Chet Faker - Built On Glass

A frequência chill out de beats bem distribuídos numa melodia cadencia de neo-Soul-R&B, confeccionam teias homogêneas, que mesmo sendo leves e interligadas por intersecções chapadas no ritmo de um flow inspirador, adentram os riffs do teclado, casam-e-mesclam a bateria eletrônica e mandam sua mente para bem longe, sem aviso prévio de sinapses.


É isso que o Chet Faker faz com o imaginário humano de quem escuta ''Built On Glass'', é abstrato, livre, delicioso, relaxante... É música. Um workshop de sinestesias, tudo de repente, por isso a letargia, por isso o feeling ''atrasado'', e o sentimento de puro desleixo com o tempo, pinceladas complexas de um cidadão que parece mal se esforçar para criar o que resultam suas trips criativas. Liberdade sonora, musical e mental, um som que não é entendido por muitos, mas o que sacam os indícios de linearidade de seu ortodoxo fraseado tiram os fones com uma nova palavra no vocabulário: Neo-Soul, a cozinha de Chet Faker.


Track List:
''Release Your Problems''
''Talk Is Cheap''
''No Advice''
''Melt''
''Gold''
''To Me''
''/''
''Blush''
''1998''
''Cigarettes & Loneliness''
''A Lesson In Patience''
''Dead Body''


Um som que você pela primeira vez faz questão de não entender absolutamente nada, por que sem fone nada é nada, mas com fone tudo é tudo, sábias palavras Tim Maia, ouse colocar este digno estupefaciante no play. Ficar perdido em um som nunca fez tanto sentido (eletronicamente) para este que vos escreve, fazia tempo que não ouvia um cara tentar harmonizar seus próprios backing vocals ao mesmo tempo que os atrasa e os une novamente com a melodia.

''Built On Glass'' é o primeiro disco de muitos que virão (pelo menos espero) por que a cada novo EP, música, ou pequeno teaser, nós temos uma prova absurda de o quão longe e aberta a mente de um músico pode ir e ser. Transfigurando e psicografando beats, lendo repeats, batendo loops e plus de bits, em prol de frequências, que sobre um tear sonoro cumprem a premissa de planarem perfeitas, usando seu teclado como mestre de cerimônia na costura de melodias, programando e reprogramando os ecos de fluxo, sempre interferindo na sintaxe do balanço e sentido o Groove como poucos.




Climatizando estruturas cintilantes com ''Release Your Problems'', relaxando metais fúnebres com ''Talk Is Cheap'', fazendo transições (''No Advice''), oxigenando mentes, em dupla, com a única participação do disco, o swing de uma tonelada de ''Melt'' e a elementar participação Soul da ótima Kilo Kish.

Porque de resto Chet faz tudo, produz, canta, toca, comprime, expande, alegra, entristece. Sempre repleto de nuances, acariciando o Trip Hop. O rei do Lazy sound, flows rápidos, beats contraditórios... Dançante com ''1998'', ambiente com os quase oito minutos de ''Cigarettes & Loneliness'', pluricelular, plurimusical, e apesar da complexidade algo plenamente digerível e delicioso de se saborear. ''Dead Body'' é uma das melhores do disco, uma canção triste, depressiva talvez, mas que vale o sofrimento pelo solinho que é a ponte que sustenta seu dilema, sua teia criativa, o brainstorming de relaxamento chill out. Keep Funkin' Nicholas Murphy.


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