John Mayall's Bluesbreakers - Live In 1967

Quando se fala em John Mayall's Bluesbreakers, o primeiro nome que surge na mente das pessoas nem é o do idealizador do projeto, o fantástico John Mayall, mas sim do futuro slowhand, o ainda não deus (Clapton Is Not God Yet), Eric Clapton. Mayall sempre teve uma mão para guitarristas que é simplesmente absurda, Clapton é o mais famoso, mas é válido ressaltar que ainda teve Mick Taylor, Walter Trout, Coco Montoya, Harvey Mandel, Peter Green e mais recentemente, Rocky Athas.

Só que no geral os fãs se lembram apenas de Clapton e Mick Taylor, pois ambos ganharam fama global depois de tocaram com o Blueseiro multi instrumentista. Taylor por sua grande passagem pelos Stones, gravando os trabalhos mais famosos da banda e Clapton por formar o Cream e depois sair numa das carreiras solos de maior sucesso na história da indústria fonográfica.



Só que Peter, assim como Eric, só gravou um disco com os Bluesbreakers, falo sobre o excelente ''A Hard Road'', LP de melhor ou mesmo nível do clássico ''Bluesbreakers With Eric Clapton'', lançado um ano antes, em 1966. De fato, notamos que Peter Green não é mais lembrado por falta de sorte, pois trata-se de um músico do mesmo gabarito de seu conterrâneo e, quando substituiu Clapton, mostrou talento na sua única gravação com o grupo e continuou esbanjando técnica quando saiu em 1967 para formar o Fleetwood Mac.


E para comprovar que Peter foi, é e sempre será um dos grandes pilares da guitarra, John Mayall tratou de desbravar suas gravações engavetadas e surpreendeu o mundo ao resgatar algo que poucos sabíamos que existia, falo de ''Live In 1967''. Registro ao vivo lançado em 2015 (mais especificamente no dia 21 de abril),  que foi gravado po um membro da platéia, num dos primeiros momentos que Peter subiu ao palco com os monumentáis Bluesbreakers, comprovando toda sua importância dentro da banda, relembrando seu nome em momentos de baixa e encerrando um ciclo que para ele recomeçou no Fleetwood e para Mayall voltou aos trilhos com Mick Taylor.


Track List:
''All Your Love''
''Brand New Start''
''Double Trouble''
''Streamline''
''Have You Ever Loved A Woman''
''Looking Back''
''So Many Roads''
''Hi Hell Sneakers''
''I Can't Quit You Baby''
''The Stumble''
''Someday After Awhile''
''San-Ho-Zay''
''Stormy Monday''


Além de resgatar uma pérola da curta fase de Peter Green, esse ao vivo, gravado em apenas um canal, pelo holandês Tom Huissen, eterniza um momento que apesar de curto, foi de grande relevância e qualidade dentro não só do âmbito do Bluesbreakers, tampouco de Peter Green, mas da música de forma geral.

E como essas fitas foram gravadas em 1967, é válido ressaltar o trabalho do produtor Eric Corne, que junto de Mayall, conseguiu resgatar as gravações e repaginar o som praticamente Low-Fi das mesmas, cumprindo a tarefa de nos brindar com mais de 70 minutos ao som do blend único de Blues-Jazz-Rock do incansável John Mayall.


Aqui temos um set list bastante característico da época e um show realmente excelente, com uma formação bastante compacta e com uma riqueza de som que é a prova viva do grau de qualidade e inspiração que a banda atravessava no período, onde, vale ressaltar, segue com trabalhos fantásticos durante o resto dessa década e da próxima.

Temos aqui 13 temas, todos eles muito bonitos e com grandes standards do Blues como ''I Can't Quit You Baby'' e ''Stormy Monday'', por exemplo. O ''problema'' é que esse registro pode não agradar os ouvidos que não apreciam nada que não esteja dentro dos padrões Dolby 5.1. Já ressaltei que as gravações foram feitas de forma underground etc e tal, mas o que muitos precisam entender é que foram anos envelhecendo em tecnologia analógica e o trabalho de estúdio que Mayall teve foi tentar tirar os efeitos do tempo o máximo possível.

É uma pena não ter nada ao vivo com qualidade superior, pois Peter Green é de fato um músico fabuloso e merecia algo mais caprichado, só que a história não permitiu que ele ficasse mais tempo, isso é tudo que existe gravado.

Mesmo assim, acredito que o pack é bastante satisfatório, está recheado com o fino do Blues e eterniza uma line up gloriosa e que não gravou apenas aquele ''dico com o Clapton'', os caras fizeram muitos mais, teve ''Jazz Blues Fusion'', também, apenas um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos. O caráter ''baixa qualidade'' ainda aproxima o ouvinte do Blues. ''Have You Ever Loved A Woman'' é uma indagação poderosa!


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Multas no condomínio & shows do Kadavar no Brasil

Morar em prédio é uma merda. Depois de um dia no trabalho tudo que o cidadão mais quer é chegar em casa e escutar um som, mas aí chega seu vizinho e reclama do volume... Esses acontecimentos nos mostram como a vida em si é uma merda, por que o seu som é proibido, mas o pagodão da faxina ou toda a barulheira das reformas alheias, você é obrigado a aturar sem reclamar.

E ontem, depois de inaugurar a semana com uma segunda tediosa, cheguei vivo em casa e estava com um desejo de grávida: queria comemorar minha pulsação com um LP do Kadavar. Não deu 3 minutos, nem deu tempo de acabar ''Black Sun'' que o interfone já tocou. 


Na hora estava no computador e nem me movi para atender, pensei inclusive que estava fazendo um favor ao infeliz, pelo tom de sua reclamação e rapidez, acredito que ele nunca tenha ouvido o som dos germânicos, um grande absurdo, claro.

Só que enquanto ele seguia me ligando e a internet carregava, fui tomado por uma onda de energia que nem uma chupeta no cérebro poderia prover. Tudo que registrei foi que minha mente entrava em curto e o máximo que fiz foi aumentar o volume, não soube explicar ou entender, apenas vi essa foto e fiquei lendo durante umas duas horas enquanto pulava ao som do split dos caras com o Aqua Nebula Oscillator.


Depois de mais ou menos 3 horas, intervalo para umas sardolas de celebração, toda a discografia do Kadavar com discos de estúdios, splits e um ao vivo, desci para tomar um ar e encontrei o síndico. Tentei me esconder, só que ele já contava com a minha astúcia. Resultado: tomei uma multa, mas foda-se, eu vou ver o Kadavar e você, senhor que passa os olhos por essas linhas neste momento, também deveria me seguir e levar um LP de presente para o seu vizinho.

18/09 - Goiânia
19/09 - São Paulo
20/09 - Rio de Janeiro
23/09 - Florianópolis


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Chris Squire - Fish Out Of Water

Existem certos discos que ao serem escutados chegam a desanimar o ouvinte. Não me entendam mal por esta pequena frase introdutória, mas existem certos trabalhos que desencorajam o cidadão a pegar a guitarra de volta (ou seja lá qual for o instrumento de sua preferência), pois o ouvinte logo percebe que dificilmente conseguirá tocar atingindo tal grau de qualidade, e por que não dizer perfeição.

Na ala da virtuose existem muitos discos que deixariam você leitor (e guitarrista de final de semana), completamente envergonhado. Só que tais trabalhos não são de todo mal, são belas experiências, porém deixam claro que você tem duas opções se quiser ser um músico de calibre celestial:


1 - Nascer com um dom.
2 - Praticar até seus dedos entrarem em gangrena.


Este que vos escreve não nasceu com um dom, aliás nunca nem tentei tocar um instrumento, mas acho que até cheguei a declarar por aqui algumas vezes que se tocasse algum, provavelmente escolheria o baixo, o porta voz do verdadeiro Groove, aliás falando nele...


O senhor da foto acima chama-se Chris Squire. Este cidadão foi o meu primeiro baixista favorito, um dos meus grandes nortes e padrões para escolher outros mestres nas quatro cordas. Como a grande maioria das pessoas que conhecem o britânico, conheci seu Rickenbacker durante minhas fritações ao som do Yes, um dos grandes pilares do Prog.

Me lembro que gostei logo de cara do timbre que Chris exalava de seu instrumento. Era algo bastante melódico e que me chamou muita atenção, tanto que me lembro claramente que ao apertar play, tentei ''seguir'' o som do baixo, que em meio a toda aquela dose de viagem e virtuosismo, conseguia se sobressair de maneira brilhante, sempre com belos riffs e linhas bastante inventivas.

