Os 10 melhores discos de 2015

Quem acompanha esse blog sabe que este que vos escreve não curte listas. É claro que já fiz algumas delas durante esses mais de 3 anos de existência, mas costumo bater nessa tecla negativa à respeito dessa modalidade, pois vejo muitos acéfalos comparando discos na hora de elencar as jam's, e o pior, os caras insistem em emparelhar gêneros diferentes e ainda tentam justificar tamanha grosseria.

Por isso, gosto de salientar que nas listas desta humilde residência, vulgo Macrocefalia Musical, nós utilizamos apenas uma ordem: a alfabética. Sobre os discos selecionados, bom, prevaleceram os trabalhos que foram resenhados nesse ano, mas se o dia tivesse 45 horas de duração, talvez fosse possível falar de todos os exuberantes discos que saíram esse ano, outra volta em torno do sol que nos forneceu muita, mais muita música de qualidade.

1) Benjamin Clementine - At Least For Now



Lançado no dia 12 de janeiro, ''At Least For Now'' é o disco de estréia do talentosíssimo Benjamin Clementine. Inglês radicado na França, Benjamin espanta pela naturalidade de sua voz, e também impressiona pelo feeling e pelas fortes linhas no piano.


A questão estética é bem pura, o pianista de 27 anos possui um leque bem diversos de influências, por isso o disco ganha requintes clássicos, jazzísticos e Blueseiros de maneira bastante orgânica. Prepara-se para o baque, esse CD é poderoso e foi gratificante ver que ele causou uma boa impressão com seu autêntico som.

2) Christian Scott - Stretch Music



''Stretch Music'' é o quinto disco do trangressor Christian Scott. O desafeto declarado de Wynton Marsalis e de todo o resto da cena conservadora do Jazz, segue desconstruindo os padrões sem sal do gênero e nos mostra, disco após disco, como o estilo segue muito bem, obrigado.


A mistura de música eletrônica com seu quê de Fusion é o que dá o tom para o disco, mas é impossível não perceber que o americano vai muito além disso, quando emite insights com raízes no passado, mistura a cozinha com Rock e no fim do disco faz algo bastante raro hoje em dia: cria sua própria assinatura e ainda o faz junto dos melhores nomes da nova safra jazzística.

3) Elder - Lore



''Lore'' é o disco que finaliza a primeira trinca dos americanos do Elder e pode ser considerado a obra prima do trio até o momento. Esse trabalho fez muito barulho por passou e são vários os motivos que conspiraram para isso.


A banda é fantástica, encontra-se bastante entrosada e cada um dos envolvidos entendeu muito bem seu papel para que as festividades no formato power-trio pudessem ser concretizadas. A produção ficou muito interessante, o resultado final bastante cru e manteve a fidelidade do que os caras fazem no palco,

Fora que todas as composições desse disco beiram o ridículo. A criatividade para elencar o Stoner-Sludge foi louvável, mas as quebras de tempos/ritmos e as influências progressivas são os elementos que fazem desse disco, um estardalhaço vinílico obrigatório. 100% baixo, bateria e guitarra. Aprende a arte rifferamática.

4) Graveyard - Innocence & Decadence



Depois de passar por uma leve turbulência, o Graveyard fez pequenos ajustes na cozinha e quebrou o silêncio com ''Innocence & Decadence'', quarto disco de estúdio desses suécos que manjam e muito de Blues-Rock com alicerces psicodélicos.


Como é bom ouvir um disco com um vocal cru, sem aquele mimimi de front man bibelô da vovó. Sacar uma instrumentação seca e inventiva, cheia feeling, swing e muita potência. A cada trampo que esses caras jogam no praça, o que fica é essa sensação de ''melhor disco até o momento''. Excelente, o próximo vai ser o melhor haha

5) Gov't Mule Featuring John Scofield - Sco-Mule



Gravado em 1999, o extravagante Jazz-Funk desse disco só foi liberado no dia 27 de janeiro deste ano. Cerca de seis meses depois desses memoráveis momentos (já nos anos 2000), o baixista do Gov't Mule, Allen Woody, nos deixou. 


Por isso essa dádiva em forma de Live foi arquivada, só que os relatos sobre a força dessas duas noites (uma em Atlanta e outra na Georgia), ganharam tamanha força com o passar dos anos, que além da banda fechar 30 datas com o Scofield, os caras lançaram mais um trabalho que celebra os 20 anos de história de Warren Haynes & Cia. Todos arrebentam, mas o Scofield e o Woody... Esses ai atingiram outro patamar.

6) Kamasi Washington - The Epic



Três horas de Jazz. Um épico (sem trocadilhos) registro triplo. Um total de 62 músicos envolvidos e um resultado que mesmo munido de numerologias absurdas, jamais peca por nenhum tipo de excesso, muito pelo contrário.


O que o saxofonista Kamasi Washington fez em ''The Epic'' ficará para a história. A profundidade das composições é sem tamanho, o sentimento é grandioso e o resultado é um registro que trata de provar que ainda existem músicos capazes de lhe deixar de joelhos com projetos desafiadores.

