William Onyeabor - CD Boxset 2014

A música conspira. Não sabemos se o groove joga as cartas em prol de si mesmo, mas a lógica nos diz que sim, pois é notável ver como alguns músicos ressurgem na cena, mesmo para um novo e pequeno público: os ''cults''.

A internet talvez tenha sido a principal ferramenta nesse processo de redescobrimento sonoro. São essas portas tecnologicas da percepção que recolaram nomes (como o do americano Shuggie Otis) no mapa. Nomes quentes, alcunhas de verdadeiros fritadores, engenheiros químicos da jam que criaram discos tão fortes que mesmo 40 anos depois, precisam continuar sendo disseminados.


A história e os fatos por trás de certos trabalhos sempre se perdem, às vezes nem o Google salva, mas é bom saber que mesmo com quase nenhuma informação sobre o nigeriano William Onyeabor, sua discografia encontra-se disponível na rede mundial de computadores. 

É bem provável que você nunca tenha ouvida falar no nome deste, hoje, senhor devoto de Deus e músico Gospel, mas depois do play, seu cérebro será empanado pela futurista mistura de música eletrônica, Funk e raízes africanas que reviraram o mundo até o selo americano Luaka Bop (propriedade do David Byrne), passar a bola e deixar esse estrago em evidência para o mundo.


Depois de anos de pesquisas (com poucos resultados concretos), mas com toda a discografia do mito remasterizada e reunida em vinil, a meca das obscuridades eletrônicas do ex membro do Talking Heads soltou 9 LP's (no dia 09 de novembro de 2014) na forma de um belíssimo box e com uma versão alternativa para o primeiro LP de William, o faiscante ''Crashes In Love'', lançado em 1977.


Track List:
Crashes in Love (Original Version) - 1977
Atomic Bomb - 1978
Tomorrow - 1979
Crashes in Love (2nd Version) - 1979
Body and Soul - 1980
Great Lover - 1981
Hypertension - 1982
Good Name - 1983
Anything You Sow - 1985



O que esse Box consegue reunir é absurdo. São 9 discos fabulosos que após mais de 10 anos de pesquisas, evoluíram de uma coletânia (a que estampa a primeira foto dessas linhas), para um box com metade deste conteúdo (também lançado em 2014) e culminam no capítulo final desta saga: toda a obra do nigeriano neste pack.

Falar sobre William é bastante incerto, assim como sua música. Você nunca vai sacar pra onde o swing vai caminhar, o que sua banda do apoio jogará nas linhas, tampouco conseguirá não se impressionar com a revolução de sintetizadores que esse cara criou.


Só que ao ouvir esse som existe algo que você precisa saber: William será seu ídolo, mas você não saberá muito sobre ele e terá que aprender a viver com isso. O Google, quando se trata de Onyeabor, será como sua conta no banco: renderá pouco. O YouTube nos servirá os quitutes, mas não espere por reviews faladas, até a descrição dessas gravações é inexistente.

Mas o que fica é um fato, William arrumou sintetizadores Moog na década de 70, uma faixa de tempo onde nem rádio a populão tinha direito. Como ele fez isso? Pra variar ninguém sabe, a única certeza é que ele tinha patrocinadores e seu mar de teclados virou um universo paralelo depois que o marfim encontrou essa galáxia de possibilidades infinitas.


Faz quase 40 anos que esses plays estão entre nós e quem manja sabe: é difícil conviver com um som tão foda e não saber quase nada sobre o assunto, mas a urgência dessas notas ácidas vai revirar sua mente e confundirá seu calendário biológico.

O som é fresco demais pra algo que foi iniciado em 77, funky demais numa terra dominada pelos atabaques já pré voltados para o afrobeat e tão contagiante que fez a Noisey gravar um DOC para deixar claro que William existe, mas que nós não sabemos muito sobre ele. Prepare-se para ficar impressionado, serão horas e mias horas de derretimento cerebral durante o aquecimento das geleiras de seu intelecto.

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