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Compilação da Brownswood reúne a nata do Jazz londrino

Fundado em 2006 pelo DJ e colecionador Gilles Peterson, a Brownswood Recordings é um selo independente de Londres.

Um dos expoentes do riquíssimo cenário Jazzístico na Inglaterra, junto de nomes como a Jazz Re:freshed, por exemplo (outra produtora/selo londrino), esses caras possuem grande importância nessa nova efervescência sonora que está rolando no país.

A saxofonista Nubya Garcia durante seu primeiro show em São Paulo (realizado no Jazz nos Fundos) - Foto: Macrocefalia Musical

Abraçando linhas das mais diversas, desde o Fusion até o Free e o Funk, a Inglaterra está vivendo uma revolução em termos de linguagem e abordagem frente ao Jazz.

Com literalmente centenas de bandas, Londres, o distrito de Brixton e  a cidade de Brighton, entre outros arredores, concentram um Big Bang sonoro que está ganhando o mundo com grande velocidade.

O guitarrista Mansur Brown durante show realizado no Centro Cultural Cecília ao lado do Yusef Dayes Quartet - Foto: Macrocefalia Musical

A cena ganhou os palcos dos maiores festivais do mundo, como é o caso do North Sea Jazz Festival, AFROPUNK e o Glastonbury, por exemplo e o underground ganhou tanto dinamismo que a Brownswood resolveu gravar um disco só com a nata dos músicos locais.


Track List & Bandas:
"Inside The Acorn" - Maisha
"Pure Shade" - Ezra Collective
"The Balance" - Moses Boyd
"Brockley" - Theon Cross
''Once" - Nubya Garcia
"Black Skin, Black Masks" - Shabaka Hutchings
''Walls" - Triforce
"Go See" - Joe Armon-Jones
"Abusey Junction" - Kokoroko


Lançado no dia 09 de fevereiro desse ano, esse registro é um banquete imperial para uma verdadeira imersão no que existe de melhor no Jazz atualmente. São 9 bandas e 9 músicas que registram o alto teor critivo de grupos como Ezra Collective (se liga no teclado do Joe Armon-Jones), Nubya Garcia (o Joe Armon-Jones também toca aqui também, mas preste atenção no swing caribenho), o Fusion estonteante do Triforce (saque as guitarras do Mansur Brown) e outros grupos tão originais que esse trampo virou até vinil duplo.

A música mudou e a desconstrução continua. Um verdadeiro sopro de ar fresco, esse projeto mostra como ainda é possível ouvir algo novo e se surpreender.

O melhor de tudo é que tem muita gente boa de fora desse trampo, então se preparem para pesquisar e valvular os ouvidos com o universo paralelo que será descoberto após o play.

O Jazz é duro na queda e o resultado carrega toda a vibração e excitação de um novo movimento sonoro. Ouvidos atentos para esse que é um dos lançamentos mais interessantes de 2018.

Como diria o Criolo: "Fique atento, irmão, fique atento."

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O infinito particular de Joe Armon-Jones

Um dos nomes mais requisitados quando o assunto é Jazz, Joe Armon-Jones é mais um wokaholic da música. Tecladista e produtor, o britânico pode ser ouvido no grupo da saxofonista Nubya Garcia, emulando o Fusion em seu próprio projeto, o Ezra Collective, ou viajando ao lado do baixista (e também produtor) Maxwell Owin, no projeto "Idiom" (EP de 2017 que combina Jazz e música eletrônica) e agora também em carreira solo, depois que o seu primeiro disco, "Starting Today", chegou aos becos miscigenados de Londres.

Um dos nomes mais jovens da cena, Joe está longe de estar começando sua carreira, muito pelo contrário. Líder de inúmeros projetos, como vocês puderam ver no parágrafo acima, o música está na linha de frente de um movimento que está redefinindo os padrões do Jazz para esse novo momento histórico que vivemos, a chama música contemporânea.


E depois de passar os últimos anos tocando como sideman para nomes como Pharoahe Monche e Ata Kak, por exemplo, o prolífico compositor agregou toda a sua já considerável experiência, tanto em estúdio quanto em turnê, para gravar o ousado "Starting Today", disco liberado pela Bronswood Recordings no dia 04 de maio de 2018.

Um trabalho que cumpre a difícil tarefa de resumir o nível de riqueza, criatividade, talento e alto nível técnico dos músicos que formam essa verdadeira panela de pressão que caracteriza a cena Jazz na Inglaterra atualmente, "Starting Today" desafia o ouvinte, tamanho o seu vocabulário musical e conta com a presença de nomes como a saxofonista Nubya Garcia, o já citado Maxwell Owin, o baterista Moses Boyd (Blinker and Moses) e o guitarrista Oscar Jerome.

