Postagens mais recentes

O Jazz do prodígio Mansur Brown - Trap, Fusion & Psicodelia

Sempre fui totalmente avesso a forma como a música é rotulada hoje em dia. Cada hora surge um novo gênero e cerca de 3 meses depois ele já conta com outros 3 pares como subgêneros...

O crítico musical talvez tenha uma maior necessidade de classificar os discos, mas ainda assim, no meio de tantas referências, parece ser até mais difícil definir linhas estéticas do que de fato ressaltar as qualidade de um bom trabalho, sem precisa de fato entrar em tanto detalhe.

Eu acho que esse fenômeno de "hiperclassíficação" (olha eu aqui inventando também) é algo que tem uma grande relação com o momento da música e a abordagem dos artistas de maneira geral. Hoje é mais difícil você achar sons diferentes, de fato originais e que você tenha aquele "click", sabe? De ouvir e falar: o que é isso?


Não que esses discos ou músicos não existam, MUITO pelo contrário, a questão é que hoje, mais do que nunca, é necessário procurar e filtrar a informação, mas a tecnologia apesar de ser um grande aliado, também pode acabar atrapalhando.

Se você toca guitarra por exemplo, basta ter uma placa legal no PC, contar com uma interface bacana e sair produzindo no Pro Tools. Com apenas alguns clicks é possível soar como o Eddie Van Halen e aí toda a necessidade de passar perrengue, testando e procurando por um som, acaba em 5 minutos.

Todos os perrengues que o próprio Eddie Van Halen passou tentar criar algo novo, inovador. É por isso que os rótulos são desnecessários, pois ao criar novas nomenclaturas para classificar algo que não é novo de fato, você só gasta termos em latim e segue ouvindo a mesma coisa, só que com outro nome dessa vez.


Na era da desinformação, o primeiro disco do prodígio Mansur Brown poderia e muito ter passado batido, pois o reboliço quanto a qualidade instrumental do surpreendente "Shiroi", lançado no dia 28 de setembro de 2018, via Black Focus Records, ainda está restrito à europa... E olha que o cara veio tocar no Brasil esse ano já hein.


Track List:
"The Beggining"
"Shiroi"
"God Willing"
"Me Up"
"Mashita"
"Black South"
"Flip Up"
"Simese"
"Straight To The Point"
"Motions"
"Hands Tied"


Conheci o som do Mansur Brown em 2016 quando escutei o "Strings Of Light" do Yusef Dayes e do Henry Wu, na época do duo Kamaal Williasm. Um dos temas presentes no disco inclusive é de autoria do guitarrista e me lembro que o timbre de sua guitarra (na faixa "Mansur's Message" não saiu dos meus fones tão cedo.


Depois que consegui parar de escutar o único trabalho que o Yussef Kamaal gravou, fui pesquisar pra ver se o Mansur Brown tinha outros projetos. Foi aí que eu encontrei o TriForce, ainda em 2016 quando eles soltaram o único EP de sua história até então, o excelente "5ive", lançado no dia 17 de novembro daquele ano.

Line Up:
Mansur Brown (guitarra)
Dominic Canning (teclados)
Ricco Komolafe (baixo)
Kaidi Akinnibi (saxofone)



Track List:
"Mikayoko"
"Red Lagoon"
"Righteous"
"Swank"
"Elijah's Remedy"


O TriForce é mais uma banda do selo Jazz re:freshed, um dos principais labels da cena de UK ao lado do 22a e também da Brownswood Recordings. O TriForce, na falta de apenas um prodígio, conta com 4 deles.

Todos do sul de Londres, mais especificamente de Brixton, o quarteto emula um Jazz Fusion muito trabalhado, além de contar com músicos que apesar de muito jovens, demonstram um domínio técnico assustador e entregaram um belo EP, ainda que a banda tivesse uma média de idade de 19 anos à época do lançamento.

Depois de ouvir muito TriForce, achei que já conhecia a abordagem de Mansur. Vale lembrar que o músico toca com o Kamaal Williams e o Yussef Dayes, isso sem dizer os rolês com o Alf Mist, mas a cada novo projeto que achava no Youtube, escutava um novo Mansur, e é exatamente aí que está o negócio. É exatamente por isso que esse trabalho não só é um dos melhores do ano, como também trata-se de uma aula para os guitarristas que ainda não atualizaram o software e continuam vendo o Malmsteen no G3.



Escutar um disco e ficar em dúvida sobre o que está acontecendo. Essa é uma das melhores sensações que podemos sentir ouvindo um novo play e essa é a energia que perdura enquanto "Shiroi" rodopia em seu próprio eixo.

Com o conhecimento de causa de quem já viu o negrão tocando ao vivo durante o festival da Jazz re:freshed que aconteceu em dezembro de 2017, na Associação Cultural Cecília em São Paulo, posso afirmar que esse cara é de fato diferente.

Suas composições são muito lapidadas nos campos harmônicos. Ele toca com uma semi acústica, mas tira timbres muito incomuns dela, alcançando toda e qualquer nota graças ao seu grande arsenal de dedos.


Mansur é cirúrgico, em dado momento mais cometido, fala pouco, escolhe uma abordagem de poucas notas. Com uma visão holística frente ao som, acredito que sua melhor qualidade seja esse equilíbrio. Ele sabe quando precisa entrar solando com mais fervor, mas também possui grande leitura pra saber a hora do "menos é mais".

