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Nunca fiz uma playlist #2 - Abraxas

Quem costuma frequentar shows poucas vezes pensa em quem está trabalhando por trás de todo o rolê. Por vezes, ninguém nem imagina qual é o tamanho da lombra de produção para deixar tudo pronto pra uma tour, desde fazer a travessia das bandas entre as cidades, até montar a tradicional banca com os discos e EP's de todos os meliantes que dividiram o palco.

Por isso, em nome de todo o corre colossal que alguns desse maníacos sonoros nutrem com tanta paixão, que a segunda playlist da séria "Nunca Fiz uma Playlist", patrocinada pelo núcleo psicodélico do Macrocefalia Musical (em troca de um litrão) presta uma homenagem aos irmãos Rodrigo e Felipe Toscano.


Duas das mais nebulosas mentes criativas por trás da produtora carioca Abraxas, ambos são responsáveis por descentralizar a cena Stoner-Sludge-Psych-Doom dos núcleos europeus, trazendo grupos como o alemão Kadavar e o combo americano Radio Moscow, 2 exemplos de bandas que, se não fosse por eles, nunca teriam pisado em terras brasucas.


Além disso, a importância da Abraxas para o underground nacional é homérica. Com a curadoria dos cariocas, cidades como Florianópolis, Londrina, Goiânia e Paraíba, por exemplo, estão em voga nos fones de ouvidos dos mais ligados, graças a sons como o da Cobalt Blue, Red Mess, Almirante Shiva e Augustine Azul.

Por isso, eis que surge a playlist "Abraxas", um compilado de 30 sons (entre gringos e brasileiros) que tenta cumprir a difícil tarefa de resumir os mais de 2 anos e incontáveis rolês endossados pela Abraxas, através de praticamente 3 horas de altas fritações.

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Snarky Puppy e os absurdos instrumentais de We Like It Here

A vida é tão corrida que as vezes um mimo se faz necessário. Planejamos cada centímetro de nossa rotina. Sabemos que quando o despertador toca de manhã, não pode existir uma fagulha de atraso, afinal de contas precisamos nos arrumar, tomar café e ainda correr para o carro, ou para o ponto de ônibus, sabendo que chegar na hora nunca depende 100% de você. O fator trânsito é sempre uma incógnita, e o pior, não serve só para quem faz uso de nossa ótima malha de transportes coletivos.

Suponde que você chegou no seu trabalho na hora, saiba que a labuta apenas começou, chegar é sua obrigação, mas só nessa primeira etapa o porte físico do trabalhador já é bem testado. São horas de sofrimento até um almoço que parece nunca chegar e, que quando surge, passa lentamente tal qual uma Ferrari numa reta. 


Do momento que você levanta, até a hora que chega em casa (ou que chega na faculdade para os estagiários desafortunados), sua vida segue um cronograma digno de berçário infantil, mas quando tudo termina a liberdade se faz presente, e eu como muitas pessoas recorro à fuga sonora, o descanso da música. 

E para fazê-lo de uma forma que além de diversificar gêneros, visa também reafirmar para tudo e todos que aquele tempo é MEU, sempre escolho um novo groove. O segredo é conseguir achar um som que traduza a libertinagem, sempre regado a uma cozinha que demonstre pura liberdade, por isso, para elucidar este dia que passa perante vossos olhos, escolhi o Snarky Puppy e a energia incontestável de ''We Like It Here'', o oitavo disco de uma das maiores e melhores bandas de Jazz que nasceram na última década.  

Line Up:
Michael League (teclados/baixo)
Shaun Martin (teclados/talk box)
Bill Laurence (teclados)
Cory Henry (órgão)
Justin Stanton (piano)
Mark Lettieri (guitarra)
Bob Lanzetti (guitarra)
Chris McQuinn (guitarra)
Nate Werth (percussão)
Larnell Lewis (bateria)
Mike Maher (trompete)
Chris Bullock (saxofone)
Bob Reynolds (saxofone)
Jay Jennings (trompete)



Track List:
''Shofukan''
''What About Me''
''Sleeper''
''Jambone''
''Kite''
''Outelier''
''Tio Macao''
''Lingus''


O Snarky Puppy é uma numerosa trupe que produz um som impressionante. Essa verdadeira orquestra mistura o melhor do Jazz clássico com a força do Fusion, deixa o Funk em banho maria, tempera com uma percussão e ainda tira onda no Rock 'N' Roll e brinca com a música clássica. Parece meio confuso mas não é, o som dos caras possui influências diversas, mas é justamente a forma como eles destilam tudo junto e misturado que é o grande barato.

