Mondo Drag: Santa mãe do Hard-Prog

Existem muitas histórias de superação por aí que viraram filmes, mas é impressionante perceber que também temos muitos relatos relevantes que são ignoradas pela mídia, sendo que a música também acaba sofrendo com esse ligeiro bullying sonoro. Possuímos milhares de bandas que mereciam um espaço na tela grande, diversos grupos com experiências inacreditáveis, inúmeras trocas de membros, overdoses, discos fantásticos... O Rock 'N' Roll é um celeiro de épicos acontecimentos.

E como sempre gostei de pensar no futuro, essa semana estava imaginando como seria se pudesse escolher uma banda para virar objeto de estudo para um respectivo longa. Confesso que a escolha demorou um pouco para ser mensurada, meu raciocínio foi efetuado com base em sons atuais e, o mais importante: Se determinado conjunto possui ou não, o brilho e a vivência de estrada necessárias para poder brilhar em dezenas de polegadas.


E depois de considerar um caminhão de grandes enterprises sonoras que surgiram recentemente, resolvi optar por um combo que além de ser ótimo, está completamente atualizado perante os modelos requisitados para minhas escolha. Fiz questão de eleger o Mondo Grag para a empreitada e o fiz justamente por que o novo trabalho da banda, o segundo e auto intitulado CD de estúdio, nos mostra como a qualidade de som nem sempre faz verão, é necessário muito mais esforço do que parece para manter uma line up, por que de resto o ácido, o Hard e o Prog sempre acompanham essa jukebox digna de Austin Powers.

Line Up:
John Gamino (teclado/vocal)
Nolan Girard (guitarra/sintetizadores)
Jake Sheley (guitarra)
Ventura Garcia (bateria)
Andrew O'Neil (baixo)



Track List:
''Zephyr''
''Crystal Visions Open Eyes''
''The Dawn''
''Plumajilla''
''Shifting Sands''
''Pillars Of The Sky''
''Snakeskin''


Foram cinco anos de stand by depois que o Mondo Drag brindou o mundo com o excelente debutante ''New Rituals''. Depois disso surgiram críticas muito positivas e muito espaço foi aberto para que essa cozinha tivesse mais desenvolvimento com um eventual segundo disco, mas não foi bem assim que coisa foi se desenrolando, foram tantos problemas que além da história ser digna de um filme, o tempo de espera foi maior que um ciclo olímpico!


Depois de deixar muitos ouvintes fanáticos incrédulos com a mistura de puro e bruto néctar de Psych-Hard-Prog, o Mondo Drag (um híbrido de Traffic com um Uncle Acid & The Deadbeats menos demoníaco), passou por uma período de reformulação que começa logo após o lançamento do tão comentado disco de estréia.

O Radio Moscow começou a ficar grande (com toda justiça), na mesma época que o disco do Mondo Drag saiu. No ano seguinte Cory Berry e Zach Anderson saíram do Radio Moscow (grupo que era do mesmo selo que o Drag), e se juntaram ao vocalista e tecladista John Gamino, que fechava o pacote com os guitarristas Nolan Girard e Jake Sheley. Mas enquanto a química se intensificava e a criatividade começava a brotar igual maconheiro em Coffee Shop holandês, a dupla Berry-Anderson estava focada no Mondo Drag, só que também tinha outro projeto engatilhado.

O duo estava na seção rítmica do quinteto de Iowa, mas enquanto o trio raiz estava 100% focado, os outsiders estavam vendo casa na Suécia para formar o Blues Pills. E aí é que a trama ganhou mais requintes problemáticos... Como uma banda sem baixo e bateria poderia ir para frente? Não ia, ainda mais nos modelos pré Socráticos que foram estabelecidos por estes senhores.

E aí depois que os caras fizeram uma conta na Catho dois currículuns se sobressaíram, o do baixista Ventura Garcia e do baterista Andrew O'Neil. Os nomes que finalmente encerraram os problemas e colocaram algum tipo de juízo, para que o fluxo criativo dessa pesadíssima alquimia de insanidade pudesse seguir e finalmente encerrar mais um ciclo, com um disco mais uma vez retumbantemente excelente e que consegue ser melhor que o anterior.



O tempo é curto, infelizmente temos 35 minutos de som, mas o que o disco tem de curto ele tem de intenso, e o mais interessante da cronologia dos temas é notar como as coisas mudam e fazem o que apenas a música de qualidade consegue: Manifestar novas sensações aos ouvintes e conduzí-los durante as rotas de peregrinação.

A abertura do disco com ''Zephyr'' remete ao já citado Uncle Acid pelo clima Dark. Essa faixa já mostra o direcionamento vital da banda, a tecladeira de Gamino e seus vocais meio 21st Century Schizoid Man'', que munidos de guitarras entrelaçadas vão solando e esfarelando o Hard-Psych. Já com ''Crystal Visions Open Eyes'' o peso é elementar, mas antes um clima precisa ser estabelecido, e para isso a banda faz algo que se repete bastante durante o disco, as faixas começam de forma ascendente com vários texturas de aquarela guitarrística.

As vezes o baixão chega distorcido, a batera surge sincopada e as guitarras só se cruzam nos rachas de solo, mas o elo que mantém a cozinha no eixo é o do senhor Gamino, existe um ponto que une todas as ideias e deixa o som uniforme. Sempre com essa característica de jam em pleno entrosamento, com Andrew O'Neil bem presente no som, Ventura Garcia seguindo todos de perto com uma batera bem na linha Capaldi, enquanto Jake Sheley e Nolan Girard trocam chapações na guitarra e ainda deixam a viagem sintetizada para uma ideia Hammond abrir alas com ares celestiais. ''The Dawn'' senhoras e senhores.



Até essa faixa a energia foi mais Hard. Com ''Plumajilla'', o quinteto inaugura a parte Progressiva da viagem, sendo que até a metade da mesma faixa a energia era pura Hardeira. Com três minutos de ideias mirabolantes o som vai embora e fica numa pausa de três segundos, e ai senhores, tudo muda. Em vinil o lado Prog começa justamente quando se vira a bolacha, e a faixa que abre o lado ''B'' é justamente essa, o ultimato do Mondo Drag foi claramente pensado, o lado ''A'' chega com groove no apogeu do ácid rocker e atinge o ''B'' completamente combalido de flashbacks, sendo que ''Plumajilla'' merecia ser dividida em duas partes, dos 3 minutos para frente o instrumental faz o ouvinte revirar os olhos em busca de portais no céu estrelado.

''Shifting Sands'' faz a mesma coisa e chega com requintes de crueldade pelo lado das guitarras mais uma vez. Tudo tem seu lugar nesse disco, logo, são muitos detalhes, mas o som do baixo e das guitarras parecem carros que passam nas avenidas lado a lado, indo e voltando. O som se afasta e retorna, parecem canais diferentes transmitindo a mesma coisa só que em sentidos opostos... Um efeito Dopler ascendentemente sonoro. 

Premiando um disco que consegue ser tão completo que a mesma energia lunar que permeou a primeira metade de Plumajilla'', virou um tema só, com ''Pillars Of The Sky'' e todas as pontadas ácidas de teclado e o esmero da bateria, do baixo e do timbre guia espiritual da guitarra... A única coisa que imagino quando escuto essa música é a capa do disco, os pilares do templo psicodélico que se abrem perante vossos corpos, quando ''Snakeskin'' finaliza a jornada e ''Mondo Drag'' vira mantra, aí é só pegar o paper e levar essa trip para o cinema e para ''dibaxo'' da língua, claro.