Em uma palavra, defino "Shiroi" como um disco oportuno. Deveras. Ainda que sem informações quanto a banda que tocou no disco, vale ressaltar que o Mansur também toca baixo. Acredito que ele fez todas as guitarras, os baixos e as bases. Se teve outro músico foi na bateria, mas acho que a falta de créditos sugere que foi de fato o trabalho de um homem só.

E por mais que a guitarra seja o prato principal, o que chama atenção é a forte presença do trap nas bases. Essa ramificação das raízes do Hip-Hop embarcaram na lírica de Mansur e se transforma num bola indivisível de Funk, Blues, Jazz e Soul por 11 músicas e quase 45 minutos de um sinuoso groove.



Seja preenchendo um beat na abertura do disco ou valorizando os ecos e a linha de baixo na faixa título, Mansur faz o ouvinte prestar atenção. Com andamentos muito criativos e com grande leveza, o guitarrista parece flutuar frente as sólidas linhas de guitarra e baixo em "God Willing".

Se o Jazz é a mãe do Hip-Hop, o Trap é filho do Rap e quando o Mansur viu, já tinha virado Jazz. Essas novas conexões que são o grande negócio. Solos siderais sob bases absolutamente improváveis. Ouvindo "Me Up" parece que o Benson fez a guitarra. O cuidado em cada nota é sentido pelo ouvinte, o feeling é grandioso e flerta com tudo. "Mashita" e "Black South" poderiam ter sido composições Hendrixianas se o Trap estivesse na moda nos anos 70.

O John Frusciante ia pirar no trampo das bases em "Flip Up". Temas como "Simese" e "Motions" explicam por que o Mansur Brown é um prodígio desde os 15 anos. Só que "Straight To The Point" e "Hands Tied" comprovam como esse cara já é realidade faz tempo.


Read more

Abraxas Produtora - 5 anos de distorção, underground e eventos psicodélicos

Trabalhar com música no Brasil é difícil. O público é resistente ao novo, muitas das vezes ignora o PIB nacional para acompanhar o hype gringo e ainda reclama do underground, afinal de contas bom mesmo é tomar chopp ao som de uma banda cover do Matanza.

É um cenário difícil e pouco animador para produtores com ideias diferentes. Não só quanto a curadoria, mas também com relação a logística de turnês envolvendo sempre o mesmo eixo batido de sempre (RJ-SP).

O circuito parece viciado, mas é possível vencê-lo. Não acredita? Conheça a história da Abraxas. Produtora carioca especializada em eventos psicodélicos, a empreitada capitaneada pelos irmãos Felipe e Rodrigo Toscano, comemorou 5 anos de história e o sucesso dos caras mostra como é possível obter relevância, não só valorizando a nossa cena, mas também descentralizando eixos para abrir novos mercados para a música.


Foi um privilégio ter observado esse crescimento, desde a primeira turnê  com a Mars Red Sky, lá atrás, em 2013. Esses caras realizaram o sonho de muita gente, até por que antes do surgimento desse projeto, nenhuma produtora de música pesada tentou trazer o Kadavar, Samsara Blues Experiment, Mars Red Sky, Stoned Jesus, Jeremy Irons & The Ratgang Malibus, The Vintage Caravan, The Shrine e tantas outras bandas que são referência no cenário psicodélico europeu/americano.

Eu mesmo sempre pensei que pra ver essa galera teria que viajar e acredito que os fãs também pensavam o mesmo, pois quem acompanha o cenário sabe que as produtoras brasileiras só estão interessadas nos medalhões.

Fora que tem outro detalhe primordial, muito mais importante até do que a presença de todos esses grandes nomes da cena internacional, o maior bem que a Abraxas fez foi valorizar o underground e dar oportunidade para que bandas como a Hammerhead Blues, Red Mess, Bombay Groovy, Muñoz, Anjo Gabriel, Augustine Azul, Necro, Psilocibina e Monstro Amigo, por exemplo, conseguissem mostrar o seu talento e, mais do que isso, rodar o Brasil e descentralizar os eixos de sempre para abrir novas possibilidades a uma cena que eles criaram, solidificaram e agora (que também se transformaram num selo) querem exportar.
A abertura do Abraxas Fest ficou sob responsabilidade da Noala, grupo de Sludge que já está no rolê desde meados de 2009. As atrações da grade nessa quinta edição do Abraxas Fest culminaram na edição mais pesada do evento até então. Além da Nola, vale lembrar que teve ITD (Into The Dust), Samsara Blues Experiment e EYEHATEGOD.

Cada qual com a sua filosofia, o Noala apresentou uma cozinha multifacetada em termos de abordagem ao Heavy Metal. Com texturas instrumentais inventivas e épicas, o combo mostrou que não há limites para o volume enquanto rompia células auditivas com um som capaz de colocar o Hendrix e o Neurosis na mesma página. Pra definir em poucas palavras: o set da Noala conseguiu transformar o caos num conceito harmônico.

Foto: Emanuel Coutinho

Mais uma banda do selo Abraxas, a ITD é um grupo de Brasília que aposta numa mescla bastante densa de Doom para seguir trilhando o caminho do som obscuro com uma dinâmica bastante azeitada e que contribui para a construção da identidade de um som que é no mínimo ardiloso e pesadíssimo.

