Steve Vai fritacionando o Citibank Hall 08/12/13

Durante alguns anos da minha vida sempre me achei uma pessoa sem sorte. Muitos dos meus artistas preferidos sempre faziam Tours imensas mas jamais pisavam em terras brasileiras e quando o faziam, o ingresso era tão caro que só me restava esperar pela próxima vez, uma próxima vez que dependendo da idade do músico em questão (e de sua eventual disposição para cruzar o Atlântico), pode, poderia ou poderá nunca mais ocorrer.

Tenho uma lista de nomes de grupos que pretendo ver ao vivo mas que pelo andar da carruagem receio que precise viajar ou rezar bastante para vê-los, já que grupos como Allman Brothers, The Who, ou Crosby, Stills & Nash não estejam muito atuantes dentro do segmento de mega Turnês, (infelizmente), e mesmo que no fundo saiba que simplesmente não verei certos grupos, sei também que terei a oportunidade de ver alguns dos meus ídolos, o Steve Vai que o diga.


Show marcada para as 20:00 da noite, mas como é de praxe a quebradeira só começou 20:15 afinal de contas os músicos experientes sempre dão aquela ''valorizada''. Vai adentrou o palco e todos foram ao delírio, sua banda foi fantástica do início ao fim do espetáculo, o baixista (Philip Bynoe) manjava de Groove, o baterista (Jeremy Colson) segurava a onda com o bumbo que só vendo, e a guitarra base (Dave Weiner) teve seus momentos.

Com um show de luzes fantásticas e com um palco aparentemente simples Steve tirou leite de pedra mais uma vez e, entre sets acústicos e intervalos para que ambos os músicos de sua banda dessem o ar da graça de forma mais ''exclusiva'', o americano deu um show de carisma e boa música, enquanto (é claro) entoava os temas intrumentais mais absurdos de sua carreira e dava uma canja de seu trampo mais recente (''The Story Of The Light'') sempre com solos FANTÁSTICOS, fantasias mirabolantes, e mostrando ser um puta show man, interagindo de maneira impressionante com a platéia, encantando também por sua humildade.


Hoje sai do Citibank Hall (falecido Credicard) feliz da vida. Não só pude ver um show de TRÊS HORAS de duração de um dos meus maiores ídolos, como também pude perceber algo que sempre me deixa ainda mais feliz, que ele também estava apreciando o que estava fazendo, Steve Vai estava feliz por nos deixar feliz e isso não tem preço, nem mesmo quando ele chamou dois anônimos da platéia (Pedro e Aline se não me engano) e começou a improvisar segundo o que ambos diziam ao pé de seu ouvido...

Foi fantástico, do jeito que sempre imaginei que um show deste monstro seria e quando ele tocou ''For The Love Of God'' parecia que já tinha acabado, mas não, ele ainda tocou mais de vinte minutos antes do adeus final, antes de voltar com uma camisa da seleção brasileira com um número sete nas costas, algo válido de se ressaltar,


O criador do genial ''Build Me A Song'', a cria mor de Frank Zappa, o único guitarrista que consegue prender minha atenção por mais de duas horas, provando que a virtuose tem fluxo contínuo e que poucos abusam da guitarra da forma que ele a faz, só espero que sua Ibanez seja maior de 18 anos, que show!

E para os Freaks de plantão, hoje quem foi ao show do mestre viu que ele também é humano, pois bem no início o cidadão se deixou levar pela empolgação de suas roupas excêntricas e quebrou algo perto de seus pedais, um pingo de puro desleixo neste poço de destreza! E parafraseando o próprio Vai sobre o ''motivo'' de sua passagem pelo Braisl:  ''Remember life is good''.