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Saturndust - Saturndust

A música é uma mensagem que sempre me fez mais sentido quando ela simplesmente não falava a ''língua dos homens'', como diria Renato Russo, fã de Vodka. Lendo isso parece que o escritor precisa (e muito) de ajuda psiquiátrica, mas creio que a história não seja bem assim. O som pesado sempre foi uma paixão, só que minha devoção sempre foi centrada no lado não intelectual das notas, sempre fui viciado nas reverberações que nos fazem viajar, nas trips que creio eu, fazem o mundo girar.

Pegando um tradicional Iron Maiden por exemplo, nós conseguimos entender a parte intelectual da coisa, o som é vibrante, eloquente, bem feito e muito criativo, só que se você quer algo para sair de órbita, algo que você simplesmente não precise entender, o som da donzela não é a melhor opção. O propósito é a viagem, é aquela sensação de que tudo vai virar fumaça. A imersão no underground do barulho.

O que também não quer dizer que muitos adeptos da fuga sonora não gostem de conteúdo, não, o lance definitivamente é a forma que a transmissão dessa ideologia acontece. Prefiro ouvir relatos coesos por meio de insights, com passagens que mudem minha mente e que quando retornem me façam pensar... Gosto de ser racional nos intervalos.


E hoje em dia esse pensamento filosófico vive uma de suas melhores fases, milhões de pessoas adotaram essa forma de pensamento, logo, várias bandas começaram a ser reconhecidas pela criatividade lúdica. Só que o lance agora chegou no nível que nós gostaríamos, esses sons alteradores de percepção não são feitos apenas na gringa. Temos toneladas de sons nessa linha que são feitos fora daqui, claro, mas muita coisa boa também reside em vosso CEP. 

E o que não falta para o brasileiro é motivo para querer sumir no groove, falta até água quando a boca está seca e só tem fumaça no ar. O Doom, o peso que busca expandir o ambiente, o farelo de pólvora que explode miolos por aí, também reside no nosso quintal. E quando você busca entender alguma coisa, só que almeja fazê-lo requisitando a imunização de forma lenta, densa e aérea, creio que nada seja mais promissor e oportuno do que a estréia do Saturndust, o debutante auto intitulado (lançado dia 26 de janeiro), teletransporta seu corpo e deixa suas mente planando por aí como uma session psicografada pelo Chico Xavier.

Line Up:
Felipe Dalam (guitarra/vocal/sintetizadores)
Marlon Marinho (bateria)
Frank Dantas (baixo/vocal)



Track List:
''Gravitation Of A Hollow Body''
''All Transmitions Have Been Lost''
''Realm Of Nothing''
''Enceladus''
''Hyperion''
''Cryptic/Endless''


Demorou, mas depois de alguns singles e cinco anos de muito trabalho, creio que o debutante dos paulistas do Saturndust pagou todo a espera com juros e correção, o trio deu vida a um dos discos mais coesos do cenário nacional. Além de sair em diversos sites gringos e outra dezena de Blogs do mais conceituada gabarito, essa prensagem caótica e seus 45 minutos de corrosivas visões de Doom, conseguem criar um som que tal qual a capa, te manda para o espaço.

Sua mente parece uma sonda que vai em busca de sinais de ocupação MST alienígena, se assemelha a uma cápsula que quando entra em contato com o território do E.T, é expandida, comprimida e esmagada pelos altos índices de pressão. São 6 etapas, a primeira, ''Gravitation Of A Hollow Body'', já mostra a conexão com os forasteiros e abre os trabalhos com uma timbragem que deve esfarelar satélites com a mesma fúria de um buraco negro.

O peso é realmente absurdo, mas chover no molhado é algo que o Saturndust não fez. Nota-se que esse disco possui essa proposta mais panorâmica, logo, se fosse uma quebradeira de início ao fim seria maçante, o que não é o caso. Rola uma abordagem mais puxada para o Space uma energia levemente Progressiva e um vocal que não é abafado pela ogiva nuclear desse teorema sideral, que já na abertura chega a quase 8 minutos e faz cosplay de suite em ''All Transmitions Have Been Lost''.



Todos os envolvidos fazem um trabalho excelente, sempre destaco o papel do Felipe Dalam pois as linhas da guitarra do cidadão estão bastante potentes, e a prova disso é que não temos guitarra base, isso sem falar no vocal, que sem se perder na viagem, faz partipações elementares de uma forma muito realista com o contexto do disco. Parece que ele esbraveja as letras em meio a um furacão supersônico. Além disso ainda temos o feeling chapadíssimo do baixo de Frank Dantas (que também auxilia nos vocais), e da bateria Bonzo do delicado e levemente imerso no delay, Marlon Marinho.

O nível de qualidade é ridículo, é o tipo de som que ao sair em sites de fora comprova que nossa cena tem espaço nos principais festivais, seja com sons que necessitem de um capacete e uma bigorna para não fazer o seu corpo ser varrido por uma cobertura de asteróides, até transições que reforçam o contexto do disco e continuam isolando sua mente nesta longa, densa e balsâmica ideia, que conta até com sample de Carl Sagan.


Mas não pensem que o disco perdeu o caráter que fez com que o trio ganhasse atenção da crítica. ''Hyperion'' é uma ode aos primórdios do grupo e mostra o poder de um baixo em puro estado de reverberação com ideias fragmentadas, e riffs que carregam o som igual um eremita no meio do nada. Momento onde a bateria que é a responsável por bombear o caos para os outros envolvidos na jam. Mais do que um registro denso, pesado e esfumaçado, creio que essa abordagem sufocante e que quase trava o cérebro do ouvinte já tenha sido feita, mas poucos conseguiram esse grau de qualidade. Um brinde aos que gravitam próximo do Sputnik.

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A Lírica Visual de Santiago Pozzi

Quando uma folha está em branco creio que existam três opções: Você pode amassar o papel e tentar fazer uma cesta de três no lixo do quarto, escrever ou desenhar. Meus talentos como Kobe Bryant de mentira são pífios, sempre me concentrei nas duas últimas tarefas citadas, mas claro que a taxa de sucesso também depende de interpretação e creio que não seja tão mais alta quanto minha inabilidade em relação aos tiros de três pontos.

Quando vejo uma folha em branco sinto que preciso adicionar algo, logo, escrevo. Antes dessa página ficar preenchida como os senhores estão vendo nesse momento, ela era uma espécie de folha em branco e, quando a vi, senti a necessidade de colocar alguma coisa, em meio a toda essa falta de perspectiva. 


Os desenhistas sentem essa mesma necessidade, só que para eles acredito que seja ainda mais difícil, pois com palavras existe a possibilidade de fazer o leitor inferir coisas que por vezes nem estavam no texto, são sinais multilaterais que são emitidos de forma altamente interpretativa e que podem fazer as pessoas perderem horas de sono.

Na arte é possível fazer o admirador ficar praticamente chapado com certas pinceladas, veja o reverendo Dali por exemplo, sua cabeça derrete, tal qual seus quadros, se você ficar olhando muito tempo. Podemos inferir várias coisas, só que para conseguir transmitir algo com tinta, creio que seja necessário um algo a mais, uma dose de luz própria que não se ensina no curso de artes, você simplesmente nasce e consegue agregar qualidades móveis a algo que teoricamente é estático, um efeito ''Santiago Pozzi'' eu diria.


O Satiago é um mestre dentro de uma arte que para muitos acabou, a arte de ilustrar posters de shows, minha forma artística predileta: Demonstrar o que uma nota abstrata significa para nós, caso esta pudesse ser eternizada em algo que nunca vimos, mas que em seus traços surgem com um pertencimento impressionante, sem dizer psicodélico, de pura memória cristalizada em necessidade de adquirir sua obra e, ao primeiro olhar 43, se lembrar de uma noite épica com Queens Of The Stone Age, Tame Impala, Primus, Pearl Jam ou Soundgarden, apenas algumas das bandas que tiveram a chance de virar grafite em sua mente.


