Uncle Acid & The Deadbeats: borrando as calças com The Night Creeper

Hoje em dia nada é bom o suficiente. Todo ano temos aquelas famigeradas listas de melhores discos e é notável perceber a diversidade de conteúdo. Existe sim muita coisa acontecendo e o nível de qualidade é bastante alto, mas ainda assim, muitos teimam em não escutar os novos frutos proibídos.


A justificativa é a clássica: ''Não é tão bom assim, não tem a magia das outras bandas de outrora''.... Blá blá blá Whiskas sachê''. Bom, pra começar, é claro que o som que é feito no milênio 2000 não será igual ao dos anos 60, 70, 80 e 90, afinal de contas não estamos vivendo mais esta época (que choque!). Cada som vive das glórias e acontecimentos de seu próprio tempo, por isso que cada década carrega diferentes nuances.


Não espere por revivals saudosistas, o mundo precisa ir pra frente, assim como a música, por isso que a renovação é necessária. Pare com esse mimimi de mãe solteira e escute o som que é feito na sua época com um olhar diferente, pois a história ainda está sendo escrita, ou você acha mesmo que os clássicos que você tanto ama não sofreram com críticas sem fundamento?


O tempo é o remédio para que os clássicos se revelem, só que nada acontece do nada. Primeiro precisamos de uma banda com um som diferente no meio do marasmo da mesmice, depois é só esperar por uma obra prima e começar a propagadar a palavra do senhor. E para isso, pegue o Uncle Acid & The Deadbeats, que além de uma banda excelente, você ainda terá quatro obras primas e um Doom psicodélico Lo-Fi pra pedir a benção ao mestre Belzebu.


Line Up:
Kevin R. Starrs (guitarra/vocal)
Yotam Rubinger (guitarra/vocal)
Vaughn Stokes (baixo/vocal)
Itamar Rubinger (bateria)



Track List:
''Waiting For Blood''
''Murder Nights''
''Downtown''
''Pusher Man''
''Yellow Moon''
''Melody Lane''
''The Night Creeper''
''Inside''
''Slow Death''
''Unknown''


Lançado no dia 4 de setembro de 2015, ''The Night Creeper'' é o quarto disco de estúdio de uma das bandas mais originais que surgiram nos últimos tempos. A ordem dos fatos narrados acima apenas ilustra a cronologia que essa instituição já prensou em disco. A discografia dos caras é um sarcófago de clássicos estantêneos.

A sonoridade é a mesma em todos os trabalhos. A estética da banda surgiu pronta desde o primeiro disco (Vol. 1 lançado em 2010), explodiu para um público maior em 2012 com ''Blood Lust (lançado em 2012) e virou uma potência da cena quando ''Mind Control'' saiu pela Rise Above Records, já em 2013.


Depois que a Rise Above tomou conta dos oriundos de Cambridge, ficou claro que um público maior seria naturalmente alcançado, pois além do selo contar com um foco de ação muito maior, o Uncle Acid provou ser algo único na cena e sua crescente popularidade comprova este fato.

Com ''The Night Creeper'' os britânicos seguem a rotina dos 3 trabalhos anteriores: um disco excelente e uma grade de shows que mais uma vez promete ser extensa. Faz tempo que eles passaram de uma mera promessa, ignorar esses caras é a mesma coisa que atear fogo na sua casa e esperar que um banho frio resolva o problema, mais uma vez, eles foram fantásticos e o segundo disco pela Rise Above coloca mais um prego no caixão.


Com 10 takes, 54 minutos de som e mais uma pilha de riff's bastante envolventes, o titio ácido e as batidas mortas reaparecem com mais um disco que será tiro certo nas listas de fim de ano. O trabalho é firme, assustador e desde o primeiro lick, com ''Waiting For Blood'',  o ouvinte já sente que o baque será sádico.

O conteúdo das letras é outro destaque, pois diferentemente de bandas como o Ghost, que compram a fórmula reciclado do ocultismo, o Uncle Acid enforca os dois pescoços na mesma corda com um estilo próprio e letras que exploram novas ideias dentro da temática Dark.

Os sons se arrastam com classe. A banda não é brilhante técnicamente falando, mas todos são ótimos instrumentistas e cada um deles consegue aparecer nessa confusão sombria com grande criatividade. Criando climas excelentes como nos coros épicos de ''Downtown'' e sua sucessora, a atormentada ''Pusher Man''.


A música é uma aresta da arte que precisa de ambientação e esses caras fazem um trabalho estupendo nesta ramificação. Cada tema aparece com um clima único e surgir com uma vibe diferente em cada faixa é apenas mais um ponto para que o senhor perceba o quão bom esses caras são.

É válido ressaltar também que além de peso, o quarteto possui também bastate feeling, algo que fica claro pelo caminhar instrumental e crepuscular de ''Yellow Moon''. Uma faixa melodiosa, bonita (sem sarcasmo) e que prima pelos micro detalhes guitarristicos que tanto inundam nossa mente após o play.

O peso é tremendo, em alguns momentos o vocal parece que será abafado pelo peso do instrumental, mas quando ouvimos o single ''Melody Lane'', notamos que ele ressurge, vai para o primeiro plano, volta... Parece um zumbi que recusa seu papel como Walking Dead. 


A cada faixa eles pincelam sua própria visão do inferno, sempre retocando as cores pesadas com mais empenho. Reverberando pesadelos na faixa título, explodindo ouvidos com novas timbragens em ''Inside'' e arrepiando a malha da inquisição com o melhor momento do CD, os mais de nove minutos de ''Slow Death'' e sua magistral guitarra.

Não sei lhe dizer se este é o melhor disco do Uncle Acid, sei apenas que vejo algo único nesses caras, aquele algo a mais que muitas vezes eterniza novos mitos ou que enterra sonhos com a mesma certeza de ''Unknown''. Eis aqui um disco excelente, prepare sua urna, sua alma se transformará em pó.

2 comentários:

  1. Fantástica a comparação do vocal com um Zumbi.

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  2. Fantástico é esse disco, mas agradeços pela preferência Rômulo! haha

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