No repertório tivemos algumas faixas do início da carreira do projeto, mas vale lembrar que o prato principal mesmo foram os temas do EP mais recente do trio, que foi liberado em junho desse ano, também via Abraxas. Com uma temática que fala muito bem sobre a nossa odiosa natureza humana, a banda fez um show sólido e segue caminhando a passos largos rumo ao apogeu do som arrastado e desacelerado.

Foto: Emanuel Coutinho
Depois foi a vez do Samsara Blues Experiment subir ao palco para o seu segundo show em São Paulo. Dessa vez com um repertório muito mais apoiado no último disco de inéditas dos alemães, o excelente "One With The Universe", lançado em 2017.

Estava bastante ansioso para saber se as partes de teclado do disco seriam recriadas ao vivo. Para o deleite da plateia que compareceu em peso na Vic Club, Christian Peters & cia do Karautrock não só trouxeram essa ambientação para o palco, como também a utilizaram para improvisar.

Com uma abordagem que em alguns momentos lembrou até o grupo alemão de Space-Kraut (também alemão) Eloy, a banda fez um show irretocável, com destaques para a calma budista do batera Thomas Vedder e para o guitarrista, vocalista (e nesse show tecladista), Christian Peters, que deu uma de Geddy Lee e não fez feio.

Foto: Emanuel Coutinho
Mais ainda faltava uma atração. O dia 13 de outubro de 2018 jamais será esquecidos pelo fãs de EHG. A data que caiu num sábado ficará marcada na alma dos fãs de Sludge-Doom.

Quem diria que uma banda que nasceu no berço do Jazz (New Orleans) iria se transformar num dos grupos mais pesados, influentes e pioneiros do Heavy Metal? Com 30 anos de experiência nas costas, o quarteto formado por Jimmy Bower (guitarra), Mike Williams (vocal), Gary Mader (baixo) e Aaron Hill (bateria) simplesmente varreu a plateia.

Com um show animalesco, o grupo viu sua primeira passagem por São Paulo ser coroada por uma recepção alucinante. Com dezenas de fãs incrédulos com a presença de uma das bandas mais cultuadas no cenário, o quarteto promoveu um passeio bipolar entre as mais diferentes fases que permeiam a história da banda.

Liderados pela voz atormentada de Mike Williams a banda mostrou um fôlego e uma pegada que muita banda do Underground não consegue equiparar, enquanto a plateia o espetáculo com uma sádica adoração.

Mais do uma edição anual, o Abraxas Fest é a prova de como é possível lotar uma casa de shows hoje em dia apostando, primeiro na nossa própria cultura, depois trazendo as referências internacionais do cenário para promover um intercâmbio fantástico e que tem rendido ótimos frutos para o nosso underground.

Vida longa aos meliantes.

Read more

Compre um low rider e escute o novo disco do Kamaal Williams

Antes de entrar no Low Rider e descer a West-Coast no drift, vamos rebobinar a fita. O marco zero dessa história é o ano de 2016 e envolve 2 nomes chave: Henry Wu e Yussef Dayes. O primeiro é produtor, multi instrumentista e um dos caras mais inovadores quando o assunto é tirar sons pouco ortodoxos de qualquer teclado, sintetizador ou piano.

O segundo é baterista e um dos maiores nomes da cena quando o assunto é aquela batera precisa, com grande embasamento percussivo (afrobeat), influências de Hip-Hop, tempos quebradíssimos e uma dinâmica muito influenciada pela cena Jazz-Funk dos '70.


Os caras já se conheciam há mais de 10 anos, do rolê underground de Londres mesmo, mas só conseguiram se juntar pra gravar em 2016 e, o resultado, o excelente "Strings Of Light", lançado pela Black Focus Records (selo de Henry Wu) - de nome artístico Kamaal Williams, é sem dúvida alguma um dos melhores trabalhos de Jazz dos últimos anos. 


Não só pelos timbres modernos, tampouco por contar com os melhores músicos da cena de UK (um dos maiores celeiros para os novos talentos atualmente), mas esse disco deixou muita gente órfão quando a dupla decretou o final de suas atividades. Depois de apenas um disco e pouco mais de 1 ano em tour conjunta, promovendo o trampo em todos os cantos da europa, sempre com ingressos esgotados, Yussef Dayes e Kamaal Williams romperam com o groove.



Foi do nada e eu devo ter sido apenas uma das centenas de pessoas que ficou com a seguinte pulga atrás da orelha: "imagina só um segundo disco com esses caras juntos". Isso aí acabou ficando só no plano das ideias mesmo e olha, sei que pode não parecer - ainda mais quando você escutar o "Strings Of Light"- mas acreditem, o fim do projeto foi bom para todos os envolvidos.

O Yussef seguiu sua vida e hoje toca com seu quarteto. Ele ainda não gravou nenhum disco solo, mas segue colaborando em gravações de outros amigos, também músicos ativos em Londres, como o Moses Boyd e o Alf Mist, por exemplo.

O Henry Wu também não ficou parado não e concentrou suas atividades na difusão da música de seu selo, mas aí passados já mais de 2 anos, o músico anunciou seu debutante solo e quando todo mundo achou que os climas, as cordas e o groove de "Strings Of Light" seriam esquecidos, o carequinha soltou um "sucessor" a altura, o surpreendente e cremoso "The Return", lançado em 25 de maio de 2018.

