A guitarra envenenada de Boogaloo Joe Jones

Vibração, riffs e ondas. Ruídos, energia e reverberação. Ressonância, eco e efeitos. Bends, notas e melodias. Lick's, solos e pontes: shangi-Lá. Narrado de maneira fragmentada, temos aqui, de forma bastante didática, a enumeração de todos os passos necessários para atingirmos o orgamo sonoro.

Temos acima o mapa astral de cada detalhe que permeia o momento mor para uma guitarra semi-acústica. O apogeu do frenesi estético de uma cozinha compacta que mais parece uma big band. Fruto de uma vitaminada mistura de Blues, Funk e Jazz em néctar de feeling sem efeitos e pesticidas (mata praga), conheçam o impressionante Boogaloo Joe Jones.


Toda a sorte de elogios, palavras soltas, ao vento ou na sombra, são destinadas à figura cult do senhor Ivan Joseph Jones, um cara que depois de rechear a década de 70 com nove (fabulosos) discos, simplesmente sumiu em meio à fumaça. Hoje pouco sabemos sobre o cidadão, seus discos se tornaram verdadeiras relíquias, mas o pouco que que temos disponível busca apenas elogiar uma mistura embriagante, pulsante e visionária.

Sua guitarra era veloz, cheia de feeling e mesclava tudo que foi citado com uma naturalidade assombrosa. O segredo talvez era o entendimento ''Rocker'' que o negrão possuia, nota-se que a partir do Blues o primo mais pesado surgia e era enquadrado em padrões Jazzísticos com uma grandeza poucas vezes ouvida.

Hoje toda essa fritação é conhecida como Acid Jazz e o reverendo Boogaloo é, sem dúvida alguma, um dos principais nomes da vertente. Algo que fica claro como seu timbre quando ouvimos ''What It Is'', por exemplo, sexto disco de estúdio (pela Prestige) lançado em 1970 e  um de seus trabalhos mais inspirados, 

Line Up:
Boogaloo Joe Jones (guitarra)
Grover Washington Jr. (saxofone)
Butch Cornell (órgão)
Jimmy Lewis (baixo)
Bernard Purdie (bateria)
Buddy Caldwell (percussão)



Track List:
''Ain't No Sunshine'' - Bill Withers
''I Feel The Earth Move'' - Carole King
''Fadin'''
''What It Is''
''Let Them Talk'' - Sonny Thompson
''Inside Job''


Essa é a guitarra do cult Boogaloo Joe Jones, um mestre desconhecido com pinta de nerd, mas com um swing instrumental descoladíssimo. O motivo pelo qual escolhi esse disco foi a abordagem. Na maioria de seus registros o que se escuta é uma explosão da mais fina qualidade, o som é dinâmico, rápido, beira o virtuosismo, mas aqui não, ''What It Is'' marca pelo tom dramático.

São 6 temas, sinuosos, fraseados rebolantes e pouco menos de 40 minutos de trocas sonoras. Notas que iniciam o escambo com (possivelmente) o melhor cover de ''Ain't No Sunshine'' que já foi feito. A banda é brilhante, a guitarra de Boogaloo dá o tom, mas a batera (Bernard Purdie) não perde o marca passo, o sax (Grover Washington) está sempre atento e o órgão de Butch Cornell, rapaz, o órgão uiva sempre que possível.


A cozinha deixa tudo armado para a guitarra ficar solta, o baixo preenche os espaços e o resultado são versos completamente desconstruídas para temas clássicos, como em ''I Feel The Earth Move'', hit da (hoje já senhora), Carole King. A levada é ácida, o repeat é usado até quebrar a mola do botão e acredite, vai demorar pra você chegar até o estardalhaço autoral de ''Fadin''' e a sucessora faixa título.

O cara teve muita falta de sorte, mas ainda bem que temos a internet para nos auxiliar, afinal de contas são trabalhos como esse, discografias deste nível, que jamais podem se perder. O senhor Ivan eletrifica sua mente, faz você andar mais rápido na rua e tudo que ele usa é o Funk como moeda de troca para intercalar Blues, Jazz e toques de Gospel.

Boogaloo Joe Jones, grave esse nome e tente batucar no ritmo de ''Let Them Talk'' e ''Inside Job''. Você precisará de 4 pares de mão para seguir a classe desse groove enquanto tenta encontrar mais discos de um dos guitarristas mais interessantes que já entraram em estúdio.

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