Arte: Divya Scialo

Track List:
"Starting Today"
"Almost Went Too Far"
"Mollison Dub"
"London's Face"
"Ragify"
"Outro (Fornow)"


Retrato dos mais intenson e caóticos, desde a bela capa de Divya Scialo (que lembra a viagem do Zappa em "One Size Fits All" - 1975), esse disco mostra o quão plurimusical (se é que essa palavra existe), é o cérebro de Joe Armon-Jones.

Músico com um approach muito fluído e repleto de influências que vão desde a Cumbia até a música africana, o som de Joe é um blend que após algumas horas de play começa a se decifrar frente aos seus ouvidos.


Com uma veia forte para a improvisação o disco surge como quem não quer nada, contando "só" com 6 faixas, mas conta com quase 50 minutos de fervilhantes novas ideias. O primeira tema do disco já chega com quase 10 minutos de duração e o ouvinte já se liga que, entre vertiginosos solos de marfim, elementos eletrônicos, o saxofone de Nubya Garcia e o vocal Free Jazz de Ashberer, que a principal característica dos grupos que estão surgindo é a falta de padrão.

A saxofonista Nubya Garcia durante show realizado em sampa no Jazz nos Fundos

Na faixa seguinte o ouvinte é apresentado a "Almost Went Too Far" e dessa vez todo o caldeirão da faixa anterior pediu arrego e deu lugar a um boogie delicioso, com uma pegada de Lounge que é um veneno. 

Escutando os caras que formam esse cenário, ignorando agora a veia criativa do Jazz, nota-se que todas as faixas tentam sair do lugar comum (e elas de fato fazem isso), mas cada música funciona como uma carta aberta, como um novo experimento e é isso que está deixando os fãs malucos, o fato de você não saber o que os caras vão fazer, e cara, isso é lindo.


Tudo muda o tempo inteiro. Logo depois já aparece um Dub digno de quem aprecia a arte de nomes como Jacob Miller. Não tão denso como um paredão jamaicano de Sound System do Lee Scratch Perry, em "Mollison Dub", Joe impressiona pelo domínio das harmonizações jamaicanas e mostra como até o Dub pode ser mais melódico e contar com timbres suaves.

Fusion cheio de referências, climas que se constroem e viram pó em segundos... Escute "London's Face" e veja que mesmo depois de um século a improvisação ainda tem espaço pra explorar o novo. Aproveite também pra sacar o trampo do Oscar Jerome, ele fez que faz as guitarras nessa jam.


Arranjos de grande beleza, faixas longas e um Fusion repleto de tempos quebrados e intrincados. Chega a parecer até fácil, numa das faixas é possível até ouvir os músicos dando risada no fim de um take.

A última música ("Outro Fornow)" foi só uma vinheta pra deixar uma surpresa no ar. Depois de um Fusion igual "Ragify" acho que foi a melhor escolha.

Essa cena de UK vai dominar o mundo. Escute não só o Joe, mas o maior número de grupos que você conseguir encontrar, pois tem sido um prazer ouvir essa galera do chá das 16:20 fazendo música. 

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Frank Zappa/Mothers - The Roxy Performances: a residência completa em L.A.

Quem escuta o "Roxy & Elsewhere", icônico ao vivo do senhor Frank Zappa, gravado ao lado do Mothers Of Invention e lançado em 1970 e quatro, não deve ter nem ideia dos perrengues que quase impediram que o LP visse a luz do dia.

A residência de Zappa/Mothers no Roxy não poderia ter sido melhor. Os anos 70 como um todo foram fantásticos para Frank, mas ainda assim, a banda que o acompanhou em 1973 foi de longe uma de suas melhores, tanto que o bigode fez questão de filmar todos os shows realizados em west Hollywood naquele ano.

Foram 2 sets por noite, totalizando 4 apresentações no recinto, na verdade 5 se você contar um show fechado para convidados. O único problema foi que no final das contas (praticamente todos) os planos de Frank deram errado.

Em função de problemas técnicos, o live teve que receber overdubs em estúdio e os temas da parte "Elsewhere" ("Son Of Orange County" e "More Trouble Every Day") foram pinçados do show que o grupo fez na Pensilvânia, na universidade de Ediboro, no dia 08 de maio de 74, além de algumas partes presentes em "Son Of Orange County", do dia 11 de maio, no auditório de Chicago, em Illinois, que não possuem overdubs.


