Esperanza Spalding - Parque do Ibirapuera 23/11/2014

Nunca me senti incomodado em um show de graça, mas vejam só, para tudo existe uma primeira vez. Ontem fui ao Auditório do parque do Ibirapuera pronto para ver a grande Esperanza Spalding em ação. Cheguei exatamente no horário do evento, britanicamente as 18:00. Me sentei no gramado e daí pra frente o Jazz foi o que ''esteve tendo'', até mais ou menos nove horas da noite.

Teve uma garoinha, vento, chuva forte, mas não teve como, podia chover até mão francesa que de lá eu não sairia, afinal de contas estamos falando de Esperanza Spalding. Só que antes do groove da america o Jazz já estava comendo solto e quem esteve no comando da jam até mais ou menos as sete da noite foram dois brasileiros: Chico Pinheiro e Lourenço Rebetez.

Foi muito legal ver que o parque estava lotado. São momentos como esse que me fazem ter fé na humanidade. Com tanta merda tocando no rádio achei sinceramente que o show estaria meio vazio, mas ainda bem que estava errado, desde a hora que Chico começou a tocar, que o gramado do parque já estava muito bem preenchido. Depois o Rebetez pegou a guitarra e aí o pessoal sentiu o feeling de semi acústica.


Se o Jazz tivesse chegado ao fim só com a apresentação destes dois renomados músicos locais o pessoal poderia se retirar feliz da vida, mas não, ainda tinha ela, a musa do Black Power, a minha Esperanza por dias melhores na música, o baixo apaixonante e quase que made in Brazil da senhorita Spalding.

A mulher dos meus sonhos entrou no palco pouco depois das sete e com toda sua banda no palco, (incluindo metais), ela tocou por duas horas, duas longas e lindas horas... Saí de lá até meio envergonhado por não ter pago nada para presenciar tal performance.

Ver essa cidadã ao vivo foi fantástico. Primeiro que além dela falar português com a plateia e se fazer entender perante todo o público, a baixista ainda o fazia com excelentíssima boa vontade, solava o baixão subindo e descendo a escala, dava longos rolês pelo palco e se mostrava muito feliz por estar presente em um lugar que, mesmo com chuva, abraçou seu som ao ar livre e estava lotado de pessoas que realmente apreciam seu trabalho.

Fora os milhares de elogios plenamente obrigatórios que tenho que tecer para com essa musa do jazz contemporâneo, é realmente importante citar o papel do Ibirapuera nisso tudo. Primeiro por que além de trazer uma artísta deste nível eles ainda montaram um show de graça com qualidade de luz e som de uma casa fechada.

Ver o entardecer ao som da Esperanza... Ver as luzes mudando a atmosfera tal qual estações do ano, ouvir ''Ponta de Areia''... Se você quer ser fã de alguém seja fã dessa mulher. Ela manja mais de música brasileira do que muito brasileiro metido a besta por aí, adora nosso país e ainda faz questão de vir todo ano, fora que se for preciso ela troca de graça. Casa comigo mulher!


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