O tempo passou e fui conhecendo outros nomes do instrumento. Com o passar dos ponteiros conheci baixistas de Jazz, Funk, Hard... São vários nomes, todos exímios músicos, mas ainda assim tenho uma afeição especial por Squire, e olha que não sou muito chegado em baixistas que usam palheta, aliás esse gênio foi um dos melhores com uma dessas entre os dedos!

Por isso hoje é dia de falar sobre um disco que poucos conhecem, um dos trabalhos solo da trinca do Sr. Rickenbacker, o excelente ''Fish Out Of Water'', clássico LP lançado em 1975, um dos grande discos que o senhor escutará na vida!

Line Up:
Chris Squire (baixo/vocal/guitarra)
Andrew Jackman (violão/piano)
Bill Bruford (bateria)
Patrick Moraz (sintetizadores/órgão)
Jimmy Hastings (flauta)
Mel Collins (saxofone)
Barry Rose (órgão)
Nikki Squire (vocal)



Track List:
''Hold Out Your Hand''
''You By My Side''
''Silently Falling''
''Lucky Seven''
''Safe (Canon Song)''


Esse disco é bem desconhecido, mas de fato não sei o motivo, pois na época do lançamento foi muito bem recebido pela crítica, inclusive com relativo sucesso nas paradas britânicas, atingindo o vigésimo quinto posto.

Talvez o fato que tenha dificultado a divulgação, tanto na época de lançamento quanto recentemente, seja o fato de que achar essa bolacha é bem complicado. Na época a tiragem era bem limitada (mesmo tendo saído pela Atlantic), e hoje em dia pra arrumar um exemplar, ou você compra dos nossos amigos japoneses pagando uma fábula ou baixa pela internet, já que essa maravilha está fora de catálogo desde 2007.

Em relação à sonoridade do disco em si, é importantíssimo ressaltar que não é nada muito inventivo, mas não no sentido que seja um disco comum, não, longe disso! Disso isso para destacar que aqui temos um resultado bem parecido com que já era praticado dentro Yes. E esse fato mostra que o conceito da banda e toda a essência do som tinha grande influência de seu grave, timbre que aqui é bastante destacado, junto  com sua bela e afinada voz.


Abra o disco com ''Hold Out Your Hand'' e siga os passos do baixo do mestre. Note a qualidade do instrumental, veja a excelência do Prog, menos de cinco minutos de Jam e você já está levantando voo! Seja confortado pelos detalhes milimétricos de ''You By My Side'', tema que se desenvolve enquanto Chris entra para aveludar os vocais.

Não se engane pelo pouco número de faixas, são mais de quarenta minutos de negociação, temos takes bem longos como a excelente (e minha preferida) ''Silently Falling'' e sua flauta viajante ao extremo. Momentos de puro brilhantismo como a contribuição chave de Patrick Moraz (tecladista no épico ''Relayer) em ''Lucky Seven'' e sua bela base ao tempero Jazz.

E para fechar o disco, nada melhor do que uma suite, algo que Chris sempre tratou de arquitetar para as obras de estúdio de seu grupo. Só que não é só pelo tamanho que ''Safe (Canon Song)'' é um dos pontos altos do disco, a qualidade instrumental é soberba e a ficha técnica com 8 músicos envolvidos mostra requintes de orquestra.

É uma pena que o mundo siga omitindo registros tão ricos e belos como este, faça uma boa viagem meu amigo, eis aqui um Rock Progressivo de primeiríssima qualidade. Mais do que uma aula de baixo com palheta ou sem palheta, ''Fish Out Of Water'' é uma aula de música e toda sua beleza, sutileza, complexidade e sentimento, vieram de um músico que viveu para tocar baixo. É inspirador.


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A quebra dos padrões psicológicos

Imagine que sua vida vive em função de onde seu pai trabalha e você se muda mais que retirante fugindo da seca. Não cria elo com nada, muda de escola, de casa, muda sempre, sempre alheio. Tudo que você faz acaba carregando um clima passageiro, você só espera uma brecha para fugir e largar mãe e irmãos para alcançar a tão sonhado independência, sem que seu próximo passo seja premeditado pelas viagens de seu pai.

Só que enquanto você paga de gênio, tirando notas altíssimas no colégio, impressionando professores com teses filosóficas milhares de anos luz à frente de seu patamar intelectual, sua vida segue queimando as gotas do tempo em meio a pilhas de Nietzsche e bolachas do Elvis.



Por mais estranho que possa parecer, o primeiro parágrafo narra a vida de Jim Morrison, sim ele mesmo, o vocalista do The Doors. Seu pai era militar, logo, ele, sua mãe e seus irmãos, viviam em função da próxima peripécia que ele e o serviço americano aprontaria, mas se mostrando alheio perante tudo isso e excepcionalmente inteligente, Jim acabou rumando para o caminho das artes, mas antes teve que se libertar de seu pais, o que não foi tão complicado, pois tão logo o colégio tinha terminado, ele já estava com seus avós tramando sua ida para a UCLA.


A UCLA era O LUGAR naquele tempo, era lá que Jim pertencia e era lá que seus ídolos da literatura Beat (como Jack Kerouac), perambulavam. Era a vida dos livros psicografada para o mundo real na saudosa Califórnia, e cursar cinema foi o caminho escolhido para o futuro vocalista, que levando a faculdade com médias bem abaixo das quais concluiu seu ensino primário, não teve problemas para se formar.

Mas bem na última etapa do processo, depois de apresentar uma singular produção com seu nome nos créditos, Jim não aguentou as críticas e largou tudo, ele estava praticamente formado, mas nem se deu ao trabalho de buscar o diploma. No dia da entrega ele estava fumando maconha em Venice Bech.

Tentando expandir as portas da mente, elementar meu caro Aldous Huxley. Bastou um encontro com Ray Manzarek (então chefe do Rick And The Ravens), para que Jim fingisse tocar guitarra, que o embrião dos Doors já começou a palpitar. Aliás, segundo o próprio Morrison, este foi o dinheiro mais fácil que ele havia conseguido em toda sua vida. 

Line Up:
Jim Morrison (vocal/percussão)
Ray Manzarek (piano/teclado/vocal)
Robby Krieger (guitarra/vocal)
John Densmore (bateria/vocal)
Larry Knechtel (baixo)
Paul Rothchild (vocal)



Track List:
''Break On Through (To The Other Side)''
''Soul Kitchen''
''Crystal Ship''
''Twentieth Century Fox''
''Alabama Song (Whiskey Bar)'' - Kurt Weill/Bertolt Brencht
''Light My Fire''
''Back Door Man'' - Willie Dixon/Chester Burnett
''I Looked At You''
''End Of The Night''
''Take It As It Comes''
''The End''


A música do Doors tende a parecer vaga para muitas pessoas por que até hoje não se sabe como Jim morreu, nem se ele de fato não morreu. O vocalista sempre tratou de deixar bem claro que todos eram iguais dentro da banda, inclusive, mesmo compondo a maior parte das músicas, fazia questão de dar crédito coletivo.


Para este que vos digita, Jim viveu intensamente desde o momento de seu nascimento até um pouco antes da conclusão de seu último disco em vida, o fantástico ''L.A. Woman'', LP que marca o começo, a intensificação e o ápice de seus problemas psicológicos. A questão era lidar com sua própria imagem de Rockstar desajustado, reflexo esta que ele odiava e que por meio da poesia e do cinema, tentou, sem sucesso, alterar.

Creio que em certo ponto a expansão das portas tenha ficado em segundo plano, Morrison fez de sua vida um experimento, desde o que escolhia para temperar a química de seu corpo, até o modo como lidava com as pessoas.

Ele fazia delas mais profundas e tirava o pouco que de fato lhe interessava. Sua vida foi intensa e a forma devassa e com clara inspiração poética com a qual guiou seu romance Dionisíaco, deixa isso claro, mas o que nos encantada em relação a sua imagem e seu legado, é o por quê de tudo isso.


Repare que Mr. Mojo era um anti Rockstar completo, aliás para só um cara se equipara nesse estilo com ele, Jerry Garcia do Grateful Dead. Ambos viviam jogados por aí, absolutamente alterados, mas sempre se importando em passar algo válido, e o erro para mim, pelo menos a respeito de Jim, foi viver com uma imagem que ele não poderia alterar. Apesar de possuir todas as ferramentas para poder fazê-lo, ele simplesmente não conseguiu.