Nesse período vale ressaltar que Zappa pode se dar ao luxo de compor, pensando justamento no time de músicos que ele tinha ao seu dispor, que além do próprio, contava com George Duke nos teclados, experimentando demais com sintetizadores, além de Ruth Underwood na percussão e Napoleon Murphy Brock no sax tenor, flautas e vocais.

Alguns discos excelentes que compreendem esse período são: "The Grand Wazoo" (72), "Over-Nite Sensation" (73) e o excelente "Apostrophe", lançado um ano depois, já em 74. Esses discos servem de plano de fundo para entender como essa nova reencarnação do Mothers era envenenadíssima e  teve grande impacto nos clássicos que surgiriam mais tarde. 


E tem outro detalhe, com músicos desse calibre, Zappa sabia que poderia compor as maiores insanidades com relativa tranquilidade, afinal de contas George Duke, Napoleon e cia o acompanhariam sem nenhum risco de vacilo. Isso deu ao música uma liberdade criativa grandiosa.

E agora você que pode perceber todo esse colosso criativo com a caixa de 7 discos e as quase 8 horas de som que compreendem o excelente "The Roxy Performances". Mais um lançamento da Zappa Records, liberado no dia 02 de fevereiro de 2018, esse trampo trata-se de um item obrigatório pra qualquer Zappamaníaco, além de ser um registro histórico da grandeza de um mestre da música e dos sintetizadores de um certo George Duke. 

Line Up:
Frank Zappa (guitarra/vocal)
George Duke (teclados/sintetizadores)
Tom Fowler (baixo)
Chester Thompson (bateria)
Bruce Fowler (trombone)
Napoleon Murphy Brock (saxofone/vocal)
Ruth Underwood (percussão)
Ralph Humphyrey (bateria)



Track List CD1:
"Sunday Show 1 Start"
"Cosmik Debris"
"We're Makin' a Movie"
"Pygmy Twylyte"
''The Idiot Bastard Son"
''Cheepnis"
''Hollywood Perverts"
"Penguin In Bondage"
''T'Mershi Duween"
"The Dog Breath Variations"
"Uncle Meat"
"RDNZL"
"Montana"
"Dupree's Paradise"
"Dickie's Such An Asshole"


Track List CD2:
"Dickie's Such An Asshole"
"Sunday Show 2 Start"
"Inca Roads"
"Village Of The Sun"
"Echidna's Art (of You)"
"Don't You Ever Wash That Thing?"
"Slime Intro"
"I'm The Slime"
"Big Swifty"


Track List CD3:
"Tango #1 Intro"
"Be-Bop Tango (Of Tge Old Jazzmen's Church)"
"Medley: King Kong/Chunga's Revenge/Son Of Mr. Green Genes"
"Monday Show 1 Start"
"Montana"
"Dupree's Paradise"
"Cosmik Intro"
"Cosmik Debris"


Track List CD4:
"Bondage Intro"
"Penguin In Bondage"
"T'Mershi Duween"
"The Dog Breath Variations"
"Uncle Meat"
"RDNZL"
"Audience Participation"
"RDNZL"
"Pygmy Twylyte"
"The Idiot Bastard Son"
"Cheepnis"
"Dickie's Such An Asshole"
"Monday Show 2 Start"
"Penguin In Bondage"
"T'Mershi Duween"
"The Dog Breath Variations"
"Uncle Meat"
"RDNZL"


Track List CD5:
"Village Of The Son"
"Echidna's Art (Of You)"
"Don't You Ever Wash That Thing?"
"Cheepnis - Percusssion"
"I Love Monster Movies"
"Cheepnis"
"Turn The Light Off/Pamela's Intro"
"Pygmy Twylyte"
"The Idiot Bastard Son"
"Tango #2 Intro"
"Be-Bop Tango (Of The Old Jazzmen's Church)"


Track List CD6:
"Dickie's Such An Asshole"
"Big Swifty - In Rehearsal"
"Village Of The Sun"
"Farther O'Blivion - In Rehearsal"
"Pygmy Twylyte"
"That Arrogant Dick Nixon"
"Kung Fu - In Session"
"Kung Fu - With Guitar Overdub"
'Tuning And Studio Chatter"
"Echidna's Art (Of You) - In Session"
"Don't You Ever Wash That Thing? - In Session"
"Nanook Rubs It - In Session"
"St. Alfonzo's Pancake Breakfast - In Session"
"Father O'Blivion - In Session"
"Rollo - (Be-Bop Version)"