Seu gene LSD é made in Argentina, mais precisamente da capital Buenos Aires, só que o mais interessante é que pelos desenhos poderia jurar que a mente criativa era de São Francisco, tamanha a influência que o artísta possui da cena da Bay Area dos anos 60 e 70 (época do apogeu da arte que pratica), detalhe que pode ser justificado pelo fato de ter ficado três meses na Califórnia durante seu estágio na ''The Firehouse Custom Rockart Co.'', que pela proximidade com a terra do ácido explica suas inclinações de alquimia Hoffman.

Hoje notamos que quando algumas tours são lançadas os desenhos normalmente são tão broxantes como um strip tease da Palmirinha, normalmente são fotos da banda editadas com as datas, logos... Nada muito diferente, só que vendo nomes como o do já citado Santigo e do brasileiríssimo Cristiano Suarez, notamos que essa vertente está retornando com força total.


E o trabalho é tão bom que por vezes você gosta até de artes relacionados com sons que você detesta! Hoje o Argentino segue brilhando ao redor de nosso globo terrestre, suas telas já abrilhantaram exposições com seus dotes coloridos na terra da ''Paella'', passando pelo CEP do Pablo Escobar, chegando na terra do Doritos e, claro, em seu CEP natal, a ilustre Argentina, terra de pessoas com ótimo gosto musical e que assim como suas pérolas artísticas, possuem muitos valores setentiscos musicalmente falando.


E o grande legado de sua arte é isso, a mistura de seu sangue com a arte psicodélica de outro lugar completamente diferente, que juntos criam algo novo, o fator que todo artísta deveria fazer questão de buscar, algo que para esse cidadão é absolutamente natural. Fora que além de ilustrar grandes franquias da música seu estilo deu a cara para o cenário underground de toda Argentina, ou seja, ele também compreende que suas ilustrações fazem parte da história de uma cena!

E quando vocês achavam que seria impossível criar uma cena sem fazer parte do ramo sonoro, Santiago resolveu trazer tudo que lhe foi agregado para a Argentina e abriu o seu estúdio, o ''Imprenta Chimango'', que assim como as bandas do cenário underground também estão inseridos dentro de um contexto. Esse sujeito é a definição correta do bom mainstream, talento que mesmo se estabelecendo com a nata de seu meio, ainda assim compreende que é importante pregar a renovação em conexão com o pioneirismo de uma nova cena em pura efervescência.

E a prova disso é que o cidadão segue em plena movimentação para espalhar a palavra, mas sem aquele clichê de: ''Moço, você pode parar para ouvir a palavra do senhor?'' Não, Santiago segue em tour pelo mundo sempre a procura de lugares onde sua arte possa ficar exposta, sendo que este ano chegou a vez do Brasil. Enquanto escrevo o Argentino está arquitetando uma estadia no Rio de Janeiro para mostrar seu trabalho aos residentes locais no fim de fevereiro, aproveitando que já estará na cidade para a conferência de Convescote no dia 25 do mesmo mês.

Abaixo deixo alguns links para que os senhores sigam as ideias criativas do já citado gafanhoto Pozzi, como também passo para fechar esse ciclo ideológico me lembrando que no começo do texto não conclui uma ideia de primordial importância. Sou um esforçado digitador escritor, um bom arremessador de bolas de papel e um desenhista que para provar sua falta de talento é mestre na arte do stick man. Viva a música, um salve pela arte e muito psicodelia!

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Gov't Mule Featuring John Scofield - Sco-Mule

Sabe quando você joga um sal de fruta no copo com água e a cidadã começa a levantar voo em plena convulsão balsâmica? Esse é o orgasmo da ebulição aquática, quando essa mágica reação química da onomatopeia do Estomazil, começa a chiar... Esse chorinho efervescente é o ponto alto da viagem dos antiácidos, ele neutraliza o antígeno que entrou de penetra no seu estômago e deixa tudo smoothie Jazz, igual estava antes desta triste visita.

Vejam esta analogia como uma banda de Rock 'N' Roll (no sentido mais amplo da palavra), que ao ser representada pelo copo e sua respectiva água, se junta ao conteúdo desconhecido da cápsula boticária para surpreender os problemas e mudar as coisas. Momento que é claramente representado pela reação química das bolhas.


Colocando em miúdos, veja o copo de água do Gov't Mule por exemplo. O vidro era acostumado ao caldeirão de Southern-Rock-Blues-Funk, mas só quando a cápsula do Jazz ''John Scofield'', começou a entrar em erupção dentro da vidraça, que o líquido desenvolveu todo seu potencial e dropou sem lash até vazar pelas beiradas do recipiente. ''Gov't Mule Featuring John Scofield - Sco-Mule'', é um dos melhores lançamentos do ano e um dos maiores momentos do Gov't Mule em todos os tempos, sem exagero. 

Trata-se da melhor apresentação ao vivo da banda! Temos 2 horas e 30 minutos de puro absurdo Jazzístico-instrumental, onde o groove do balancete Funkeado exerce um poder de magnetismo tão absurdo e de fritação tão elevada, que a única comparação plausível é a citada nessas linhas, o carnaval do bloco do sal de fruta. A inspiração é indescritível, as músicas tomam um rumo tão natural e interminável que em dado momento você chega a ter certeza que ele conseguiram chegar ao outro lado... Jim Morrison iria se orgulhar desse live duplão, as jams beiram o misticismo.

Line Up:
Warren Haynes (guitarra)
Matt Abts (bateria)
Allen Woody (baixo)
Dr. Dran Matazzo (teclado)
John Scofield (guitarra)



Track List CD1:
''Hottentot''
''Torn Thumb''
''Doing It To Death''
''Birth Of The Mule''
''Sco-Mule''
''Kind Of Bird''


Track List CD2:
''Pass The Peas''
''Devil Likes It Slow''
''Hottentot'' - alternative version
''Kind Of Bird'' - alternative version
''Afro Blues''

Gravado em 1999 o extravagante Jazz desse disco só foi liberado no dia 27 de janeiro deste ano. O motivo é deveras triste, cerca de seis meses depois desses memoráveis momentos (já nos anos 2000), o baixista Allen Woody nos deixaria... E como a ferida era recente, esta verdadeira dádiva do Jazz foi arquivada, só que os relatos lúdicos da força dessas duas noites (uma em Atlanta e outra na Georgia), ganharam tamanha força com o passar dos anos, que além da banda fechar 30 datas com Scofield para esse ano, os caras resolveram lançar este fantástico som, que é bom que se diga, ficou maturando na conserva de mestres como Herbie Hancock e será a cereja do bolo de 20 anos de história.


Delete tudo que você já viu e ouviu made in Gov't Mule. Desde a capa, tenha em mente que aqui tudo é diferente, a única coisa que se mantém e talvez atinja seu ápice dentro da carreira dos envolvidos, é a qualidade desta união. Veja que tudo se curvou perante os padrões de estilo que esse CD segue, a capa relembra os tempos épicos de Blue Note, a banda deleta os vocais e fica só no tutu instrumental e o resto é fruto de doses cavalares, tiranossáuricas, faraônicas e homéricas de improvisação, sendo que a menor faixa do disco apresenta nove minutos de pura criatividade em evidência.