No palco nunca ninguém teve uma movimentação similar a do vocalista, ninguém nunca parou uma música e ficou em silêncio por vários minutos para incitar um tumulto, se jogou no palco e por lá ficou, ou até mesmo virou de costas para começar a improvisar longos diálogos. Seu amado cinema e poesia tinham função predominante no show do Doors.


Nenhuma banda na história deste planeta atingiu esse grau de inexplicabilidade. O Doors era uma força da natureza e cada detalhe, desde a batera Jazz de John Densmore, até a guitarra pouco citada, mas de interessantíssimo fraseado do criativo Robby Krieger, culminando na mão esquerda baixista e direita tecladista do grande Manzarek, uniu o todo ácido no ponto cego de nome James Douglas Morrison.

Posso escrever por horas, voltar bêbado, retornar chapado e me entupir seja lá do que for, mas nunca teremos uma fórmula para este som, nem respostas para tudo que o permeou e outrora formou a música dos californianos.

Todos eram diferenciados, intelectuais, artísticos e a procura de um ''algo a mais'' que nunca será encontrado, tampouco entendido. Pode ser uma prova teórica (em vinil), para o entendimento de uma tese filosófica inconclusiva sobre o impacto deste fenômeno psicoativo.


Pode ser ao som de ''Break On Through'', as panelas de ''Soul Kitchen'', a tecladeira malhada e nervosa de ''Twentieth Century Fox'' ou dos cigarros acesos ao som de ''Light My Fire''... O que melhor explica o Doors é ''The End'' e ela continua sem legenda...

Digo apenas que é único, fantástico e fruto de algo que não merece ser torturado até criar algum néctar de informação. Escrever sobre essa banda nunca pode ser algo definitivo, algo sempre fica em aberto e eu prefiro que seja a música. Garanto que Morrison estaria rindo dessa falta de conclusão, mas foi aqui que o dilema começou, com gosto de sangue, alucinógenos, requintes de bruxaria e um Whisky para passar o tempo... Set The Xamã Free!

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Wolfmother - New Crown

Quando Adrew Stockdale liberou ''Keep Moving'' como um disco solo, tive plena certeza que o Wolfmother ia acabar. Escutei o disco, gostei, mas vi que além de não ser tão bom quanto a estréia de sua band, (no auto intitualdo de 2005), muito menos pesado, igual ao segundo trabalho (com a quebradeira de ''Cosmic Egg'' lançado em 2009), percebi também que a energia era outra.

Depois que ''Cosmic Egg'' saiu, a crítica se rendeu mais uma vez, e depois da extensa tour mundial era hora da próxima cartada, mas o problema foi exatamente esse, a tour e a cartada do futura. O baterista Dave Atkins largou o barco e foi trocado por Will Rockwell-Scott para a finalização dos shows marcado e depois disso os boatos para o próximo bolachudo de inéditas começaram a brotar.


2011 seria o ano do CD que fecharia a primeira trinca da banda. Primeiro fora imaginado que sairia em novembro, meses depois a data mudou e foi transferida para o começo de 2012, mas ai o circo começou a bater em retirada. Em fevereiro foi anunciado que Aidan Nemeth (guitarra) e Will Rockwell Scott (bateria) estavam de saída e como o show não pode parar, Stockdale recrutou outros nomes, junto com Ian Peres (o único remanescente) e fechou outra encarnação do Wolfmother, desta vez com:

Andrew Stockdale (guitarra/vocal)
Ian Peres (baixo/vocal)
Vin Steele (guitarra)
Elliott Hammond (teclado/percussão)
Hamish Rosser (Bateria)


E ai tudo mudou, o disco foi regravado, a banda saiu numa pequena turnê-teste, tocou algum material do novo trabalho disco e, só em 2013, que o CD saiu. Só que não parecia o Wolfmother do começo, a sensação que me deu foi que eles regravaram tudo que existia em estúdio e lançaram como se fosse um fardo, o fim de uma era.



Era o fim... Porra nenhuma, quando viramos o calendário de 2013 para a transição 2014, Andrew resolveu eletrificar a viagem mais uma vez chegou e Wolfmother veio com mais um ótimo disco. Surpreendente é pouco para definir o estrago que ''New Crown'' fez nos meus falante, os caras arrebentam com louvor, de forma independente, em forma de Power Trio e fazendo muito barulho.

Line Up:
Andrew Stockdale (guitarra/vocal)
Ian Peres (baixo/teclado)
Vin Steele (bateria)




Track List:
''How Many Times''
''Enemy Is In Your Mind''
''Heavy Weight''
''New Crown''
''Tall Ships''
''Feelings''
''''I Ain't Got No''''
''She Got It''
''My Tangerine Dream''
''Radio''
''I Don't Know Why'' - primeira versão do Bandcamp


Em comparação com ''Cosmic Egg'' a banda deu uma mudada na cozinha, aliás quando acabei de escutar o disco pensei que tinha sido algo bem estratégico. A Jam soou Stoner ''demais'' para o meu gosto. E já que atualmente parece que é moda dizer que tal banda toca Stoner só para ganhar notoriedade (em virtude de toda a atenção que o gênero vem recebendo), é normal ficar com o pé atrás.

Mas depois de muito pensar a respeito, vejo que foi outra aresta da musicalidade do grupo, que agora reformulado, procura por campos ainda inexplorados. Campos que tem em ''New Crown'', um excelente e novo começo, fulminante desde o primeiro segundo com ''How Many Times''.


A banda toda soa muito bem e como é de praxe em power trios, os três instrumentos travam embates épicos. A bateria monta um front de batalha na base, o baixo tenta preencher os espaços e abafa a cozinha, enquanto os riffs vem como a cereja do bolo.

Não necessariamente nessa ordem claro, senão perde a graça, tudo muda e nada tem lugar fixo, temos hits em potencial como ''Enemy Is In Your Mind'', amostras de pura criatividade com a letargia de ''Heavy Weight'' (aliás essa música é uma das melhores do disco), a bateria entra um milésimo de segundo atrasada, você ficará levemente dopado, um tesão de som!



Mas dura pouco, por que a faixa título levanta a casa toda, aliás o baixo é fantástico nesse take e Stockdale mostra muito talento nos solos e na voz. Mas mesmo com um inspiradíssimo frontman, meu destaque vai para Ian Peres, que arrebentando no baixo, ainda se desdobra para cobrir um turno na tecladeira e adicionar ótimas doses de psicose à cozinha, que além de tirar o som de uma aparente mesmice, revigora cada quebra-quebra que vem surgindo.

''Tall Ships'', ''Feelings'', ''''I Ain't Got No''''... Um tiro atrás do outro, só muqueta sonora. ''Tangerine Dream'' vicia mais que crack, são 45 minutos de um disco voraz e absolutamente certeiro.

Andrew Stockdale, a chefia da boca de fumo desta jam, é uma das grandes mentes criativas que surgiram nos últimos tempos e uma banda que apareceu com uma estréia tão épica tal qual a destes caras não poderia morrer sem mais registros com o mesmo nível de qualidade. Finalize a sessão com ''Radio'' e recomece, comece, repita, esse ai vai grudar o cordão umbilical na agulha do vinil, até a faixa bônus esbanja riffs!


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Gary Clark Jr - Live

O Gary Clark Jr começou a pertubar meu pacová. Nos últimos dois anos ele ganhou muita popularidade, o que para um músico nunca é ruim, mas a forma que ele chegou nesse ponto muito me intrigou. Antes mesmo de ter um disco ele já tinha tocado em duas edições do Crossroads, feito aberturas para shows do Clapton  e aparecido em todos os programar de TV's possíveis e imagináveis.

Quando seu disco finalmente saiu o sucesso foi imediato, mas foi seu conteúdo que me distanciou do Bluesman. Conhecia seu som na época que o negrão só tinha EP. Nesta época sentia uma outra energia quando ouvia seu som, um simples ato de sinceridade para com o Blues, que pelos excessos burocráticos dos managers, o levaram até para a cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame, como convidado claro.


Em 2012, com o lançamento de ''Blak And Blu'', minhas suspeitas começaram. Já vi esse cara ao vivo, ele manda muito bem, mas no disco a coisa ficou muito Pop e de Blues mesmo pouco se viu, porém novamente o ciclo se repetiu: mais programas de TV, Lollapalooza Brasil e Chicago, e quando pensava que os caça niqueis iriam continuar a girar a máquina deu uma pausa, e uma pausa decente, uma pela qual sempre esperei. Desconsiderem o ''Blak And Blue'', ''Gary Clark Jr Live'' (lançado dia 23 de setembro de 2014) é o inicio de tudo e um início duplo.