Track List CD7:
"Saturday Show Start"
"Pygmy Twylyte/Dymmy Up"
"Pygmy Twylyte - Part II"
"Echidna's Art (Of You)"
"Don't You Ever Wash That Thing?"
"Orgy, Orgy"
"Penguin In Bondage"
"T'Mershi Duween"
"The Dog Breath Variations"
"Uncle Meat/Show End"


Só de ouvir 15 minutos do primeiro disco já dá pra ficar perplexo. Com uma de seus formações mais enxutas, 8 músicos sob o também pequeno palco do Roxy fazem um som digno de orquestra. 

A Sunset Strip fervilhou pra pegar esses shows e todos sabiam não só da força desse repertório, mas do nível que os músicos envolvidos conseguiram atingir com um material tão extenso. Além dos 4 shows abertos ao público, um quinto apenas para convidados, uma sessão de estúdio (no Bolic Studios, casa do senhor Ike & Tina Turner), ainda teve uns takes para mais um doc que acabou ficando engavetado por décadas, até virar o "A Token Of His Extreme".

Está tudo aqui, com um certo atraso, mas chegou. Uma aula sobre teoria musical, harmonia, improviso e o poder do Jazz como linguagem, forma e catalizador de conteúdo sonoro, esse lançamento contempla a música como um prisma remasterizado com algumas das maiores performances da vida de nomes como Chester Thompson (bateria) e Tom Fowler, por exemplo.


Essa é uma das encarnações mais cavernosas do Mothers, uma das maiores bandas da história da carreira Zappiana e um de seus combos menos celebrados, muito em função de todo esse material não ter saído na época. Agora isso tudo está nas ruas, nos becos mais descolados e nas vielas onde quem não tem bigode nem pensa em aparecer.

Depois de meses ensaiando mais de 40 horas semanais, esse combo atinge um nível telepático de entrosamento. Zappa com certeza não era fácil de se trabalhar, mas conseguia o melhor de seus músicos e depois do play é fácil entender por que todo mundo sente falta desse cara.

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O Earthless é igual a sua avó: ambos podem cozinhar qualquer coisa e nunca vai dar merda

Uma das maiores bandas do anos 2000. Acho que essa frase é coesa o suficiente pra abrir qualquer tipo de discussão sobre o Earthless. O trio psicodélico de San Diego está na ativa desde 2001 e não existe nenhum trabalho na na discografia do grupo que não seja no mínimo muito bom.

Dono de um approach dos mais viscerais para interpretar temas que mergulham ouvintes do mundo todo num buraco negro de riffs e improvisos delirantes, Isaiah Mitchell (guitarra/voz), Mike Eginton (baixo) e Mario Rubalcaba (bateria), voltaram aos estúdios quase 5 anos depois de terem lançado o épico "From The Ages, em 2013.


Durante toda a carreira o Earthless se estabeleceu praticamente como uma banda de Rock Instrumental. O vocalista Isaiah Mitchell até cantava ocasionalmente (escute "Cherry Red ou "Woman With The Devil Eye" para ter uma ideia), mas toda a excelência do grupo sempre se caracterizou pelo poderio instrumental.

Mas ai a banda entrou no estúdio e o Isaiah resolveu cantar 5 das 6 faixas presentes no disco, e quer saber? Ficou do caralho. Parece muito propício pra banda mudar sua cozinha bem agora que esse disco marca o primeiro lançamento pela Nuclear Blast, mas é exatamente o contrário.

Chegar no cast do maior selo de Heavy Metal do mundo representa algo grandioso. A banda merecia esse projeção e viu, logo no debutante "Black Heaven", a possibilidade de chegar no ouvido de mais pessoas.

Foi uma mudança bastante arriscada e que abrilhanta ainda mais esse registro. Também é um belo recado para as bandas menores que apostam no mesmo som e nunca sobem na cena. Olhem ao redor, até a cena de Hard-Psych/Stoner que sempre foi estereotipada como "repetitiva" e "sem criatividade" está se modernizando. O mundo gira e vacilão roda.

Line Up:
Isaiah Mitchell (guitarra/voz)
Mike Eginton (baixo)
Maria Rubalcaba (bateria)



Track List:
"Gifted By The Wind"
"End To End"
"Electric Flame"
"Volt Rush"
"Black Heaven"
"Sudden End"


Com 6 faixas irretocáveis instrumentalmente falando, esse disco é de longe um dos grandes trabalhos liberados em 2018. Lançado no dia 16 de março, "Black Heaven" mostra seu propósito desde o primeiro segundo da faixa de abertura, a overdose de Wah-Wah de "Gifted By The Wind".

