Magnetic Eye Records - Electric Ladyland [REDUX]

Nos últimos anos os discos de tributo aos grandes faraós da música se transformaram na última moda, comercialmente falando. Normalmente estes trabalhos reúnem os maiores expoentes de algum gênero para homenagear mestres de algum estilo, como Ronnie Jmes Dio, grupos psicodélicos oriundos da Sunset Strip (para recobrar a importância do Doors) e, mais recentemente, destaques atuais da música negra aproveitaram o burburinho com o documentário da Nina Simone para entoar seus clássicos.

De certa maneira isso é bom, mas todos os discos citados só carregam nome, por que o conteúdo é fraco e tão broxante quanto ver a Ivete & o Criolo cantando Tim Maia para os corporativistas da Nívea. O lado bom é que ressalta o legado de nomes que nunca deveriam se esquecidos, revitalizando a memória curta da geração ''Y''. 

O único percalço no caminho é o olhar mercenário dos caras que geram tais discos. É raro pegar um bom trabalho nesta instância, pois todos tentam tocar como se fossem o homenageado em carne e osso, quando deveriam apenas tocar. Mostrar seus traços pessoais, únicos e instranferíveis, celebrando a criação de caras consagrados. Parece que acetatos como esse já são embalados com a visão caça-níquel dos personagens da Loney Tunes.


Acredito que seja possível criar bons conceitos e fazer sucesso sem ficar necessariamente se aproveitando de períodos mercadológicamente estratégicos. A responsabilidade é a música e o sentimento deveria vir antes que o adiantamento pelas masters.

E para demonstrar como é possível honrar o legado dos medalhões com um bom trabalho de ideial contemporâneo e ainda impulsionar a nova cena, eis que lhes apresento ao fantástico ''Electric Ladyland [REDUX]'', escatológica session lançado no dia 03 de julho de 2015. 

Tributo ao mestre Hendrix, organizado pela Magnetic Eye Records, selo de chapação que além de exaltar a valvulação pscodélica do Cherokee (sem manchar seu nome), como a meia irmã do ''homi'' sempre faz, mostra para o mundo um disco único até então e que além de reunir as maiores bandas da cena Psych/Sludge/Stoner, faz releituras homéricas que comprovam algo grandioso: se James Marhsall ainda estivesse entre nós, ele seria o septuagenário mais Rock 'N' Roll da história, sua persona apreciaria o levante Stoner com toda certeza. 


Um disco (duplo) com esse grau de valor aos fatos e excelência só poderia vir dessa cena da música pesada. É impressionante notar como eles conspiram para isso, a cena anda como um bloco, conduz as vertentes do som magnético como o BRIC deveria fazer. Aliás, proponho aqui uma reformulação neste fatídico esquema, no lugar do Brasil, Rússia, Índia e China, gostaria de colocar o Earthless, All Them Witches e o Wo Fat, a economia agradece.


Track List CD1:
''... And The Gods Made Love'' - Elephant Tree
''Have You Ever Been (To Electric Ladyland)'' - Open Hand
''Crosstown Traffic'' - Superchief
''Voodoo Chile'' - All Them Witches
''Little Miss Strange'' - Origami Horses
''Long Hot Summer Night'' - The Heavy Eyes
''Come On (Let The Good Times Roll)'' - Earthless
''Gypsy Eyes'' - Wo Fat


Track List CD2:
''Burning Of The Midnight Lamp'' - Mos Generator
''Rainy Day, Dream Away'' - Gozu
''1983... (A Merman I Should Turn To Be)'' - Summoner
''Moon, Turn The Tides... Gently Gently Away'' - Claymation
''Still Raining, Still Dreaming'' - Mothership
''House Burning Down'' - King Buffalo
 ''All Along The Watchtower'' - Tunga Moln
''Voodoo Child (Slight Return)'' - Elder


É com essa arte chapante, feita por David Paul Seymour, que essa gravação encara o cidadão que ousa pousar seus ouvidos neste play. São 16 temas, 16 novos exemplos da caótica nova safra underground e praticamente 70 minutos das interpretações Hendrixianas mais cabulosas e originais que alguém já criou.

E o mais insano é que quando acaba o disco, além do ouvinte se espantar com a criatividade de cada segundo que consagra este trabalho, o resultado é tão natural e orgânico que chega a ser impossível não imaginar o Hendrix numa cavernosa session com o Earthless, combo psicodélico que atropela a faiscante versão de ''Como On (Let The Goood Times Roll)''.


Esse disco está sendo elogiado em todos os cantos do globo. É engraçado ver um trabalho desta natureza recebendo tamanha atenção e produzindo tanta repercussão também, mas cada detalhe que forma ''Lectric Ladyland [REDUX]'' é elementar. A maior paixão de Jimi era fazer uma jam, algo que aqui chega a ser um pleonasmo. Hendrix gostava de experimentar riffs, canalizar retornos, colocar um canal na frente do outro, fazer uma entrada marcante... Aqui tem tudo isso.

Essa cena especificamente bebeu muito dessa água, só que da mesma forma que o guitarrista surgiu com um pensamento de fazer algo único, esse novo momento histórico-sonoro, com bandas como Elder (que finaliza o disco com uma versão fabulosa de ''Voodoo Child''), All Them Witches e Wo Fat, ilustram como é possível ter uma inspiração e fazer algo novo com ela, fora que chamar os caras em peso assim foi uma sacada violenta.


Origami Horses, Mos Generator, King Buffalo e Mothership, são exemplos que ilustram o que acontece quando caras que comem música com farofa fazem quanto tocam. O sentimento de cada uma das 16 passagens é soberbo, cada detalhe é de alta patente... Até a curta porém grandiosa ''... And The Gods Made Love'', introdução dos caras da Elephant Tree, mostra que não teve salto alto.

Esse cena vai pra frente junta, mesmo com gerações diferentes, só que mostrando uma mentalidade única, algo que aqui fica claro, pois o principal não é ''fazer um cover do maior guitarrista de todos os tempos'', o ponto básico é elevar a obra do maior guitar hero da história e mostrar como sua música é atemporal e, rapaz, esses caras conseguiram. 

Eis aqui um novo olhar para o espólio do gênio, a Magnetic Eye Records fez um trabalho espetacular e conseguiu dar um novo olhar para a gênesis, não só da guitarra, mas da música. Você não só vai conhecer uma fileira de novos sons, como também se espantará com o Fuzz que Jimi estaria espancando hoje em dia.

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