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Coloque um terno e escute o angelical R&B da Yazmin Lacey

Tem uns trabalhos que são tão exatos dentro daquilo que se propõe a fazer que chega a ser um crime escutá-los mal vestido. 

Não que pra sacar um Jazz você precise de um terno Armani, não, longe disso, mas tem umas gravações que andam saindo em 2018... Tem umas coisas aparecendo que a equipe do Macrocefalia Musical nem ouviu ainda por que não tem pano pra isso.


Trocadilhos a parte, o motivo pelo qual invoco até um traje no melhor estilo "Esporte Fino", é a cozinha da Yazmin Lacey.

Vocalista da mais refinada, a britânica de Nottingham foi responsável por dois grandes lançamentos nos últimos anos. Desde sua estréia, com o EP "Black Moon" (2017), até o seu mais recente lançamento, o cremoso "When The Sun Dips 90 Degrees", lançado no dia 22 de junho de 2018, a também produtora segue construindo um currículo impecável, tal qual o seu moderno blend de Soul, Jazz e beats (que ela mesma produz).


Track List:
"90 Degrees"
"Something My Heart Trusts"
"Burn & Rise"
"Heaven"
"Body Needs Healing"


Liberado pela First Word Records, mais um selo de UK que está ligadíssimo nesse tsunami de bandas que estão pipocando em todos os becos da Inglaterra, esse EP pega o clima do primeiro trampo e apenas amplifica a qualidade musical rumo a um beco sem saída que representa o quanto essa moça está preparada para gravar seu primeiro disco de estúdio. O formato de EP está pequeno demais para tanto bom gosto, feeling e groove.


No primeiro EP, a cantora recebeu apoio do grupo Three Body Trio. Com a missão de montar um plano de fundo repleto de texturas, o trabalho de base da banda ajudou a criar todos os climas que surgem durante as 6 faixas do primeiro EP.

Já para esse trabalho, quem fez o background sonoro foi Pete Beardsworth, saxofonista e beatmaker, também de Nottingham, líder do grupo que acompanha a cantora ao vivo. E foi assim, com letras de grande sensibilidade e um equilíbrio entro o groove e elementos eletrônicos, que a voz de Yazmin caminha com grande requinte, desde que começou a gravar.


Os timbres da bateria e da percussão da faixa de abertura ("90 Degrees") são um pequeno resumo do approach chill out que permeia, também esse segundo experimento. A bateria e a percussão de "Something My Heart Trusts" (segundo single desse EP, junto com "90 Degrees") equilibra o clima cool do Jazz, sem perder o groove e a emoção das interpretações.

Com detalhes sutis, como o baixo e os toques de sintetizadores de "Heaven", essas 5 faixas terão um lugar especial nos seus fones de ouvido. Uma aula de produção, uma voz bastante peculiar e um contexto sonoro tão fresco quanto os vocais de "Burn & Rise" e a percussão de "My Body Needs a Healing".

Esse som é perfeito pra quem diz que não tem como fazer um R&B sem soar datado. Coisa fina.


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We Out Here: documentário retrata a agitada cena Jazz de UK

A história da música mostra a necessidade de registrar a evolução do som. Seja em LP ou em pequenos curtas, é  importante apreciar o groove com esse objetivo de realmente guardar grandes pérolas para a posteridade.

Na era digital, do Instagram e de toda a sorte de ferramentas de compartilhamento, essa aparente enxurrada de informação é benéfica e maléfica ao mesmo tempo. 


Ao passo que muitos sons estão na palma da mão, a um clique no ícone do Spotify de distância, é bem comum descobrir mais bandas do que seus ouvidos podem escutar.

É ingrato, não tem jeito... A única opção é produzir um conteúdo que consiga ter diversas saídas e que de fato atinja um número maior de pessoas através, não só da música que sai dos fones, mas também de formatos como clipes, sessions ou documentários, por exemplo.


É um investimento alto, mas se você já tem uma cena correndo no underground, bons grupos, músicos de técnica diferenciada e um selo por trás... Bom, ai quer dizer que você mora em Londres, está assinado com a Browswoord Recordings e foi para o cast de bandas que apareceram na compilação "We Out Here" (resenhada aqui) e no belíssimo documentário "We Out Here - A LDN Story", ambos registros liberados em 2018.

