Jeremy Irons & The Ratgang Malibus - Spirit Knife

O lance da música pra mim sempre foi viajar. Colocar um som e ver o que aquilo poderia proporcionar para minha mente, minhas ideias, lembranças, tudo sempre como parte de experimentos envolvendo o aspecto sensorial da jam.

E para você que aprecia os sintomas relatados, saiba que nos últimos anos o que mais aparece no hall de novas bandas são linhas que buscam banir sua mente da area de cobertura 3G e 4G... E um dos maiores destaques de 2014 neste segmento, foi o terceiro disco de estúdio dos Suécos do Jeremy Irons & The Ratgang Malibus, o ótimo '' Spirit Knife'', lançado dia 29 de abril.

Line Up:
Henke Persson (bateria)
Viktor Kallgren (baixo)
Karl Apelmo (guitarra/vocal)
Micke Pettersson (guitarra)





Track List:
''Fog By The Steep''
''Wind Seized''
''Sworn Collision''
''Deep Hardened Woods''
''Clang''
''Point Growth''
''Spirit Knife''


O Jeremy Irons & The Ratgang Malibus (esse nome é sensacional), é para variar uma enterprise Suéca. E com isso em mente o nível de qualidade já fica logo evidenciado. A banda não é nenhuma virtuose intergaláctica de outro planeta, mas dentro do que o quarteto está disposto a fazer o padrão é altíssimo, sendo que é bom deixar claro, que mais do que músicos brilhantes, essa banda possui mentes criativas e não brinca com a psicodelia.


Diferentemente de muitas bandas que tentam praticar essa aresta mais psicodélica e ultrajantemente viajante, a abordagem desses caras é o que acaba fazendo toda a diferença dentro do processo de apreciação. Todos os envolvidos temperam a jam com um único objetivo, pegar a coisa pelo ponto externo, como se estivessem sobrevoando uma área, linkando insights alguns diriam.

Se você apertar play no disco essa ideia fica mais clara com a abertura de quase dez minutos, a ótima ''Fog By The Steep''. Note o approach de cada instrumento. A guitarra surge calma, a batera, o baixo... Tudo por um bem maior, mas aí do nada a coisa explode. O caos não surge entregando o ouro logo de cedo, sentimos peso mas é tudo em prol da lisergia e, quando o vocal aparece, o som fica contemplativamente cru.

As tramas não são óbvias. Não existe aquela fórmula maçante de começar pesado e ir aliviando ou o contrário, o lance é embarcar nessa viagem linear, que sempre mantendo um meio termo entre pesado e soft trip, deixa a mente do ouvinte em pleno equilíbrio dentro da saga, tal qual um rolê de elevador panorâmico.

É uma viagem em co autoria com você mesmo. Seu corpo fica em stand by, modo avião e aí sua mente está livre para sair planando por aí. Acredito que temas como ''Wind Seized'', ''Sworn Collision'' ou a dopante ''Deep Hardened Woods'' retratem o caminho que seu fluxo de consciência faz, a partir do momento que consegue liberdade.

E a absorção de tudo isso é muito tranquila, nada de muita densidade sonora, a barreira é bem leve, repleta de feeling e peso (como em ''Clang''), e bem trabalhada para render muitas notas em devaneio, apresentando um todo com 60 minutos de uma viagem que se mostra honesta desde a capa, fazendo o papel de um ácido tribal... A faixa título é um chá de efeitos, um culto com ótimos vocais por parte de Karl Apelmo e a necessidade de expressar os percalços de vossa mente. 

3 comentários:

  1. Essa primeira faixa é viajante demais, não consegui ouvir o álbum todo, mas a lisergia é total mesmo, parabéns pelo post Guilherme!

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  2. Agradeço pelo elogio Vinicius, de segunda a sexta rola uma jam por aqui! acompanha no face se puder aí vc não perde nada!

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