O cometa Jazz Bass de Jaco Pastorius

Quem é gigante o fez por ser único. Pensou e concretizou uma imagem que corrompeu todo um sistema só pra mostrar novas vias. Atalhos sublimes que se tornaram rotas obscuras para um submundo que é a nata das pirações: a originalidade.

Os nomes que marcaram seus respectivos genes na história, só conseguram fazê-lo, não por um capricho estético, mas sim pela vontade de caminhar... Caminhar não, alguns foram tão transgressores, que ousaram surfar em águas desconhecidas.

A ideia era ser único. A música foi autêntica um dia e com requintes de crueldade. Era comum ouvir casos de caras como o Robin Trower, por exemplo, nobre guitarrista que após ver uma apresentação do Hendrix, largou a guitarra por vários meses.


Isso acontecia direto nessa época. Dezenas de músicos eram arrebatados por seus iguais de uma maneira incomensurável, fazendo com que eles não concorressem entre si em prol de um conflito grooveado em rota de colisão, mas notassem que para estar entre os melhores, era necessário fazer algo realmente digno.

Flexionar as cordas, as teclas e as baquetas em busca de algo tão genuído quanto a sua própria aparência, única em sua mais pura e absoluta essência. A inspiração é a fonte que nos diferencia, a energia que nós canalizamos em busca de algo pioneiro, enfrentando o medo e a incerteza até que um novo signo é criado.


Bootsy Collins falou uma vez: ''antes do Jaco, o baixo ainda não sabia o que era''. Depois dele, bom, ai sim o groove se tornou um termo estabelecido para os estudiosos. Podemos citar o próprio Bootsy, olhar para um passado recente com Jonas Hellborg ou apelar para os primórdios para compreender que é por causa de nomes como Stanley Clarke, que ninguém resiste a um bom e velho conjunto de graves.

Só que sem Jaco Pastorius, nada disso teria acontecido. Esses nomes que foram citados poderiam ter nascido, mas se ele não tivesse passado por aqui irradiando Jazz como um cometa fretless, creio que nenhum Fender Jazz Bass pudesse posicionar o baixo da maneira que o conhecemos, inclusive, ouso ir mais além, sem Jaco, esse instrumento poderia ser conhecido até por outro nome.



Com uma criatividade que parecia escorrer por seus dedos, quebras de tempo que fluiam melhor que uma nascente e um vocabulário musical que nem em dez vidas será compreendido por nós, meros mortais, o mestre Pastorius foi quente como uma levada Cubana.

Intenso como um solo do Wayne Shorter e tão previsível quanto o caminho da fumaça de um cigarro ao vento. A virtuose do americano era um retrato do mais puro tato na parte técnica, mas nem por isso seu fraseado era um conjunto veloz de exercícios mecânicos.

O lance era desconstruir até que os cacos se juntassem como um bloco de legos irregular. Uma alquimia que hoje é conhecida como Jazz, mas que na mente deste gênio, podia ser chamada por vários apelidos, desde o Folk, até o Funk.

Atingindo um orgasmo que apenas os gênios (com luz própria), conseguem consumar: o néctar supremo do som inclassificável. Aquele teorema de faixas que apresentam uma riqueza tão intrincada que tornam os rótulos obsoletos: Jaco fez música no termo mais amplo e significativo da palavra.


Se você meditar e atingir um grau de imersão profundo, ainda é possível escutar o barulho de seu baixo caindo no chão. Os ecos de suas linhas ainda perduram e a força das ondas é o estímulo para que resenhas, relatos (como esse) e outras experimentações, ainda aconteçam. Sempre livres como sua lírica e fortes como seu polegar signature.

Elemento que aveluda ouvidos com colaborações junto a nomes como Pat Metheny, escancara horizontes com suas insanidades ao lado do Weather Report e desconcerta os mais sentimentais ao lado de Joni Mitchell. Caravanserai.

JAZZ:


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