7) Marbin - Agressive Hippies



Se você gosta de Jazz-Funk, prepare-se para o estrondoso ''Agressive Hippies'', quinto trabalho de estúdio de uma das bandas instrumentais mais chapantes do cenário americano. Formado pela dupla de assombrosos músicos israelenses Dani Rablin (guitarra) e Danny Markovitch (saxofone), (músicos radicados em Chicago), o Marbin assusta pela virtuosidade técnica.


A precisão do quarteto é elementar e o approach dos caras para fazer o Fusion Funkear com um ar Rocker é notável. A música é fresca, emana criatividade e uma energia sem tamanho. Prepara-se para grudar os ouvidos no fone de ouvido, o feeling é retumbante.

8) Mondo Drag - Mondo Drag



Quem escuta os 2 discos que o Mondo Drag gravou, mal sabe que essa proeza em forma de Hard-Prog estava praticamente acabada. Foi difícil, foram 5 anos de espera (!) mas depois de uma estréia do nível de ''New Rituals'' (2010), um som deste porte não poderia morrer na praia.


Por isso que todo o trabalho de John Gamino para remontar o grupo merece todo o respeito. O quinteto superou os problemas na line up e depois de tudo isso, gravar esse autointitulado deve ter sido até fácil, tamanha o nível das dificuldades superadas e dos músicos envolvidos nesse estonteante projeto.

Cheio de nuances excepcionais, a viagem desses caras está rendendo flashbacks até agora, e antes que os mais emotivos entrem em pânico, declaro: seguerem a onda. O Mondo Drag embalou de vez, já saiu até o single para o terceiro disco da banda. 2016 será bem louco.

9) Snarky Puppy & Metropole Orkest - Sylva



Realizando o complexo sonho do chefia dessa enterprise Jazzística, a Sarky Puppy finalmente conseguiu tempo o suficiente para planejar a gravação de um trampo com orquestra ''para'' Michael League. O bass man deve ter ficado no mínimo orgulhoso com a beleza de ''Sylva'', fruto da união entre uma das maiores bandas do planeta e a Metropole Orkest.


Não se engane pelo pequeno track list, pois as seis faixas que formam esse grande disco, exploram todas as possibilidades que apenas uma lista de músicos tão grande poderia prover. Perfeito dentro do que se presta a fazer, esse CD é a prova factual de como a Snarky está voando baixo, o tato dos instrumentistas envolvidos é sem precedentes e a riqueza de detalhes desse lançamento da IMPULSE! precisa de uns bons meses para ser devidamente assimilada. Exuberante é pouco.

10) Uncle Acid & The Deadbeats - The Night Creeper



Depois de escutar ''The Night Creeper'' você vai borrar sua calças. Sério, se você ainda tinha dúvidas, o quarto disco de estúdio dos britânicos do Uncle Acid & The Deadbeats, pra variar, ficou muito bom e antes que comece o mimimi de que ''nós já temos um Sabbath'', Melody Lane lhe deixará consternado.


O titio ácido e as batidas mortas comprova, trampo depois de trampo, como é possível revitalizar uma fórmula e criar um som próprio. Isso é difícil pacas, mas o quarteto de Cambridge o faz com uma naturalidade assustadora. A riqueza de climas em ''The Night Creeper'' é monumental, e depois do primeiro play é tiro e queda: se você gosta de Ghost, ai coitado do Papa, quebre todos os discos e comece a louvar o deus Uncle Acid.

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Os 25 melhores discos de 2015 na opinião da Collectors Room

O ano de 2015 rendeu muitos grooves para os ouvidos àvidos pela boa música, mas durante esses 365 dias muita coisa passou batido pelos ouvidos do Macrocefalia Musical, afinal de contas, é impossível escutar todos os belos discos que saíram à toque de caixa neste ano.

Por isso, além da nossa lista de melhores do ano, resolvi dar um toque no mestre Ricardo Seelig e o mesmo concordou em ceder mais uma aguardadíssima lista de destaques anuais da Collector's Room. Sem mais delongas, apreciem os quitutes deste amplo e riquíssimo menu grooveado. Agora quem comanda o teclado é o sommelier de vinis.


Um ano ótimo para a música: assim foi 2015. Com excelentes lançamentos em diversos gêneros, o ano apresentou uma pluralidade sadia, carregada de qualidade e inspiração. 

Antes, um pequeno esclarecimento: desta vez, ao contrário das anteriores, não publicamos diversas listas de melhores do ano trazendo as escolhas da equipe e de convidados. Você acompanhou a Collectors em 2015 e sabe que passamos por um período de pausa, com um grande ponto de interrogação, onde demos uma parada. Retornamos apenas alguns meses mais tarde, com mudanças e uma proposta de fazer tudo de maneira mais leve, saudável e divertida pra quem escreve a CR. Nesse processo, eu, Ricardo Seelig, decidi seguir sozinho produzindo o conteúdo do site, como era lá no início de tudo. As razões para isso foram muitas, e algumas já contei por aqui.

