Sublime & a filosofia Zygmunt Bauman with Rome: Citibank Hall 28/01/2015

Sabe quando você quer largar essa vida fumando cigarros não cultivados e seu trabalho de engomadinho na empresa da mamãe, para vender sua arte na praia? Essa é uma dúvida cruel... Creio que todos chegam a este grau de saturação e buscam uma fuga, acreditem, não é brisa em excesso, as vezes é uma real necessidade. Ganjah como me gusta.

Não é só o fluxo de fumaça que caminha de rolê pelo seu pulmão, a ideia libertária surge como filosofia, só cuidado com a pala, se bem que é como aquela velha máxima: ''Muita pala é pouca pala''. E se você quer se mandar pra Babilônia o X da questão é puro planejamento. Muitas pessoas comuns pensam que é impossível se jogar, mas creio que isso seja apenas uma paranóia por excesso de anti oxidantes.

Existe uma clara evolução para traçar andes de você puxar pela primeira vez e decidir simplesmente sumir no mundo, tal qual um BIC roubado. Primeiro existe a arte do empastelamento de bombas, que para ser avançado precisa estar no nível ''pastel jamais''. Depois dá pra passar pela carburação plena do pipe, sentir a muqueta de fumaça no Bong e aí sim jogar tudo pra cima, brisar com o vaporizador como se fosse substrato na Cannabis Cup.

Acreditem senhores, para muitos faz sentido, é como o grande Zygmunt Bauman dizia: Tudo que é sólido se desmancha no ar'', creio que o Polaco apreciava o ato... Veja que além de ser algo universal, não escolhe classe, tampouco profissão, até a música pode ser afetada por esse fenômeno de ''vender sua arte na praia'', a questão é que isso vai além do Ragga e o Sublime foi um dos maiores exemplos disso e continuará sendo, afinal de contas o legado roots continua sendo dichavado com Rome Ramirez, o cochador de doritos oficial do trio.  


Em quae 100% dos casos as pessoas pensam que uma celulose com beat no fundo vira Reggae, mas não é bem assim que a banda toca, música é questão de feeling e criatividade, definitivamente não é qualquer um que consegue sucesso nesse ramo, o Sublime é a nata dos maroleiros, mas são três músicos bem competentes para dizer o mínimo e ontem os paulistas de filosofia lion man puderam sentir o baque com as 2 horas de session no Citibank Hall.

Line Up Sublime:
Rome Ramirez (guitarra/vocal)
Eric Wilson (baixo)
Josh Freese (bateria)



O Sublime está sempre dando uma passada por nosso país, só que se compararmos o que ouvimos ontem com os shows de 2011 por exemplo, notamos que muita coisa melhorou. A questão era química aparentemente. A banda voltou a tocar sem metais e isso não foi um problema como muitos afirmaram na época, é lógico que um poderio extra ajudaria, mas não foi necessário.

Esses anos de tour intensa deram todo o entrosamento necessário ao trio, os caras fazem até medley com Peter Tosh sempre legalizando a platéia e ridicularizando os seguranças no famoso ''onde está wally'' com as lanterninhas atrás de foco de fumaça. Rome inclusive ficou encanado com isso, mas não se intimidou e seguiu dichavando a guitarra, teve aquele feeling Dub costumeiro, umas pitadas de ''If I See You Tomorrow'' com pinta de ska e todos os hits que poderíamos requisitar.


Mas antes teve uma abertura bem interessante, vejam só, quase esqueci. Que Brisa. Antes da larica principal teve um ato de abertura bem bacana, na linha do som que domaria a noite, um Ska menos Punk, mas com muito groove, com a banda Agosto. Segundo fui informada o grupo venceu um concurso da rádio 89 e como prêmio abriu o show do trio principal com muita propriedade.

A sonoridade dos caras é mais puxada para um groove numa linha The Clash ''London Calling'' de ideia... É algo mais calcado no dark side of the groove, fora que diferentemente do Sublime rolou um trombone com trompete bem roots, bem limpo e cristalino, fora um repertório bem interessante, que além de faixas autorais teve surpresas como o cover do Criolo em ''Não Existe Amor em SP'' e Nação Zumbi sempre relembrando o mestre Chico Science e sua poesia caranguejeira, com a clássica ''Praieira''.

O que fica é esse ideial solto, meio hippie relax que permeou o ambiente. Foi bacana ver uma banda da nova geração investindo nessa veia tubosa meio Dick Dale e depois descobrir que foi o ato principal quem escolheu os caras, fora que no contexto geral não tinha como deixar a noite mais nebulosamente uniforme e as pessoas que frequentam bastante shows sabem: é bem raro aparecer uma abertura que de fato seja condizente com o show complementar.

Line Up Agosto:
Borges (vocal)
léo (guitarra)
Leandro (baixo)
Biro (bateria)
Lucas (teclado)
Chileno (trompete)
Caio (trombone)


Parece que o Sublime entendeu seu papel em tempos recentes, a banda ganhou um status cult mas diferentemente dos núcleos que ficam nessa inércia, conseguiu voltar e está gravando mais um trabalho de estúdio. A linha que eles criaram é única, a união de algo mais suave com passagens de Dub com DNA eletrônico, pegada Punk e swingueira é totalmente deles e ver isso é mais revitalizante do que parece.

Não existe exagero, virtuosismo ou discos conceituais, o lance é a pegada e a vontade de fazer um som com um feeling fumê e hits como ''Smoke Two Joints'', ''Santeria'' e 40 OZ''. Uma clara cutucada aos que difamam os caras e tentam não admitir que Josh Freese é um bom batera, Eric Wilson manja quando o assunto é nota grave e que Rome Ramirez trouxe o caráter transgressor ''Fuck The Police'' para os sossegados novamente,... bela session, vou tomar uma água por que secou a drenagem.


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