Track List:
''Catfish Blues''
''Next Door Neighbor Blues''
''Travis County''
''When My Train Pulls In''
''Don't Owe You A Thing''
''Three O'Clock Blues''
''Things Are Changin'''
''Numb''
''Ain't Messin 'Round''
''If Trouble Was Money''
''Third Stone From The Sun/If You Love Me Like You Say''
''Please Come Home''
''Blak And Blu''
''Bright Lights''
''When The Sun Goes Down''


Nos últimos 18 meses Gary e banda estiveram em uma tour que não teve pausa nem para idas ao banheiro. Enquanto os shows passavam o material para esse disco começava a ser selecionado. Temos aqui 15 grandes faixas e em todas elas o guitarrista americano confirma seu talento e finalmente o faz com todo seu potencial, sem forçar nada na veia Pop.

O problema não é ser comercial, o ponto crucial é fazer isso de uma forma benéfica e em seu primeiro disco ele errou a mão neste aspecto, aqui não. Aqui tem ''Catfish Blues'', mais de dez minutos de ''Third Stone From The Sun/If You Love Me Like You Say'' e muita fritação com um dos pontos altos de seu show, o feeling de ''When My Train Pulls In''.

Uma coisa que vale ser ressaltada aqui é a naturalidade de todo esse CD. A energia é excelente e a banda que apoia o blueseiro é ótima, sempre exalando entrosamento e indo de acordo com o nortes da biruta do Blues, sem setlist e sem overdubs. De fato senhores, o que se escuta aqui é Blues e nada mais.


Para os mais ferrenhos fãs deste cidadão vale destacar uma coisa: muitos o chamam de ''Salvador do Blues'', mas quem disse que o Blues precisa ser salvo? Ele é um bom guitarrista, faz belas apresentações, mas sem exageros, o Derek Trucks, por exemplo, toca muito mais e nem por isso ele vai salvar o Blues.

São mais de 90 minutos de muito som e o mais importante, mesmo sendo bombardeado pela mídia, é que o cidadão Clark não demonstra ter mudado. Acompanho sua carreira, vejo entrevistas e etc... O moleque tem cabeça boa, toca por que gosta e a identidade de seu som é essa que sai pelas caixas, só não vamos exagerar, ele está segurando a onda e o Blues está nos falantes, o resto é o resto, agora é esperar pela confirmação deste bom momento no próximo trabalho de estúdio.


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Fagocitando o Black do Herbie Hancock & o Groovy dos Head Hunters

Quando a pressão sobe mas ai seu corpo decodifica que foi você que caiu. Depois que o cérebro já entra em pleno estado de confusão mental, mas você acha daora. Logo após sua mente começar a registrar devaneios ácidos, impossíveis mas ainda assim... Interessantes?!

Aquele momento onde o ritmo toma conta de tudo, faz você querer prestar atenção em todos os factos e no fim apenas direciona mentes com bússolas desconexas a se perderem em nada, por nada, andando por ai como um fritador qualquer, batucando cada linha Funky que segue e sucede, e quando acaba, olha para o chão aflito com os rastros de... Swing! E claro, seus neurônios que ficaram pelo caminho do Fusion-Funkeado.


Quando você notar que todos esses sintomas estão aparecendo não chame um médico, relaxe. Saiba que o pior que pode acontecer é ver seu cérebro escorrendo entre os dedos, mas a perda de massa encefálica ainda é válida, o caminhar cintilante de camadas jazzísticas ainda manda um padrão para sua mente, a perda total ainda está sob controle.

Substâncias perigosas:
''Chameleon''
''Watermelon Man''
''Sly''
''Vein Melter''


Você está apenas andando no ritmo do riff de ''Chameleon'', quando você fazer o air drumming das viradas bateiristicas, ai sim quer dizer que temos um problema. No mais, siga revendo as camadas, as auroras do baixo, o tilintar do acabamento em cordas e o sussurrar das percussões nocivas ao elemento racional.


São 15 minutos de cirúrgica maestria Jazzística. Se você está acordado após essa baforada de diferentes substâncias em emulsão sonora, o próximo ato é esperar pelo ''Watermelon Man'' e suas passagens faraônicas, com pouco mais de sete minutos adventistas e que comprovam o funcionamento correto de um corpo, caso ninguém apague.

Essas notas ficaram na conserva, o fluxo de consciência instrumental acabou criando algo que é mais forte do que a própria ideia. A maturação de conceitos em notas musicais conseguiu elevar uma fermentação explosiva e que solta faíscas em toca discos, mas que mesmo assim é improvisada nem que seja com soldas, para que o mundo possa sentir o véu de seda e seus slaps que não explicam nada, mas que com dúvidas, nos fazem ver que este som é apenas uma trilha para o funcionamento mais básico de suas missões corpóreas.

Laboratório:
Herbie Hancock (piano/sintetizadores/teclado)
Benny Maupin (saxofone/clarinete/flauta)
Paul Jackson (baixo/percussão)
Bill Summers (percussão)
Harvey Mason (bateria)


''Sly'', grande pilar dessa construção abstrata, é o que mais causa complexos. As ondas se chocam com uma percussão que tenta levar o sentimento para um lado. O instrumental nota e joga o verde pra não resetar os corpos celestes, mas o piano, ah o piano...

Ele entra com o riff e o sax assovia a insanidade. Os sintetizadores cravam a decisão e a percussão sai... Mas a homenagem a um dos nomes de maior prestígio no cenário Black Power prevalece, mesmo que a essa altura você nem sinta mais nada, saiba que foi Sly Stone que inspirou essa absorção de Morfina.



A trama tem vontade própria. A brisa bate. O Black sente que a estrutura se alterou mas não desiste, ruma para as profundezas, e veja só, ainda reencontra as origens aborígenes do caldeirão de palmas em congas. A parte ''A'' desta homenagem para a família Stone atiça os ossos. A ideia segue uniforme, nada se fragmenta, apenas os efeitos da audição, algo que varia entre os ouvintes mais experientes ou não, como diria Caetano Veloso (ler a bula).

O sax sobe e desce, o teclado explora todos os cantos da parte branca (ying) e da enegrecida (yang), mas a fusão nesse caso é ignorada, o resultado é um todo mirabolantemente complexo que leva a uma senhora confusão.

São indicadores rebolativos altíssimos para os padrões da época (1973), e que até hoje ecoam incertezas sobre efeitos negativos em seu uso, tudo em meio à ruídos que nos remetem ao último check point do Mario e a suíte que impede que (ao menos alguns senhores), não entrem em colapso.


Sendo que''Vein Melter'', comprova que pelo menos os músicos que criaram todo esse mítico ensaio sobre os poderes da exploração do cerne negro sabiam o que estavam fazendo (ou narraram a alquimia do efeito desses acordes para alertar o twin, não se sabe ao certo). Registrando com exatidão e maestria, toda a força do Funk depois que este para de ser quadrado, mas também sem assumir sua forma específica, tornando-se uma massa que apenas se adapta...

Herbie Hacock foi quem chefiou as pesquisas com groove em célula tronco e veja só o que saiu em vinil... A massa se adepta a tudo, faça os testes ao longo de sua vida e fique esperto, broto: Se o Herbie Hancock não paga indenização, não espere que este resenhista-guerrilheiro-cósmico compre o seu Diazepam em virtude do uso excessivo deste estupefaciante.

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Iron Butterfly e a fritação Live In Sweden 1971

O Iron Butterfly foi uma das bandas mais importantes dentro do Rock, ainda mais no meio Psicodélico, mas hoje em dia eles não são muito lembrados, aliás a última vez que eles apareceram na mídia foi com o triste falecimento do baixista da banda, o grande Lee Dorman que nos deixou em 2012.

O Iron (que não o Maiden) gravou discos excelentes, a genialidade dos caras não ficou restrita ao mítico (e um dos discos mais vendidos de todos os tempos), ''In-A-Gadda-Da-Vida'', e os verdadeiros fãs da banda e de música de uma forma geral sabem disso, mas de que adianta perceber isso agora que a banda já chegou ao fim?