Assim, o que temos é uma apenas uma lista, apontando os melhores discos lançados este ano na opinião da Collectors Room. Estão abaixo 25 títulos, de estilos variados, que acredito que contém alguns dos melhores momentos que a música nos proporcionou em 2015.

E fica um convite: nos comentários, poste a sua lista de melhores do ano, e vamos juntos compartilhar o amor pela música e pelos bons sons.


25) London Afrobeat Collective - Food Chain


Dez músicos de origens e nacionalidades diferentes, baseados na capital inglesa: esse é o London Afrobeat Collective. Influenciados por Fela Kuti tanto no som quanto no discurso político, o LAC entrega uma música com ritmo contagiante e letras afiadas, que retratam de maneira contundente a miscigenação dos grandes centros europeus. Com dois álbuns e dois EPs já lançados, o London Afrobeat Collective mostra que o ritmo africano segue pulsando, agregando elementos contemporâneos para soar renovado e refrescante.


24) Bixiga 70 - Bixiga 70


Chegando ao seu terceiro disco, o combo paulistano Bixiga 70 segue no mais alto nível sonoro. Unindo afrobeat e jazz a elementos brasileiros e latinos, a banda é um exemplo de como a música instrumental é cativante. A usina sonora do grupo transita com imensa naturalidade pelas variadas influências exploradas, sempre com muito bom gosto. Enfim, um álbum excelente, como os dois anteriores.


23) Ryan Bingham - Fear and Saturday Night


Caminhando entre o country e a música tradicional norte-americana, este cantor e compositor natural do Novo México vem chamando a atenção nos últimos anos com trabalhos consistentes. Em 2010, por exemplo, a canção que o rapaz compôs para o filme Crazy Heart (estrelado por Jeff Bridges e que no Brasil teve o título de Coração Louco), e que virou a música-tema da película (“The Weary Kind”), foi indicada a inúmeros prêmios, incluindo o Oscar e o Grammy. Fear and Saturday Night é o quinto álbum de Ryan e foi composto em um retiro solitário que Bingham fez em seu trailer. Estacionado nas montanhas da Califórnia e sem eletricidade e celular, o músico retratou a sua infância nas doze faixas, marcada pela morte da mãe devido ao alcoolismo e pelo suicídio do pai. Um disco belíssimo e que transborda sentimentos.


22) Graveyard - Innocence & Decadence


O quarto álbum do Graveyard veio com a responsabilidade de manter a alta qualidade dos trabalhos anteriores do quarteto sueco. E conseguiu. O disco trouxe uma mudança na formação, com Truls Mörck assumindo o baixo no lugar de Rikard Edlund. Mas a sonoridade manteve-se praticamente inalterada, com o bem azeitado hard rock poeirento da banda funcionando que é uma maravilha. Alternando faixas agitadas com momentos mais contemplativos (os backing vocals com ascendência gospel de “Too Much is Not Enough” são lindos de chorar), o quarteto liderado pelo ótimo vocalista e guitarrista Joakim Nilsson reafirmou a sua posição como uma das bandas mais interessantes da atualidade.


21) Sister Sparrow and The Dirty Birds - The Weather Below


De tempos em tempos, a música nos brinda com surpresas deliciosas, daquelas que, ao bater na orelha, não conseguimos parar de ouvir por dias e dias a fio. Esta banda nova-iorquina se encaixa nesse exemplo. The Weather Below, terceiro álbum do Sister Sparrow and The Dirty Birds, é um disco saboroso, com uma sonoridade que traz elementos de rock, soul, funk e outros ritmos, tudo embalado na forma de um pop ensolarado e poderoso. Pra ouvir naqueles dias em que você acorda meio pra baixo: é só dar play e o sol volta a iluminar a sua vida.


20) The Mighty Mocambos - Showdown


O que temos aqui é uma turma de Hamburgo, na Alemanha, que faz um funk nervosíssimo. O The Mighty Mocambos é formado por nove músicos, unindo o trio guitarra-baixo-bateria a uma parede de metais que recheia a música de maneira sublime. Com a participação do lendário Afrika Bambaataa em três faixas, Showdown vem recheado de um balanço irresistível e uma produção que realça a crueza e a “verdade" dos instrumentos. Discaço, e ponto!


19) My Sleeping Karma - Moksha


Outra joia vinda da Alemanha, o My Sleeping Karma está na estrada há aproximadamente dez anos. A música da banda vem carregada de originalidade, com canções instrumentais que constroem paisagens sonoras a partir da união entre o hard rock e a psicodelia. Moksha é o quinto álbum do quarteto, e é daqueles discos capazes de carregar o ouvinte para outras dimensões à medida que a audição do trabalho se aprofunda. Uma experiência única e altamente recomendável!