Line Up:
Kamaal Williams (teclados/pianos/sintetizadores)
Pete Martin (baixo)
McNasty (bateria)
Richard Samuels (engenheiro)
Mansur Brown (guitarra)



Track List:
"Salaam"
"Broken Theme"
"The Return"
"High Roller"
"Situations" (Live In Milan)
"Catch The Loop"
"Rythm Comission"
"Medina"
"LDN Shuffle"
"Aisha"


Uma mistura de Milk Shake de Herbie Hancock com um rolê de Low Rider pela Califórnia escutando J-Dilla, esse disco mostra a importância de criar uma identidade sonora sem perder as referências. Isso não só contribui para colocar esse registro como um dos destaques do ano, como também ajuda a desmistificar os céticos quanto a sonoridade que foi criada ao lado de Yussef Dayes.

O projeto de fato terminou, os 2 já cansaram de falar isso, mas isso não impediu que o Kamaal Williams levasse o ideal estético de groove que eles criaram, para outro nível, dessa vez com foco nas teclas, mas com uma sessão rítmica riquíssima apesar da compacta formação em trio. 


Um dos elementos que mais se destacaram em "Strings Of Light" era o trabalho de cordas que o Kamaal fazia explorando os timbres de um Nord Electro. Esse elemento ainda marca presença aqui e aparece no começo do disco, logo depois da faixa de abertura ("Salaam") e seu loop de teclas com a bateria e o baixo fazendo uma base tinhosa, só esperando pelo Nord Electro chegar para apaziguar os ânimos depois do Wah-Wah em "Broken Theme", na faixa titulo.

Aliás, essa vinheta é a única folga que você terá ouvindo isso, por que logo depois aparece "High Roller", um dos singles do novo trabalho, e aí a casa cai. Mantendo a base de cordas do tema anterior,  Kamaal só faz a cama para que dessa vez Pete Martin (bateria) e McNasty (baixo) façam o groove se sobressair com climas excelentes, repletos de feeling e que mostram o poder elástico do groove com toda essa roupagem cremosa nas teclas. "Smooth", como diriam os bilíngues.

E para provar toda essa proposta, Kamaal colocou até uma versão ao vivo no disco. "Situations" pega o músico emulando uma frase com pouquíssimas notas, num improviso de rara beleza com uma melodia tão classuda quanto o piano de cauda utilizado nessa gravação.


Take após take o som segue rolando, beirando o estado líquido do néctar instrumental, mas sempre com groove. Além do grandioso trabalho e visão de teclas, o outro pilar que sustenta esse CD é a bateria. Não é o Yussef Dayes nela, mas as referências de beat e o approach seco de McNasty embalaram o disco à vácuo junto com o baixo. Se liga na dinâmica e nos tempos de "Catch The Loop". O timbre do riff de teclado é cortesia de um Juno 106 que é o mais puro veneno.

Absurdamente azeitada para quem gravou apenas um trampo, esse disco é o exemplo do que acontece quando você tem um norte criativo, desenvolve suas ideias e conta com músicos do mesmo patamar além de profissionais que se preocupam tanto com a qualidade da produção de um registro fonográfico.

Chegando com a classe de uma trilha sonora de cinema, sons como "Rhythm Commission" e "Medina" parecem passar pela janela do seu carro enquanto você desliza de Low Rider. E pra quem estava sentindo falta de guitarras, ainda rola a participação do prodígio Mansur Brown em "LDN Shuffle". Composição do próprio sideman do Kamaal Williams para sua tour mundial, o negrão chega com seu enebriante mix de Trap com embates Hendrixianos.

Foto: Macrocefalia Musical

Quando você acha que já ouviu de tudo ainda tem a última faixa. Pra fechar todo esse colosso de 10 temas e quase 45 minutos de uma verdadeira aula de Jazz, Kamaal chega com classe até pra dar tchau. "Aisha" finaliza o disco ou pode ser a música de entrada do próximo. Sei lá.

Que disco meus caros, é tão cremoso que parece que o groove desafia os tempos líquidos de Bauman. O futuro já é uma realidade... E ainda tem gente que fala que o Jazz acabou... Aumentem o volume pra essa rapazeada.


Read more

A cozinha hermética do Samsara Blues Experiment

Cada som segue um caminho. Toda alquimia sonora é criada a partir de um estímulo, seja ele estético ou até mesmo filosófico. Sabe aquele conexão entre as sinapses que fez você criar um riff semana passada? Então, é interessante pensar na música como um corpo que nasce, cresce e se desenvolve para perpetuar novas influências de maneira relevante.

Esse fenômeno impacta as referências criativas e com o passar do tempo é um grande prazer observar o crescimento de grupos tão originais e espontâneos como o Samsara Blues Experiment, por exemplo. O quarto disco de estúdio da banda, ''One With The Universe", lançado no dia 10 de abril de 2017 prova como os alemães estão no auge, trabalhando de maneira inventiva, numa formação compacta, porém absolutamente livre e cirúrgica dentro do que se propõe a fazer. Assim como já diz o título, esse registro coloca o ouvinte em comunhão imediata com o universo.

Line Up:
Christian Peters (guitarra/vocal/teclados/sintetizadores)
Thomas Vedder (bateria)
Hans Eiselt (baixo)



Track List:
"Vipassana"
"Sad Guru Returns"
"Glorious Daze"
"One With The Universe"
"Eastern Sun & Western Moon"


A Música não é só um exercício puramente criativo. Criar é com certeza um dos pilares do groove, mas explorar talvez seja o outro lado desse pêndulo, o centro de gravidade que equilibra as influências de um compositor.

