HBC Trio - Bourbon Street 13/08/14

Semana passada fui ao show do Marcus Miller e antes de sair achei um folheto no mesmo Bourbon Street com os próximos eventos da casa. No caminho para a minha residência estava passando os olhos pelas atrações até que me encontro absolutamente estupefato com um nome em especial: HBC Trio. Sem muitas delongas trata-se de uma das uniões mais estratosféricas dentro da música em tempos recentes, um tal de Scott Henderson na guitarra, Jeff Berlin no baixo e Dennis Chambers na bateria.

Esses três músicos são 3 das grandes mecas de seus respectivos instrumentos. O que Chambers faz em espaços curtos as vezes não parece anatomicamente possível, Henderson por outro lado é um cara que além da parte técnica estudiosa tem ideias que se não fazem dele um dos grandes malucos beleza da guitarra, no mínimo garantem seu nome para a posteridade e, Berlin, para resumir, desencoraja qualquer um a pegar um baixo para tocar.



Não fazia a mínima ideia do que essa reunião colocaria na pauta do set list para o show, nem de quanto tempo o mesmo levaria, a única certeza é que seria uma barulheira infernal da melhor qualidade e que eu não poderia perder este simpósio sonoro. É o tipo de banda que soaria absurda até se eles escolhessem tocar só músicas do Chaves!

Ainda antes de falar sobre o show, vale lembrar que Dennis Chambers não compareceu. O baterista anda bem frágil biologicamente e quem acompanha sua carreira notou que ele perdeu MUITO peso, culminando inclusive com um desmaio depois de um festival de Jazz na Europa. Só que o show já estava marcado e business é assim, o show nunca para, tem SEMPRE que continuar, logo, para substituir o último ''C'' do HBC Trio, Henderson e Berlin chamaram Billy Cobham.


Se você escrever bateria no Google e procurar no item ''imagens'', verás que Billy aparecerá em algum momento. Sim, sua Panamenha bateria de beat perfeito e incontrolavelmente não-errática, atingiu um patamar quase mítico, mas ontem pude ver com meus próprios olhos, é tudo verdade, e digo mais, POSSO COMPROVAR que os três monstros que estavam sob o palco são, (pasmem os senhores) HUMANOS, até erraram a entrada de uma música (por duas vezes), só até errando eles são bons... Ahh se todo mundo errasse desse jeito.

O show estava marcado para as 21:30 mas presumo que pelo tempo chuvoso o pessoal da organização optou por dar aquela segurada para garantir a lotação completa do recinto e quado bateu 22:00 no gongo da Swatch, o trio entrou e rapaz, se semana passada fiquei impressionado com o que o Marcus Miller fez em uma hora e quinze, ontem sai do Bourbon com princípios de um derrame depois de 2 horas de show.


E o que me deixou mais embasbacado, impressionado, estupefato, babando, chocado, deslumbrado (haja sinônimos para tanto), foi que esse show foi o PRIMEIRO que o trio fez junto, só que pela excelência parecia que a união já tinha mais de 30 anos!! Scott Henderson chegou lá com uma roupa de velho aposentado que vai pagar as contas de manhã bem no seu estilo, simples até o osso, mas tocando é um Lord Ingês. Berlim tem uma técnica tão apurada que em momentos parecia que tocar naquele cenário com nomes tão grandiosos era até fácil, tamanho seu relaxamento. 


E Billy Cobham, bom, para mim o septuagenário foi o destaque, SETENTA ANOS senhores e a bateria balançava à distância! Como esses caras sentem a música! O recém entrosamento dos caras foi posto à prova e nossa senhora, tem banda que toca junto por mais de vinte anos que não faz o que esses caras fizeram ontem.

Explorando o bom humor e fazendo piadas das mais variadas os caras arrancaram aplausos em todos os setores possíveis, simplicidade, técnica e humildade, rolou de tudo Weather Report, Beatles em versão Jazz com ''Come Together'' e uma apresentação de ''Tears In Heaven'' de Jeff Berlin que foi feita no ato, só o Groove, Scott foi olhar a guitarra, Billy deu uma respirada e ele improvisou uma linha com um feeling de marejar os olhos.

E pra fechar a noite ''Stratus'', as elevações de bateria mais absurdas da face terrestre, Berlin e Henderson olhavam para Billy como quem admira um Deus! O cara veio às pressas para substituir e abraçou todo mundo, bom humor, Jazz, e muita camaradagem, esse foi um dia que nunca me esquecerei, jamais imaginei que veria esses caras.

Cobham principalmente, a bateria do cara estava mais alta do que todos os outros instrumentos, o show era em função dele. Todos os envolvidos arrebentaram sem dúvida alguma, mas ele estava impossível, nem a pau que o negrão tem 70 anos, que forma física, como se diz na gíria do futebol: ''Deve ser gato'' QUE SHOW!


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