Set List:
''Racing The World''
''Velorum''
''Building The Church''
''Tender Surrender''
''Gravity Storm''
''The Triulllium's Lauch''
''Weeping China Doll''
''Answers''
''The Animal''
''Whispering A Prayer''
''The Moons And I/Rescue Me Or Bury Me''
''Sisters/Salamanders In The Sun''
''Treasure Island/Fire Garden Suite II - Pausa Road''
''Jeremy Colson's Drum Solo''
''The Ultra Zone''
''Frank''
''Build Me A Song''
''For The Love Of God''
Encore:
''Fire Garden Suite IV - Taurus Bulba''



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The Red Hot Chili Peppers - Anhembi 07/11/2013

Quando vou para um show sempre tomo certas precauções. Acordo em um horário não tão tarde para poder chegar cedo na fila e tento equilibrar isso com umas boas oito horas de sono para acordar no pique, senão a chance de ficar cansado antes da hora cresce demais... E cansaço em show de Rock é complicado...

Toda vez que me dirijo ao recinto que sediará o evento sempre está um calor absurdo, porém nunca fujo da raia e sempre vou à caráter, camisa preta e calça, afinal o Rock é uma religião e, fazendo jus a tal fato, este é o meu amuleto, a minha roupa de gala para a celebração.

Porém neste quinta-feira dia 7 de novembro algo estranho aconteceu. O tempo estava frio, ameaçando piorar e consequentemente me premiar com uma bela chuva. E assim sendo, sai de casa após um belo café da manhã e me dirigi ao metrô com algo que nunca levo para shows, uma blusa.

Quando cheguei na fila tive quase 100% de certeza que choveria e que estaria protegido, mas algo estava diferente, quem foi no Anhembi para ver o Red Hot Chili Peppers sentiu um ambiente único para se maravilhar. Tivemos uma platéia empolgante, espaço para nos movimentarmos e fomos brindados com um belo show, com um set list que não choveu no molhado, belas jams e muito Funk, tudo mesclado com uma percussão de rachar o assoalho.


Mais uma vez não foi possível tirar fotos, estava muito longe e como minha câmera não faz milagres, não pude registrar nada relevante para colocar nessas linhas, se bem que sempre gostei do lado midiático da música, sempre preferi resenhas sem as fotos do evento, as imagens reais sempre estarão idealizadas na mente de cada um dos presentes neste show, um belíssimo exemplar, não custa enfatizar.

Tirando a fatídica abertura do ''Yeah Yeah Yeahs'' (sim eu sei, o nome é ridículo), aliás cada vez mais as aberturas dos shows pioram, toda vez é a mesma coisa, o principal é excelente e a abertura é horrorosa e o som sem sal  do Yeah Yeah Yeahs'' manteve a escrita.


Duas horas de Funk, show no horário e um grande espetáculo, um brinde de carisma, uma aula de música e um palco maravilhoso. Por diversas vezes fiquei viajando nos efeitos apresentados, só acordava de meu transe durante as improvisações ou algo do tipo...  Por vezes fiquei apenas viajando, vi o céu se abrir, senti o vento em meu rosto e fritei demais ao som de temas que pensei não ouviria.

Fora que além de tudo isso o Red Hot faz algo que poucos grupos conseguem, levam mulheres aos shows e mulheres bonitas (veja só!) um ''efeito Van Halen'' dos tempos modernos creio eu, fazia tempo que não via uma paisagem tão bela, se bem que merecia, afinal estava cansado dos metaleiros caminhoneiros que sempre cruzo em shows deste porte, fora que ao som de um Funk tão bem tocado as coisas ficam ainda melhores.

Flea arrebentou, Chad destruiu, Anthony fritou como só ele faz e Josh moeu sua bela coleção de guitarras, porém desculpem os fãs mais ferrenhos, o maior destaque foi a percussão do brasileiríssimo Mauro Refosco, que som meu caro, deu outro tom no Funk, enriqueceu a Jam! O cara levou até uma cuíca para o palco, de fato fantástico, porém mais uma vez eles não tocaram a minha música favorita, pelo jeito nunca escutarei ''If You Want Me To Stay'' (cover do Sly) ao vivo... Paciência, fazer o quê? Se melhorar estraga, foi um tesão escutar ''If You Have To Ask'' e chapar no samba-Funk com ''I Could Have Lied''... Que Show!