O Samsara é uma banda que possui esse DNA de pesquisa. Desde alterar a estrutura da banda, indo de quarteto para trio, a banda sempre presou por seguir experimentando. O vocalista e guitarrista Christian Peters, nutre diversos projetos paralelos que envolvem desde música eletrônica - o cara é fissurado em sintetizadores - até Krautrock, passando pela música indiana.


Foram 4 anos até a gravação desse full, mas a espera definitivamente valeu e pena. Se no disco de inéditas anterior ("Waiting For The Flood" - 2013) a banda chegou com um approach mais Jazzeado, nesse mais recente trabalho, pode deixar que o Christian já apresenta o sinth logo na faixa de abertura, com "Vipassana".

Temas longos, texturas lisérgicas que questionam a passagem do tempo e uma dinâmica que transforma qualquer frase ou tema num grande Raga. Esse é o rico vocabulário do Samsara Blues Experiment.


Os climas seguem surpreendentes, os timbres de guitarra e a sensibilidade da sessão rítmica é notável em temas como "Sad Guru Returns", por exemplo. É uma energia ritualística. Sons como "Glorious Daze" surgem cintilantes. Os detalhes do sitar... A voz ao fundo... O grupo promove uma imersão psicodélica com grande poder de cura.

São apenas 5 faixas, mas quase 45 minutos de transe. "One With The Universe" marcou os 10 anos de história do Samsara e toda sua rica paleta de cores está prensada nos sulcos desse Heavy-Psych. Não é só pelo groove ou pelos timbres e viagens progressivas, ouvir o som do Samsara Blues Experiment é se surpreender com os rumos da criação e da exploração musical.


Um grande exercício de autoconhecimento, apreciar as ideias dos caras é estar aberto ao novo. Desafiador não? Aproveitamos que o trio desembarcou no Brasil para sua segunda tour em solo nacional para bate um papo com o vocalista e guitarrista Christian Peters, só pra tentar entender um pouco mais sobre esse universo antes do show deles com o Eyehategod em São Paulo, dia 13 de outubro no Abraxas Fest.

1) Como vocês enxergam o underground brasileiro - num momento que até o selo de vocês (Electric Magic) lançou o vinil da Necro (Adiante) e o debutante do Psilocibina?


Eu acho que existem bandas muito interessantes e talentosas no seu país. Eu escolhi a Necro e a Psilocibina por que esses 2 grupos apresentam traços de latinidade no som que são elementos que gosto bastante. Atualmente muitas bandas possuem muito recurso técnico, são naturalmente talentosas, mas insistem em tentar soar como outra banda hype. Eu gosto de originalidade. E o disco da Necro ("Adiante") é algo muito próximo do que eu chamaria de um clássico de Heavy com características psicodélicos e da cultura popular brasileira.

2) Christian, pra você, qual é o elemento chave para seguir criando música, sempre pensando em manter as coisas frescas e orgânicas do começo ao fim da experiência sonora?


Se você for músico é tudo questão de tocar e não tem muito o que falar sobre isso, provavelmente. Se você está imerso nessa mundo pelas razões erradas (fama, mulheres, dinheiro ou seja lá o que for) você provavelmente também não vai durar muito nesse meio.

Com a minha experiência de 27 anos tocando guitarra, sendo 19 deles já fazendo parte de bandas, eu acho que você precisa ser apaixonado pelo o que faz.

3) Como o Jazz influencia a música da banda? O disco "Waiting For The Flood" apresentou diversas características comuns à linguagem do Jazz. Vocês pretendem seguir experimentando com esse gênero?


Eu realmente escuto Jazz, mas não estava ciente que era possível ouvir tantas referências desse estilo no nosso último disco! Eu acho que não dá pra dizer o que faremos no futuro, mas agora as novas composições tendem a ser mais curtas e mais orientadas à canção mesmo, apresentando influência do Grunge dos anos 90.

É um processo que está sempre em mutação, mas nós mantemos nosso estilo e estamos sempre abertos para novas possibilidades.

4) Christian, qual é a sua opinião sobre a gravação digital X analógica? Acho que hoje em dia, mais do que nunca, a tecnologia facilita muita coisa para que você possa atingir determinadas sonoridades, mas ao mesmo tempo é difícil inovar. Quais os conselhos que você daria para as novas bandas que estão tentando encontrar um som e um processo de gravação ideal?


Na SBE nós sempre gravamos digitalmente. Eu gravei de maneira analógica no começo da minha carreira e eu posso falar que não é tão divertido quanto parece. Especialmente quando você tem outras possibilidades de gravação, eu sinceramente não consigo entender algumas bandas que mesmo hoje, gravam tudo com recursos analógicos. É um fetiche engraçado.

Por outro lado eu sei que alguns grandes discos analógicos do passado tem aquele "som mágico", mas não é só por que eles gravaram em fita, caso contrário você poderia fazer diferença em grupos que fazem isso hoje em dia, o que em 99 de 100 casos não é possível. (o som analógico e o digital é praticamente o mesmo).

Algumas coisas como a saturação (isso talvez você consiga simular digitalmente) podem ajudar para melhorar o som de certos instrumentos, mas você sempre pode usar isso em combinações que envolvam os poderosos recursos do Pro Tools ou outro programa que temos agora. Eu mesmo estou aprendendo bastante sobre técnicas de gravação com o meu projeto solo "Surya Kris Peters", então não consigo dar um conselho, é tudo questão de estruturar um processo de aprendizado para que toda pessoa interessada nesse assunto consiga se desenvolver.

