Red Mess - Crimson EP

O cenário Stoner do nosso país está indo muito bem, obrigado. E para você, caro menino leite com pêra, que desacredita no bom trampo do som macio (já dizia Gustav Zombetero), conheça a caravana terapêuticamente arrastada dos paranaenses do Red Mess, e o EP debutante do trio, que apresentando DNA clássico desde o nome (''Crimson EP''), foi um dos grandes lançamentos do falecido 2014 e zombie 2015... Aqui em solo canário e fora da casa do Pedrinho também, claro.

Line Up:
Douglas Labigalini (bateria)
Lucas Klepa (baixo)
Thiago Franzim (guitarra/vocal)



Track List:
''Trapped In My Mind''
''Hole''
''Stoneage Coopers''
''Through The Trees''


O brasileiro de uma forma geral tem um mania que muito me irrita, nós nunca elogiamos nada com o devido crédito, mesmo se tratando de um exemplar de nossa própria arte! E o Rock é o estilo que mais sofre com isso, só que igual o Muhammad Ali em seus tempos áureos, nem o George Foreman consegue capotar a perseverança do headbanger.


E quando um som faz relativo barulho aqui, a grande ''prova'' no fim das contas é chegar na gringa, que diferentemente desta terra, apoia o Rock 'N' Roll com uma paixão que nem torcedor do Corinthians nutre pelo time. E se você desconsiderar o fator ridículo, e simplesmente começar a ignorar grande parte da malha de ditos ''fãs de Rock'', o que sobra é a nata que apoia o movimento, nata esta que está crescendo de maneira muito promissora e promete não qualhar jamais. Seja dentro do nosso país ou olhando no Atlas do cenário advindo do exterior, que além de fermentar a cozinha do underground, fez com que todas as bandas de garagem aumentassem o grau de profissionalismo e mirassem a escopeta no alvo ''reconhecimento''.

E foi exatamente isso que o Red Mess fez. O trio firmou as bases trabalhísticas (sem PT), após iniciarem as atividades em 2011 com o nome de Sküllage Coopers, e depois de gravarem um EP em 2012 e um single em 2013, o próximo passo foi dado, era hora de elevar o padrão: Era o momento de lançar a biriba no cenário nacional e soltar a Little Boy nas águas internacionais. 

Causando uma tsunami chamada Red Mess, que dando caldo até em ouvinte experiente virou notícia em tudo que foi site americano, russo, alemão e Satânico. Mostrando que além de muito competente, a cena brasileira sai do clássico som que ''chove no molhado'', e ainda serve de silver tape pra lacrar o indivíduo que diz que só se exporta porcaria daqui, até por que apenas uma Abraxas não faz verão, porém é de saldo positivo notar a movimentação de vossa cena nos últimos anos, o lance é viralizar o som de quem faz barulho por amor a perda da audição e nada mais.


E esse trio vive pra isso, creio que em termos de qualidade esses caras vão virar modelo pra muita gente que está fervilhando amplificadores por aí, fiquei realmente impressionado com o som. Você escuta o EP e nota que não tem ponto mais fraco, é tudo mais decidido que muqueta ao pé do ouvido.

Aliás são quatro delas muito bem distribuídas, que juntas, totalizam 22 minutos de ótimo música. Começando pela faixa mais longa do trabalho, a que faz juz a toda procrastinação do Stoner, o arrastão chamado ''Trapped In My Mind'' e as linhas siamêsas do baixo de Lucas Klepa (que além de arrebentar no disco ainda teve o talento de desenhar a arte), e do nada delicado Douglas Labigalini, a união de urânio que faz a cozinha ficar no chão e deixar o indivíduo Thiago Franzim com o caminho livre para preencher a trilha 666 com riffs, belos solos e ainda matar o vocal no peito com uma naturalidade assustadora.


Aliás o entrosamento dos caras é violento, vale ressaltar inclusive que o EP foi todo gravado ao vivo e a qualidade do som ficou muito boa, fora que a criatividade dos caras ajuda muito. O trio casa o barulho, vai cada um para um lado, não importa, no fim tudo está no tempo certo e quem ganha é o ouvinte, ''Hole'' por exemplo é de gratinar o cerebelo, o baixo sola e você não acompanha nem com o dedo, a guitarra entra rasgando e a batera entra num pique de psicodelia entre viradas que deixa o resenhista zureta.

Stoner do bom e do melhor que além de muito bem feito destaca a banda dentro deste concorridíssimo cenário, justamente pelo fato de não ser repetitivo, ''quadradão'' como dizem na gíria. ''Stoneage Coopers'' mostra uma malemolência no groove que dá até pra arriscar uma influência Funkeada, e o feeling da instrumentação deixa tudo mais requintado e grandioso, rola até uns backing vocals meio psicografados pelo Chico Xavier, isso sem falar na faixa de encerramento.

''Through The Trees'' entra como meu principal destaque quase que de forma paradoxal (por se tratar da faixa mais leve do EP), onde o feeling de Thiago surge com a mesma energia de seu competente vocal... E por último, porém jamais menos importante, créditos para o dono da penúltima foto ilustrada, muita astúcia pelo lado negro das lentes de José Robertstones, e fiquem ligados no Facebook da banda pois esse ano teremos muita coisa rolando. E caso você não tenha ouvido o EP clique aqui para tentar compensar o tempo perdido.


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