A compilação "We Out Here", lançada no dia 09 de fevereiro de 2018, reúne 32 músicos, 9 bandas e 1 estúdio. Tudo isso resultou num disco riquíssimo e que além de ser um dos trabalhos mais interessantes que chegaram na praça, é um material tão poderoso que virou até documentário e consegue traduzir em imagens, não só o próprio projeto de reunir as bandas pra gravar a compilação, mas também a questão de acompanhar a evolução da cena contemporânea.

Com direção de Fabrice Borgelle, esse trampo mostra que a revolução, de fato, não será televisionada e é justamente por isso que esses trabalhos carregam uma grande importância histórica. Daqui uns 5 anos, nomes como Nubya Garcia, Theon Cross e Shabaka Hutchings serão muito mais celebrados pela crítica, e é exatamente por isso que esse documentário é relevante: ele retrata a multiétnica cena local, pouco antes da panela de pressão explodir.

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Entendendo o groove com Jean-Paul "Bluey" Maunick, guitarrista do Incognito

O Jazz, dentro de toda a riqueza e complexidade, possui um subgênero que não está na boca do povo, mas deveria. O Acid Jazz, movimento que surgiu na década de 80 em meio ao frenesi da cena de UK, foi uma escola que fez bastante barulho na europa, nos Estados Unidos e principalmente no Japão, com a galera que curte AOR, Blue Eyed Soul e Yacht Rock. 

Linhas sonoras mais descoladas e muito valorizadas em termos de beleza nas composições e arranjos majestosos, esse approach foi claramente influenciado pela galera da West Coast. Com todo esse plano de fundo em mente, bastou que algumas bandas da cena (observando também as tendências que o groove estava assumindo à época), pegassem o Jazz, misturassem com Soul, pitadas de Funk e um chorinho de Disco Music pra fazer a plateia bater o pezinho.

Fotos: Karina Menezes

Foi a graças a grupos do nível do The Brand New Heavies, Buckshot LeFonque, Jamiroquai e o próprio Incognito, que o estilo ganhou dezenas de adeptos e desde os anos 80 pra cá já se ramificou em diversas outras linguagens, como o Nu Jazz e o Trip Hop, por exemplo.

E para entender toda essa história o Macrocefalia Musical conseguiu trocar ideia com uma das maiores autoridades do groove, o guitarrista Jean-Paul “Bluey” Maunick. Líder do Incognito desde sua formação, lá atrás em 1979 e um dos grandes produtores da história do Reino Unido, o músico entrou na onda da nossa equipe e nos ajudou a chegar mais perto de definir o groove, aquele swing bandido que tanto apreciamos.

Papel e caneta em mãos? Conheça os fundamentos do slap e entenda a história da cena do Acid Jazz, além de conhecer novas indicações de som direto da boca do mestre.

1) Quando o movimento de Acid Jazz começou você estava na linha de frente de todo essa sonoridade Funky que estava tomando uma nova forma. Como é continuar vivendo isso 35 anos depois?


Quando o Acid Jazz começou nós abraços todas as possibilidades e a energia do movimento, mas nunca perdemos nossa identidade e a raiz da nossa música. Estamos fazendo mais shows do que nunca, além de estar orbitando um ambiente bastante criativo. Nós viajamos para lugares exóticos e a partir disso agregamos novas experiências para alimentar essa criatividade. Mês passado nós fomos para a Tailândia, compor e gravar. Eu esperava fazer um som por dia...Acabou que gravamos 17
temas em 14 dias!

Nós também ganhamos uma sólida base de jovens fãs. Parece que nós antigos fãs tiveram filhos e colocavam Incognito pra molecada curtir e eles de fato gostam do nosso som talvez até em função dessa nostalgia, mas nós seguimos gravando e com isso eles também conseguem fazer essa troca com os pais, mostrando nossa nova vibe.

2) O Reino Unido está vivendo um novo levante Jazzístico com centenas de bandas trabalhando em diferentes linhas de Jazz, desde o progressivo até o Funk. Com toda sua experiência e a variedade de estilos já tocadas na discografia do Incognito, como você vê esse renovado interesse crescendo junto com a nova cena?


É bastante encorajador. O Jazz está vivo em UK e a cena underground ganhou bastante atenção. São tempos bastante excitantes em Londres, bem na mesma cena que a nossa.