5) Segunda passagem pelo Brasil. O que vocês esperam dessa vez? Planos para o futuro? O Macrocefalia Musical agradece a atenção e deseja uma boa tour pelo nosso Brasa.


Eu espero que possamos nos divertir, como sempre. Provavelmente nós vamos tocar 1 ou 2 sons que ainda não gravamos então vamos ver como vocês vão reagir a eles. Muito obrigado pelo interesse na nossa música. Vejo vocês no show!

Read more

É um fato: O groove do Bixiga 70 é um quebra cabeças sonoro

São 8 anos fazendo a galera bater o pezinho. Quatro discos de estúdio e uma compilação de versões jamaicanas na praça ("The Copan Connection: Bixiga 70 Meets Victor Rice"), incontáveis shows em território nacional e outra centena de rolês fora do Brasil, nos maiores festivais do mundo, como o Glastonburry e o North Sea Jazz Festival, por exemplo.

Faz 8 anos que a vida da Big Band paulista, Bixiga 70, está igual o próprio som que é fruto desse encontro: imparável. Com o mesmo vigor de sua quentíssima cozinha de metais, a banda continua fazendo jus ao seu mantra ("Segue o Baile") enquanto segue fazendo miséria com o groove, tanto no palco quanto no Estúdio Traquitana, o QG do combo.

A prova disso foi o lançamento do quarto trabalho de inéditas da banda. "Quebra Cabeça", liberado no dia 20 de julho de 2018, trata-se de uma carta aberta ao público que, citando o próprio Cris Scabello (guitarra): "é o responsável por nós estarmos aqui nesse palco".

Foto: Jose de Holanda

Esse disco comprova aos súditos desse groove que o Funk segue pulsando, cada vez melhor, com mais referências, um etílico balanço e com uma riqueza sonora que cria um quebra cabeça de 3000 peças na mente dos ouvintes.

O Bixiga 70 conseguiu algo grandioso com esse disco. Esse repertório dá mais um passo rumo ao inclassificável. Está pra nascer um jornalista que queira, por livre e espontânea vontade, se arriscar para definir o que esses senhores fazem.

Line Up:
Chris Scabello (guitarra)
Cuca Ferreira (saxofone/flauta)
Daniel Gralha (trompete)
Décio 7 (bateria)
Daniel Nogueira (saxofone)
Douglas Antunes (trombone)
Marcelo Dworecki (baixo)
Maurício Fleury (teclados/guitarra)
Rômulo Nardes (percussão)


Arte: MZK

Track List:
"Quebra Cabeça"
"Ilha Vizinha"
"Pedra de Raio"
"4 Cantos"
"Areia"
"Ladeira"
"Levante"
"Primeiramente"
"Torre"
"Camelo"
"Portal"


É Afrobeat? Será que rola um Dub? Esse é um terreno aparentemente sem dono, mas que na mão dos caras vira zona neutra. E em termos de momento, a banda viva um de seus melhores momentos, tocando a torto e a direito na europa, oceania e onde mais rolar espaço. Só que dessa vez essa vida nômade influenciou demais essa nova gravação e o resultado não poderia ter sido melhor.


O Bixiga 70 agora deu um novo passo, ele educa os ouvidos de sua audiência. Viajando o mundo todo durante 365 dias, a banda vive descobrindo o novo e quando aparece pelo Brasil, assisti-los ao vivo é um workshop gratuito de novas tendências, timbres e relíquias que eles descobrem nesse mundão cheio de groove sem porteira.

Desde o single que nomeia o disco, passando pelo clima de baile com "Ilha Vizinha", o Bixiga, pra variar, bota você no bolso. Aqui tem de tudo, desde as raízes africanas de "Pedra de Raio", passando pelos metais marcantes de "4 Cantos", até as doses vertiginosas de baião em "Ladeira" e aquela conexão (praticamente) espiritual ao som de "Levante".

Foto: Jose de Holanda

Dá macumba noise de "Primeiramente" (Fora Temer) até a guitarrada da dupla Chris-Maurício ao som de "Torre", passando por "Camelo" e "Portal", esse disco comprova como os experimentos seguem rolando no laboratório. Os sintetizadores e as guitarras de Maurício Fleury são um grande arsenal para esse registro.

Não existem extremos nem excessos nesse experimento, algo que merece ser bastante elogiado. É sempre um desafio criar algo novo, para qualquer artista, mas a diferença do Bixiga para o restante dos grupos da cena não é nem é o groove, mas é como eles assumem qualquer tipo de linguagem e conseguem agregar novos elementos a partir de cozinhas diversas, tudo sem perder o DNA do nosso Brasil.

A música brasileira anda muito bem, obrigado e a prova disso é a entrevista que nós fizemos com o Cuca Ferreira, flautista e saxofone do grupo, só pra entender até que ponto nós podemos seguir o baile sem freio.

1) Conheço o som de vocês desde 2011 quando vi o disco homônimo em diversas listas de melhores lançamentos daquele ano. De lá pra cá vieram mais 2 trabalhos de inéditas e um registro de versões jamaicanas toda trampado no Dub, sob tutela do Victor Rice.


Dentro desses 7 anos é difícil achar um ritmo que não tenha sido emulado por vocês. Como que a banda trabalha esse processo de expansão de repertório, referências e ideias que podem surgir no Bixiga, na Índia ou Austrália?