Tirando a performance para variar sensacional de John Scofield, o que mais me desnorteou foi o estrago de Woody no baixo e o acompanhamento minimalista de  Matt Abts, ambos músicos fantásticos, mas que aqui ainda conseguem elevar o padrão e dominar uma cozinha que esbanja complexidade, como se fossem verdadeiros habituês neste universo particular, que para o reverendo Scofield é seu quintal.

Embarque no bonde de Warren já com muita astúcia, ''chegue chegando'' com o groove convencido de ''Hottentot''. Sinta a ótima tecladeira do ex membro do Aquarium Rescue Unit, Dr. Dran Matazzo, na cama de notas que apenas abre espaço para o fraseado acachapante do Soul de Scofield nesses dez minutos iniciais. Comecem a se aclimatar de leve, batendo o pézinho com convicção, sentindo o feeling das linhas de baixo... Sendo desleixado com o tempo e apenas se perdendo no mar de liberdade criativa e inspiracional que reina neste disco, que é bom salientar, é completamente fora de curva, são nós de Jazz, complexas rotas de ''Torn Thumb''.



Animalescas passagens de Scofield e seus solos debulhantes com ''Doing It To Death'' e seus mais de doze minutos. 15 retumbantes rodopios de relógio nas jams de ''Birth Of The Mule'' e a melhor gravação de bateria do disco, até a apoteótica seção de fritação de pedaleiras quando Scofield resolve nos apresentar ao tema que nomeia este grande trabalho. Esqueça aquela balela de quantidade não é qualidade, aqui isso não vale nada, São quase vinte minutos de ''Kind Of Bird''... 

Você fica ai fundindo o cérebro e babando em transe com o baixo cru de Woody em ''Pass The Peas'' e sua cavalgada fazendo rapel na construção da música, se impressiona outra vez com Matt Abts e sua imitação de Elvin Jones na doentia e absolutamente sincronizada ''Devil Likes It Slow''. E fica sem palavras para as versões opcionais dos furacões já passados de ''Hottentot'' e ''Kind Of Bird''. 

E mesmo assim não se encontra preparado para fechar esta nostálgica session de Jazz elétrico com o maior tema do disco, os 23 minutos da uivante ''Afro Blues'' e sua pinta de Sly Stone... Ouse apertar play meu caro, pense bem, por que depois que isso for feito suas regalias chegam ao fim, os riffs surgem com um grau de excentricidade poética que nem o Drummond tem moral pra chegar pedindo licença na poesia dessas partituras kaledoscópicas e efervescentemente Funkeadas, baby. 

Mais do que vinte anos de vida e música, creio que esse registro deixa claro como o Gov't Mule é espontâneo, não existe nada parecido com isso na discografia da banda, foi a primeira aventura nessa aresta sonora e os caras criaram uma atmosfeta de orquestra com apenas 5 músicos. Mais do que uma amostra de pura e absoluta musicalidade, ''Sco-Mule'' relembra o talento do brilhante Woody e o faz sem o peso na consciência que fez com que Haynes abortasse o disco inicialmente. Que as festividades continuem e que a música nunca pare, tal qual neste exuberante disco... Tão eloquente quanto uma passagem de som do Grateful Dead... Tão chapado quanto a analogia de um estomazil com Jazz-Funk.

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Chet Faker, QUEREMOS! & Itunes Session

Um dos nomes mais originais, criativos e musicalmente evoluídos que apareceram no cenário fonográfico em tempos recentes é o de Nick Murphy, alcunha para o heterônimo que brinca com a frequência de beats, em prol de notas em pleno estado físico de fusão com o espaço tempo, para se tornar Chet Faker, o apogeu do lazy sound e da filosofia Chill Out.

Se você gosta de música de forma geral, precisa ver os milagres chapantes que esse cidadão opera dentro de uma das arestas mais interessantes da música eletrônica. Não é só a levada relax, despojada e swingada de seu groove de altíssimo sex appeal, o infinito particular de Chet reside em seu conhecimento teórico sobre música, algo que é muito mais profundo do que seus próprios flows.

Músico de puro feeling e de estilo econômico, o Australiano tratou de mostrar ao mundo como a fusão de diversos estilos conseguem achar um elo completamente único graças ao sons eletrônicos e toda a profundidade que os mesmos podem nos oferecer. Sempre ministrando misturas de Downbeat, bases de soft Jazz e construções que remetem ao som erudito de diretrizes sonoras, que com seu fraseado, ganham contornos swingados e absolutamente atuais, quase futuristas.


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Abraxas Fest

Vejo que 2015 está por atingí-los tal qual um furacão de riffs ''Breadfan''. O ano finalmente se iniciou após a temporada alcoólica do samba, e a Abraxas já surgiu martelando seus adeptos da seita de Santana, tal qual Burke Shelley energizando um quatro cordas, logo, é praticamente um pleonasmo dizer que teremos mais um Abraxas Fest.


Datas:
03 de março - Buenos Aires - Uniclub
04 de março - Córdoba - Refugio Guernica
06 de março - Florianópolis - Célula Showcase
07 de março - Rio Grande do Sul - Porão do Duque
08 de março - Petrópolis - Gypsy Bar
12 de março - Rio de Janeiro - Rio Rock Blues
13 de março - Goiânia - Centro Cultural Martim Cererê
14 de março - São Paulo - Inferno Club
15 de março - Volta Redonda - Arigó


Senhores, Caríssimos, preparem-se para adentrar o outro lado na mesma sinergia que Mr. Mojo levou o The Doors em ''Break On Through''. Uma vez mais teremos a psicodelia completamente representada neste conservatório de ideias expansoras da mente, sendo que neste fest em especial a ideia surgirá de maneira Prog, Hardeira e purista com essência transcedental, que para deixar em miúdos surge com a trinca: Anjo Gabriel, The Flying Eyes e Bombay Groovy.


Que dando forma a algo maior do que um culto ao 13th Floor Elevators, comprovam que esses alquímicos do groove (Abraxas), ajudam a construir uma cena, mantendo line ups com o melhor das cozinhas nacionais. Demonstrando como o cenário brasileiro é um celeiro de qualidades elevadas e diversificadas, que promovendo essa energia de Psicodália, faz a ponte no som e mostra que o barulho da terra dos ''Malditos da MPB'' é igual o tempo, funciona como ácido... Crawling King Snake... 


Saquem as datas, vejam as artes dos sempre chapadíssimos Victor Bezerra, Mil e Filipi Viana, os responsáveis pela parte visual do poster da tour, dos shows de São Paulo e da fritação do Rio de Janeiro, respectivamente. E fiquem por dentro do que o som pernambucano do Anjo Gabriel pode fazer com seus neurônios, sinta a vibe Shankar dos paulistas do Bombay Groovy (baixando o disco da banda de forma gratuita direto do site  dos monges de Ghandi), corra atrás do que os americanos do The Flying Eyes fazem com quem adentra o território de mesmo check in da jam que eles, e fique por dentro das outras bandas que junto do ato principal, formarão outros tenebrosos fests Brasil afora.

The Flying Eyes:


Anjo Gabriel:


Bombay Groovy:

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Jack White - Lazaretto

Ser criativo é uma coisa muito relativa. Enquanto por um lado existem milhares de bandas de rock metidas a besta (lê-se Freak) que ficam chapando em experimentação sem sentido, na contramão desse movimento de repetição de frequências temos nomes comprometidos em fazer sons realmente diferenciados, mas não só do ponto de vista de inovação sonora, e sim de pura e objetiva exploração e expansão de horizontes criativos.


Porque não adianta nada chegar com uma porção de ruídos perdidos no vácuo do groove e achar que estorou a boca do balão, o tempo de visionários experimentais já passou, isso ai teve fim depois que Zappa nos deixou, hoje, mais do que nunca, nós não precisamos de ninguém que reinvente nada, ou que fique fazendo revivals de música saudosista, precisamos apenas de música com endereço para o futuro, sem olhar para o passado e criar a nossa própria identidade dentro do contexto de nossa época.

