Omar Rodriguez Lopez & John Frusciante: hora de fritar

Dentro da minha pasta de músicas existem alguns discos que aparentemente só eu conheço. Sempre tentava mandar alguns deles para amigos e toda vez era a mesma coisa: ninguém conhecia e, o pior de tudo, poucas vezes gostavam dos benditos.

Tudo bem que grande parte desses trabalhos, até então tidos como ''desconhecidos'', são completamente experimentais, mas mesmo assim acho que não justifica o fato de poucos manjarem certas preciosidades... No caso do texto de hoje não é nada conceitual, é um bom disco, interessantíssimo e como poucos conhecem, gosto de usar o termo ''preciosidade''... Deixa a Jam ainda mais exclusiva!


Os dois caras aí da foto são respectivamente (da esquerda para a direita), John Frusciante e Omar Rodriguez Lopez. Omar é um guitarrista porto riquenho que ganhou reconhecimento com o grupo de Rock Progressivo ''The Mars Volta''. A banda já acabou e agora o músico está inserido em milhares de projetos paralelos e anda lançando discos solo de maneira desenfreada, tornando-se assim um dos caras mais interessantes para se escutar hoje em dia.

John Frusciante já é uma figura mais Pop no meio sonoro. O americano ex RHCP largou tudo para se dedicar ao seu sonho: o experimentalismo da música eletrônica, onde sua guitarra vira praticamente um emulador de sintetizadores. O reverendo Omar foi um músico que sempre teve essa veia (mesmo nos tempos de Mars Volta), logo, este nunca teve problemas em assumir essa faceta, já o reverendo Frusciante foi, é e sempre será alvo de duras críticas por ter saído da banda de Anthony Kiedis e ter feito igual Martin Luther King profetizou: ''I have a dream''.


Só que o mais interessante é que mesmo assim todos os fãs e não fãs desse grande músico não podem negar algo que para um artísta é primordial: mesmo você não gostando, John conseguiu ter vida pós Red Hot, ele está marcando seu nome na história da música e creio que suas experimentações eletrônicas sejam mais importantes do que o som da época de Flea e cia. 

E para ilustrar essa ideia de som orgânico, livre de amarras e completamente pensado em prol dos avanços muscais, eis que lhes apresento o disco que estes dois grandes guitarristas produziram juntos, abram alas para o autointitulado da dupla, Jam completamente instrumental gravada em 2003, mas lançada apenas em 2010.

Line Up:
John Frusciante (guitarra/baixo/sintetizadores)
Omar Rodriguez Lopez (guitarra/baixo/sintetizadores)



Track List:
''4:17 am''
''0=2''
''LOE''
''ZIM''
''VTA''
''0''
''5:45 am''


Essa é uma BAITA viagem, uma sonoridade que só a música experimental poderia nos proporcionar. O CD é bem curto, são menos de 30 minutos de Groove, mas é excelente! Até hoje toda vez que quero escutar esta bolacha faço uma playlist no Itunes para ''juntar'' todas as faixas e transformá-las numa só.

Acredito que esse ato já lhe mande estímulos esquizofrênicos por minha parte, mas acredite, além de puro desiquilíbrio dentro do cerebelo, ainda existem lapsos de consciência, logo, experimentem, pois assim a viagem ganha fluxo contínuo e durante este tempo o som personifica-se de forma mais dinâmica. Assume uma uniformidade espacial ainda mais alucinógena.

Porém tomem cuidado, pois assim a Trip tem duração infinita... Não se pode nem falar das faixas separadamente. Escute o disco todo sem pausas, não é possível fragmentar este trabalho. As notas só farão sentido se escutadas de uma só vez, é quase que um único tema só que dividido em sessions completamente inseridas dentro de uma viagem de campo submersa. Sacou?!

  

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