De forma bastante orgânica e natural. Cada um de nós tem sua própria pesquisa musical, desenvolvida também em diversos projetos paralelos. Além disso, temos viajado bastante nos últimos anos, trocando experiências com músicos do mundo todo. Na hora de criar, tanto as pesquisas individuais como as experiências coletivas vêm à tona, cada um coloca suas ideias, que são influenciadas por tudo isso.

2) Uma das coisas que mais impressiona é a capacidade que o Bixiga 70 tem de criar sons repletos de nuances, mesclando diversas cozinhas, mas ainda assim soar equilibrado. Nada passa do ponto. Como que vocês observam essa questão para que o resultado final não seja caracterizado por excessos?


Não temos essa preocupação de maneira consciente. Acho que por criarmos coletivamente, no final a soma das visões de cada um acaba chegando nesse suposto equilíbrio, mas sinceramente não sei se nosso som é muito equilibrado....Acho que incorremos em vários excessos, que definem bastante nosso som.

3) Até que ponto a improvisação livre influencia o som de vocês? Li uma definição muito massa dia desses com um professor explicando o conceito de Jam e Improvisação. A jam, na opinião do letrado, não tinha objetivo, mas a improvisação sim. Como vocês observam esse fenômeno?


Há integrantes da banda que pesquisam bastante esse tema, e participam de projetos paralelos muito caracterizados pela improvisação livre.

No caso do Bixiga, dentro do som há espaços para improvisação, nos solos, nos climas e dinâmicas, mas no geral as músicas são bastante arranjadas. Talvez onda haja mais espaço para improvisação livre seja no processo de criação. Improvisamos muito até chegar nas ideias que depois virarão música. Portanto, seguindo a definição do professor, de improvisar com objetivo, ainda que este não seja muito claro.

4) Quando saiu o disco de versões do Victor Rice muita gente ficou surpresa. O Cris Scabello e o Jimmy The Dancer são muito engajados nessa cena Dub de sampa, com o coletivo Dubversão e outros projetos. Tem como vocês darem um plano de fundo pra galera que não está tão engajada nessa cena especificamente, além de ressaltar a importância da música jamaicano na identidade sonora de vocês?


Nosso som é a soma das histórias musicais de cada um de nós. Há um eixo comum, que é a música afro-brasileira, que por sua vez tem uma conexão direta com toda música que se desenvolveu a partir da diáspora africana, seja na América do norte, central ou na latina.

A música jamaicana, portanto, é uma das mais presentes no nosso som, temos integrantes diretamente ligados a essa cena, que é bastante representativa na noite paulistana.

Victor Rice é um artista muito próximo do Bixiga 70, ele mixou os nossos 3 primeiros discos, e sempre fez versões dubs de nossas músicas. Decidimos celebrar isso com o disco Copan Connection, homenageando seu estúdio, que fica no edifício Copan, bem próximo do nosso, no Bixiga.

5) Além do Bixiga, outros grupos brasileiros de diferentes fronts, como o Boogarins e o Metá Metá, por exemplo, estão tocando fora do Brasil com certa regularidade. Como que vocês observam essa progressiva abertura que os músicos brasucas estão conseguindo pra levar a música para os principais centros na europa/ásia/oceania?


Somos muito fãs desses grupos que você citou. Há uma cena enorme de música autoral, que é baseada em São Paulo, mas composta por artistas de todo o Brasil. A produção é enorme, poucas cidades produzem tanta música tão inovadora e original como em São Paulo hoje. Os circuitos de música abertos para isso no mundo já perceberam, e por isso há cada vez mais espaço para bandas e artistas brasileiros.

6) Meus caros, muito obrigado pela oportunidade. Pra fechar, gostaria de entender como que o formato de Big Band influencia a dinâmica do som de vocês. Os shows tão azeitados que é até complicado entender até que ponto vocês seguem um script ou só deixam o bale correr solto mesmo rs


Nós trabalhamos bastante os roteiros dos shows. Somos uma banda que sempre ensaiou muito. Até hoje são muitas horas por semana. Os shows são bastante roteirizados, mas obviamente deixamos espaço para a dinâmica seguir a energia do público. Também acontece de mudarmos o set list dependendo da reação da plateia. Com o tempo de estrada, estamos aprendendo.

Read more

Pare o que você está fazendo e escute The Fearless Flyers

Tem uma galera que gosta de apelar. Aqueles músicos que conseguem groovar com qualquer coisa, mantendo a sustância do Funk, ainda que nos andamentos mais animalescos e meticulosos.

Aliás, se existisse um prêmio para o groove nosso de cada dia, acredito que 2 nomes estão a frente dos demais quando o assunto é aquele som de caráter amplamente rebolativo.

O primeiro deles é uma banda, trata-se do Vulfpeck. De longe, uma das melhores coisas que aconteceram recentemente no cenário hype/mainstream, o grupo do guitarrista Cory Wong trata o Groove com todo o respeito do mundo, mas também faz o que quer com ele.

Com um ácido bom humor e muito repertório por parte dos músicos que formam o quarteto, o combo racha o assoalho de qualquer clube sem fazer muito esforço. Destilando linhas que lembram o ápice do Funk setentista e com um approach moderno tanto para timbres quanto para a dinâmica sonora... Parece que eles pensam como músicos de sopro, é uma química muito interessante e genuína.


O outro é o Nate Smith, um dos bateristas mais assombrosos que anda revolucionando a batera nos últimos anos. O negrão não é brinquedo não meu chapa e se você procura por uma bateria vibrante, técnico, expressiva e que sente a música nos tempos mais quebradas (isso sem dizer cretinos), escute o som desse meliante.