A riqueza sonora é impressionante e o sentimento se faz sempre presente. É tão bom que PRECISAVA ser instrumental. Existem coisas que não podem ser descritas, bastam na áurea da música sem vocais, e a desses caras é de altíssimo nível e está descabelando os críticos com uma cozinha inovadora e muita criatividade.


Escolhi esse trabalho por que ele é síntese do que essa banda representa e é capaz de fazer, fora que foi lançado no melhor momento da história dos caras. ''We Like It Here'' é um disco ao vivo que saiu no dia 25 de fevereiro de 2014 e que sacramenta  a forma grandiosa com que este projeto segue se desenrolando, sempre no tempo do slap, fazendo uma rotação de músicos enorme e atualizando o portfólio de grandes discos anualmente.

E nesta performance registrada no meio da Tour holandesa, o som atinge um apogeu de força e qualidade sonora que beira o impossível. Temos quase exatos e cronometrados 60 minutos de som e o que sai dos fones é de uma exatidão e prudência faraônica.


A percussão mostra sua notoriedade em ''Shofukan'', oxigenação jazzística em ''What About Me''... É a bendita liberdade criativa! Só tenha cuidado para não viajar demais na linha do bass do Michael League, tampouco nas teclas do Cory Henry.

Amanhã tu precisa acordar cedo, e se tudo der certo, de noite tem mais Snarky Puppy outra vez com Larnell Lewis e suas linhas que mal se acompanham com o dedo e todo o requinte com DNA de Stevie Wonder da talkbox do Shaun Martin .

Mal posso esperar pelo furacão eletrificado de ''Sleeper'', os traços made in Africa com ''Tio Macao'' ou pelo swing incontestável de ''What About Me''. 


Puta merda, já são 9:30. HAHAHA

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O Royal Blood virou moda praia-hipster 2017

Foi tudo muito rápido para os britânicos da Royal Blood. Tão logo Jimmy Page manifestou seu interesse no som da dupla, ressaltando a sonoridade distinta da banda - mesmo que imersos num conceito de garagem já bastante experimentado nos '60 & '70 - que o baterista Ben Thatcher e o baixista e vocalista Mike Kerr, estouraram no mainstream com um dos grades debutantes do anos de 2014.

Junto com ele, surgiram diversas aparições nos maiores festivais do mundo e a banda chegou até a passar pelo Brasil em 2015 durante o Rock In Rio. Só que é aquela história, depois de gravar um disco tão singular e exato dentro do que a gravação se propunha a fazer, os fãs e a crítica ficaram na bota dos caras durante praticamente 3 anos até que a sequência desse trabalho surgisse.


E foi no dia 16 de junho de 2017 com "How Did We Get So Dark'' que a banda lançou o segundo disco de estúdio. Com uma sonoridade esteticamente platinada e com uma produção que deixou o lado mais cru da banda completamente domesticado, "How Did We Get So Dard'', lançado pela Warner, tem tudo para ser um dos grandes discos do ano em termos de quantidade de cópias vendidas, porém, em termos musicais, considerar esse disco melhor que o primeiro é... Bom, é uma palhaçada.

Line Up:
Ben Thatcher (bateria/percussão)
Mike Kerr (teclados/baixo/vocal)



Track List:
''How Did We Get So Dark''
''Lights Out''
''I Only Lie When I Love You''
''She's Creeping''
''Look Like You Know''
''Where Are You Now''
''Don't Tell''
''Hook, Lines & Sinker"
''Hole In Your Heart''
''Sleep''


Talvez o maior ponto para ressaltar o marasmo sintético desse trabalho seja a falta de criatividade que ambos, tanto Ben Thatcher, quanto Mike Kerr, tiveram na hora de registrar as 10 faixas que formam esse trabalho. Apostando na mesma tática de "tiro curto" do primeiro disco, esse lançamento termina antes dos 35 minutos de quebradeira, mas dessa vez o tempo custa a passar.

