Brant Bjork And The Low Desert Punk Band - Black Power Flower

Dizem que quando se fuma maconha o prezado chapado se sente mais lento. Aparentemente o aspecto sensorial também sofre uma mutação conectada com o processo de sinestesias, devido à clara lerdeza que a ervinha causa. E com isso, segundo muitos malucos belezas, a música ganha um aspecto ainda mais celestial, a apreciação atinge um grau ainda mais poderoso, mais cultuado que uma religião, e o melhor: Em câmera lenta, nos mínimos detalhes.

Em inglês os chamados, maconheiros são apelidados de potheads, uma espécie de deadhead que curte um baseado, ou stoner, talvez o nick name mais famoso. Uma das grandes anedotas do mundo sonoro é que a vertente rockeira, Stoner-Rock, é claramente inspirada na lentidão eufórica que uma bela inalada de fumaça THCística causa, e se você parar para pensar pode ser verídico. Mas caso o senhor duvide, pegue o novo disco do baterista Brant Bjork por exemplo.

O americano é um dos pais do Stoner Rock, ''o mítico baterista do Kyuss'', um dos caras que mais dichavaram rochas em prol do barulho, se mostrou à plenos pulmões (mesmo inalando muito verde), e arquitetou um projeto fritaço. Falo sobre ''Black Flower Power'', o resultado das laricas com a Low Desert Punk Band. Ah esqueci de falar, o disco saiu dia.... 17 de novembro, lembrei!

Line Up:
Brant Bjork (guitarra/vocal)
Tony Tornay (bateria)
Dave Dinsmore (baixo)
Bubba Dupree (guitarra)




Track List:
''Controllers Destroyed''
''We Don't Serve Their Kind''
''Stokely Up Now''
''Buddha Time (Everything Fine)''
''Soldier Of Love''
''Boogie Woogie On Your Brain''
''Ain't No Runnin'''
''That's A Fact, Jack''
''Hustler's Blues''
''Where You From Man''


O que mais gostei desse disco foi que para variar, Brant faz Stoner, aó que se mostra mais uma vez muito eclético, um maconheiro total flex. Em matéria de Stoner especificamente esse registro foi um dos melhores que pude apreciar este ano, e o que mais favoreceu este fato, foi que estratégicamente (já diria o glorioso capitão nascimento),  Bjork (que não é a cantora loca), liberou os takes no fim do ano, período onde os lançamentos ficam em baixa... Trata-se de um ser humano com Q.I acima da média, de fato, uma prova viva de que apesar da fumaça, temos neurônios.


O fator instrumental está tão bom que não merece nem réplica, e o baterista Tony Tornay manda tão bem que quando ouvi o disco de prima pensei que Brant estava nas baquetas. O baixo está bem na cara, uma verdadeira muqueta, e o trampo de guitarras ficou bem coeso, Bubba Dupree fez a base e o dono do coffee shop mostrou que não é necessário ser nenhum Malmsteen para fazer um bom trabalho de guitarras, fora que o rei do pipe, primo do Cheech, ainda comanda a session nos vocais.

E pra mostrar que o nível de loucura que este torro lhe proporcionará é elevado, já abrimos a tampa deste exemplar da lata com o single ''Controllers Destroyed''. O furacão de peso arenoso já deixa até o olho (mesmo o par dos mais experientes), bem avermelhado e o padrão de paranoia da faixa de entrada se mantém em sua sucessora, ''We Don't Serve Their Kind''.

Já notamos desde já como o som sai do lugar comum do Stoner quadradão e vai ficando mais malandro, em certos momentos até swingado. ''Stokely Up Now'' surge com uma linha de baixo que muito me lembrou Mel Schacher, apresenta doses cavalares de distorção e quando faz a dobradinha do cross joint com ''Buddha Time (Everything Fine)'', a embutida é uma tora.

Mas quando bate o barato nosso amigo dá uma aliviada. Não se engane com o nome da próxima faixa, ''Soldier Of Love''... Não tem nada de love no meio, dá um relax na brisa, mas o peso se mantém, sentimos inclusive um resquício de Funk em meio à caravana arenosa. Mas não adianta, como se negocia com um ex Kyuss? Ele vai apertar e vai acendar agora, e é bom você pegar a rabeira do jeito que der por que senão vai acabar defumado.



''Boogie Woogie On Your Brain'' comprova esse fato, inaugura a parte mais ácida do disco. E mesmo que os licks de ''Ain't No Runnin''' sejam rápidos o groove sente a boca seca. ''That's A Fact, Jack'' desce como uma bela distorção misturada no shake de caco de vidro, e se você tirar a faquinha de rocambole do bolso consegue cortar a cortina de fumaça em bloco, mas isso não é nada.

O bamba entrou na corrente sanguínea e etc e tal... É bem provável que seu estômago esteja latejando de fome. Você provavelmente nem lembra o motivo de ter clicado neste post, seu olhar 43 de china in box deve estar sonolento... O peso chega a abaixar a pressão, nos sentimos meio tontos, e aí é que é hora de vaporizar. 

Tudo fica mais lento... O baixo se esquece de Stoner e faz uma base meio Funk, meio Billy Cox. Brant mostra muito tato no vocal e segura o grave, a cabeça decola, mas ainda não acabou, são 49 minutos de cozinha sativa, e o melhor fica para o final. Quando os oito minutos de ''Where You From Man'' terminarem vai dar 4:20 e aí é só correr para o abraço. A psicose bipolar troca ideia com o Stoner, e ao fundo tudo que escutamos são ecos, parece que Cheech Bjork chamou seu amigo Chong Brant e eles estão discutindo para saber quem apertará o próximo. Discaço, não esquece de acender um... Incenso pra ouvir o caos.

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