Poderia resumir esses dois longos, e aparentemente confusos parágrafos, com apenas um nome: Jack White, e sua criação mor, a bendita liberdade criativa - Sua carreira solo, mais especificamente ''Lazaretto'', talvez o disco mais esperado do ano, a segunda cartada de um cidadão que se mostra plenamente alheio à crítica, e focado em uma coisa apenas: Fazer música. Música esta que se for boa, venderá com toda certeza, vendeu em seu debut e agora tem tudo para repetir o sucesso e vender ainda mais.

Line Up:
Jack White (vocal/guitarra/violão/piano/percussão)
Dean Fertita (guitarra)
Catherine Popper (baixo)
Bryan Davies (contra baixo)
Ben Blackwell (bateria)
Fats Kaplin (violino/mandolin)
Patrick Keeler (bateria)
Carla Azar (bateria/percussão)
Maggie Bjorklund (violão/guitarra)
Dominic Davis (contra baixo)
Daru Jones (bateria)
Ruby Amanfu (percussão/vocal)
Timbre Cierpk (harpa)
Brooke Waggoner (piano/sintetizadores/órgão)
Olivian Jean (percussão/vocal)
Lillie Mae Rische (violino/mandolin/vocal)
Ikey Owens (órgão/teclado/sintetizadores/piano)
Cory Younts (gaita/sintetizadores/piano/mandolin/percussão/vocal)



Track List:
''Three Women''
''Lazaretto''
''Temporary Ground''
''Would You Fight For My Love''
''High Ball Stepper''
''Just One Drink''
''Alone In My Home''
''Intitlement''
''That Black Bat Licorice''
''I Think I Find The Culprit''
''Want And Able''


De ''Blunderbuss'' para ''Lazarretto'' foram mais ou menos 15 meses, e não é só o disco que é excelente, tudo, absolutamente tudo que o envolveu é impressionante.


1) Para começar  o cidadão quebrou o recorde de gravação de Single mais rápido da história. Sim, além de discos de platina o senhor White também aparecerá no Guinness 2015. Foram 3 horas 55 minutos e 21 segundos para gravar, prensar, montar e disponibilizar seu grande single ''Lazaretto''. Quebrando o recorde do trio Suíço Vollgas Kompanie que lançou ''Live'', um dia depois de gravá-lo em 2008.

2) Provando que música boa ainda vende e muito bem, o mestre foi lá e vendeu 60 mil cópias EM VINIL, que se forem acrescidas de vendas digitais, e em CD, totalizam mais de 160 mil, igualando, (e superando provavelmente), o antecessor debutante (''Blunderbuss'') de 2012. E o motivo foram as pirotecnias pioneiras que ele enquadrou em seu mais novo quadro circular.

3) Mr. White criou um novo formato para o vinil, o chamado ''Ultra LP'', e a coisa não para por ai. Para ouvir o lado ''A'' do disco de ''12'' a agulha deve ser colocada no centro do vinil, e não na borda como é de costume. E como já acontecia em alguns discos, no fim do primeiro lado a agulha fica rodando sem parar criando um ''som infinito'', porém no caso desse trabalho a agulha fica zanzando no lado de fora, o que foi chamado de ''Outside Locked Groove'', em um LP flat na lateral, ainda assim de 180 gramas.

4) Temos ainda duas faixas escondidas, (uma de cada lado) no centro do vinil, onde normalmente é colocado a relação de faixas e outros detalhes.

5) As faixas no meio do LP estão gravadas em rotatividade diferentes, sendo que no lado ''A'' o som rola com 78 e no ''B'' com 45 rotações, característica esta que rendeu uma alcunha para o novo disco do músico: Três tipos de rotações, um ''triplo simples''.

6) Na primeira canção do lado ''B'' existem duas introduções, e dependendo de onde a agulha está posicionada podemos ouvir um ou outro riff, e no meio da música as duas frações se unem e continuam o take da forma normal, palavra que nem deveria estar nesse texto.

7) Agora no setor de arte, na parte visual o lado ''A'' tem um brilho natural dos vinis da nova safra, enquanto no ''B'' a coisa é fosca para relembrar as antigueiras. E para fechar, os anjos da capa voltam, no centro do LP aparecendo na forma de hologramas brilhantes enquanto a bola rola.


Mas não é só isso que faz deste disco especial, é tudo isso que já foi citado, e a música que é extraída do CD-pião principalmente. Timbragens bipolares, riffs em revolução, vocais excêntricos, solos, faixas absolutamente viradas no giraya, letras tiradas de poemas e histórias do própria White quando mais novo (19 anos), fora um som que chega Blues, fica Funk, toma Whiksy no Folk-Jameson Irlândez, quer ser Rock, mas as vezes parece não sair da garagem e tem espasmos de Country.

Começando canastrão com a pianola de ''Three Women'', direto e reto com a faixa título ''Lazaretto, sendo intimista com ''Temporary Ground'' e ''Would You Fight For My Love'', até adentrar o instrumental mais lesante que ouvi recentemente, ''High Ball Stepper'' e os violinos lembrando os embates épicos de Zappa-Ponty... E não é só isso, a cada música os estilos mudam, os backing vocals, o tempo...

Esse trabalho me fez entrar em um coma pensante assombroso, esse cara não quer saber se você gosta do que era feito antes, ele quer que nós fiquemos atentos para o que o futuro nos reserva. Nomes hoje incompreendidos como o dele e do também americano John Frusciante por exemplo, serão os que vão ser lembrados daqui 30 ou 40 anos. 

A música deles será atemporal e eles trabalham na vanguarda futurista. ''That Black Bat Licorice'' é uma das melhores faixas de 2014, a batera finge que toca um reggae a base de tarja preta... Jack White mistura tudo, junta e parece igual, é pra repensar a sanidade, e o violino? Ah o violino, solando e citando Niezsche.


''I Want toCut Out My Tongue And Let YouHold On To It For Me'Cause Without My Skull To Amplify My Sounds It Might Get Boring''



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Carlos Santana & John McLaughlin: o equilíbrio das forças terrenas de Love Devotion Surrender

Sente-se, cruze as pernas, faça sua preparação pessoal e medite. Vista-se apropriadamente (de branco de preferência), sinta os chakras de seu corpo e simplesmente comece e adentrar o infinito. Acenda um incenso de canela com maçã e comece a propagar seu espiritismo em prol de seu próprio relaxamento e paz interior.

Pare de tentar ser e apenas torne-se algo, enfim, de preferência absoluto. Um ser com pleno controle e conhecimento de seus polos espirituais, quando plenamente incluso e engajado dentro de uma filosofia é praticamente um ser perfeito, porém isso surge com o tempo.

O estudo e o aprofundamento teórico é necessário antes que um ''Love Devotion Surrender'' seja criado. Precisamos encontrar um novo rumo para a mente antes de canalizar a energia musical.

Não basta tocar ou possuir o conhecimento da parte técnica, a guitarra nada pode fazer se a mente do tocador é limitada. Sua ideia só vira arte quando o criador entende de que forma pode elevar o padrão criativo e se conectar com o ouvinte, esqueça os rótulos, esse Fusion é Free Jazz ou esse Free Jazz é Fusion? Chama o Sri Chinmoy que ele explica.