Set List:
''Can't Stop''
''Dani California''
''Otherside''
''Funky Monks''
''If You Have To Ask''
''I Like Dirt''
''Factory Of Faith''
''Snow (Hey, Oh)''
''She's Only 18''
''I Could Have Lied''
''The Adventures Of Rain Dance Maggie''
''Higher Ground''
''Under The Bridge''
''Ethiopia''
''Californication''
''By The Way''
Bis:
''Around The World''
''Meet Me At The Corner''
''Give It Away''


Sonhar é de graça:

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Abraxas Fest - 27/09/2013

Sexta feira... Os céus de marte estavam vermelhos... Havia uma movimentação estranho na Rua Augusta, o inferno estava banhado a cerva e a base de incenso numa nevoa conjunta e heterogenia de Stoner brasuca, um Rock Progressivo da mesma região do saudoso maracatu atômico e uma cobertura de fumaça fracesa, claramente banhada no Fuzz e Perrier de Mars Red Sky.

Foi assim, de maneira insana, que o Mars Red Sky passou de promessa à realidade da cena Stoner/Heavy atual e, hoje, dia 27 DE SETEMBRO, o grupo tratou de mostrar para os paulistas como se faz. Com um show que zuniu ouvidos a dar com pau e apostando no fuzz como revolução filosófica, os caras deixaram claro mais uma vez que de fino e educados só possuem o andar, quando o show começa a quebradeira é furiosa.


Primeiro tivemos o grupo da casa (Saturndust) quebrando tudo. Depois dos caras terem amaciado seus ouvidos e mostrado (mais uma vez) que a música nacional está muito bem foi chamado ao palco o Anjo Gaebriel, que mais uma vez fez algo que as palavras se fazem poucas para descrever, que show ! Progressivo tem público sim, e esses caras defendem isso com unhas e dentes fazendo uma Jam que desafia sua sanidade mental, trazendo novos temas em virtude de sua nova bolacha (a recém lançada ''Lucifer Rising''), o toque final para que aí sim fosse servido o prato principal, o Mars Red Sky.


Durante uma hora esses franceses mostraram todo seu talento e encantaram o público com belas faixas, mostrando construções diferentes, efeitos, um Stoner extremamente bem feito e que pesa toneladas! Ritual que só teve pausas entre os ''obrigados'' que os membros do grupo profetizavam para agradecer a quem compareceu no evento, dando não só um show no quesito instrumental mas no quesito humano, mostrando muita humildade e pé no chão para continuar trilhando seu caminho dentro de um meio que pode ser cruel e esses caras parecem ter plena consciência disso.

Se você perdeu esse show só posso dizer que tenho pena de sua alma, quem esteve na Rua Augusta viu que nem tudo está perdido, a nova safra foi representada (Saturndust e Anjo Gabriel) e o Stoner pediu passagem. 


Sobre a organização do evento (feita pela Abraxas) só tenho elogios a tecer, show no horário (como deveria ser, som no talo sem frescura e um serviço excelente aliado a bela estrutura do Inferno Club. Organização pura, os caras vieram pra ficar, excelente show. 



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Uriah Heep - Via Marquês - 27/05/13

O maior clichê dentro do Rock é ouvir alguém dizer que quer ver algum medalhão tocando. Nomes como Deep Purple, Kiss, Black Sabbath, The Who, Led Zeppelin, Rolling Stones... Quem já viu alguma dessas bandas ao vivo pode falar com propriedade, é diferente de todo e qualquer show e o motivo é simples, provavelmente muitos de nós (fãs de Rock) ou da boa música de maneira geral, começamos a trilhar o caminho do caos ouvindo os grupos citados.

E não importa a idade, trinta, quarenta, cinquenta anos, na hora que uma banda desse calibre sobe ao palco você vira uma criança de dez, lembra de seus primeiros momentos com aquele som encorpado nos ouvidos e nada mais importa, o resto é o resto. 

E foi exatamente isso que aconteceu, (para variar) quando o Uriah Heep subiu ao palco no Via Marquês, numa Tour que tomou de assalto a virada cultural e merecia uma estrutura melhor para explorar toda a história e força do Hard/Prog de uma das melhores e mais injustiçadas bandas de todos os tempos, porém antes, é claro, tivemos Pop Javali prestando os serviços de abertura com muito Heavy Metal, esquentando a galera na térmica Rock 'N' Roll.