18) Swallon the Sun - Songs from the North I, II & III


Quando a pretensão possui foco e é exercida com sabedoria e talento, é capaz de produzir obras-primas atemporais. Songs from the North I, II & III, novo álbum do Swallon the Sun, é um exemplo disco. Trata-se, muito provavelmente, do álbum de heavy metal mais pretencioso de 2015. E isso é uma qualidade. Grandioso e épico, o trabalho - triplo - entrega 21 canções densas, elaboradas e desenvolvidas à exaustão, em um resultado final sublime e que exige uma contrapartida do ouvinte, que é convidado a desbravar essa odisseia musical passo a passo. Trata-se de um trabalho que não oferece uma digestão simples, muito pelo contrário, mas que recompensa o ouvinte com sensações sublimes e que são como potes de ouro ao final do arco-íris. Sensacional é um adjetivo que serve como uma luva em Songs from the North I, II & III.


17) Buddy Guy - Born to Play Guitar


Do alto dos seus 79 anos, Buddy Guy segue produzindo música do mais elevado nível. Born to Play Guitar mantém a ótima fase que o bluesman natural da Louisiana vem atravessando nos últimos anos, e traz como cereja do bolo participações especiais que fazem toda a diferença, como Billy Gibbons e Van Morrison. É um clichê, mas define com perfeição Buddy Guy: ele é como vinho - quanto mais o tempo passa, melhor fica.


16) Riverside - Love, Fear and the Time Machine


Quem gosta de rock progressivo tem sido abençoado com excelentes discos nos últimos anos. O gênero atravessa um ótimo momento, com a afirmação de novos ícones e o surgimento de artistas que conseguem manter as características essenciais do estilo, sem cometer os exageros de alguns nomes do passado. A banda polonesa Riverside inscreve-se com autoridade entre as referências recentes do prog, e seu novo disco ratifica esse merecido status. Falando sobre viagem no tempo e usando o talento e a criatividade para transitar de maneira soberana através dos arquétipos do rock progressivo, o Riverside concebeu um trabalho excepcional.


15) Songhoy Blues - Music in Exile


Disco de estreia deste quarteto natural do Mali. A música é uma espécie de blues rock temperado com hip-hop e batidas africanas, com letras cantadas em francês, o idioma natural dos caras. Um álbum original e delicioso, que abre várias portas para o Songhoy Blues.


14) Chris Stapleton - Traveller


Country. Clássico, contemporâneo, não importa. O que você precisa saber é que é dos bons. Traveller é o álbum de estreia do Chris Stapleton, compositor há anos na ativa e que agora decidiu sair dos bastidores e visitar os holofotes. Diversas composições de Stapleton estão presentes em álbuns de nomes como Adele, Tim McGraw, Peter Frampton e Sheryl Crow. Traveller revela o talento do cantor para o público, em um disco que irá agradar desde admiradores do country a até mesmo fãs de ícones do southern rock, como o Lynyrd Skynyrd. Ouça, você vai curtir.


13) Melechesh - Enki


Esta banda natural de Jerusalém e atualmente baseada em Amsterdam é uma das grandes forças criativas do black metal contemporâneo. Com uma sólida discografia, o Melechesh já havia recebido merecidos elogios rasgados com The Epigenesis, lançado em 2010. Enki mostra a banda seguindo a sua evolução e construindo uma música cheia de personalidade, trabalhando influências que vão do metal extremo até a música folclórica judaica.


12) Goatsnake - Black Age Blues


O riff de guitarra é a essência do rock, a alma do heavy metal. Mas, estranhamente, é cada vez mais raro ouvir canções que têm o riff como elemento condutor. O Goatsnake resgata essa tradição em Black Age Blues, entregando um inspirado trabalho de guitarra que bebe direto na herança de Tony Iommi. Se você curte rock pesado, vai adorar!


11) Iron Maiden - The Book of Souls


Ninguém esperava que o Iron Maiden gravasse um disco tão inspirado e inovador a essa altura da carreira. Mas a banda liderada pelo baixista Steve Harris e pelo vocalista Bruce Dickinson mostrou o porque de ter o status que possui. Longo, duplo e excelente, The Book of Souls é o melhor disco do Iron Maiden em décadas.


10) Ghost - Meliora


O Ghost chamou a atenção em 2010, com uma sonoridade que bebia no heavy metal clássico, letras explorando temas sombrios e integrantes com uma maquiagem marcante. Passados cinco anos, a banda sueca lança o seu terceiro disco, afasta-se do metal, agrega elementos de psicodelismo e mostra que chegou pra ficar.


9) Leon Bridges - Coming Home

Vem de Atlanta a nova sensação do soul norte-americano. Leon Bridges estreou este ano com um disco que é pura diversão. Feeling, balanço e ótimas canções fazem de Coming Home um álbum que cativa de imediato. Marvin Gaye curtiu, podem ter certeza!


8) Kamasi Washington - The Epic


Um álbum triplo, que explora as mais variadas áreas do jazz. A estreia deste músico natural de Los Angeles faz juz ao título, com uma coleção épica de canções. Passei meses ouvindo, e provavelmente ficarei mais outros tantos com The Epic por perto. Altamente recomendável!