Adianta tudo, é questão de todo um legado meus amigos, quem não é visto nunca será lembrado, e o Iron foi visto, teve todo prestígio que poderia, mas desde 2012 que o som não pulsa, e eles precisam continuar nas caixas de som renovando seu ciclo de fãs, sempre mantendo aquela chama do Psicodélico acesa, mantendo aquele arrepio do bom quando se ouve algo novo. E para tal os donos da obra da banda se uniram ao selo Cleopatra Records e deram início a uma bela série de lançamentos ao vivo que pelo visto não terá um fim prematuro.


O primeiro disco da série (''Live At The Galaxy 1967'')  saiu dia 27 de Maio de 2014  e foi gravado no icônico Galaxy Club, conhecido por abrigar muitas das fritadeiras que surgiram na Califórnia do fim dos anos 60 e começo dos 70, bem ali, no coração da Sunset Strip.

O segundo CD é o da resenha de hoje, é um registro estrondoso gravado na Suécia em 1971 com uma banda reformulada, bem mais experiente e já consagrada no meio fonográfico, com 4 discos de estúdio na bagagem. E o terceiro CD da série será o ''Live In Copenhagen 1971'', trabalho que vai sair dia 19 de agosto com a mesma line up do ''Live In Sweden'' e com uma participação do Yes na última Jam dos caras em seu show derradeiro na Europa.

Line Up:
Doug Ingle (teclado/vocal)
Lee Dorman (baixo)
Ron Bushy (bateria)
Mike Pinera (guitarra/vocal)
Rhino (guitarra)



Track List:
''Butterfly Bleu''
''In-A-Gadda-Da-Vida''
''Possession'' - bônus
''Evil Temptation'' - bônus
''Don't Look Down On Me'' - bônus


De todos os que saíram esse aqui é o melhor deles. São apenas cinco temas, sendo que os dois primeiros já chegam chegando e rompem 20 minutos de Jam! As últimas três faixas são bônus e também são ótimas, mas o verdadeiro show está nas duas primeiras. O reverendo Mike Pinera arrebenta, sola o disco todo e haja efeitos, chega uma hora que não tem mais com o que fritar e surge uma Talk Box épica na jogada.

Todos trituram seus respectivos intrumentos, mas Pinera fica um degrau acima dos outros pela loucura demonstrada, este aliás foi um dos músicos que mais fizeram pelo Iron Butterfly. Outro fato importantíssimo de ser ressaltado, (talvez até mais do que a performance chapadíssima de Mike) é a mixagem desse disco. Gostaria de saber especificamente quem foi o indivíduo responsável pelo baixo. Escuta-se tudo absurdamente bem, mas o baixo entrou com um peso e uma definição assombrosa, Lee Dorman foi de fato um dos maiores expoentes do instrumento.


O único defeito desta série é que não vai sair nacional. O label é de uma divisão menor, logo a única opção é comprá-lo importando por 60 mangos, vale deverás a pena, mesmo com o digipack meio ''simples demais''. Este registro também salienta outro fato, a força que a borboleta de ferro tinha ao vivo, O ''Live'' de 1970 é um dos maiores registros ao vivo que conhecemos, este aqui também não faz feio, um show de fato insano, uma das melhores coisas que saíram neste ano.

Juntando os bônus temos uma hora de som, mas nem precisava de bônus, só o estrago de ''Butterfly Bleu'' e da clássica ''In-A-Gadda-Da-Vida'' já valem o disco, só ai temos 90% do conteúdo alterador de percepção.


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George Benson - The Other Side Of Abbey Road

Vinte e 6 de setembro não é um data histórica, mas deveria. Antes que você corra para o Google achando que não sei que você não sabe sobre que dia estou falando, já mando logo na lata: ''Abbey Road''. Neste dia saiu a obra prima dos Beatles, o disco derradeiro, pra mostrar não só para o mundo, mas para os próprios músicos, que eles estavam acima da média.

Depois que esse LP saiu a repercussão foi tanta, que nomes realmente respeitado por aí ficaram completamente embasbacadas com o resultado das gravações do fab four. Algo que não fica bem explanado apenas com essa frase, precisa de exemplos e George Benson é um dos que costuma exemplificar melhor o estrago deste clássico.


Alguns fritaram tanto no décimo primeiro trabalho de estúdio da banda, que colocaram em suas respectivas cabeças que precisavam pagar tributo por terem a oportunidade de escutar algo tão precioso. Foi algo como pagar um dízimo por tal musicalidade.

Primeiro veio o Booker T. & The M.G.'s que capitaneados por Booker T. Jones, lançou (em abril de 1970) o belíssimo ''McLemore Avenue'', o ''Abbey Road'' da visão negra, Jazzística e repleta de R&B da coisa. O resultado foi tão primoroso quanto o trabalho dos Beatles, mas como quem criou todo o disco para que Booker T. pudesse mudá-lo sob sua própria legislação foi os Beatles, primoroso mesmo é o original.

Só que isso não foi tudo. Outro cidadão que se sentiu na obrigação de agradecer a poesia de Lennon e Cia foi o grande guitarrista de Jazz George Benson, que assim como Booker T. Jones, resolveu compilar os takes em belas Jams e (para variar) criou algo de fato brilhante. Sempre achei que ''McLemore Avenue'' era o melhor cover de Beatles já feito, mas aí ouvi ''The Other Side Of Abbey Road'' e parafraseando Zygmunt Bauman: ''Tudo que é sólido se desmancha no ar''.


Line Up:
Raoul Poliakin (violino)
Marvin Stamm (trompete)
Ernie Hayes (órgão/piano)
Wayne Andre (trombone)
Bob James (piano/órgão)
Bernie Glow (trompete)
George Benson (guitarra/vocal)
Freddie Hubbard (trompete)
Ron Carter (baixo)
Mel Davis (trompete)
Ed Shaughnessy (bateria)
Don Ashworth (saxofone)
Jerry Jemmott (baixo)
Sonny Fortune (saxofone)
Idris Muhammad (bateria)
Jerome Richardson (saxofone/clarinete/flauta)
Phil Bodner (flauta/oboé)
Ray Barretto (percussão)
Hubert Laws (flauta)
Herbie Hancock (órgão/piano)
Andy Gonzales (percussão)
George Ricci (violoncelo)
Emanuel Vardi (viola)



Track List:
''Golden Slumbers''/''You Never Give Me Your Money''
''Because''/''Come Together''
''Oh! Darling''
''Here's Come The Sun''/''I Want You (She's So Heavy)''
''Something/''Octopus's Garden''/''The End''


Sem querer comparar os dois discos, mas caso você não tenha ouvido nenhum deles é bom saber um pouco mais sobre as estruturas que regeram os dois trabalhos. Como disse acima, o trampo da banda de Booker T. era mais Soul e R&B, por isso sempre achei a versão de George Benson mais completa e competente.

Não que ''McLemore Avenue'' seja ruim, mas senti por parte de Benson que ele levou a coisa mais a sério, são menos de 35 minutos de Groove, mas quem escuta percebe não só a complexidade do trabalho, mas também nota que ele quis elevar o padrão da música que o Beatles trouxe com ''Abbey Road''. Booker T. fez releituras, Benson desmembrou as partituras e remodelou tudo com base no melhor do Jazz e uma roupagem clássica infalível, algo que o gênio ainda fez sem perder a fidelidade do som original.


Se o senhor achar este disco em algum lugar compre, é bem raro e quando se acha para vender o preço é absurdo, se bem que se visse um dando sopa pagaria o preço que fosse necessário! Alguns amigos acham que é brincadeira, mas esse é um dos melhores trabalhos que Benson já fez e um dos melhores registros que já escutei na vida.

Vocês devem ter notado o tamanho da lista de músicos que foi necessária para preencher o instrumental desse disco, portanto a perfeição de ''Golden Slumbers''/''You Never Give Me Your Money'' é absolutamente justificável. A parede de metais, o piano, o baixo sensacional de ''Because''/''Come Together'', o brilhantismo de Benson e sua semi acústica em ''Oh! Darling'', que voz, sentimento puro!

Quem me conhece sabe que sempre tive dificuldade com os Beatles, mesmo com o ''Abbey Road'', mas esse trabalho revela os temas com uma visão que muito me agrada, gosto do original, mas esse e o ''McLemore Avenue'' me traduzem as linhas do grupo da maneira que sempre quis que elas fossem realmente.

Trata-se de um momento raro onde o cover consegue sobrepor a gravação original, algo que fica claro quando vemos que até o Herbie Hancock toca nisso aqui. O piano de ''Here's Come The Sun''/''I Want You (She's So Heavy)'' é fantástico, todo o trabalho do violino e da guitarra de Benson são magistrais. São medleys desconcertantes e passagens instrumentais absolutamente brilhantes, quando a bolacha se encerrar (ao som de ''Something/''Octopus's Garden''/''The End'') você vai até se levantar pra aplaudir.