Line Up:
Mahavishnu John McLaughlin (guitarra/piano)
Carlos Santana (guitarra)
Doug Rauch (baixo)
Mahalakshmi Eve McLaughlin (piano)
Khalid Yasin (piano/órgão)
Jan Hammer (órgão/bateria/percussão)
Billy Cobham (bateria/percussão)
Don Alias (bateria/percussão)
Mingo Lewis (percussão)
Mike Shrirve (bateria/percussão)
Mingo Lewis (percussão)
Armando Peraza (percussão/vocal)



Track List:
''A Love Supreme'' - John Coltrane
''Naima'' - John Coltrane
''The Life Divine''
''Let Us Go Into The House Of The Lord''
''Meditation''


A fase Jazz do fantástico Carlos Santana não agrada todo mundo, é quase igual comparar a fase Funk do Deep Purple com o período áureo do Hard-Heavy. Porém creio que poucas vezes dentro da música, o próprio criador se sentiu tão bem em relação aos novos rumos criativos de sua arte.

Depois de aparecer igual um raio em Woodstock, sem ao menos possuir um disco de estúdio (e gravá-lo logo após o festival para aproveitar o burburinho), o ''Latin Rock'' do mestre Santana virou febre e a cozinha deste período se seguiu de forma absurdamente prolífica até 1971, com o também excelente ''Santana III'', a trinca do melhor de vossa latinidade, já diria Gilberto Gil.

Teoricamente a cozinha era a mesma, porém fica claro a progressiva evolução pela qual esses discos passaram, sendo o terceiro o momento de saturação deste som. Creio que se o mexicano tivesse optado por continuar nessa linha de ''caldeirão latino'', o próximo LP teria chances bem consideráveis de fracassar, fora que encerrar uma fase é sempre bom se for no topo, exatamente da forma que foi feito.

Só que isso não teve aviso prévio, e em termos práticos foi até que complicado. O baixista da formação original, David Brown saiu da banda em 1971 e foi substituído por Doug Rauch e Tom Rutley, fora Gregg Rolie que foi aos poucos se desentendendo com seu patrão e apesar de tocar em algumas faixas desse LP, também foi substituído, dessa vez por por Tom Coster, o que seria o ultimato do tecladista para sair de mala e cuia para formar o Journey com Neal Schon.


Mas olhando em retrospecto parece que essa fase poderia ter sido pelo menos esperada por seus músicos, afinal de contas nessa momento da vida o guitarrista estava vidrado em Jazz e muito atraído pelos poderes das filosofias espirituais, sendo que isso já poderia ser sentido em disco, com o live colaborativo lançado no mesmo 1972, mas antes de ''Caravenserai'', falo da colaboração entre Santana e Buddy Miles para formar o fantástico Carlos Santana & Buddy Miles! Live!.


Essa foi a iniciação, o rito de passagem de Santana dentro desta peculiar sonoridade, que se apoiando em elementos jazzísticos, buscava elevar o ouvinte, produzindo temas que carregassem consigo a paixão de um hino espiritual. E mesmo que nesse live o Jazz não seja o prato principal, o clima de conexão para com algo maior que o próprio músico ganha força. Com Buddy Miles o nosso guitar hero passa a ser apenas um instrumento de propagação de sua fé, uma versão adaptada para novelas mexicanas da clássica imunização racional Maia, de Tião do Brasil.

Mas esse lapso espiritual não surgiu do nada, aliás ele atende por um nome e não por pura e mera coincidência, que também toca guitarra! E pasmem os senhores, é ele que está do lado esquerdo do mestre Santana na foto em que temos três senhores, (dois deles sentados). Sendo que o do meio era o fio condutor entre os dois músicos, o guru que implementou a filosofia dos polos opostos, o sereno Sri Chinmoy, um cara que mesmo não tocando nem campainha foi um dos maiores responsáveis pelos rumos criativos que a carreira de ambos os envolvidos teriam, não só neste projeto, mas também posteriormente.

E como Chinmoy já era velho conhecido de John McLaughlin e já tinha começado a propagar sua ideia utópica pra cima do virtuoso músico, desde seus tempos solo, passando pelo Mahavishnu Orchestra e reverberando até mesmo depois que a parceria entre ambos já era assunto do passado no Shakti, fica claro que John já estava habituado e plenamente situado nessa nova vida.

Onde seu Jazz complexo seguia as leis de seu guru de forma cega, para conseguir atingir um grau de exatidão musical que sozinho ele nunca conseguira antes. E agora que sabia que o Santana estava começando a ter interesse em seu mesmo segmento de atuação, era hora de fazer a mesma purificação com o guitarrista.

E depois que a meditação tratou de isolar tudo que não agregava nada na música de Carlos e, que este começou a de fato esvaziar sua mente e enchê-la apenas de pertencimento, que John, após o sinal de Chinmoy, percebeu que era hora de levar isso para estúdio e o nome da união já deixa claro como a coisa era séria: Carlos Santana/Mahavishnu John McLaughlin - ''Love Devotion Surrender''.


''Mahavishnu'' não foi apenas metade do nome de uma das maiores bandas da história da música, como também era o batismo de John dentro das leis de seu guru, só que o idealizador do projeto foi o único a colocar seu codinome no disco. ''Devadip'', ou como era conhecido, Carlos Santana, preferiu preservar sua identidade. E agora que ambos tratavam-se de seres elevados, o mais justo era propagar tudo que o mentor da dupla semeou tempos atrás, a bendita trinca: ''Love Devotion Surrender''.

Que para resumir o nível de piração, inclusive citando o próprio responsável: ''Quando o finito entra no infinito, torna-se o infinito tudo de uma vez. Quando uma pequena gota entra no oceano, não podemos traçar a queda. Torna-se o poderoso oceano''. Agora junte este não tradicional raciocínio com McLaughlin dando aulas de guitarra para Santana, uma homenagem ao clássico de John Coltrane, ''A Love Supreme'' e uma equipe de doze músicos (todos de branco no estúdio), que você talvez chegue perto da energia incandescentemente inexplicável, que um dos maiores discos da história da música, emana em prol de coisas finitas que devem se juntar para simplesmente tornarem-se infinitas.

E em 35 minutos sendo alvejado pelo mais magnífico som, temos uma clara amostra do que essa frase do senhor Chinmoy significa. Um som que emite uma nota para começar a reverberar, mas que assim que o faz, já com a nota estreante, adentra o todo da jam e torna-se o infinito particular que escutamos em disco e LP.

Sem esse exagero sem precedentes de tentar ser um cover para a épica versão de Coltrane, mas com um trabalho nada simples de expandir os horizontes de dois temas que o saxofonista criou para ''A Love Supreme'' e continuar o caminho com a música, que com uma urgência poucas vezes ouvida, sai de forma desenfreada numa hecatombe de solos dos mais intrincados, sentimentais e intensos.


Momentos que se escutados de olhos abertos são semelhantes a colocar a cabeça dentro de um liquidificador, mas que se forem apreciados na calmaria de olhares cerrados, transmitem uma paz existencial que poucos acreditavam existir, até esse ápice celestial de guitarras.

Que se apoiando no conceito de renovação e encerramento de ciclos da obra de Coltrane, culmina com uma sessão de pura e abastada liberdade em prol de instrumentos que funcionam em pura extensão do pensamento de Miles Davis, isso sem contar um Santana (que me desculpe o McLaughlin), é o principal destaque do disco.

Não tem pra Billy Cobham, Jan Hammer, Doug Rauch ou Mike Shrirve, aqui ''Devadip'' assume a PRS e por meio do corpo de Carlos executa passagens kaledoscópicamente possantes que emanam o montante energético de dez usinas de Itaipú, seja tocando temas de Coltrane, como a já citada ''A Love Supreme'' e ''Naima'' (onde justiça seja feita, John arrebenta), ou escolhendo romper o que nem dez Jim Morrisons conseguiriam (''Break On Through To The Other Side''), superar o paradigma do outro lado com a teoria mística dos quase dez minutos de ''The Life Divine''.