É um movimento mundial, com bandas como Hiatus Kaiyote da Austrália, BADBADNOTGOOD do Canadá e artistas como Thundercat, dos EUA, criando coisas incríveis. É disso que a nossa alma musical se alimenta!

3) Um dos mestres quando o assunto é groove, Jean-Paul, será que tem como definir o que seria essa coqueluche, o chamado groove?


O groove é o estado físico. É como eu vejo o negócio todo.... Se a sua música não tem balanço, ninguém vai rebolar. Alguns tipos de som são matemáticos demais e muito precisos, praticamente cirúrgicas, mas normalmente não tem groove.

É como o Anderson Paak questiona: “Am I wrong to asume that if she can’t dance, then she can’t woo”. Eu sempre bato nessa Tecla, se você não groova, sua plateia também não vai. O groove é a dança interior e os melhores músicos tem esse feeling. James Brown, Marvin Gaye, Chakka Khan, Sly Stone e muitos, muitos outros!

4) Durante a sua carreira você habitou os 2 lados da música. Como produtor, trabalhando com nome como Terry Callier e George Benson e como músico, tocando com os melhores nomes dentro do estúdio ou com músicos de sessão. Como essa visão 360° ajuda você a criar?


O fato de viver um sonho faz com que você queira conquistar o mundo. Trabalhar com artistas desse calibre é inspirador além do que as palavras conseguem definir!

5) Depois das celebrações de 39 anos da banda, quais são as expectativas de vocês com relação a novos projetos e colaborações?!


No momento estamos trabalhando em vários discos. Temos um novo registro do Citrus Sun que está próximo da fase de mixagem, um disco da Roberta Gentile, uma musicista italiana de 23 que trabalha numa linha mais Jazz-Soul com flertes de Blues, novos registro também com músicos e bandas da Indonésia como Tompi, Dirá Sugandi, Petra Sihombing (cantora/guitarrista), Rega Dauna (uma gaitista de 20 anos que é genial) e eu comecei a escrever novas músicas para um próximo trabalho do Incognito.

São tempos de muito trabalho!

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Compilação da Brownswood reúne a nata do Jazz londrino

Fundado em 2006 pelo DJ e colecionador Gilles Peterson, a Brownswood Recordings é um selo independente de Londres.

Um dos expoentes do riquíssimo cenário Jazzístico na Inglaterra, junto de nomes como a Jazz Re:freshed, por exemplo (outra produtora/selo londrino), esses caras possuem grande importância nessa nova efervescência sonora que está rolando no país.

A saxofonista Nubya Garcia durante seu primeiro show em São Paulo (realizado no Jazz nos Fundos) - Foto: Macrocefalia Musical

Abraçando linhas das mais diversas, desde o Fusion até o Free e o Funk, a Inglaterra está vivendo uma revolução em termos de linguagem e abordagem frente ao Jazz.

Com literalmente centenas de bandas, Londres, o distrito de Brixton e  a cidade de Brighton, entre outros arredores, concentram um Big Bang sonoro que está ganhando o mundo com grande velocidade.

O guitarrista Mansur Brown durante show realizado no Centro Cultural Cecília ao lado do Yusef Dayes Quartet - Foto: Macrocefalia Musical

A cena ganhou os palcos dos maiores festivais do mundo, como é o caso do North Sea Jazz Festival, AFROPUNK e o Glastonbury, por exemplo e o underground ganhou tanto dinamismo que a Brownswood resolveu gravar um disco só com a nata dos músicos locais.


Track List & Bandas:
"Inside The Acorn" - Maisha
"Pure Shade" - Ezra Collective
"The Balance" - Moses Boyd
"Brockley" - Theon Cross
''Once" - Nubya Garcia
"Black Skin, Black Masks" - Shabaka Hutchings
''Walls" - Triforce
"Go See" - Joe Armon-Jones
"Abusey Junction" - Kokoroko


Lançado no dia 09 de fevereiro desse ano, esse registro é um banquete imperial para uma verdadeira imersão no que existe de melhor no Jazz atualmente. São 9 bandas e 9 músicas que registram o alto teor critivo de grupos como Ezra Collective (se liga no teclado do Joe Armon-Jones), Nubya Garcia (o Joe Armon-Jones também toca aqui também, mas preste atenção no swing caribenho), o Fusion estonteante do Triforce (saque as guitarras do Mansur Brown) e outros grupos tão originais que esse trampo virou até vinil duplo.

