena no Cine Joia? Bora

Achou que não ia ter mais bloco de carnaval, mesmo que teoricamente o feriado e os desfiles tenham chegado ao fim? Bom, nesse caso você achou errado, otário!

E para provar com fatos, basta dizer que dia 17 de fevereiro vai rolar mais uma edição do Bailee do famoso bloco Ritaleena na casa mais charmosa da Liberdade.

Sim, depois de duas concorridas passagens de blocos de rua, uma em Pinheiros e outra no Ipiranga, o grupo finalizará as homenagens aos 70 anos da sua musa inspiradora, Rita Lee, no palco do Cine Joia.

Abaixo seguem mais detalhes sobre a formação da banda e o serviço da casa.

Formação da banda:
Alessa – voz principal
Yumi Sakate – backing vocals
Carol Oliveira, Maurício Badé e Ilker Ezaki – percussão
Abuhl Jr. - bateria
Marcelo D’Angelo – guitarra
Fernando Henna – teclados
Aimê Uehara – baixo


Serviço:
Bloco Ritaleena se despede do carnaval com festa no Cine Joia
Data: sábado, 17 de fevereiro de 2018
Horário: 23:30h
Ingressos: R$ 20,00
Vendas:
Ingresse – ingresse.com/ingressos-cine-joia-ritaleenaBilheteria do Cine Joia - horários de funcionamento no rodapé

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