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Larry Coryell - Heavy Feel

O Jazz Fusion é um estilo que possui peculiaridades no mínimo interessantes. Existem pessoas que creditam a viagem ao Miles Davis, outros falam que se não fosse o John McLaughlin não ia ter tanta fritação, alguns relembram o impacto que Jeff Beck teve quando se aventurou no estilo, mas quase ninguém, uma meia dúzia de míseros gatos pingados, credita alguma coisa para o brilhante Larry Coryell, um cara que além de poucos conhecerem, contribuiu da mesma forma (ou até mais), que os faraônicos nomes citados.


E se você anda meio desligado no mundo, saiba também que o que diferencia essa verdadeira dádiva dos deuses com uma guitarra na mão, é que a produção do americano é frenética desde que ele entrou pela primeira vez num estúdio, logo, além de um grande guitarrista, quem gosta do Larry também o faz, pois o americano está sempre gravando.

Aprofundando o alcance do Fusion, dominando a guitarra de uma forma pouco antes vista e pegando a viola acústica de jeito. Para resumir: ''Heavy Feel'', terceiro disco do mestre pela ''Wide Hive Records'', gravado em quarteto e assim como os grandes mestres do Jazz, completamente registrado em 24 horas e lançado dia 05 de maio deste ano.

Line Up:
Larry Coryell (guitarra/violão)
Matt Montgomery (baixo)
Mike Hughes (bateria)
George Brooks (saxofone)



Track List:
''Ghost Note''
''River Crossing''
''The Way It Was''
''Polished''
''Heavy Feel''
''2011 East''
''Sharing Air''
''Jailbreak''
''Foot Path To Oasis''


Mostrando uma banda compacta no topo de seu jogo, ''Heavy Feel'' é um trabalho quase corriqueiro dentro da discografia deste grande músico. Trata-se de uma senhora aula para os entusiastas do Jazz e um grande norte para quem aprecia uma jam mais azeitada e com muitas possibilidades.

A abertura do disco já chega explorando os timbres, seguida por uma batera clássica, apenas iluminando o caminho do groove instrumental. E depois que tudo se estabelece o mestre entra em campo e começa a trilhar mais uma sessão de 40 minutos.

Recheando o disco com temas que mostram que a guitarra é um eterno laboratório para esse velhaco. Mas que é sempre bom trocar de linhas, como na viola tunada de ''River Crossing'', acompanhada por uma belíssima lírica com o sax de George Brooks.


Com esse trabalho, Larry também comprova que um grande músico precisa de grandes comparsas para fazer um trabalho contundente. E aqui o cidadão tem grande nomes a sua disposição, caras novas é verdades, mas que mostram bastante feeling e técnica, como Matt Montgomery demonstra quando requisitado em ''The Way It Was''.

E o que esses caras devem ter aprendido nessa sessão é absolutamente inimaginável. Mas algumas faixas do disco parecem nos detalhar sonoramente. ''Polished'', por exemplo, nos relembra as experimentações com o Fusion quebradeira que o mentor desse projeto tanto elaborou nos anos 70 e a faixa título chega com uma força de banda de Heavy com aquela cozinha ''tight'' que os americanos tanto apreciam.

Sempre dando pequenas pontadas no ouvinte, voltando para o Jazz tradicional nos arpejos de ''2011 East'' e alimentando a bateria esperta de Mike Hughes, aquecendo o balanço em ''Sharing Air'' e mostrando aquela naturalidade que eternizou seu trabalho: notas complexas tocadas da forma mais banal possível, com um feeling estonteante e aquela postura de: ''vou ali fazer um negócio e já volto''. 

Ah Larry, se todo mundo tivesse esse mesmo apetite que você tem na guitarra, o mundo definitivamente seria um lugar melhor. Incontáveis gravações, milhares de elogios e mais um grande trabalho.

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Murilo Sá & Grande Elenco: rolê de Autobahn pelas vielas da augusta

Depois de chegar arrepiando a cena com ''Sentido Centro'' o Murilo Sá & Grande Elenco segue na correria para impactar o ano de 2015, tal qual aconteceu com o debutante que foi tão citado no ano passado. E para comprovar que a viagem do coletivo não fica restrita no estúdio, a chefia da jukebox resolveu lançar um clipe para um dos sons do primeiro disco hitmaker.


E para unir o som com o vídeo, a faixa escolhida foi ''Eis Que Eu Tento Me Entreter'', um dos singles do primeiro trampo de inéditas e um dos grandes momentos deste belo trabalho. Talvez uma das passagens chaves para se compreender toda a baianidade que o multi instrumentista reverbera com um quê de invasão britânica.

Dirigido por Lufe Bollini, o rolê retrofuturista é a trilha perfeita para testar seu Autobahn pelas ruas psicodélicas que rumam sempre sentido centro. O trabalho de Rafael Avancini na fotografia ficou excelente, Aquiles Castro fez a assistência da viagem e o estúdio HARD House hospedou toda a fritação com mão de Midas.

Segura o óculos 3D:


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Murilo Sá & Grande Elenco - Sentido Centro

A música não começa necessariamente por algum fragmento tocado. Um dos grandes baratos sobre essa sonora paixão é que ela começa bem antes de alguém emitir qualquer nota, ela tem início inconscientemente, dentro das influências de cada um de nós. 

Nunca peguei um violão ou uma guitarra, aliás se fosse escolher um instrumento este seria o baixo, mas continuando. Supondo que pegue um quatro cordas, mesmo não sabendo nem como afinar o grave, tenho noção de que tipo de som gostaria de buscar e, isso se deve, aos belos sons que formaram minhas faculdades auditivas.

É um negócio muito louco e para quem gosta de música o mais bacana é apertar play e ficar dissecando o que existe por trás... E o melhor é quando temos diversas influências, no fim das contas uma coisa é sempre notada: um disco possui uma determinada sonoridade, mas o todo foi feito muitos antes das notas serem gravadas. E essa ideia fica melhor ilustrada se o Murilo Sá & Grande Elenco toma conta do play - ''Sentido Centro'', o debut do menino da terra do ''Toca Raul'' (lançado dia 21 de outubro de 2014), é um debutante caprichado.

Line Up:
Murilo Sá (guitarra/violão/vocal/baixo/bateria/piano/percussão/órgão)
Gabriel Guedes (guitarra)
Pedro Falcão (bateria)
Felipe Faraco (baixo)
Rodrigo Bourganos (sitar)
Pedro Pastoriz (guitarra)
André Meneguetti (flauta/violino)
Tomas Oliveira (piano/órgão)
Rodrigo Fonseca (violão/guitarra)
Rob Ashtoffen (saxofone)
Reinaldo Destemido (trompete)



Track List:
''Dois Mundos''
''Sentido Centro''
''Elevador Panorâmico''
''Nenhum Grande Herói''
''Está Tudo Bem (It's Okay)''
''Dias e Noites''
''Eis Que Eu Tento Me Entreter''
''Chalé 25''
''Melhor Viver''
''Muros''
''Rio Vermelho''
''Nem é Sempre Que É assim''
''Aquela Estrada É Meu Lugar''


Este trabalho começou a ser concebido quando o R&B dos anos 50 começou a ficar eletrificado e dançante, depois, algumas décadas futurísticas, com o nascimento do Murilo Sá, este som foi maturado com essas influências, temperado com invasão britânica, um quê de Rock nacional, talvez algumas hardeiras com pedigree swingado e doses de Folk... Isso foi o que eu pesquei, não é um sistema à prova de falhas, mas creio que o essencial foi citado, mais que isso só em uma entrevista com o compositor.


O quesito influências já passou, porém quando a música começou a de fato ser gravada, sua data é bem atual, chega de máquina do tempo para os primórdios do Rock, uma das grandes qualidades deste Grande Elenco é a prudência em ter DNA clássico e remeter isso para um futuro, que ao ser escutado faz o que a música atual deve fazer: atualizar o hardware dos sons para novos públicos, e ele não só faz isso, como ainda mantém conexão bluetooth com quem gosta de old school.

''Sentido Centro'' é um irmão de outra mãe, do ''Promo Ep'', a entrada-aperitivo que antecedeu ente trabalho. Na realidade o ''Promo EP'' é uma aglutinação deste disco, já que tudo que está presente no mesmo, se repete no debut, só que com efeitos muito mais duradouros.

