David T. Walker e a inteligência guitarrística

O Soul, seu comparsa R&B, o vizinho Fuk e seu primo Jazz... O que todos esses estilos possuem em comum? Todos foram muito bem tratados pela guitarra do preciso David T. Walker, um dos maiores, mais versáteis e importantes mestres da guitarra. Um nome que, mesmo marcando presença em diversos clássicos, nem sempre teve o repeito que merecia, mas ainda bem que isso está mudando!


Um dos maiores músicos de estúdio de todos os tempos, Walker gravou 15 discos solo, além de contribuir com os maiores nomes da música negra. Cuidado para não perder a conta, o velhaco trabalhou só com os maiores.

Em sua lista temos nomes como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Diana Ross, The Jackson 5, Quincy Jones, Ray Charles, James Brown, Aretha Franklin, Herbie Hancock... David tocou só com a nata e, dentro do meio, sua guitarra virou uma lenda, algo que só agora está sendo mostrado para o grande público.

O natural de Tulsa, hoje com 74 anos, voltou aos holofotes graças a algumas tours no Japão. A terra do sol nascente marcou seu renascimento na indústria e o guitarrista, tomado por uma nova dose de ânimo, relançou alguns clássicos da década de 70 e finalmente fez o devido barulho.

Line Up:
David T. Walker (guitarra)
John Lehman (vocal)
Joe Sample (teclados)
Jim Gisltrap (vocal)
Wilton Felder (baixo)
Stephanie Spruell (vocal)
Billy Preston (teclados)
Annesther Davis (vocal)
Curtis Amy (saxofone)
Jerry Peters (teclado)
Paul Humphrey (bateria)
Clarence McDonald (teclado)
Bobbye Porter (percussão)
Paul Shure (cordas)
Merry Clayton (vocal)
Jack Shulman (cordas)
Patrice Holloway (vocal)



Track List:
''Never Can Say Goodbye''
''Loving You Is Sweeter Than Ever''
''On Broadway''
''I've Never Had The Pleasure''
''I Believe In Music''
''I Want To Talk To You''
''Hot Fun In The Summertime''
''Only Love Can Break Your Heart''
''What's Goin' On''
''The Real T.''


E um de seus grandes LP's, que graças à providência divina, recebeu as bodas do futuro com todas a sorte de congratulações, foi este autointitulado. O quarto trabalho solo do guitarrista, lançado em 1971.


Creio que além de renovar seu nome dentro da mídia, esse disco é também uma das grandes obras do americano. Aqui, sua exímia e sofisticada cozinha de Jazz-Funk estava inspiradíssima, junto de grandes músicos no acompanhamento (como Billy Preston), e ainda estava munida de um repertório que passeava pelo Jazz com um calma que só os grandes possuem.

O timbre da guitarra de David T. Walker... Esse é o grande lance desse disco. Aqui o feeling manhoso do mestre vai entrar na sua mente e, durante pouco mais de 35 minutos, você vai compreender por que tantos gênios o chamavam para somar no groove.

Repare que logo na abertura o cidadão já deixa você de joelhos. ''Never Can Say Goodbye'' ganha o ouvinte em menos de 10 segundos. A cada floreio nas cordas o tema se desenvolve de maneira ascedente, cozinhando os sonhos até o último minuto e desenvolvendo um amor platônico com afinadíssimos backing vocals, e o baixo de Wilton Felder que vai caminhando na surdina.


Seguindo a cama de percussão, cordas, teclados e o que mais surgir na jogada. Repare nos detalhes, na diversidade de climas e na acidez classuda que David consegue elencar sem ao menos fazer esforço. ''I've Never Had The Pleasure'' é talvez o instrumental mais tinhoso do disco, mas até nele é notável perceber como sua classe é o segredo de seu som.

São detalhes Funkeados numa base Jazzística, com poucos efeitos e quase tudo ali, na mão, sem efeitos, o cara é sentimento puro. Uma perfeição que desconcerta seus ouvintes, seja no tilintar guitarristico de ''Only Love Can Break Your Heart'', no requintado psicodélico de ''Loving You Is Sweeter Than Ever'' ou na pureza de ''I Believe In Music'', David ganha o senhor em qualquer estação, até em ''Hot Fun In Summertime''.


Íntegro com sua arte, afiado no Wah-Wah e com muito bom gosto, é assim que Walker emula suas camadas coloridas na guitarra. O cara nem se esforça pra criar, mas meu rapaz, o velhaco dá o sangue pra sentir, e no fim do LP, essa é a alma do negócio.

Que união de músicos fantásticos, ''The Real T.'' resume todo o talento e a abordagem desse sublime músico, mas é só com um take de Marvin Gaye que conseguimos entender o motivo pelo qual David tocou com os maiores. Ao som de ''What's Going On'' nós concluimos: ele sabia muito!

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