7) Intronaut - The Direction of Last Things


O auge deste quarteto norte-americano, que sempre gravou bons discos. The Direction of Last Things mostra a banda inserindo elementos de jazz, prog e outros gêneros em sua música, criando um metal cheio de personalidade e inovador. E o que é fundamental: sempre audível e pra lá de cativante.


6) Emicida - Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Cada


O Brasil vive um momento delicado. O discurso de ódio pauta o dia a dia. A intolerância é onipresente. O racismo segue presente Emicida fala sobre essas e outras questões em seu novo álbum, com canções fortes e letras mais intensas ainda. Com um discurso afiado, o rapper gravou um disco que sintetiza a realidade que vivemos. Pra ouvir, pensar e, sobretudo, entender.


5) Christian Scott - Stretch Music


Como o próprio título antecipa, o que este trompetista de New Orleans fez em seu novo disco foi alargar, espichar, romper os limites da sua música, e, por extensão, do próprio jazz. Unindo elementos do passado com características atuais, Christian Scott gravou um álbum refrescante, que mostra que o jazz segue muito vivo e forte.


4) Deafheaven - New Bermuda


O Deafheaven já havia feito bonito com seu trabalho anterior, Sunbather. Mas aprimorou a fórmula em seu novo disco. A música vai do black metal ao shoegaze, com variações interessantíssimas entre as partes mais agressivas e as mais calmas, onde belas melodias invariavelmente surgem nos alto falantes. Um álbum incrível, de uma beleza intensa.


3) Terence Blanchard - Breathless


Terence Blanchard é conhecido de quem consome jazz já há algum tempo. Revelado pela Lionel Hampton Orchestra em 1980 e com passagem pelos Jazz Messengers de Art Blakey, desde 2000 Blanchard é também o Diretor Artístico do Thelonious Monk Institute of Jazz. Com mais de uma dezena de álbuns solo, o trompetista gravou o melhor disco de jazz de 2015. Com muito groove e balanço, e, é claro, doses generosas de feeling, Breathless leva o ouvinte por composições que mostram o gênero andando lado a lado com o funk, o hip-hop e outros ritmos. Pra ouvir por dias.


2) Baroness - Purple


O Baroness quase acabou em 2012. Durante a turnê de Yellow & Green, seu fenomenal e já clássico último disco, o quarteto liderado pelo vocalista e guitarrista John Baizley sofreu um acidente de ônibus quase fatal no interior da Inglaterra, que colocou a carreira da banda em xeque e resultou na saída de dois integrantes. Três anos depois, Purple surge comp um atestado de força, um documento de renascimento. 

Mais enxuto, mais conciso e mais pesado que Yellow & Green, o disco mostra o Baroness reafirmando suas qualidades - como as melodias que parecem criadas por um artesão e a onipresente capacidade de emocionar a cada canção - enquanto resgate elementos que foram deixados um pouco de lado em Yellow & Green, como os sempre criativos riffs. Purple é um álbum emocionante, tanto no sentido de comprovar a capacidade do Baroness em sobreviver a tudo que passou, quanto pela força, criatividade e feeling de suas faixas. Um disco formidável, mais uma vez!


1) Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase.

Principal nome da cena prog contemporânea, o inglês Steven Wilson (Porcupine Tree, Storm Corrosion) segue com a criatividade a todo vapor, emplacando uma sequência de discos excelentes. Acompanhado por uma banda incrível - Guthrie Govan (guitarra), Adam Holzman (piano e teclado), Nick Beggs (baixo) e Marco Minnemann (bateria) -, Wilson gravou aquele que pode ser definido como o seu trabalho mais emocionalmente intenso e profundo. 

Inspirado na história da inglesa Joyce Carol Vincent, que desapareceu e faleceu em 2001 sem que ninguém sentisse sua falta, e cujos restos mortais foram encontrados em seu apartamento somente no final de 2003, Hand. Cannot. Erase. é um álbum sublime. Nele, Steven Wilson cria novos paradigmas e padrões musicais para o rock progressivo, afastando o gênero dos exageros da segunda metade da década de 1970 e vestindo o estilo com uma sonoridade refrescante e absolutamente atual. 

As onze faixas exploram diferentes momentos da história contada (e cantada) por Steven, com a parte instrumental criando melodias e explorando arranjos que retratam os variados sentimentos pelos quais a personagem central atravessa. Inspirado e com canções muito bonitas, Hand. Cannot. Erase. conta uma história triste e pesada, que serve como metáfora para a realidade em que vivemos, onde, paradoxalmente, buscamos popularidade retratando nossos cotidianos nas redes sociais, mas vivemos cada vez mais solitários. Sem exageros, Hand. Cannot. Erase. pode ser definido como o The Wall da geração Facebook.

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Urban Stage apresenta: festival de verão de SP

Muitos dizem que o ano só começa depois do carnaval. Bom, se depender do pessoal da Urban Stage, essa afirmação não poderia estar mais errada, pois já no primeiro mês do calendário, a grade de eventos dos caras promete chegar com mais força do que um bloquinho na Vila Madalena.