Essa dinâmica de baixo-batera é muito interessante, mas ao mesmo tempo pode ser uma cilada. É muito fácil cair na rotina e ficar num lugar comum que (verdade seja dita) é muito perigoso na hora de gravar, já que as composições podem passar uma dinâmica muito repetitiva, algo que definitivamente acontece aqui, desde a abertura com a faixa título do trampo.


Apostando em timbragens mais lights e botando muita fé em climas bastante parecidos entre si, as faixas que formam "How We Get So Dark" caminham de maneira friamente calculada rumo ao topo das paradas, mas de forma barata, plagiando a si mesmo, faixa após faixa.

Nota-se desde os backing vocals meio anos 80 da primeira faixa que eles não buscaram manter a escrita do debutante, mas como essa é a identidade do som, ainda é possível escutar ecos do primeiro trabalho, como na segunda faixa do registro, a (pra variar) radiofônica "Lights Out".


Mais um dos 4 singles de "How Did We Get So Dark'', ''I Only Lie When I Love You'', mostra como a bateria repetitiva de Ben Thatcher deixou o híbrido de baixo-guitarra de Mike Kerr chover no molhado.

E em termos de dinâmica musical essa gravação é a pior rica da discografia dos britânicos até o momento. Durante temas como "She's Creeping", é possível cortar o entrosamento da dupla com uma faca, mas é visível como as mudanças de peso e densidade de timbragens não tiveram a mesma ousadia de outrora.

Tem som pra ficar no repeat durante semanas nas paradas Pop's, como é o caso de "Look Like You Know" e "Where Are You No'', dois grandes exemplos para se entender como um disco comum ganha status de clássico, apenas pela levada que faz apologia às FM's .


E mesmo quando a banda aposta num clima mais down com a introspecção de "Don't Tell'', ou até mesmo tenta inovar com um boogie de teclados (em "Hook, Lines & Sinker"), fica bem claro como esse disco tem pouco a oferecer, ainda mais se comparado ao debutante..

O Royal Blood é uma banda interessante. O primeiro disco dos caras é um belo trabalho, mas essa gravação só mostra o quanto o mundo precisava abaixar a bola na hora de exaltar bandas dessa maneira.

Existem muitos grupos tão competentes (ou até mais) do que esse aqui, mas a questão no final do dia parece muito mais relacionada com o encurtamento das distâncias entre as bandas e as paradas de sucesso, do que uma busca por novas perspectivas em relação aos objetivos criativos de 2 músicos claramente competentes e criativos, mas que pelo menos aqui resolveram jogar com o livro de regras debaixo do braço só por comodidade, justamente num momento onde eles (muito provavelmente) tiveram mais dinheiro, tempo e recursos para ousar ainda mais... Vai entender uma merda dessas...

Vamos esperar que eles voltem para as origens no próximo disco, por que esse aí ficou manso demais.

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No Mundo dos Sons: o baião hermético do Homem de Gelo

A música é um massa disforme e sedutora. Ela quer que alguém venha e mostre novas perspectivas, novos sons, formatos e ideias. Na verdade não é só a música propriamente dita, mas sim os seus e os meus ouvidos.

Quem gosta das notas busca novos desafios, almeja novas experiências com os fones de ouvido e quer sempre explorar os meandros que são capazes de transformar um Xaxado num Jazz em menos de 30 segundos.

Só que o grande lance é que pra fazer isso o músico precisa querer. É necessário criar sem amarras, tocar com liberdade e buscar novas sensações, ruídos e aspirações... É importante explorar a essência da música dentro de todo o seu contexto universal.


Hoje em dia são raros os músicos que fazem isso. Numa indústria que prioriza modelos recauchutados (ainda mais no Brasil), parece que o cenário está cada vez mais estreito para receber bandas que façam algo original ou menos simplório apenas para suprir as demandas do mercado Pop.

Mas enquanto o mundo caminha para o lado do minimalismo-hipster-nonsense, para encurtar as distâncias mercadológicas de uma indústria confusa em termos de modelagem de negócio, coube a um certo alagoano de 81 anos a difícil tarefa de mostrar, não só para o Brasil, mas ao mundo, que enquanto o cosmos ainda pulsar, vale a pena mergulhar nas profundezas do som e tentar trazer algo inédito para a superfície.

