Cachorro Grande - Ozzie Pub 14/10/2014

Um novo disco não implica apenas em uma nova sonoridade, trata-se também de um novo direcionamento criativo. Existe muito mais coisas envolvidas neste processo, mesmo se a banda em questão mantenha uma fórmula já conhecida e estabelecida dentro de seu propósito sonoro.

O fato de desenvolver um novo repertório tem muita influência do aspecto referencial, pra quem escuta o som tendo como visão o âmbito da platéia, o sentimento tem um lado e, se você inverter essa ideia, verás que a banda sente e enxerga isso de outro ângulo, são diferentes perspectivas.


Porém mais do que isso, um novo conteúdo precisa ser incorporado, um novo repertório, mesmo quando dominado criativamente, precisa ser redomesticado pela banda, agora em tour, quase como se fosse um novo dialeto. E para tal o som precisa de fluência e isso só vem com a prática desta nova faceta.

E ontem, quem estava presente no show de imprensa que patrocina a nova viagem musical do Cachorro Grande, viu como o novo idioma fluente dos caras é o Costa Marfinense, a Tour de São Paulo não poderia começar melhor. O pontapé inicial foi com um showzaço na terra natal do quinteto, que exalou ácido no Bar Opinião (dia 09/10) e que depois de colocar o Ozzie Pub em ponto de ebulição, vem preparando o woodstock de Hoffmann para as duas datas no Sesc Pompéia, sexta e sábado (dia 17 e 18) respectivamente.


Sobre o show de ontem só tenho elogios a tecer. Notei que a banda se encontra absolutamente revigorada no palco, já vi o Cachorro em outras oportunidades, mas com este repertório eles estão sem coleira. E na hora da apresentação fica claro como uma gota de LSD, que mesmo não agradando alguns (não me incluo nessa), a mudança foi válida e acima de tudo, fez bem para a banda, que no fim das contas é o mais importante.

Agora que o lado psicodélico da força aflorou, o reflexo dos espectros de luz influenciam tudo que circunda a banda. As vestimentas das fotos para o novo disco agora são peças do dia-a-dia, o show de luzes foi a maior surpresa, parecia holograma de São Francisco, bem na Bay Area nos anos 60... Nostalgia digna de Winterland, esse novo disco virou estilo de vida.


Essa sopa psicodélica deu muita caldo e, digo mais , num futuro próximo disco o ramo psych tem tudo para extender esse reinado sonoro, o Edu K precisa ser sempre citado, mais do que isso, presente, assim como ele estava ontem no Pub. Esse flashback sonoro soou maravilhosamente bem ao vivo.

Eu particularmente estava bem pilhado para ver o produto final por que no disco escuta-se muitas pirações de efeitos e trabalhar com tudo isso ao vivo é bastante complicado, algo sempre se perde, mas na primeira música, ainda na introdução do disco, deu pra notar que a banda também deu muita atenção a este fato, a qualidade de som estava soberba e os caras estavam tocando como se estivéssemos ouvindo o disco.

Dava pra cortar a densidade sonora com uma faca de rocambole. O baixo do Rodolfo Krieger é o meu principal destaque, toca muito, sola e o grave é cristalino. A banda arrebentou, o Marcelo como sempre foi muito técnico e, mostrando sua classe Britânica em prol da elegância de um estilo econômico, foi muito bem. Beto, o grande admirador  da obra Zappiana foi elementar nos vocais e sempre com um cálice nas mãos, dava prosseguimento ao culto Rock 'N' Roll, fora os teclados bem timbrados do Pedro Pelotas e a batera nunca errática do senhor Azambuja.

A energia do Pub era um repeteco clássico da invasão Britânica, a acústica estava muito boa e mesmo em forma de pocket show o cachorro triturou sua ração. E se teve algum efeito colateral nós não sabemos, as fotos do digníssimo Leonardo Marmitt mantiveram a seriedade desta nova distorção da realidade, dessa viagem sob os elefantes da verdadeira arca da Costa do Marfim.

Cheguei em casa depois de 40 minutos de fritação e quando fechei os olhos só via feixes de luz... Bom, para a banda não tem contra indicação, mas para os fãs recomendo o uso de óculos 3D. Grande momento!

Set List:
''Costa do Marfim''
''Nuvens de Fumaça''
''Eu Não Vou Mudar''
''Crispian Mills''
''Use O Assento Para Flutuar''
''Como Era Bom''
''Eu Quis Jogar''
''O Que Vai Ser''


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