No EP foram 4 faixas, no disco são 14 e no todo o entendimento musical é muito mais prazeroso. Gostei muito do conteúdo das letras e da mixagem do trabalho, é realmente singular pegar a ficha técnica de algum disco e ver que tudo que está listado na mesma entrou pelo seus ouvidos sem ter que realmente ''procurar'' pelo instrumento.

O trabalho ala multi instrumentista do Murilo é outro fator diferenciado, temos uma amostra de sua destreza multifacetada e de sua criatividade. As letras levam o ouvinte a uma identificação imediata, até o lance da capa acabou me impactando, lembrei da parede das estações de metrô, e as palavras de Murilo começam o disco apoiando essa loucura diárias que nós vivemos nas grandes capitais.

A primeira metade do disco se mostra enquadrada nisso, a outra larga a mão e fala da vida, da beleza de fatos que passam rápido e você não presta a devida atenção, ''Dois Mundos'' destaca como estou sempre atrasado para tudo nessa vida, ''Sentido Centro'' apoia as distâncias que percorremos diariamente para concretizar os atrasos, ''Elevador Panorâmico'' pode ser visto como o background disso tudo e ''Nenhum Grande Herói'' lhe faz questionar o motivo de nos mantermos neste estado, fora ''Está Tudo Bem (It's Okay)'' que além de mesclar a língua mãe com tecos de English tenta acalmar o sentimentalismo em frangalhos e ''Dias e Noites'', jam que apoia essa confusão 24 horas por dia, 7 dias por semana.


Daí pra frente os assuntos variam e é falando do abstrato, exaltando a liberdade que temos outros grandes momentos, sendo que o mais interessante é que a abordagem sonora não muda, a cozinha segue bem presente e segura o ''caldeirão'', incrementado até com naipe de metais. 

Perceba que o próprio Murilo quer sair dessa e ''Eis Que Eu Tento Me Entreter'', foge para o ''Chalé 25'', aproveita a vida com ''Melhor Viver'', pula ''Muros'' e surfa no ''Rio Vermelho'', mas ''Nem é Sempre Que É assim'', porém no fim a moral da história é contundente, a loucura faz parte do ser humano, a pressa é o gás de nossa existência e ''Aquela Estrada É Meu Lugar''.

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Kamchatka - Long Road Made Of Gold

Quando uma banda é reformulada e encontra um novo padrão sonoro, é bastante importante ter sequência em estúdio, afinal de contas a nova formação precisa de maturação... Se bem que o Kamchatka trocou integrantes, gravou o ótimo ''The Search Goes On'' já em 2014 (logo depois de anunciar as mudanças), e já virou o calendário demonstrando que o trio estava nos trilhos desde 2014. 


''Long Road Made Of Gold'', sexto disco de estúdio dos suécos é mais um grande trabalho. Uma bolacha que mostra um instrumental ainda mais entrosado e coeso, mudanças na estética do som, aproximando a banda para o lado Southern da força e um resultado final que espanta pela qualidade e pela explosão de riffs, grooves e viradas.

Line Up:
Thomas Andersson (guitarra/banjo/vocal)
Per Wiberg (baixo/vocal)
Tobias Strandvik (bateria)



Track List:
''Take Me Back Home''
''Get Your Game On''
''Made Of Gold''
''Human Dynamo''
''Rain''
''Who's To Blame''
''Mirror''
''Slowly Drifting Away''
''Long Road''
''To You''


Foi bastante interessante ver o Kamchatka dando sequência a essa nova fase. Depois que o multi intrumentista Per Wiberg saiu do Opeth para entrar no groove, os caras conseguiram uma cozinha muito intensa e com músicos realmente potentes em todas as posições.

Aqui especificamente, a jam está bastante fervorosa, a batera está bastante sincronizada no baixo, algo que não limita o baixista a sair do compasso e enriquecer o instrumental, tampouco limita a bateria cavalar de Tobias e a guitarra de Thomas, cidadão que roubou a cena neste trabalho.

Aqui notamos que a banda valoriza um novo approach, fator que ''Take Me Home'', tema de abertura do disco, deixa claro quando o banjo entra fritando como se fosse uma guitarra. O single ''Get Your Game'' mostra que os hits seguem surgindo na manga dos envolvidos e a faixa título comprova que essa abordagem deixou o som mais minucioso, a instrumentação não gasta combustível de graça e quem ganha com isso é o ouvinte.



O vocal de Thomas é talvez o maior destaque, as tramas ganham em detalhes e sua voz acaba sendo o termômetro disso tudo, guardando toda a vontade de entrar com sua guitarra cortante para o final, sempre arrepiando nos solos e mostrando o pavil curto de seus Blues em ''Human Dynamo''.

Cada nota é valorizada em ''Rain'', as roupagens ganham requintes de balada talvez, mas sempre ganham velocidade e um peso que apenas uma das melhores bandas deste segmento possuem. É ótimo escutar esses caras não só pelo lado técnico, mas sim pelo feeling. A criatividade acaba virando consequência e esse trabalho nos mostra que o leque da banda é bem amplo.

Haja power chord, preparo físico para tantos cavalos de potência e audácia para chegar com um slide do nível de ''Long Road''. Para variar mais um grande disco. Nunca se limite Kamchatka, mudar é sempre difícl. mas com vocês o buraco é mais embaixo. 42 minutos de música do mais alto nível.

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Burn Antares - Burn Antares

Quem me conhece sabe, se pudesse escolher um país para morar, este s novo e hipotético CEP seria na Austrália. E o motivo é simples, qualidade de vida. Ótimas praias, lugares excelentes para sediar shows... Tranquilidade no sentido literal da palavra, isso sem contar as incontáveis pistas de skate. 

E essa semana conheci um som que além de ser fruto da terrinha do canguru me fez lembrar de todos esse detalhes citados, a viagem foi tanta que em meio ao Psych Folk dava até para sentir o vento batendo no rosto... É só chegar, sentar na areia, e apertar play no culto Hippie do Burn Antares, debut EP de 2013 incitando o movimento Flower Power com muita propriedade.


Line Up:
Thom Eagleton (percussão)
Tom Hoglund (baixo)
Daniel Murchison (guitarra)
Sean Casey (órgão)
Grace Farriss (vocal)



Track List:
''Turning The Sun''
''Head Of A Lair (Disco Amnesia)''
''Man's Eyes''
''Logan Stones''
''Treat Me This Way''
''Rainbow In My Cup''
''Kingdom Gold''


Este escriba particularmente sempre foi alheio a essa história de que certos sons não estão na moda (logo), algumas vertentes são menos encontradas do que outras... Pra mim quem nos dá essa impressão é a crítica, que dando atenção para certos trabalhos, acaba puxando a corrente de todo um estilo, mas sim, não sou cego e consigo perceber que certos sons são menos praticados do que outros. 

O que também não significa que só por que uma banda faz um som mais cult, que o reconhecimento não pode bater na porta. Música boa ainda faz barulho e a do Burn Antares tem tudo para conseguir alcançar mais fãs ao redor do mundo. Perceba que o groove dos caras já atravessou tudo e mais um pouco para chegar aqui em casa... Prevejo um futuro muito bom para essa banda.

Que explorando suas crenças pessoas acabaram por criar uma cozinha ótima. Depois do play você curte o som imediatamente e o melhor, tudo por instinto, dá pra notar que é tudo pela música, tanto pela energia como pela proposta. Folk Rock tranquilo, maravilhosamente bem contruído e com uma instrumentação de encher os olhos.


Baixão presentíssimo, ótimos solos de guitarra, viola acústica, percussão solta fazendo o fundo, órgão dando uma temperada uivante e um vocal muito competente por parte da afinadíssima Grace Farriss, para fechar a conta. Para simplificar: ''Turning The Sun''.

Depois que o disco abre com a faixa já destacada a coisa engrena de uma forma fantástica, é um daqueles CD's perfeitos pra soltar no som do carro durante uma viagem com os amigos enquanto o baurete faz a tripulação dar risada.

E o mais importante, sentindo a música. Que take atrás de take surge de uma forma muito sincera e natural. ''Head Of A Lair (Disco Amnesia)'', ''Man's Eyes'', ''Logan Stones'', ''Treat Me This Way''... Esse é sem dúvida alguma o disco mais gostoso que ouvi esse ano, ''Rainbow In My Cup'' é uma das melhores faixas que ousei ouvir em 2014! Pretendo apreciá-la enquanto o skate segue seu caminhos pelas praias de Adelaide.