A música mudou e a desconstrução continua. Um verdadeiro sopro de ar fresco, esse projeto mostra como ainda é possível ouvir algo novo e se surpreender.

O melhor de tudo é que tem muita gente boa de fora desse trampo, então se preparem para pesquisar e valvular os ouvidos com o universo paralelo que será descoberto após o play.

O Jazz é duro na queda e o resultado carrega toda a vibração e excitação de um novo movimento sonoro. Ouvidos atentos para esse que é um dos lançamentos mais interessantes de 2018.

Como diria o Criolo: "Fique atento, irmão, fique atento."

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O infinito particular de Joe Armon-Jones

Um dos nomes mais requisitados quando o assunto é Jazz, Joe Armon-Jones é mais um wokaholic da música. Tecladista e produtor, o britânico pode ser ouvido no grupo da saxofonista Nubya Garcia, emulando o Fusion em seu próprio projeto, o Ezra Collective, ou viajando ao lado do baixista (e também produtor) Maxwell Owin, no projeto "Idiom" (EP de 2017 que combina Jazz e música eletrônica) e agora também em carreira solo, depois que o seu primeiro disco, "Starting Today", chegou aos becos miscigenados de Londres.

Um dos nomes mais jovens da cena, Joe está longe de estar começando sua carreira, muito pelo contrário. Líder de inúmeros projetos, como vocês puderam ver no parágrafo acima, o música está na linha de frente de um movimento que está redefinindo os padrões do Jazz para esse novo momento histórico que vivemos, a chama música contemporânea.


E depois de passar os últimos anos tocando como sideman para nomes como Pharoahe Monche e Ata Kak, por exemplo, o prolífico compositor agregou toda a sua já considerável experiência, tanto em estúdio quanto em turnê, para gravar o ousado "Starting Today", disco liberado pela Bronswood Recordings no dia 04 de maio de 2018.

Um trabalho que cumpre a difícil tarefa de resumir o nível de riqueza, criatividade, talento e alto nível técnico dos músicos que formam essa verdadeira panela de pressão que caracteriza a cena Jazz na Inglaterra atualmente, "Starting Today" desafia o ouvinte, tamanho o seu vocabulário musical e conta com a presença de nomes como a saxofonista Nubya Garcia, o já citado Maxwell Owin, o baterista Moses Boyd (Blinker and Moses) e o guitarrista Oscar Jerome.

Arte: Divya Scialo

Track List:
"Starting Today"
"Almost Went Too Far"
"Mollison Dub"
"London's Face"
"Ragify"
"Outro (Fornow)"


Retrato dos mais intenson e caóticos, desde a bela capa de Divya Scialo (que lembra a viagem do Zappa em "One Size Fits All" - 1975), esse disco mostra o quão plurimusical (se é que essa palavra existe), é o cérebro de Joe Armon-Jones.

Músico com um approach muito fluído e repleto de influências que vão desde a Cumbia até a música africana, o som de Joe é um blend que após algumas horas de play começa a se decifrar frente aos seus ouvidos.


Com uma veia forte para a improvisação o disco surge como quem não quer nada, contando "só" com 6 faixas, mas conta com quase 50 minutos de fervilhantes novas ideias. O primeira tema do disco já chega com quase 10 minutos de duração e o ouvinte já se liga que, entre vertiginosos solos de marfim, elementos eletrônicos, o saxofone de Nubya Garcia e o vocal Free Jazz de Ashberer, que a principal característica dos grupos que estão surgindo é a falta de padrão.

A saxofonista Nubya Garcia durante show realizado em sampa no Jazz nos Fundos

Na faixa seguinte o ouvinte é apresentado a "Almost Went Too Far" e dessa vez todo o caldeirão da faixa anterior pediu arrego e deu lugar a um boogie delicioso, com uma pegada de Lounge que é um veneno. 

Escutando os caras que formam esse cenário, ignorando agora a veia criativa do Jazz, nota-se que todas as faixas tentam sair do lugar comum (e elas de fato fazem isso), mas cada música funciona como uma carta aberta, como um novo experimento e é isso que está deixando os fãs malucos, o fato de você não saber o que os caras vão fazer, e cara, isso é lindo.