Esse tema já resume o que seus ouvidos encontrarão após o play. Uma escola das mais sólidas registrando temas que impressionam não só pela riqueza, mas pela nova dinâmica que, mesmo com vocais, segue tão inofensiva quanto um Megazord tomando café numa brinquedoteca.

Em "End To End" o estrago continua e mais uma vez a capacidade de criar climas através dos sons impressiona. É possível apostar em distorções e não soar chato. Quem diria? Voz seca e sem frescura tal qual os embates de "Electric Flame", Isaiah faz um trabalho formidável e derrete as guitarras enquanto uma das sessões rítmicas mais cavernosas da cena (Eginton-Rubalcaba) fazem um workshop gratuito sobre a importância de uma boa cozinha.

Depois ainda sobra tempo para o único boogie instrumental do disco. Com os demenciais quase 2 minutos de "Volt Rush", o trio vira a chave e retorna com 2 takes de mais de 8 minutos, as mais longas do disco (a faixa título e "Sudden End", respectivamente) encerrando o tira teima.

Sem vocal? Excelente. Com vocal? Fantástico. O que é  que será que eles farão depois? Não sei, mas é igual a comida da minha vó, ela pode cozinhar qualquer coisa e nunca vai dar merda.

Baixo gorduroso, batera vigora e uma guitarra sem choro nem vela. Aperta o play aí meu amigo, esses caras podem tocar qualquer coisa, a liberdade dessa linguagem não teve limites até o momento e olha que já se passaram quase 18 anos desde que eles começaram.

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10 discos ao vivo completamente subestimados pela crítica

Quando se fala em discos ao vivo é muito comum que trabalhos como "Made In Japan" (Deep Purple - 1972) ou o clássico do The Allman Brothers, "At The Fillmore East", lançado em 1971, venham a mente.

Além desses registros fundamentais, é claro que existem grandes lives que infelizmente não puderam gozar da mesa fama. Por isso que o Macrocefalia preparou uma lista com 10 discos ao vivo que, apesar de não serem tão badalados, merecem tanta atenção quanto a sua cópia do "Frampton Comes Alive" (1976). 

1) Buddy Miles -  "Live"



Lançado em 1971, esse registro solo do baterista é um dos maiores exemplos do poder que o Funk pode assumir, ainda mais quando captado por um time de metais e uma cozinha desse nível.

Famoso também por ser um item raro na coleção de qualquer fã do Buddy Miles, esse LP foi um dos registros do baterista soul man que nunca recebeu um relançamento. LP duplo , esse trabalho mostra como Buddy Miles definitivamente merecia mais. A versão de "Down By The River" é belíssima.



2) Eumir Deodato - Live At Felt Forum



Gravado no Madison Square Garden Center, no dia 20 de abril de 1973 e lançado em 1977, esse disco mostra a força do riquíssimo repertório de um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos.

Recheado com composições do nível de "Do It Again" (Steely Dan) e temas exuberante, como "September 13" (em parceria com Billy Cobham), que o arranjador pega o embalo da fase "Deodato 2" (1973) e malha o Jazz-Funk. Se liga na versão de "Do It Again".


3) Brecker Brothers - Heavy Metal Be-Bop



Uma amostra contundente do que acontecia toda vez que os irmãos Randy e Michael Brecker se encontravam nos estúdios, "Heavy Metal Be-Bop'', lançado em 1978, assusta pela potência do trompete e do sax da dupla.

Um dos de maior sucesso durante os anos 70 e toda a onda Fusion/Funk que rolava nessa década, a dinâmica explorada pela dupla contava com músicos do calibre de Terry Bozzio (Frank Zappa), além de explorar novos timbres na hora de entrar numa jam que mesmo nos anos 200, ainda soa a frente de seu tempo.



4) Billy Preston - Live European Tour



Primeira gravação ao vivo de Billy Preston, "Live European Tour" foi lançado em 1974 na europa e no Japão.

Gravação da fase em que o músico abria os shows do Rolling Stone na europa (em 1973), esse vertiginoso Rock com pitadas classudas de Soul conta com Mick Taylor nas guitarras, além do trio que acompanhava o músico na época, o The God Squad.