Anote aí, à partir desse momento o senhor tem 2 compromissos marcados. Nos dias 16 e 17 de janeiro, acontecerá a inauguração da ampla arena de Containers Urban Stage, justificando assim, a realização da primeira edição do Festival de Verão SP. Como se boa música precisasse de alguma desculpa!


O Urban Stage integra o Complexo Cultural São Paulo e será uma arena montada em mais de 50 containers. Fora que além de ser uma das maiores estruturas de containers open air do mundo, o projeto desenhado pelo arquiteto Carlos de Campos, somará forças com o Studio Verona e será uma excelente opção para shows nacionais e internacionais, formando assim um dos maiores polos de eventos da capital paulista, junto com o Anhembi e o Expo Center Norte.

Por isso, prepare-se, pois no dia 16 teremos uma reunião de 3 dos maiores mensageiros do Rap nacional, com Emicida, Marcelo D2 e Criolo no comando das festividades. Mas não é só isso, no dia seguinte, teremos também uma verdadeira ode ao Funk, com Anitta, Ludmilla e MC GUI, além de um time de DJ's prontos para manter a pulsação nas pistas durante os 2 dias!

Serviço:

Local: Rua Voluntários da Pátria, 498 – Santana (esquina com a Marginal Tietê)

Horário: 15h às 23h30

Abertura portões: 15h

Dia 16/01/16 (Marcelo D2, Emicida, Criolo)
Dia 17/01/16 (Anitta, Ludmilla, Mc Gui, Dream Team do Passinho)

Ingressos:
Camarote: R$ 250,00 / Estudante R$ 125,00 (1º. Lote) – Preço promocional até dia 13/12
Pista Premium: R$ 160,00 / Estudante 80,00 (1º. Lote) – Preço promocional até dia 13/12
Pista: R$ 120,00 / Estudante R$ 60,00 (1º. Lote) –Preço promocional até dia 13/12

Vendas on line: Ingresso Rápido
E seus pontos de venda - Informações: 11 4003-1212

Ponto de venda sem taxa de conveniência:
Rua Voluntários da Pátria, 498 - Santana - Horário de funcionamento: das 09h às 12h e das 13h às 18h, de segunda a sexta-feira (fechado nos finais de semana e feriados).
 
Forma de pagamento: cartões e dinheiro
Capacidade: 9900 pessoas
Faixa etária: 16 anos e (+14 acompanhado dos responsáveis)
Estacionamento: 1050 vagas - Funcionamento: 24hs – Pagamento em dinheiro
Área para fumantes: sim
Acessibilidade motora: sim

Homepage: www.urbanstage.com.br

Mídias sociais:
Facebook: /urbanstagesp
Instagram: @urbanstagesp
Twitter: @urbanstagesp

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10 bandas nacionais que deveriam tocar no Psicodália 2016

Ano que teremos carnaval outra vez. Sim, eis ai um feriado que poderia aparecer apenas de 4 em 4 anos, igual aos jogos olímpicos... Mentira, os dias deste inferno em forma de marchinhas podem se tornar proveitosos sim, e não, você não precisa fretar as escolas de samba para um pacote promocional no Iraque, basta ignorar a entrada da mangueira no Psicodália.


O Dália (para os íntimos), cresce a cada ano que passa e o faz fomentando a cena underground de forma elementar. Por isso, venho por meio deste para sugerir 10 bandas que deveriam entrar na lista de jams envolvidas para e edição de 2016.

Mais do que um carnaval alternativo e uma experiência realmente sublime, o Psicodália é um festival que tenta nos relembrar a importância da música, sem eliminar o que todos os outros megaeventos desconsideram: a interação com outros fritadores.

E para estimular esse livre trânsito sonoro, indico 10 sons nacionais que merecem sua atenção e também um espaço em algum dos palcos da Fazendo Evaristo, durante os próximos 5 dias de amor, paz e boa música, mas antes, segure as pontes ai.

Acho válido ressaltar que a ordem deste top 10 não visa definir se uma banda é melhor do que a outra, pois são estilos diferentes e comparar cozinhas dessa maneira é algo realmente grosseiro, por isso, a única ordem aplicada aqui é a alfabética.


1)  Augustine Azul



Junte 3 arruaceiros, fãs de Rock Progressivo, psicodelia e Stoner, que o Google lhe indicará o Augustine Azul nas pesquisas de seu navegador. Esse coquetel molotov de baixo/bateria/guitarra made in Paraíba está despontando para os grandes centros e fazendo a cabeça dos gringos psicodélicos com a mesma sutileza do tranco de um fuzil.


A criatividade do instrumental dos caras merece muita atenção, o alto padrão de excelência técnica de cada um dos envolvidos também, e a naturalidade com que eles misturam tantas referências é REdícula. Escute o primeiro EP dos caras que saiu esse ano e descubra quantos mesclados você precisa fumar para atravessar uma porta de vidro temperado.