Tudo muda o tempo inteiro. Logo depois já aparece um Dub digno de quem aprecia a arte de nomes como Jacob Miller. Não tão denso como um paredão jamaicano de Sound System do Lee Scratch Perry, em "Mollison Dub", Joe impressiona pelo domínio das harmonizações jamaicanas e mostra como até o Dub pode ser mais melódico e contar com timbres suaves.

Fusion cheio de referências, climas que se constroem e viram pó em segundos... Escute "London's Face" e veja que mesmo depois de um século a improvisação ainda tem espaço pra explorar o novo. Aproveite também pra sacar o trampo do Oscar Jerome, ele fez que faz as guitarras nessa jam.


Arranjos de grande beleza, faixas longas e um Fusion repleto de tempos quebrados e intrincados. Chega a parecer até fácil, numa das faixas é possível até ouvir os músicos dando risada no fim de um take.

A última música ("Outro Fornow)" foi só uma vinheta pra deixar uma surpresa no ar. Depois de um Fusion igual "Ragify" acho que foi a melhor escolha.

Essa cena de UK vai dominar o mundo. Escute não só o Joe, mas o maior número de grupos que você conseguir encontrar, pois tem sido um prazer ouvir essa galera do chá das 16:20 fazendo música. 

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Frank Zappa/Mothers - The Roxy Performances: a residência completa em L.A.

Quem escuta o "Roxy & Elsewhere", icônico ao vivo do senhor Frank Zappa, gravado ao lado do Mothers Of Invention e lançado em 1970 e quatro, não deve ter nem ideia dos perrengues que quase impediram que o LP visse a luz do dia.

A residência de Zappa/Mothers no Roxy não poderia ter sido melhor. Os anos 70 como um todo foram fantásticos para Frank, mas ainda assim, a banda que o acompanhou em 1973 foi de longe uma de suas melhores, tanto que o bigode fez questão de filmar todos os shows realizados em west Hollywood naquele ano.

Foram 2 sets por noite, totalizando 4 apresentações no recinto, na verdade 5 se você contar um show fechado para convidados. O único problema foi que no final das contas (praticamente todos) os planos de Frank deram errado.

Em função de problemas técnicos, o live teve que receber overdubs em estúdio e os temas da parte "Elsewhere" ("Son Of Orange County" e "More Trouble Every Day") foram pinçados do show que o grupo fez na Pensilvânia, na universidade de Ediboro, no dia 08 de maio de 74, além de algumas partes presentes em "Son Of Orange County", do dia 11 de maio, no auditório de Chicago, em Illinois, que não possuem overdubs.


Nesse período vale ressaltar que Zappa pode se dar ao luxo de compor, pensando justamento no time de músicos que ele tinha ao seu dispor, que além do próprio, contava com George Duke nos teclados, experimentando demais com sintetizadores, além de Ruth Underwood na percussão e Napoleon Murphy Brock no sax tenor, flautas e vocais.

Alguns discos excelentes que compreendem esse período são: "The Grand Wazoo" (72), "Over-Nite Sensation" (73) e o excelente "Apostrophe", lançado um ano depois, já em 74. Esses discos servem de plano de fundo para entender como essa nova reencarnação do Mothers era envenenadíssima e  teve grande impacto nos clássicos que surgiriam mais tarde. 


E tem outro detalhe, com músicos desse calibre, Zappa sabia que poderia compor as maiores insanidades com relativa tranquilidade, afinal de contas George Duke, Napoleon e cia o acompanhariam sem nenhum risco de vacilo. Isso deu ao música uma liberdade criativa grandiosa.

E agora você que pode perceber todo esse colosso criativo com a caixa de 7 discos e as quase 8 horas de som que compreendem o excelente "The Roxy Performances". Mais um lançamento da Zappa Records, liberado no dia 02 de fevereiro de 2018, esse trampo trata-se de um item obrigatório pra qualquer Zappamaníaco, além de ser um registro histórico da grandeza de um mestre da música e dos sintetizadores de um certo George Duke. 