 


5) Al Di Meola/John McLaughlin/Paco de Lucia - Friday Night In San Francisco



Uma gravação acústica capaz de reunir 3 dos maiores mestres do nylon? Sim, "Friday Night In San Francisco", ao vivo que coloca  Al Di Meola, McLaughlin e Paco no mesmo cômodo, o repertório desse encontro mostra como existem pessoas que não sabem pegar leve.

Tocando arpejos de nível celestial, esse disco mostra, não só um nível técnico intergalático, mas também evidencia que Paco de Lucia, mesmo ao lado desses monstros, reina soberano, com seu flamenco infalível. 1981... Nem faz tanto tempo assim.


6) Frank  Zappa - Zappa In New York



O Frank Zappa sempre teve uma boa relação com o Palladium. Quer uma prova disso? Escute "Zappa In New York", disco ao vivo gravado em 1976 e lançado apenas 2 anos depois, já em 1978.

Com a presença de músicos fundamentais para a carreira do guitarrista nos anos 70, desde Ruth Underwood até Terry Bozzio, esse duplex ainda contou com a presença dos Brecker Brothers e ressignificou o conceito de Jazz Fusion que Zappa criou a partir de diversas linhas de Big Band.


7) Go - Live From Paris



Supergrupo formado pelo percussionista e tecladista japonês Stomu Yamashta, o Go foi um dos projetos de Jazz Fusion mais loucos dos anos 70. Com a presença de nomes como Al Di Meola, Steve Winwood e Michael Shrive, o projeto teve vida curta, conta com apenas 3 discos em sua discografia, mas a qualidade é no mínimo diferenciada.

Vale lembrar que esse disco foi o sucessor do debutante homônimo, lançado no mesmo ano e que a banda ainda voltou para o estúdio em 77 para gravar o também competente "Go Too", última gravação do projeto.

O motivo pelos quais culminaram com o fim do grupo ainda não são claros, mas a banda ganhou novo fôlego graças a relançamentos recentes. Um som desses não pode ser esquecido, os discos de estúdio são soberbos, mas esse ao vivo gravado no Palais Des Sports no dia 12 de junho de 1976, esse realmente não pode passar batido Os climas do japonês Stomu Yamashta são memoráveis.


8) Dave Mason - Certified Live



Dave Mason é um daqueles caras sortudos. O americano não só foi um dos fundadores do Traffic, como ao longo de sua prolífica carreira ainda tocou ao lado de nomes como Eric Clapton, Jimi Hendrix, Fleetwood Mac, Michael Jackson... Acredite, essa lita é praticamente infinita!

Com um approach venenoso na guitarra, Dave fez um Rock primoroso, cheio de balanço e em "Certified Live", LP duplo lançado em 1976, eterniza toda a sua técnica e estilo econômico com um uma facilidade que tornou-se sinônimo de seu nome. Preste atenção no trampo de teclas do Mike Finnigan!


9) John Mayall - Jazz Blues Fusion



Apenas um dos diversos e também seminais registros ao vivo de John Mayall, "Jazz Blues Fusion", lançado em 1972, é uma dos discos mais importantes da história do Blues. Consagrando, dessa vez ao vivo, um novo Blues que ninguém sabia dizer se era Jazz ou do que se alimentava, o godfather do Blues britânico fez miséria e ainda contou com Blue Mitchell no trompete.

O primeiro lado do vinil é de um show em Boston, no Boston Music Hall, dia 18 de novembro de 1971. Já o segundo lado foi pinçado a partir de 2 shows específicos, ambos realizados no Hunter College, em Nova York, nos dias 3 e 4 de dezembro de 1971. Escute esse disco com uma vela acesa. 



10) Taste - Live At The Isle Of Wight



O Taste foi um dos maiores grupos de hard setentão que o mundo já viu. O trio chefiado pelo futuro astro, Rory Gallagher, tocou ao lado de grupos do seu quilate, como Cream e Traffic, mas nunca gozou da mesma notoriedade.

Nos últimos anos a banda voltou ao hype do mainstream em função de relançamentos que resgatam, além da filmagem do icônico show do trio no festival Isle Of Wight, muito material nunca antes lançado pelo grupo, como as versões alternativas dos 2 registros de estúdio (o debutante homônimo de 69 e "On The Boards", lançado no ano seguinte) que saíram nos últimos 2 anos.

Esse show gravado em 1970 só viu a luz do dia depois que o grupo acabou... Até hoje é difícil ouvir isso e pensar que os caras não fizeram mais nada depois. Bom, pelo menos ainda teve Rory Gallagher.