Se bem que depois que o Vulfpeck resolveu se juntar ao Nate Smith pra formar o The Fearless Flyers, acredito que o mais indicado agora é apenas reverenciar os caras e esperar que as 6 faixas do primeiro EP do grupo (homônimo e lançado no dia 23 de março de 2018), cheguem ao Brasil.

Line Up:
Nate  Smith (bateria)
Joe Dart (baixo)
Cory Wong (guitarra)
Mark Lettieri (guitarra)
Blake Mills (guitarra)
Sandra Crouch (tamborim)
Elizabeth Lea (trombone)
Jack Stratton (produção/anúncio dos músicos)



Track List:
"Ace Of  Aces"
"Under The Sea/Flyers Drive"
"Introducing The Fearless Flyers"
"Signed Sealed Delivered"
"Barbara"
"Bicentennial"


Tudo começou quando o Cory Wong (guitarra) e Joe Dart (baixo) chamaram o Nate Smith pra tocar bateria junto com o Mark Lettieri (Snarky Puppy). O anúncio do grupo veio num vídeo (de "Ace Of Aces") que, assim como tudo que o Vulfpeck coloca no Youtube, viralizou. Com tantos nomes já reconhecidas na cena, o quarteto deixou até os mais experientes com o queixo caído.



São apenas 6 faixas e pouco mais de 15 minutos de som, mas o que sai dos falantes é notável. Uma mistura praticamente inflamável de Funk-Rock com 4 músicos tecnicamente soberbos, o EP do Fearless Flyers é um passeio quente perante os caminhos que o Funk ainda pode explorar na era da modernidade.

Vale ressaltar que o quarteto base da banda é formado apenas pelo Joe Dart e Cory Wong (Vulfpeck), além do Nate Smith e o Mark Lettieri, porém eles tiveram contribuições muito relevantes por parte do guitarrista Blake Mills, a percussionista Sandra Crouch e a trombonista Elizabeth Lea (Tedeschi Trucks Band).


Groove sem cuspe e sem massagem, o negócio aqui é encontrar aquela malemolência que pode estar presente em tudo, desde um riff de baixo até um ácido lick de guitarras e tirar todo o suco dessa jam. Com Nate Smith fazendo milagre num kit absolutamente compacto, o resultado não poderia ser melhor. O baile já começo logo na primeira faixa, com o single que apresentou esse projeto para o mundo.

"Ace Of Aces" é a síntese dessa reunião. Uma síncope fervorosa na bateria guiada por intervenções cavernosas nos andamentos da duplas de guitarra (Wong-Lettieri), além de muito bom gosto nas linhas de baixo. Até com a música da pequena sereia os caras tiraram um som. "Under The Sea" mostra como tudo pode ser Funky, talvez não na mesma potência de "Introducing The Fearless Flyers", mas já garantindo uma versão de Stevie Wonder logo depois, com "Signed Sealed Delivered". 

Vai falar que você não está balançando a cabeça desde o play? Pra fechar o pacote os caras ainda tiveram a moral de bolar um groove continuação pra esse vídeo aqui, saca só:


Em maio de 2018 o Vulfpeck postou o vídeo acima. Com James Gadson na bateria (Bill Withers) e o lendário David T. Walker na guitarra, a banda fez uma versão para "Grandma", som que está presente no terceiro disco de estúdio do grupo, o também muito bom "Mr. Finish Line", lançado em 2017.

Esse vídeo foi mais um que viralizou e o que mais deixou os fãs incrédulos foi que ele termina num groove que podia seguir por horas. Pensando nisso, eles fizeram a sequência desse groove nesse EP, com  "Bincentennial", a faixa de encerramento que conclui um groove antigo e finaliza um novo projeto. 

Bem loco como o groove escreve certo por slaps tortos. É a vida. O trombone da Elizabeth Lea caiu como uma luva nesse som. Esse EP na verdade é uma luva. Perdi a mão esquerda ontem já. Vacilo.

Read more

Nunca fiz uma playlist no Spotify #16 - Quando eu vejo o saldo na minha conta

Sabe aquele dia que tu conta moeda pra comprar um litro de cerva? Aquele domingo que seu amigo liga chamando pra sair e você traçando planos econômicos pra comer um miojo. Sim, tem mês que é foda e até o groove sente essa solidão monetária.


Tudo fica mais sofrido. Pensando nisso, o Macrocefalia Musical volta com mais uma edição da série de playlists que mostra como é possível groovar de qualquer maneira, até mesmo sem dinheiro.


Aumenta o volume e se ligue nesse blend de Blues, Southern e Funk. São quase 3 horas de sons dignos de enxugar as lágrimas com a conta de luz. Separe aquela lata de Glacial trincando e faça qualquer coisa, só não abra o seu aplicativo do banco.

Boa sorte pra nós.

Veja os outros sets nos links abaixo:

1) Groove de alta patente
2) Abraxas
3) Welcome to Jamaica
4) Stevie Ray Vaughan SRV
5) Sexta-feira
6) Lavar a louça
7) Correndo pra chegar no trampo
8) Frank Zappa for President
9) Chill Out motherfucker
10) O Groove é o mais puro veneno
11) A vida sem Groove seria um erro
12) Em 2018 a meta é Groovar
13) Foi mal, tava doidão
Read more