Ou recriando uma atmosfera tão pura e absolutamente volátil, que qualquer um pode afirmar com quase 100% de certeza, que quando a dupla começa a maior imersão espiralada do disco com ''Let Us Go Into The House Of The Lord'', que os responsáveis realmente entraram na casa de Deus. E os solos do guitarrista mexicano são um singelo retrato do ambiente, das conversas e da paz que o jardim do senhor poderia nos proporcionar e acabou evaporando para a dupla.

Esqueça pedais de efeito, overdubs e qualquer outro tipo de artimanha que pode ser utilizada em estúdio. Esse trabalho estabelece algo que para qualquer músico é realmente digno de se formar uma nova religião, o comprometimento com sua arte. Não importa se esse novo pacto que ambos concordaram em firmar deixassem-os meio bitolados futuramente, o ponto é perceber como mergulharam nisso de cabeça e, focados, criaram algo que ninguém em seu juízo perfeito poderia sentar para escrever em partituras. 

E para provar como esse disco é único, trata-se de um dos raríssimos casos onde a crítica mal soube explaná-lo tamanha a gama de elogios, mas que os fãs, tanto de Carlos quanto de McLaughlin, mal conseguiram entender (apesar das boas vendas). E dizer que aqui as linhas são repletas de sentimentos, ou que a banda de apoio arrebenta quando requisitado (mas passando desapercebida várias vezes), é pouco, diria que quase nada. 

Essa colaboração faz até o mais cético dos fãs repensar o papel da música, por que depois que Devadip adentra a casa do senhor e nos conta como foi, não tem como não presumir que ''Meditation'' tenha sido sua reflexão após o ocorrido. A música é uma religião, só que com Santana & McLaughlin você visita a igreja e tem mais contato com o dito ser superior, do em que muita sessão de espiritismo por aí... Até ouvir esse trabalho o resenhista era agnóstico, após o play ele passou a realmente acreditar que é possível fazer parte do infinito. Devadip e Mahavishnu, senhoras e senhores!

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Funk: Tim Tim Por Tim Maia

O grande Tim Maia, assim como a fantástica Janis Joplin, morreu de overdose. Mas não foi uma overdose de heroína como no caso da fantática cantora americana, Maia nos deixou sem entrar na estatística dos narcóticos, mas mesmo assim foi vítima de uma overdose, só que de paradoxal vida. 

O cantor teve tudo, perdeu tudo, teve tudo novamente e perdeu tudo outra vez só pra pra desbaratinar... O lance do Sebastião era a volta triunfal, era entrar na Arena São Januário vendo a torcida do Vasco cantar com a cruz maltina no peito e dar a volta olímpica, tirar sarro dos críticos e usar o disco de ouro como porta copo. E digo mais, deve ser complicado conviver consigo mesmo sabendo que não existe problema nenhum no mundo, e sim com você mesmo. Levantar numa ressaca daquelas que embrulha até o almoço, e pensar que praticamente todos os problemas de sua vida foram causado por você mesmo, faltou bom senso, mesmo com imunização racional... É difícil ser inimigo de si mesmo.

No fim das contas até o Funk perdeu seus encantos. A imaginação do gênio bancava verdades insólitas que pareciam verdadeiras teorias da conspiração... A paranoia da maconha da lata pegou no Triathlon de THC, Bourbon e Sessions do mais branco e puro snowblind, para no começo, durante e no fim, mascarar um monstro que seu próprio dark side alimentava, seu próprio Black Power... Até tu Brutus.


A realidade do calendário Maia ia além dos processos, sua mística de showman ou seus costumeiros excessos, o ideal era simples para o ex mestre do marmitex: viver intensamente. Por que assim como os grandes mestres da música e de seu segmento de atuação, o Funk, Tim buscava em suas experiências pessoas o néctar criativo para misturar no Groove, a versão latina do George Clinton e sua Mothership Connection: Tim Maia & Vitória Régia.

E pense o senhor, caro leitor, que valeria a pena viver sem essa anormalidade, seu dia-a-dia precisava estar nivelado com seus contos épicos de Soul, até por que sem isso não valeria a pena viver, a insanidade era sua desmagnetização racional, Maia contaraiou até Einsten, ele repetiu as presepadas várias vezes e conseguia resultados diferentes!

E em 2007, com o lançamento da biografia do maestro (''Tim Maia: Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia), plenamente arquitetada por seu biógrafo Nelson Motta, cidadão que teve a honra de dividir um baurete com o síndico em pessoa, que cada vez mais brasileiros começaram a não só curtir o som do brasileiríssimo, mas também entender sua vida e obra de fato. E como seu livro é o mais completo diário de bordo sobre está figura quase folclórica, nada mais justo do que se basear nos relatos do escriba para jogar isso na telona.

E assim foi feito. 2014 será um ano muito lembrado por que teve eleição, sete gols da Alemanha e muito caos urbano, porém entrará na rota de recordações como o ano em que a vida de Tim virou filme, e que filme. Cinebiografia de Tim Maia dirigida e roteirizada por Mauro Lima, ''Tim Maia'' coloca em imagens o que Nelson teve o talento de colocar em palavras, e rapaz, que dobradinha, melhor que muito Romário e Bebeto por aí... Coloca a dupla no banco e deixa o Robson Nunes e o Babu Santana na frente que eles resolvem.


Que atuação! Primeiro surge Robson Nunes para movimentar os primeiros passos do ainda entregador de marmita. Atua no começo de tudo, começa a engantinhar no vocal, andar no violão e correr nos Estados Unidos, país que se dirigiu com pouco dinheiro e que fora convidado a se retirar com menos ainda, roubando até perú com a ajuda de sobretudo.

Na volta os perrengues seguem rolando igual efeito dominó, porém nosso heroí segue dando seu jeito e seu sonho de viver de música ainda segue vivo, e é aí que escuta-se um click na cabeça do futuro menssageiro racional: Velha Guarda, vamos atrás do Roberto e de seu amigo Tremendão, cidadão que teve a honra de ter aulas de violão com Tim, e que pelo andar da carruagem não parece ter adiantado muita coisa.

Muito bem interpretados pelo engraçado George Sauma e Tito Naville, Roberto e Tremendão (respectivamente), ajudam o mestre a segurar o forninho. Tim mostra algumas composições para a dupla e aí é que o jogo começa a mudar, e onde Babu entra para decidir. Sua atuação é fantástica, primeiro que ele fica bem fiel ao personagem fisicamente falando, segundo que a interpretação é realmente bárbara, digno de se indicar esse filme para representar nosso 7X1 no tapete vermelho da Academia.

Além dos atores já citados outra que trabalhou muito bem foi a Renata Guida (Rita Lee), sem se esquecer da avoada Mallu Magalhães (Nara Leão) e do Carlos Imperial (Luís Lobianco). Fora o faz tudo Cauã Reymond que até narrou o filme, interpretando o grande Fábio, músico que tocou 30 anos com a fera retratada, que até no filme acaba com mulher bonita, vulgo Aline Moraes.


E em cerca de duas horas e vinte minutos, todos os envolvidos devem se orgulhar de terem participado deste filme. Eu por exemplo sempre fui muito fã do Tim, já tinha lido o livro de Nelson Motta e o relato de Fábio (''Até Parece Que Foi Sonho - Meus 30 Anos de Trabalho e Amizade Com Tim Maia''), livro que assim como as entrevistas feitas por Mauro Lima e Antônia Peregrino buscaram ainda mais veracidade para jogar em imagens.