Line Up:
Itiberê Zwarg (baixo)
Ajurinã Zwarg (bateria)
André Marques (piano)
Jota P. (saxofone)
Fabio Pascoal (percussão)
Hermeto Pascoal (qualquer instrumento que você quiser)



Track List CD1:
"Viva São Paulo"
''Vinicius Dorin em Búzios"
"Para Thad Jones"
"Para Miles Davis"
"Mazinho Tocando no Coreto"
"Viva Piazzolla!"
"Forró da Gota para Sivuca"
"Carlos Malta Tupizando"
"Som da Aura"


Track List CD2:
"Entrando pelos Canos"
''Para Tom Jobim"
"Ilza Nova"
"Salve, Pernambuco Percussão!"
"Viva Edu Lobo!"
''Para Ron Carter"
"De Fabio para Jovino Santos"
"Um abraço Chick Corea"
"Rafael Amor Eterno"


Lançado no dia 28 de julho de 2017 pelo Selo Sesc, em parceria com a Scubidu Records, "No Mundo dos Sons" é o primeiro disco do Hermeto Pascoal & Grupo em 12 anos. Com a praticamente inflamável criatividade que lhe é peculiar, tanto Hermeto quanto o seu senhor grupo destilam uma coqueluche de ritmos, estilos e improvisos que cobrem toda a estética, tanto brasileira quanto mundial da música, sempre com rara atenção em cada uma das notas que formam as 18 faixas desse registro duplo.


Nesse disco é notável como Hermeto está mais focado nos arranjos. Muito disso também em função do projeto no formato de Big Band que o autodidata realizou graças ao Edital da Natura Musical. Esse trabalho, assim como "No Mundo dos Sons'', também vai sair em 2017, mas ainda sem previsão de data para lançamento.

Voltando ao mundo da música universal, 2 nomes da banda do homem de gelo merecem destaque: Itiberê Zwarg, comparsa do bruxo desde 77 (que nesse disco toca uma barbaridade) e o saxofonista João Paulo, responsável por dezenas de passagens sublimes, dignas daquelas melodias que você assovia durante semanas, como a açucarada homenagem de Hermeto para o infelizmente já falecido,Vinicius Dorin, saxofonista do grupo de 1993 até 2015.


Ainda rolam alquimias que brincam de fazer Free-Jazz como na abertura do disco com "Viva São Paulo", dinâmicas de Big Band, como no Baião-Fusion que homenageia o brilhante trompetista Thad Jones (em "Para Thad Jones") e ritmos quebrados e praticamente bipolares que dessa vez prestam tributo ao grande Miles Davis.

Aliás, este foi outro gênio que também conheceu os encantos Herméticos durante o apogeu de sua fase Fusion. Vale lembrar que o Sr. Pascoal foi destaque de um dos maiores registros da carreira de Miles, falo sobre o retumbante LP ao vivo intitulado "Live-Evil", lançado em 1971.


Um disco cheio de detalhes, "No Mundo dos Sons" é cirúrgico em sua riqueza, justamente por proporcionar uma grande imersão ao ouvinte. A levada que o filho do mestre (Fabio Pascoal) sustenta no triângulo de "Mazinho Tocano no Coreto" pode até parecer fácil, mas pra manter esse ritmo são outros 500. Belíssimo trabalho de percussão!

O filho do Itiberê (Ajurinã) é outro que rouba a cena. Durante a homenagem de Hermeto ao amigo Astor Piazzolla, a versatilidade da pegada na bateria é louvável. A classe do Tango definitivamente passou pelos kits do talentoso músico, assim como a perícia das teclas de Andre Marques durante mais uma homenagem, dessa vez para Sivuca ("Forró da Gota para Sivuca").


Momentos dignos do mais puro e absoluto deleite. Itiberê bufando no cangote de todos os instrumentos, melodias grandiosas (como em "Carlos Malta Tupizando") e mais de 90 minutos de pura maestria sonora como resultado.

Um disco duplo diretamente da fonte. Direto de um dos caras que não deve nada pra ninguém (há décadas). Sem dúvida alguma um dos maiores gênios da música interplanetária, dono de uma criatividade ímpar e um senso de urgência em compor que não se aquieta nem com 81 anos de idade.