2) Chaiss na Mala



Aquela boa e velha Free-Jazzeira... Imagine a vista da fazenda Evaristo ao som do Chaiss na Mala, o requinte seria total e absoluto. Com o primeiro disco de inéditas lançado esse ano (''Afrodísia''), o quinteto que fez o primário tocando na rua e hoje já conclui o mestrado na noite paulistana, sabe como trocar vibrações com a platéia como poucos.


A cozinha é original, o Funk vaza pelo ladrão, o repertório Jazzístico encanta pela exatidão técnica e quando os caras misturam tudo, ai que a casa cai, mas é só colocar o quinteto num palco aberto que o problema está resolvido.

3) Chimpanzé Clube Trio



Eis aqui mais um grupo instrumental na jogada (juro que essa lista não é só para este gênero), mas são grupos como o Chimpanzé Clube Trio que mostram como essa cena segue jogando muita música boa no ventilador.


Com mais de 10 anos de estrada, o trio paulista segue fazendo o balanço pulsar com bastante propriedade. A banda já possui 4 discos na bagagem de mão e, a cada novo play, é realmente revigorante perceber o vocabulário e a variação dos envolvidos.

4) Hammerhead Blues



Quebrando o silêncio vocal desta lista, rapaz, prepare-se pare o Hard Blueseiro do Hammerhead Blues. Mais um trio na lista e mais uma união que sustenta toda a história dessa tríade sonora, o Hammerhead não manda um Maracatu, mas as raízes setentonas do trio pesam um tonelada.


Se você curte um som autoral de qualidade e com um banho de improvisações, aperte play no único EP da banda (lançado no começo desse ano) e comprove: satã é tinhoso, mas o Hammerhead Blues é é a nata da crueldade.

5) Hellbenders



Oriundo de um dos estados que mais alimenta a cena nacional, o Hellbenders é mais um som quentíssimo que saiu de Goiânia. O quarteto, além de apresentar aquele som que faz o seu vizinho chamar a polícia, ainda o faz como uma quadrilha de bêbados numa perseguição policial depois de saquear um buteco..


Os caras já marcaram presença em diversos festivais pelo Brasil e o Psicodália é um dos poucos que ainda não entraram no mapa da banda... Mas espera só, quando os caras chegarem você pode até ser surpreendido por um cheiro forte de gasolina, mas fique tranquilo, é assim que os caras trampam na combustão do Rock 'N' Roll.

6) Mângo



Diretamente de São Paulo, mais especificamente de Santo André, prestem atenção no inventivo som do Mângo, um coletivo de nove músicos que fazem um instrumental venenoso e com requintes de Big Band.


Formada em 2010, a banda ficou na conserva até setembro 2013, quando soltou a demo ''Torcidas de Futebol do Nordeste''. Nessa gravação eles mostraram um DNA Jamaicana absurdo, mas com um coletivo de músicos tão grande e com um time de metais poderoso, o Mângo buscou um rumo criativo que fosse além do Reggae.

E foi assim que Galápagos (o primeiro full lengh da banda), saiu em novembro de 2015 e, está por aí, fazendo a cabeça de todo mundo.

7) The Muddy Brothers



Continuando com a estirpe pautada no Blues, vamos sair um pouco de São Paulo mais uma vez e ver que o som está de rolê por todos os estados. Se você não estiver pilotando chapado, ouvirá um Blues raizera ecoando de Vila Velha, Espírito Santo... Sim, você ouviu o The Muddy Brothers afinando a jam na gaita, agora só resta saber se foi o primeiro full da banda (''Handmade'' - 2013) ou se foi o EP, ''Seasick'' (2014).


Aqui a paleta de sons é mais crua, seca e arrastada. Esse trio aposta numa line up bastante orgânica e o resultado, apesar de focar no Blues-Rock, mostra que os caras possuem várias referências e consegue groovar sem possuir um baixista. Compensando o swing com linhas de guitarra que sustentam a cozinha e uma batera que acompanha o eco da estrada com um vocal bastante característico, numa linha Soul/Rocker.

8) Muñoz Duo



Nascido em Minas Gerais, mas radicado em Florianópolis, a dupla de irmãos Samuel e Mauro Fontoura é o Muñoz Duo, Uma união que além de muito entrosamento, mostra como a música possui um caráter enérgico e desendreado.


Com um full na praça (''Nébula'', lançado em 2014), a dupla emula um Blues quentíssimo e joga o coitado na jam com um vigor Rock 'N' Roll absurdo. Requintando a ideia com pitadas de Stoner e batendo tudo com um shot gigante de improvisações bastante intenso, na lata e sem frecuras. 100% bateria e guitarra.

9) Necro



Com mais de 6 anos de estrada, se tem uma banda que já deveria ter tocado no Dália faz tempo, essa banda é a Necro. Sim, trata-se de mais um trio, mas creio que a proposta desses caras seja uma das mais singulares deste famigerado top 10.