Line Up:
Frank Zappa (guitarra/vocal)
George Duke (teclados/sintetizadores)
Tom Fowler (baixo)
Chester Thompson (bateria)
Bruce Fowler (trombone)
Napoleon Murphy Brock (saxofone/vocal)
Ruth Underwood (percussão)
Ralph Humphyrey (bateria)



Track List CD1:
"Sunday Show 1 Start"
"Cosmik Debris"
"We're Makin' a Movie"
"Pygmy Twylyte"
''The Idiot Bastard Son"
''Cheepnis"
''Hollywood Perverts"
"Penguin In Bondage"
''T'Mershi Duween"
"The Dog Breath Variations"
"Uncle Meat"
"RDNZL"
"Montana"
"Dupree's Paradise"
"Dickie's Such An Asshole"


Track List CD2:
"Dickie's Such An Asshole"
"Sunday Show 2 Start"
"Inca Roads"
"Village Of The Sun"
"Echidna's Art (of You)"
"Don't You Ever Wash That Thing?"
"Slime Intro"
"I'm The Slime"
"Big Swifty"


Track List CD3:
"Tango #1 Intro"
"Be-Bop Tango (Of Tge Old Jazzmen's Church)"
"Medley: King Kong/Chunga's Revenge/Son Of Mr. Green Genes"
"Monday Show 1 Start"
"Montana"
"Dupree's Paradise"
"Cosmik Intro"
"Cosmik Debris"


Track List CD4:
"Bondage Intro"
"Penguin In Bondage"
"T'Mershi Duween"
"The Dog Breath Variations"
"Uncle Meat"
"RDNZL"
"Audience Participation"
"RDNZL"
"Pygmy Twylyte"
"The Idiot Bastard Son"
"Cheepnis"
"Dickie's Such An Asshole"
"Monday Show 2 Start"
"Penguin In Bondage"
"T'Mershi Duween"
"The Dog Breath Variations"
"Uncle Meat"
"RDNZL"


Track List CD5:
"Village Of The Son"
"Echidna's Art (Of You)"
"Don't You Ever Wash That Thing?"
"Cheepnis - Percusssion"
"I Love Monster Movies"
"Cheepnis"
"Turn The Light Off/Pamela's Intro"
"Pygmy Twylyte"
"The Idiot Bastard Son"
"Tango #2 Intro"
"Be-Bop Tango (Of The Old Jazzmen's Church)"


Track List CD6:
"Dickie's Such An Asshole"
"Big Swifty - In Rehearsal"
"Village Of The Sun"
"Farther O'Blivion - In Rehearsal"
"Pygmy Twylyte"
"That Arrogant Dick Nixon"
"Kung Fu - In Session"
"Kung Fu - With Guitar Overdub"
'Tuning And Studio Chatter"
"Echidna's Art (Of You) - In Session"
"Don't You Ever Wash That Thing? - In Session"
"Nanook Rubs It - In Session"
"St. Alfonzo's Pancake Breakfast - In Session"
"Father O'Blivion - In Session"
"Rollo - (Be-Bop Version)"


Track List CD7:
"Saturday Show Start"
"Pygmy Twylyte/Dymmy Up"
"Pygmy Twylyte - Part II"
"Echidna's Art (Of You)"
"Don't You Ever Wash That Thing?"
"Orgy, Orgy"
"Penguin In Bondage"
"T'Mershi Duween"
"The Dog Breath Variations"
"Uncle Meat/Show End"


Só de ouvir 15 minutos do primeiro disco já dá pra ficar perplexo. Com uma de seus formações mais enxutas, 8 músicos sob o também pequeno palco do Roxy fazem um som digno de orquestra. 

A Sunset Strip fervilhou pra pegar esses shows e todos sabiam não só da força desse repertório, mas do nível que os músicos envolvidos conseguiram atingir com um material tão extenso. Além dos 4 shows abertos ao público, um quinto apenas para convidados, uma sessão de estúdio (no Bolic Studios, casa do senhor Ike & Tina Turner), ainda teve uns takes para mais um doc que acabou ficando engavetado por décadas, até virar o "A Token Of His Extreme".

Está tudo aqui, com um certo atraso, mas chegou. Uma aula sobre teoria musical, harmonia, improviso e o poder do Jazz como linguagem, forma e catalizador de conteúdo sonoro, esse lançamento contempla a música como um prisma remasterizado com algumas das maiores performances da vida de nomes como Chester Thompson (bateria) e Tom Fowler, por exemplo.


Essa é uma das encarnações mais cavernosas do Mothers, uma das maiores bandas da história da carreira Zappiana e um de seus combos menos celebrados, muito em função de todo esse material não ter saído na época. Agora isso tudo está nas ruas, nos becos mais descolados e nas vielas onde quem não tem bigode nem pensa em aparecer.

