Black Sabbath - A Biografia

Desde criança minha mãe me atormentava para ler os ''clássicos''. Nunca tive liberdade para escolher algum livro, inclusive era obrigado a ler os que ela selecionava e depois ainda tinha que detalhar um resumo... E com isso em mente, não fica muito difícil de perceber que durante alguns anos este que vos escreve detestava ler, 

Desde muito cedo mostrei interesse por música, e minha mãe não achava isso muito benéfico. Era muito mais fácil me ver lendo uma autobiografia de algum junkie fadado à morte por overdose, do que me trombar virando folhas de um exemplar de Mark Twain ou até mesmo um Daniel Defoe da vida, dois exemplos de grandes autores que me vi forçado a ler, e claro, não gostei.

Quando comecei a escolher o que gostaria de ler a coisa fluiu. Até hoje minha mãe passa pelo meu quarto e fica encarando as capas dos livros de uma forma hilária, mais o que posso fazer, o meu Mark Twain é o Mick Wall, seu tão amado Daniel Defoe é o meu Hunter Thomspon... Vocês deveriam ter visto a cara dela quando ela topou com a cruz de um dos últimos trabalhos do Mick! Sua árvore genealógica sobre o Black Sabbath, é, para variar, um grande livro, mais um para seu currículum.


Mesmo que o Rolling Stones seja a banda que mais tenha material físico-escrito, o Black Sabbath foi a banda que mais li sobre, e o mais impressionante nisso tudo é que apesar de ter lido um material muito extenso, fiquei realmente embasbacado de notar que em menos de 350 páginas, Mick resume o que eu devo ter lido em mais de 800, e ainda o faz com mais detalhes.

Primeiramente é assombroso ver como ele passa informações tão densas de forma simples e fácil, sempre fazendo links de um assunto para o outro sem tornar o livro chato, e meus amigos, só quem gosta de ler essse tipo de registro sabe, MUITOS deles são bem maçantes.

Aqui não tem resenha de todos os discos faixa-a-faixa, muito menos a preocupação de ficar passando a mão na cabeça do Sabbath quando chegamos na época de discos menos inspirados. Mick é bem direto e não fica enrolando ao expressar sua opinião, seja ela positiva ou negativa, e isso é bem raro, normalmente quem se habilita a escrever só sabe falar bem da banda em questão, e as vezes as informações se perdem nesse emaranhado de ideias que não descem do muro.

óbvio que algumas informações se repetem, mas o que vale é o ângulo da opinião que Mick passa para o papel. Ele narra as dunas que a banda comprou de coca, as desventuras do Ozzy, o trabalho frenético de Tony, o já conhecidíssimo apreço de Bill por uma cerveja e o peso do baixo do mestre Butler, mas o segredo desse cidadão é o conhecimento, ele viveu isso também, e por mais injusto que possa parecer, ele é uma autoridade no assunto, e se porta como tal.

Se você (assim como eu) leu a autobiografia do Ozzy, do Tony e o diário de Joel McLver, o denso ''Sabbath Bloody Sabbath'', saiba que foi desnecessário. Em um momento que o que não falta no mercado é livro de uma das maiores bandas de todos os tempos, coube ao melhor, (é bom que se diga) a difícil tarefa de se destacar dentro do mar da mesmice sem atratividade ou diferencial nenhum. ótima leitura, mais um trabalho elementar do Mark Twain do Rock 'N' Roll.

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