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Você sabia que o Hiram Bullock tocou Hendrix com uma Big Band?

Um dos grandes músicos norte americanos quando o assunto é Jazz, Funk, Blues e outras cozinhas que podem ser tocadas numa Fender Stratocaster, Hiram Bullock é um nome que merecia mais projeção quando o assunto é guitarra.

Com um approach dos mais versáteis, característica que o permitiu trabalhar ao lado de nomes como Bootsy Collins, Stevie Ray Vaughan, Miles Davis, Jaco Pastorius e Marcus Miller sem perder o rebolado, o músico nascido em Osaka (onde seu pai servia o exército na época), mas radicado nos Estados Unidos (na cidade de Baltimore), foi dono de um grande feeling.


Mais do que Blues, Funk ou Jazz, Hiram tinha sentimento em sua guitarra. Tocava fácil, fácil até demais alguns diriam... Não tinha tempo ruim, era só plugar o instrumento que o negrão se aproveitava de suas Fender.

Com ampla visão quando o assunto era dinâmica musical, Hiram foi parar na guitarra só depois de tocar piano, baixo e saxofone, quando já tinha 16 anos de idade.


Falecido em 2008, aos 52 anos de idade, em função de um câncer de gargante, o prolífico guitarrista deixou uma sólida discografia solo (com 16 registros), além de 3 discos ao lado de Carla Bley, mais 3 com a criativíssima Roberta Flack, vários lives ao lado de Jaco Pastorius, uma mão cheia de trampos com o Gil Evans... Vou parar por aqui, caso contrário não vai ter resenha.


Em resumo, existem poucos músicos que não tiveram a oportunidade de tocar ao lado desse senhor. Só que dentre ótimas colaborações e lives, existe um CD em particular que é de longe o menos badalado de sua discografia, porém um dos mais inspirados e originais, falo sobre "Hiram Bullock Plays The Music Of Jimi Hendrix".

Line Up Hiram Bullock Band:
Billy Cobham (bateria)
Hiram Bullock (guitarra/vocal)
Christopher Dell (vibrafone)
Stefan Rademacher (baixo)


Line Up WRD Big Band Koln:
Heiner Wiberny (saxofone tenor)
Matthias Erlewein (saxofone alto)
Oliver Peters (saxofone tenor)
Jorg Kaufmann (saxofone barítono)
Andy Haderer (trompete)
Rob Bruynen (trompete)
Rick Kiefer (trompete)
Klaus Osterlog (trompete)
John Marshall (trompete)
Ludwig Nuss (trombone)
Dave Horler (trombone)
Bernt Laukamp (trombone)
Mattis Cederberg (trombone)
Frank Chastenier (teclados)



Track List:
"Crosstown Traffic/Little Miss Lover"
"Red House"
"Foxy Lady"
"Little Wing"
"Voodoo Child"
"Gypsy Eyes"
"Manic Depression"


Lançado pelo selo JazzThing em 2008, esse ao vivo ainda conta com a presença de Billy Cobham na bateria e da WDR Big Band Koln, uma das mais tradicionais Big Bands, não só da Alemanha, mas da europa como um todo.

É interessante perceber que esse show foi gravado no dia 27 de maio de 2004, diretamente da universidade de Colônia, zona oeste da Alemanha, mas só foi mixado quase 4 anos depois, já em agosto de 2008, no próprio estúdio que a Big Band está acostumada a frequentar, o WRD Studio 4. O trampo de mixagem ficou sob a tutela de Reinhold Nickel e, apesar da demora, o resultado final paga os ouvintes com juros e correção monetária.


Esse live é bastante singular principalmente na questão dos arranjos. Hendrix era um grande fã dos instrumentos de sopro. Admirador de Rahsaan Roland Kirk, Jimi sempre prestou muita atenção na sutileza dos metais e é possível encontrar depoimentos do americano comentando sobre os impactos dessa influência no seu modus operandi de tocar.

São 14 peças só para os metais. Sobre a banda do Hiram Bullock? Bom, na bateria temos Billy Cobham, que era de fato "The man for this job". O panamenho mostra uma visão pra tocar nesse esquema que é brilhante e, junto do próprio Bullock, que manda surpreendentemente bem nos vocais, além da guitarra, o baixão do Stefan Rademacher (um dos destaques do disco), além do trampo de Christopher Dell nos vibrafones. Zappa estaria particularmente orgulhoso desse último.