Essa é a quarta passagem dos Britânicos pelo Brasil, vale recordar que a banda passou por aqui em 1989, 1995 e 2006, mas dentre todas essas Tours, creio que essa especificamente (Latin America Heepsteria Tour) seja a mais especial delas, tamanha a comoção dos fãs da banda quando os boatos de uma eventual apresentação começaram a brotar nos meios especializados. 

Dia 18 teve Hard em Ribeirão Preto, dia 20 a casa caiu em Porto Alegre, 21 na cidade maravilhosa, no dia seguinte repeteco em Belo Horizonte e ainda teve show em Brasília e Curitiba, nos dias 24 e 25 respectivamente... Mais uma vez os gigantes mostraram fôlego de garoto e atenderam as orações dos paulistas, afinal dia 27 foi a nossa vez!


Esse show era para ser o último da Tour, porém a localidade seria outra. A ideia inicial era levá-lo para o México, mas ainda bem que não foi necessário, a colônia de fãs do Uriah no Brasil é enorme e a apresentação do grupo nessa última terça-feira fez jus ao tamanho de nosso amor pela banda, arrebatando todos que se encontravam no Via Marquês numa hardeira só, e de quebra, entoando clássicos que sinceramente, pensei que nunca fosse escutar.

Line Up:
Mick Box (guitarra/vocal)
Phil Lanzon (teclado/vocal)
Bernie Shaw (vocal)
Russell Gilbrook (bateria/vocal)
Dave Rimmer (baixo/vocal)


Quem estava presente no recinto teve a honra de presenciar uma espécie de cronologia discográfica do Uriah, mas não só isso, seus fãs puderam ver também a evolução do Rock, passando pelo Hard com toques de Blues, fritando em sinergia psych, viajando no Prog e burbulhando com marteladas secas nos ouvidos ao som dos maiores hits da banda. 


Instrumentalmente falando o grupo beirou a perfeição, Mick Box segue brilhante e tocando solto, brincando com a platéia, fez questão de solar sempre que possível, dando sua tradicional benzida na guitarra, enquanto ainda se desdobrava com afinadíssimos backing vocals. Outro que me espantou pelo alcance vocal foi Bernie Shaw, santa traquéia Batman, o canadense está se aproximando dos 60 anos mas segue cantando de forma absolutamente natural e a química entre os músicos segue padrão FIFA, mantendo os ideias vibrantes que consagraram a banda. Na bateria tivemos Russel Gilbrook moendo seu Kit com louvor, muito virtuose nos teclados por parte de Phil Lanzon e um baixo elementar por parte de um aparentemente tímido mas talentosíssimo Dave Rimmer, tirando faixas da fase Gary Thain como se fosse a coisa mais fácil do mundo!


E por último porém jamais menos importante, depois de duas horas de show e de finalizar o mesmo com a presença de praticamente todas as mulheres que habitavam a casa, no palco, junto com a banda, vimos Mick Box autografando alguns itens, demonstrando uma humildade realmente fora de série, rejeitando o estigma de Rockstar, agradecendo ao pessoal da mesa de som. 

E para que ninguém voltasse para casa órfão de mais barulho e que pudesse ainda permanecer no espaço trocando uma ideia sobre o que acabara de acontecer, tivemos uma banda de encerramento, um fim de noite excelente com a 3HD, a banda de Sérgio Hinds, guitarrista do Terço.

Um show para de fato ser guardado na memória e que mesmo faltando ''The Wizard'', ou a minha preferida da banda, ''The Magician's Birthiday'', foi fantástico, estou até estudando a possibilidade de colocar isso no meu próximo currículum: Sem experiência, mas em compensação já vi o Uriah Heep ao vivo e pude também coletar provas concretas de que Mick Box é, além de uma divindade Heep, humano, afinal de contas não é todo dia que você encontra o guitarrista andando no meio fio da Avenida Marquês de São Vicente...


Set List:
''Against The Odds''
''Overload''
''Traveller In Time''
''Sunrise''
''Stealin'''
''I'm Ready''
''Between Two Words''
''Gypsy''
''Look At Yourself''
''July Morning''
''Lady In Black''
Bis:
''Free 'N' Easy''
''Easy Livin'''


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