Com uma cozinha que vai do Rock Progressivo, até o som de satã tomando Pérgola no cemitério, enquanto elenca insights do mais fino néctar de música brasileira, a Necro possui um time de músicos formidável e uma química absolutamente fluente.

Peso, feeling, experiência e repertório. Ano que vem a banda vai jogar o terceiro disco na praça e o som promete. Maceió e suas pepitas de ouro!

10) Red Mess



Hoje em dia só os músicos aposetandos tem moral. A molecada chega pra fazer um som e o mimimi já começa a reverberar. ''Olha o tamanho desse menino'', diz o primeiro cretino. ''Lá vem aquele caldo aguado no som'', lamenta o segundo... Ah, como eu gosto de apresentar o Red Mess para esses céticos afrescalhados.


O peso do Stoner do trio é uma pancada e o melhor de tudo é que o meliante mais velho da banda não tem nem 23 anos. O baque é fervoroso, assim como a rapidez com que esses grandes músicos de Londrina estão conquistando espaço na cena e triturando células auditivas com seus dois EP's (''Crimson'' e ''Drowning In Red''), lançados em 2014 e 2015 respectivamente. Segura a bucha ai: Doom, Psicodelia e aquele Stoner refinado.

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O cometa Jazz Bass de Jaco Pastorius

Quem é gigante o fez por ser único. Pensou e concretizou uma imagem que corrompeu todo um sistema só pra mostrar novas vias. Atalhos sublimes que se tornaram rotas obscuras para um submundo que é a nata das pirações: a originalidade.

Os nomes que marcaram seus respectivos genes na história, só conseguram fazê-lo, não por um capricho estético, mas sim pela vontade de caminhar... Caminhar não, alguns foram tão transgressores, que ousaram surfar em águas desconhecidas.

A ideia era ser único. A música foi autêntica um dia e com requintes de crueldade. Era comum ouvir casos de caras como o Robin Trower, por exemplo, nobre guitarrista que após ver uma apresentação do Hendrix, largou a guitarra por vários meses.


Isso acontecia direto nessa época. Dezenas de músicos eram arrebatados por seus iguais de uma maneira incomensurável, fazendo com que eles não concorressem entre si em prol de um conflito grooveado em rota de colisão, mas notassem que para estar entre os melhores, era necessário fazer algo realmente digno.

Flexionar as cordas, as teclas e as baquetas em busca de algo tão genuído quanto a sua própria aparência, única em sua mais pura e absoluta essência. A inspiração é a fonte que nos diferencia, a energia que nós canalizamos em busca de algo pioneiro, enfrentando o medo e a incerteza até que um novo signo é criado.


Bootsy Collins falou uma vez: ''antes do Jaco, o baixo ainda não sabia o que era''. Depois dele, bom, ai sim o groove se tornou um termo estabelecido para os estudiosos. Podemos citar o próprio Bootsy, olhar para um passado recente com Jonas Hellborg ou apelar para os primórdios para compreender que é por causa de nomes como Stanley Clarke, que ninguém resiste a um bom e velho conjunto de graves.

Só que sem Jaco Pastorius, nada disso teria acontecido. Esses nomes que foram citados poderiam ter nascido, mas se ele não tivesse passado por aqui irradiando Jazz como um cometa fretless, creio que nenhum Fender Jazz Bass pudesse posicionar o baixo da maneira que o conhecemos, inclusive, ouso ir mais além, sem Jaco, esse instrumento poderia ser conhecido até por outro nome.



Com uma criatividade que parecia escorrer por seus dedos, quebras de tempo que fluiam melhor que uma nascente e um vocabulário musical que nem em dez vidas será compreendido por nós, meros mortais, o mestre Pastorius foi quente como uma levada Cubana.

Intenso como um solo do Wayne Shorter e tão previsível quanto o caminho da fumaça de um cigarro ao vento. A virtuose do americano era um retrato do mais puro tato na parte técnica, mas nem por isso seu fraseado era um conjunto veloz de exercícios mecânicos.

O lance era desconstruir até que os cacos se juntassem como um bloco de legos irregular. Uma alquimia que hoje é conhecida como Jazz, mas que na mente deste gênio, podia ser chamada por vários apelidos, desde o Folk, até o Funk.

Atingindo um orgasmo que apenas os gênios (com luz própria), conseguem consumar: o néctar supremo do som inclassificável. Aquele teorema de faixas que apresentam uma riqueza tão intrincada que tornam os rótulos obsoletos: Jaco fez música no termo mais amplo e significativo da palavra.


Se você meditar e atingir um grau de imersão profundo, ainda é possível escutar o barulho de seu baixo caindo no chão. Os ecos de suas linhas ainda perduram e a força das ondas é o estímulo para que resenhas, relatos (como esse) e outras experimentações, ainda aconteçam. Sempre livres como sua lírica e fortes como seu polegar signature.

Elemento que aveluda ouvidos com colaborações junto a nomes como Pat Metheny, escancara horizontes com suas insanidades ao lado do Weather Report e desconcerta os mais sentimentais ao lado de Joni Mitchell. Caravanserai.

JAZZ:


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