Depois de meses ensaiando mais de 40 horas semanais, esse combo atinge um nível telepático de entrosamento. Zappa com certeza não era fácil de se trabalhar, mas conseguia o melhor de seus músicos e depois do play é fácil entender por que todo mundo sente falta desse cara.

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O Earthless é igual a sua avó: ambos podem cozinhar qualquer coisa e nunca vai dar merda

Uma das maiores bandas do anos 2000. Acho que essa frase é coesa o suficiente pra abrir qualquer tipo de discussão sobre o Earthless. O trio psicodélico de San Diego está na ativa desde 2001 e não existe nenhum trabalho na na discografia do grupo que não seja no mínimo muito bom.

Dono de um approach dos mais viscerais para interpretar temas que mergulham ouvintes do mundo todo num buraco negro de riffs e improvisos delirantes, Isaiah Mitchell (guitarra/voz), Mike Eginton (baixo) e Mario Rubalcaba (bateria), voltaram aos estúdios quase 5 anos depois de terem lançado o épico "From The Ages, em 2013.


Durante toda a carreira o Earthless se estabeleceu praticamente como uma banda de Rock Instrumental. O vocalista Isaiah Mitchell até cantava ocasionalmente (escute "Cherry Red ou "Woman With The Devil Eye" para ter uma ideia), mas toda a excelência do grupo sempre se caracterizou pelo poderio instrumental.

Mas ai a banda entrou no estúdio e o Isaiah resolveu cantar 5 das 6 faixas presentes no disco, e quer saber? Ficou do caralho. Parece muito propício pra banda mudar sua cozinha bem agora que esse disco marca o primeiro lançamento pela Nuclear Blast, mas é exatamente o contrário.

Chegar no cast do maior selo de Heavy Metal do mundo representa algo grandioso. A banda merecia esse projeção e viu, logo no debutante "Black Heaven", a possibilidade de chegar no ouvido de mais pessoas.

Foi uma mudança bastante arriscada e que abrilhanta ainda mais esse registro. Também é um belo recado para as bandas menores que apostam no mesmo som e nunca sobem na cena. Olhem ao redor, até a cena de Hard-Psych/Stoner que sempre foi estereotipada como "repetitiva" e "sem criatividade" está se modernizando. O mundo gira e vacilão roda.

Line Up:
Isaiah Mitchell (guitarra/voz)
Mike Eginton (baixo)
Maria Rubalcaba (bateria)



Track List:
"Gifted By The Wind"
"End To End"
"Electric Flame"
"Volt Rush"
"Black Heaven"
"Sudden End"


Com 6 faixas irretocáveis instrumentalmente falando, esse disco é de longe um dos grandes trabalhos liberados em 2018. Lançado no dia 16 de março, "Black Heaven" mostra seu propósito desde o primeiro segundo da faixa de abertura, a overdose de Wah-Wah de "Gifted By The Wind".

Esse tema já resume o que seus ouvidos encontrarão após o play. Uma escola das mais sólidas registrando temas que impressionam não só pela riqueza, mas pela nova dinâmica que, mesmo com vocais, segue tão inofensiva quanto um Megazord tomando café numa brinquedoteca.

Em "End To End" o estrago continua e mais uma vez a capacidade de criar climas através dos sons impressiona. É possível apostar em distorções e não soar chato. Quem diria? Voz seca e sem frescura tal qual os embates de "Electric Flame", Isaiah faz um trabalho formidável e derrete as guitarras enquanto uma das sessões rítmicas mais cavernosas da cena (Eginton-Rubalcaba) fazem um workshop gratuito sobre a importância de uma boa cozinha.

Depois ainda sobra tempo para o único boogie instrumental do disco. Com os demenciais quase 2 minutos de "Volt Rush", o trio vira a chave e retorna com 2 takes de mais de 8 minutos, as mais longas do disco (a faixa título e "Sudden End", respectivamente) encerrando o tira teima.

Sem vocal? Excelente. Com vocal? Fantástico. O que é  que será que eles farão depois? Não sei, mas é igual a comida da minha vó, ela pode cozinhar qualquer coisa e nunca vai dar merda.

Baixo gorduroso, batera vigora e uma guitarra sem choro nem vela. Aperta o play aí meu amigo, esses caras podem tocar qualquer coisa, a liberdade dessa linguagem não teve limites até o momento e olha que já se passaram quase 18 anos desde que eles começaram.

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