O maior problema desse CD mesmo é o tempo. O set não dura nem meia hora, mas vou lhe dizer, esses serão cerca dos melhores 28 minutos do seu dia. Logo na abertura já entra um medley com "Crosstown Traffic/Little Miss Lover" que se aprochega com um baixo gorduroso, meliante da pior espécie.


Com "Red House" os metais da WDR Big Band mostram como o Blues pode soar majestoso. O sofrimento chega até a ser bonito e as teclas arrepiam o público com o maior improviso da noite. Depois o Hiram faz uma sessão fritação com o hit "Foxy Lady" e mostra a força de um bom arranjo de metais num compacto combo de Rock 'N' Roll.

A casa já devia estar de pé depois dessa. O Rock já tinha virado Funk, todo mundo estava sem solando sem o mínimo de vergonha na cara, mas ai a banda faz todo mundo chorar com um belíssimo mea culpa para um dos sons símbolo da áurea Hendrixiana, a doce "Little Wing".

Mas não pense que acabou, a safadeza volta logo na sequência, explorando um dos temas mais cavernosos do cherokee. É com "Little Wing" que a acidez chega ao ápice, já com "Gypsys Eyes" virando a esquina. Aí pra fechar os caras desconstroem a inventiva "Manic Depression" e depois de meia hora tu para e pensa: "Am i experienced?"

Que isso, vou pegar uma breja. Acho até que congelou.

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Led Zeppelin: Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra

Existem muitas bandas que só ficam famosas depois de muito tempo de estrada. É até meio injusto ver como esse fenômeno acontece, mas são coisas da vida, muitas delas inclusive inexplicáveis.

Tenho amigos com bandas e muitos deles já passaram dos 20 anos. É normal vê-los com pressa para criar material e programar shows, pois eles não tem muito tempo para isso e a música que tanto amam é dividida entre a faculdade e o trabalho, ou seja, tem tempo de validade caso ela não lhes brinde com o futuro que tanto almejam. 

Muitos dos meus compadres andam de ônibus, contam moedas para a cerveja e vivem reclamando que estão duros, que música não paga bem e etc e tal, mas aos 21 anos o Robert Plant já estava milionário, ele e todo o Led Zeppelin, banda que com absoluto primor, é contextualizada por Mick Wall em ''Led Zeppelin: Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra'', fantástico trabalho lançado em 2009.




O caso do Led Zeppelin é bem raro, poucas bandas explodem tão rápido como os britânicos da Black Country e creio que só eles deixaram este estrago. O lado ''injusto'' da história é que pra eles parece ter sido fácil demais. De fato, tudo aconteceu muito rápido, mas fácil? Fácil nunca foi. Todos os envolvidos dentro da banda seguiram o caminho da música desde muito jovens, sendo que quando a banda entrou no estúdio, Page e Jones estavam em casa, Plant e Bonham nem tanto, mas esses também estavam bem engatilhados no processo.

Este grande registro histórico da Larousse, que dentre outras surpresas ainda conta com capa dura e um rico material fotográfico, é de fato um dos melhores livros sobre música que foram lançados em nosso país. São quase 560 folhas no padrão Mick Wall: informação de qualidade em profundidade e de forma objetiva, tudo diretamente da fonte, afinal Mick é uma autoridade no assunto.


Robert Plant foi observado por Jimmy Page e Peter Grant. Bonham também, e só Jones veio graças ao jornal para passar no teste com seu absurdamente técnico fraseado, e sua grande experiência nos estúdios como Page. E estava aí, uma das maiores bandas de todos os tempos, formada por quatro dos maiores nomes da história de suas respectivas áreas de atuação.

Teve Led Zeppelin I, II, III,IV. Muita história sendo escrita a cada passo, e que aqui está mais do que bem documentado, passando por todos os supostos plágios, pelas carreiras de coca, excessos alcoólicos, óbitos e problemas legais.

Mick Wall traça um panorama de dezenas de estilos musicais e consegue fazer conexão com tudo que o Led já fez. Desde o Blues nos campos de algodão, passando por Gene Vincent e a cena psicodélica da Bay Area de São Francisco, que dentre milhares de bandas contou com o excelente Moby Grape, grupo que Plant tanto idolatrava

Por que de resto os fãs já sabem, quando esses quatro indivíduos blindados de características completamente diferente se juntavam, o resultado era inexplicável, e só isso foi o que segurou John Paul Jones e alguns de seus companheiros no caminho, mas se você esqueceu de certos detalhes fique tranquilo, Mick vai repassar tudo.

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