Pode ser "Entrando Pelo Cano", ligando para o Tom Jobim ("Para Tom Jobim"), homenageando o Ron Carter ("Para Ron Carter") ou enaltecendo a virtuose de Chick Corea ("Um Abraço Chick Corea"), Hermeto Pascoal & Grupo mostram que a música contém nuances e conceitos estéticos que na mão de virtuosos deste calibre transformam a arte de musicar a mente de Hermeto numa tarefa que apesar de parecer fácil, é tão difícil quanto saciar o apetite do mago.

81 anos de idade e ainda com fôlego para lançar um dos maiores discos nacionais de 2017. Senhoras e senhores: Hermeto Pascoal & Grupo.

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Prepare o seu salmo: dia 19 de agosto rola Stoned Jesus em São Paulo

Depois de sua estréia em terras brasileiras no ano de 2016, o rápido retorno do Stoned Jesus ai Brasil mostra o quanto o som do trio ucraniano foi aceito frente ao ainda bastante resistente público de São Paulo.

Agora, já com certa intimidade com nossa terrinha, a banda agendou 5 datas no Brasil para o mês de agosto e ainda vai tocar o maior clássico do grupo até o momento ("Seven Thunders Roar" - lançado em 2012) na íntegra.

Arte: Victória Santos

Sobre o rolê de sampa, vale lembrar que além do trio principal a Abraxas ainda colocou o Red Mess (Londrina) e o Cobalt Blue (Floripa) no esquema, só pra mostrar que a cena local segue rendendo frutos nos mais variados eixos que formam esse país.

Pelo lado do Red Mess podemos esperar um show focado no repertório do primeiro full deste jovem combo de meliantes, o elogiado "Into The Mass", lançado em agosto deste ano. 


Já os caras da "Cobalt Blue" vão arrepiar os falantes com as faixas de "Stop Momentum", primeiro disco da banda, também lançado em 2017, mas durante o mês de abril.


Chegue cedo na Clash Club pra pegar a abertura do Red Mess. Depois já pegue uma breja pra sacar o Cobalt Blue e prepare o pai nosso pra cantar junto com o Stoned Jesus. Mais detalhes sobre a trinca de shows logo abaixo. 


Stoned Jesus em São Paulo
Evento no FacebookData: 19 de agosto de 2017
Horário: a partir das 18 horas
Bandas: Red Mess (18h30) + Cobalt Blue (19h30) + Stoned Jesus (20h30)
Local: Clash Club
Endereço: rua Barra Funda, 969
Ingressos Online: Sympla


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Nunca fiz uma playlist no Spotify #1 - Groove de alta patente

Com a popularização dos serviços via streaming a música ganhou novos contornos de consumo. Hoje é muito mais fácil ver alguém na rua atrás de uma playlist pra dar um gás no trampo, do que encontrar um meliante sacando o encarte de um CD enquanto faz a transferência da CPTM.

O consumo mudou e olha rapaz, tudo aconteceu bem rápido. E o mais engraçado é que no meio desse tiroteio de playlists, o Macrocefalia Musical, mesmo com quase 5 anos de vida no rolê, jamais soltou ou criou uma playlistzinha sequer.


É importante salientar que nossa equipe de fritadores psicodélicos sempre escreveu resenhas, logo, seria bastante estranho resenhar um disco ouvindo uma playlist. Nós fomos todos criados ouvindo discos completos, então o sentido de ordem, mais do que isso... Talvez seja o lance de linearidade (nem sei se essa palavra existe) que "atrapalhe'' o entendimento de romper e reinstaurar novos climas, faixa após faixa, assim como acontece numa playlist.


É um lance muito loco, mas que acaba sendo um desafio também, até por que, assim como uma boa playlist, a boa música precisa de groove, e como essa talvez seja a palavra mais escrita nesse espaço, nada melhor do que inaugurar as nossas playlists já abordando esse tópico que gosta de ver quadris requebrantes.

Por isso, segurem o rojão aí e fiquem com a playlist "Groove de alta patente", que nada mais é do que um compilado de 30 takes misturados entre velharias (não estou ofendendo ninguém - favor não me processarem) e novidades nessa área da música que deixa os glúteos malhados. São quase 3 horas de slap, quero ver quem aguenta.