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Sudamerica Stoner Coalition & Abraxas: session caótica para celebrar a Necro

Quando a Abraxas endossa o rolê, revela a comunhão do caos com o pessoal da South America Stoner Coalition e ainda registra o Necro destruindo tudo, a única coisa que podemos afirmar é que esse é mais um registro chapante, feito no Espaço Som, casa que apóia os dogmas obscuros da eletrizante banda de Alagoas.



A necro segue com tudo, são projetos paralelos, split com o Witching Altar previsto para o segundo semestre, mais uma arte insana de Cristiano Suarez e muita ideia para arrepiar sua espinha, com direito a uivantes passagens do som que sua escola católica sempre abominou...

Sigam os caras por que vale o risco, a timbragem segue leve igual um deslizamento de terra, baby e o trio marreta sua mente com Rickenbacker e fumaça.

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Causa Sui - Live At Duna Jam

Ontem estava em casa moscando e em meio ao silêncio me lembrei do Causa Sui. Sempre preferi ilustrar minhas ideias com um som instrumental, parece que quando tem letra as palavras do vocal tentam atrapalhar as minhas. E assim sendo, escolhi o som dos dinamarqueses para começar a ver o que o teclado tinha à me ofertar.


Com o Youtube aberto fui atrás de algum take live dos caras, até por que ao vivo a coisa fica ainda mais orgânica. E com isso em mente, comecei a selecionar opções. Dentre as toneladas que já tinha visto, um novo vídeo chamou minha atenção e o fez de tal forma que como podem ver virou até postagem.



O vídeo acima contém uma performance da banda no festival Duna Jam, um dos fests mais insanos do planeta, que não só me brindou com este show digno de um DVD hippie, como também me apresentou a um dos picos que mais desejo ir daqui pra frente.

Esqueça a gama de frescuras do fest's tradicionais, esta ideia genial esquece o tempo da tecnologia, burocracia e o ambiente ''engessado'' das casas de show, aqui só tocam bandas com veia setentística, o público é restrito e o palco é na praia, numa montanha caverna!

E ver o som do Causa Sui se moldando a este CEP maravilhoso é desconcertante, era digno de compilar e mandar fazer um DVD... Uma das melhores viagens possíveis, imaginem só, você passa por uma praia e pensa: ''Imagina um show aqui?'' O Duna Jam não é o Itau, mas foi feito para você.


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Björk: Visão & música interativa em 360 graus

Foi só o Jack White surgir com os clipes interativos que até o Led Zeppelin entrou na onda. E se existe uma artista que gosta de explorar as ferramentes que surgem, essa mente é made in Islândia, esse crânio é da Björk. 

Grande mente criativa, que depois de lançar mais um grande trabalho na praça, segue sua rotina nas pirações em estúdio e lançou mais um clipe para ilustrar a viagem de Vulnicura, seu nono trabalho de inéditas, lançado no dia 20 de janeiro deste ano.


E depois de lançar o surreal ''Lionsong'', a quarentona resolveu brincar com os cenários das águas de sua pátria e, junto de Andrew Thomas Huang, parceiro de longa data da cantora, eternizou cenas que podem ativar a labirintite dos mais sensíveis, quando estes entrarem na brisa de ''Stonemilker''. Para interagir basta clicar no canto superior esquerdo e começar a testar os 360 graus da criatividade da moça!

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O lado Funky de David Bowie nos grooves de Young Americans

Essa semana estava pensando muito sobre o cuidado que certos músicos tem com sua obra. É bem comum ouvir dizer que certo indivíduo gravou alguma coisa, mas pelo fato de não ter gostado (ou até mesmo não ter finalizado o trabalho), acabou deixando na conserva, logo, fora do nosso alcance, algo que pode ter dois lados. Momentos que se levados em consideração (agora), podem deixar muitos de nós meio nervosos.

Peguem um clássico por exemplo, imaginem se o Pink Floyd não tivesse gostado do ''The Wall'' e deixado mofando no estúdio?! É bem provável que ele seria vendido um dia, porém dezenas de anos atrasado... O mundo não seria o mesmo, definitivamente. Temos esse lado de ter certeza que as bandas lançaram os clássicos que podiam, por que justamente vemos os discos em nossas caixas de som, mas imaginem, muitos grupos carregam preciosidades guardadas em cofres na Suíça.

Alguns até assumem isso, mas devido a problemas com os membros originais o conteúdo fica maturando a Jam nas caixas de segurança máxima. Só de pensar já dá até uma dor de cabeça... O único músico que não me deixou aflito com isso foi o Bowie.


David Bowie foi talvez o artista mais puramente artístico que veio a Terra. E o fato do cidadão ter passado por dezenas de estilos diferentes (e ter obtido sucesso), mostra-comprova essa coragem em revelar todo seu exterior em LP, CD e DVD.

Expondo sua música sempre de maneira pessoal e imponente, sem medo, por isso, tenho CERTEZA que David não tem nada escondido, sua arte foi um livro aberto em todos seus registros e acho difícil que exista um disco no padrão ''Young Americans'' guardado em sua casa por que ele ''não gostou'' do resultado, aliás só de imaginar a vida sem esse disco já vejo uma humanidade mais pobre, o Soul deste disco é belíssimo.

Line Up:
Robin Clark (vocal)
David Bowie (guitarra/piano/vocal)
Carlos Alomar (guitarra)
Ava Cherry (vocal)
Mike Garson (piano)
Luther Vandross (vocal)
Larry Washington (percussão)
David Sanborn (saxofone)
Ralph MacDonald (percussão)
Willie Weeks (baixo)
Andy Newmark (bateria)
Pablo Rosario (percussão)
John Lennon (vocal/guitarra/vocal)
Earl Slick (guitarra)
Jean Millington (vocal)
Emir Ksasan (baixo)
Dennis Davis (bateria)
Jean Fineberg (vocal)



Track List:
''Young Americans''
''Win''
''Fascination''
''Right''
''Somebody Up There Likes Me''
''Across The Universe''
''Can You Hear Me''
''Fame''


Até o momento de lançamento desde disco, Bowie já tinha trabalhado com Folk, Rock Progressivo (e Psicodélico), Hard Rock e Glam Metal, mas o que poucos sabiam é que durante todo esses anos a mente profano do mito nutriu uma grande admiração pelo Funk americano, aquelas Jams repletas de swing R&B, metais, uma voz mais Soul... Isso era um novo terreno e David precisava estudá-lo antes de mergulhar em mais uma nova sonoridade.

Para tal uma nova banda foi recrutada. E nomes como Luther Vandross e Andy Newmark (Sly And The Family Stone) foram chamados para deixar o clima mais autêntico, trazer a atmosfera perfeita para o Funk, o que de maneira nenhuma atrapalhou os toques excêntricos de David, não, tivemos até John Lennon emprestando seu talento para somar no Groove (!) O Beatle ajudou no último track (''Fame'') e liberou mais um take para Bowie fazer um cover, dessa vez com ''Across The Universe'', faixa onde Lennon toca guitarra e faz o backing vocal.

E como se esses detalhes não fossem suficientes, quem parou para ver a banda de apoio viu uma lista e tanto e resultado disso tudo é de fato fantástico. A sonoridade é exuberante, temos vários detalhes, backing vocals angelicais, percussão, baixão fritando no slap, licks pra lá de ácidos na guitarra... David Sanborn floreando o disco todo com toda a perícia de seu Sax, Mike Garson no piano, feeling é pouco pra isso!


E Bowie registrando seus melhores vocais dentro de um disco. Pra mim nenhum outro trabalho teve o grau de excelência neste ponto, tal que o Funky Bowie deste LP... Deve ser minha paixão pelo Soul falando mais alto, mas é um assunto para se pensar, e ao som de mega hits como a faixa título ''Young Americans'', o rebolado Psicodélico de ''Fascination'' e a fritação guitarristica de ''Fame'', podemos chegar a belas conclusões...

Grande disco, uma maravilha para se escutar, e caso o senhor esteja disponível a gastar uma graninha extra, recomendo (e muito) que pegue a versão remaster, pois só nesta modalidade que a excelente ''It's Gonna Be Me'', faixa que não saiu na versão normal, está disponível. Uma pena! trata-se de uma baladinha absolutamente embriagante, pra fechar o olhos e esquecer da vida, assim como a segunda metade dessa grande gravação.

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