Não é só reviver o herói, o maior trunfo desse filme é mostrar a história crua sem romantizar os erros do astro igual a rede Globo fez picotando o filme todo e mesclando com entrevistas, Tim errava tanto quanto nós, mentia um pouquinho por que errava mais e sua música ganha novo significado para os que viram esse grande momento, afinal de contas seu legado não precisa ser massificado, ele era tudo e nada ao mesmo tempo e creio que isso não tem como ser camuflado, santo nacionalismo, santo Tim Maia.... ''Veja o filme... O Universo em Desencanto...'' Tim Tim por Tim Maia.

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Paul McCartney & Wings - Rockshow

Com a passagem do Paul McCartney pelo Brasil os meios de comunicação estão lotados de informações, o que teoricamente é interessante, mas só teoricamente. As informações são todas iguais, os jornalistas fazem a listagem de shows, relembram os hits... 


Ninguém surge com nada diferente, nenhuma alma se dedicou a fazer a uma matéria sobre os relançamentos do Wings, ou teve a cara de pau de citar um dos melhores DVD's lançados em 2014. ''Paul McCartney & Wings - Rockshow'' é excelente, um item que não pode passar batido na coleção de nenhum fã de Paul, Beatles ou de Wings.

Line Up:
Paul McCartney (baixo/violão/vocal/piano)
Linda McCartney (vocal/teclado/percussão)
Denny Laine (vocal/guitarra/violão)
Joe English (vocal/guitarra)
Jimmy McCulloch (vocal/violão/guitarra)
Tom Dorsey (trombone)
Howie Casey (saxofone)
George Tidwell (trompete)
Steve Howard (trompete)
Tony Dorsey (trombone)
Thaddeus Richard (saxofone/clarinete/flauta)



Track List:
''Venus And Mars''
''Rock Show''
''Jet''
''Let Me Roll It''
''Spirits Of Ancient Egypt''
''Medicine Jar''
''Maybe I'm Amazed''
''Call Me Back Again''
''Lady Madonna''
''The Long And Winding Road''
''Live And Let Die''
''Picasso's Last Words (Drink To Me)''
''Richard Cory''
''Bluebird''
''I've Just Seen A Face''
''Blackbird''
''Yesterday''
''You Gave Me The Answer''
''Magneto And Titanium Man''
''Go Now''
''My Love''
''Listen To What The Man Said''
''Let 'Em In''
''Time To Hide''
''Silly Love Songs''
''Beware My Love''
''Letting Go''
''Band On The Run''
''Hi, Hi, Hi''
''Soily''


Sabe aqueles shows eternos? Momentos que todas as grandes bandas possuem no hall de momórias... Que não são planejados, tampouco imaginados, simplesmente acontecem. Essa é uma passagem que resume o que é este registro, resumidamente: um retrato de uma banda em seu auge, Wings explodindo em 1970 e seis, e com um show que faz frente a tudo que a banda fez e conquistou, e o melhor, com qualidade de som e imagem dos anos 2000!

Em 1976 os Wings embarcaram em uma das maiores tours daquela década. A banda estava voando baixo, a parceria de Paul com os caras chegava ao quinto registro e as vendas quebravam recordes após recordes, era hora de rodar o globo. Dito e feito, foram mais de dez países navegados e cerca de dois milhões de telespectadores maravilhados.

Toda essa grandiosidade está eternizada no disco triplo ''Wings Over America'', mas é com este show, visualizando tudo com vossos próprios olhos e ouvidos, que temos a real dimensão do que foi esta turnê. O Mammoth Kingdome ficou pequeno para o show de Paul e cia, o complexo estava absolutamente lotado, eram mais de 67 mil pessoas presenciando um dos melhores shows da época.

São quase duas horas e meia de muito Rock 'N' Roll, onde o que rouba a cena é a qualidade do todo. Esse show é um relançamento, logo, as imagens e os sons foram todos restaurados da masters originais e fora a repaginada que as imagens receberam, e toda a definição do som, o set foi liberado completamente, Paul destila todos seus hits e o resto fica ao seu critério, pular ao som ''Jet'', ''Let Me Roll It'' e ''Maybe I'm Amazed'' ou cantar o hino ao som ''Yesterday''. Grande momento!

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Black Sabbath - A Biografia

Desde criança minha mãe me atormentava para ler os ''clássicos''. Nunca tive liberdade para escolher algum livro, inclusive era obrigado a ler os que ela selecionava e depois ainda tinha que detalhar um resumo... E com isso em mente, não fica muito difícil de perceber que durante alguns anos este que vos escreve detestava ler, 

Desde muito cedo mostrei interesse por música, e minha mãe não achava isso muito benéfico. Era muito mais fácil me ver lendo uma autobiografia de algum junkie fadado à morte por overdose, do que me trombar virando folhas de um exemplar de Mark Twain ou até mesmo um Daniel Defoe da vida, dois exemplos de grandes autores que me vi forçado a ler, e claro, não gostei.

Quando comecei a escolher o que gostaria de ler a coisa fluiu. Até hoje minha mãe passa pelo meu quarto e fica encarando as capas dos livros de uma forma hilária, mais o que posso fazer, o meu Mark Twain é o Mick Wall, seu tão amado Daniel Defoe é o meu Hunter Thomspon... Vocês deveriam ter visto a cara dela quando ela topou com a cruz de um dos últimos trabalhos do Mick! Sua árvore genealógica sobre o Black Sabbath, é, para variar, um grande livro, mais um para seu currículo.


Mesmo que o Rolling Stones seja a banda que mais tenha material físico-escrito, o Black Sabbath foi a banda que mais li sobre, e o mais impressionante nisso tudo é que apesar de ter lido um material muito extenso, fiquei realmente embasbacado de notar que em menos de 350 páginas, Mick resume o que eu devo ter lido em mais de 800, e ainda o faz com mais detalhes.

Primeiramente é assombroso ver como ele passa informações tão densas de forma simples e fácil, sempre fazendo links de um assunto para o outro sem tornar o livro chato, e meus amigos, só quem gosta de ler essse tipo de registro sabe, MUITOS deles são bem maçantes.

Aqui não tem resenha de todos os discos faixa-a-faixa, muito menos a preocupação de ficar passando a mão na cabeça do Sabbath quando chegamos na época de discos menos inspirados. Mick é bem direto e não fica enrolando ao expressar sua opinião, seja ela positiva ou negativa, e isso é bem raro, normalmente quem se habilita a escrever só sabe falar bem da banda em questão, e as vezes as informações se perdem nesse emaranhado de ideias que não descem do muro.

óbvio que algumas informações se repetem, mas o que vale é o ângulo da opinião que Mick passa para o papel. Ele narra as dunas que a banda comprou de coca, as desventuras do Ozzy, o trabalho frenético de Tony, o já conhecidíssimo apreço de Bill por uma cerveja e o peso do baixo do mestre Butler, mas o segredo desse cidadão é o conhecimento, ele viveu isso também, e por mais injusto que possa parecer, ele é uma autoridade no assunto, e se porta como tal.

Se você (assim como eu) leu a autobiografia do Ozzy, do Tony e o diário de Joel McLver, o denso ''Sabbath Bloody Sabbath'', saiba que foi desnecessário. Em um momento que o que não falta no mercado é livro de uma das maiores bandas de todos os tempos, coube ao melhor, (é bom que se diga) a difícil tarefa de se destacar dentro do mar da mesmice sem atratividade ou diferencial nenhum. ótima leitura, mais um trabalho elementar do Mark Twain do Rock 'N' Roll.

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