De Jacob Collier à Stevie Wonder. Chamando o Thundercat e descendo no ponto da Aretha Franklin. De Parliament à Donald Fagen... Meu rei, apenes sente e observe o tempo de groove com a classe que apenas os grandes mestres conseguem emoldurar no slap.

PLAY!


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Arrochando no Déjà Vu psicodélico de Pedro Salvador

Já que o ato de apertar play é uma oportunidade de ouvir os ruídos da mente dos compositores, o debutante solo do Pedro Salvador (Necro e Messias Elétrico) lançado em maio de 2017, deixa claro que observar o mundo com seu feeling místico é um grande experimento para a expansão mental.

Foto: Priscila Reis

Criatividade e identidade sonora direto da bela Macéio, um dos maiores celeiros do Rock brasileiro que além de grupos seminais como o Mopho, ainda conta com uma cena bastante ativa e com selos como o Crooked Tree Records, responsável por esse lançamento.

Line Up:
Pedro Salvador (guitarra/baixo/bateria/teclados/vocais)


Capa: Julia Danesi

Track List:
"Desgraça na Praça"
"Suíte Microscópica (Part. I)''
"Canção da Lua''
''Nostálgica #1''
''Canção do Fim''
''Suíte Microscópica (Part. II)''
''Bananeiras em Flor''
''Quilombo de Cimento''
''Desova''
''Nostálgica''
''Gênese e Destruição''
''Suíte Microscópica (Part. III)''
''Orfeu Ascendente''
''Suíte Microscópica (Part. IV)''
''Te Explico na Estrada"


Produzido pelo próprio músico, esse auto intitulado é fruto da pura e inquieta criatividade de Pedro. E dentro de um contexto que resume toda a sua caminhada musical até então, esse disco cumpre a difícil missão de sintetizar toda a riqueza de seu fraseado, apresentando elementos que caminham com grande leveza no meio de passagens garageiras, progressivas, psicodélicas, Funkeadas, retalhos de Blues, feeling no Reggae e diversas amostras da brasilidade sonora nacional.

Foto: Anne godoneo
E dentro de um panorama onde o próprio Pedro foi responsável por tocar todos os instrumentos envolvidos na gravação do disco, esse registro contém um visão diferente, mesmo que seja do mesmo músico, para diversos referenciais, não só para esse conceito genuíno de Rock 'N Roll, mas também para o papel de um baixista, cantor, guitarrista, baterista e etc.

Ter 100% do domínio do processo foi bastante benéfico para o músico, algo que pode ser captado faixa a faixa, desde a abertura com o Fuzz de garagem anos 60 que ele construiu em "Desgraça na Praça''.   

Foto: Leandro Wissinievski 

É uma sonoridade rica e que faz questão de mudar as dinâmicas e ritmos sempre que possível. Temos mais amostras de seu gênio Progressivo com as quatro partes de suas suítes microscópicas, provas de sua destreza na hora de emular riffs, como acontece na açucarada "Canção da Lua'', além de momentos de grande sentimento em "Nostálgica #1'', e demonstrações de seu talento, também como solista, durante a futurista e mais longa onda do disco, com "Canção do Fim". 

Pedro é um músico com talento singular na guitarra, muita noção de tempo no baixo, além de grande noção de ritmo para manter a levada de sua mente sempre no groove. Pode ser um Reggae instrumental no pique de "Bananeiras em Flor" ou até mesmo um cantado, como acontece durante a ácida "Desova''... Aqui a versatilidade dá o tom e seus ouvidos se deleitam enquanto o cidadão apenas se diverte.

Música autoral com sotaque da terra do cavacasso e com referências dos anos 70 que encontram, dentro de um mesmo músico e suas diversas influências, um mesmo caminho recheado de novas direções e pulsantes novidades. Seja durante os devaneios de "Orfeu Ascendente" ou sob a poeira cósmica da percussão de "Gênese e Destruição", Pedro nos mostra que a questão estética da música é só um detalhe, o importante mesmo é apertar play e sacar a malandragem classuda de temas como "Te Vejo na Estada".

Que swing, minha jóia!  

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