Jack White - Lazaretto

Ser criativo é uma coisa muito relativa. Enquanto por um lado existem milhares de bandas de rock metidas a besta (lê-se Freak) que ficam chapando em experimentação sem sentido, na contramão desse movimento de repetição de frequências temos nomes comprometidos em fazer sons realmente diferenciados, mas não só do ponto de vista de inovação sonora, e sim de pura e objetiva exploração e expansão de horizontes criativos.


Porque não adianta nada chegar com uma porção de ruídos perdidos no vácuo do groove e achar que estorou a boca do balão, o tempo de visionários experimentais já passou, isso ai teve fim depois que Zappa nos deixou, hoje, mais do que nunca, nós não precisamos de ninguém que reinvente nada, ou que fique fazendo revivals de música saudosista, precisamos apenas de música com endereço para o futuro, sem olhar para o passado e criar a nossa própria identidade dentro do contexto de nossa época.

Poderia resumir esses dois longos, e aparentemente confusos parágrafos, com apenas um nome: Jack White, e sua criação mor, a bendita liberdade criativa - Sua carreira solo, mais especificamente ''Lazaretto'', talvez o disco mais esperado do ano, a segunda cartada de um cidadão que se mostra plenamente alheio à crítica, e focado em uma coisa apenas: Fazer música. Música esta que se for boa, venderá com toda certeza, vendeu em seu debut e agora tem tudo para repetir o sucesso e vender ainda mais.

Line Up:
Jack White (vocal/guitarra/violão/piano/percussão)
Dean Fertita (guitarra)
Catherine Popper (baixo)
Bryan Davies (contra baixo)
Ben Blackwell (bateria)
Fats Kaplin (violino/mandolin)
Patrick Keeler (bateria)
Carla Azar (bateria/percussão)
Maggie Bjorklund (violão/guitarra)
Dominic Davis (contra baixo)
Daru Jones (bateria)
Ruby Amanfu (percussão/vocal)
Timbre Cierpk (harpa)
Brooke Waggoner (piano/sintetizadores/órgão)
Olivian Jean (percussão/vocal)
Lillie Mae Rische (violino/mandolin/vocal)
Ikey Owens (órgão/teclado/sintetizadores/piano)
Cory Younts (gaita/sintetizadores/piano/mandolin/percussão/vocal)



Track List:
''Three Women''
''Lazaretto''
''Temporary Ground''
''Would You Fight For My Love''
''High Ball Stepper''
''Just One Drink''
''Alone In My Home''
''Intitlement''
''That Black Bat Licorice''
''I Think I Find The Culprit''
''Want And Able''


De ''Blunderbuss'' para ''Lazarretto'' foram mais ou menos 15 meses, e não é só o disco que é excelente, tudo, absolutamente tudo que o envolveu é impressionante.


1) Para começar  o cidadão quebrou o recorde de gravação de Single mais rápido da história. Sim, além de discos de platina o senhor White também aparecerá no Guinness 2015. Foram 3 horas 55 minutos e 21 segundos para gravar, prensar, montar e disponibilizar seu grande single ''Lazaretto''. Quebrando o recorde do trio Suíço Vollgas Kompanie que lançou ''Live'', um dia depois de gravá-lo em 2008.

2) Provando que música boa ainda vende e muito bem, o mestre foi lá e vendeu 60 mil cópias EM VINIL, que se forem acrescidas de vendas digitais, e em CD, totalizam mais de 160 mil, igualando, (e superando provavelmente), o antecessor debutante (''Blunderbuss'') de 2012. E o motivo foram as pirotecnias pioneiras que ele enquadrou em seu mais novo quadro circular.

3) Mr. White criou um novo formato para o vinil, o chamado ''Ultra LP'', e a coisa não para por ai. Para ouvir o lado ''A'' do disco de ''12'' a agulha deve ser colocada no centro do vinil, e não na borda como é de costume. E como já acontecia em alguns discos, no fim do primeiro lado a agulha fica rodando sem parar criando um ''som infinito'', porém no caso desse trabalho a agulha fica zanzando no lado de fora, o que foi chamado de ''Outside Locked Groove'', em um LP flat na lateral, ainda assim de 180 gramas.

4) Temos ainda duas faixas escondidas, (uma de cada lado) no centro do vinil, onde normalmente é colocado a relação de faixas e outros detalhes.

5) As faixas no meio do LP estão gravadas em rotatividade diferentes, sendo que no lado ''A'' o som rola com 78 e no ''B'' com 45 rotações, característica esta que rendeu uma alcunha para o novo disco do músico: Três tipos de rotações, um ''triplo simples''.

6) Na primeira canção do lado ''B'' existem duas introduções, e dependendo de onde a agulha está posicionada podemos ouvir um ou outro riff, e no meio da música as duas frações se unem e continuam o take da forma normal, palavra que nem deveria estar nesse texto.

7) Agora no setor de arte, na parte visual o lado ''A'' tem um brilho natural dos vinis da nova safra, enquanto no ''B'' a coisa é fosca para relembrar as antigueiras. E para fechar, os anjos da capa voltam, no centro do LP aparecendo na forma de hologramas brilhantes enquanto a bola rola.


Mas não é só isso que faz deste disco especial, é tudo isso que já foi citado, e a música que é extraída do CD-pião principalmente. Timbragens bipolares, riffs em revolução, vocais excêntricos, solos, faixas absolutamente viradas no giraya, letras tiradas de poemas e histórias do própria White quando mais novo (19 anos), fora um som que chega Blues, fica Funk, toma Whiksy no Folk-Jameson Irlândez, quer ser Rock, mas as vezes parece não sair da garagem e tem espasmos de Country.

Começando canastrão com a pianola de ''Three Women'', direto e reto com a faixa título ''Lazaretto, sendo intimista com ''Temporary Ground'' e ''Would You Fight For My Love'', até adentrar o instrumental mais lesante que ouvi recentemente, ''High Ball Stepper'' e os violinos lembrando os embates épicos de Zappa-Ponty... E não é só isso, a cada música os estilos mudam, os backing vocals, o tempo...

Esse trabalho me fez entrar em um coma pensante assombroso, esse cara não quer saber se você gosta do que era feito antes, ele quer que nós fiquemos atentos para o que o futuro nos reserva. Nomes hoje incompreendidos como o dele e do também americano John Frusciante por exemplo, serão os que vão ser lembrados daqui 30 ou 40 anos. A música deles será atemporal e eles trabalham na vanguarda futurista. ''That Black Bat Licorice'' é uma das melhores faixas de 2014, a batera finge que toca um reggae a base de tarja preta... Jack White mistura tudo, junta e parece igual, é pra repensar a sanidade, e o violino? Ah o violino, solando e citando Niezsche.


''I Want toCut Out My Tongue And Let YouHold On To It For Me'Cause Without My Skull To Amplify My Sounds It Might Get Boring''



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