Os 10 melhores discos de 2015

Quem acompanha esse blog sabe que este que vos escreve não curte listas. É claro que já fiz algumas delas durante esses mais de 3 anos de existência, mas costumo bater nessa tecla negativa à respeito dessa modalidade, pois vejo muitos acéfalos comparando discos na hora de elencar as jam's, e o pior, os caras insistem em emparelhar gêneros diferentes e ainda tentam justificar tamanha grosseria.

Por isso, gosto de salientar que nas listas desta humilde residência, vulgo Macrocefalia Musical, nós utilizamos apenas uma ordem: a alfabética. Sobre os discos selecionados, bom, prevaleceram os trabalhos que foram resenhados nesse ano, mas se o dia tivesse 45 horas de duração, talvez fosse possível falar de todos os exuberantes discos que saíram esse ano, outra volta em torno do sol que nos forneceu muita, mais muita música de qualidade.

1) Benjamin Clementine - At Least For Now



Lançado no dia 12 de janeiro, ''At Least For Now'' é o disco de estréia do talentosíssimo Benjamin Clementine. Inglês radicado na França, Benjamin espanta pela naturalidade de sua voz, e também impressiona pelo feeling e pelas fortes linhas no piano.


A questão estética é bem pura, o pianista de 27 anos possui um leque bem diversos de influências, por isso o disco ganha requintes clássicos, jazzísticos e Blueseiros de maneira bastante orgânica. Prepara-se para o baque, esse CD é poderoso e foi gratificante ver que ele causou uma boa impressão com seu autêntico som.

2) Christian Scott - Stretch Music



''Stretch Music'' é o quinto disco do trangressor Christian Scott. O desafeto declarado de Wynton Marsalis e de todo o resto da cena conservadora do Jazz, segue desconstruindo os padrões sem sal do gênero e nos mostra, disco após disco, como o estilo segue muito bem, obrigado.


A mistura de música eletrônica com seu quê de Fusion é o que dá o tom para o disco, mas é impossível não perceber que o americano vai muito além disso, quando emite insights com raízes no passado, mistura a cozinha com Rock e no fim do disco faz algo bastante raro hoje em dia: cria sua própria assinatura e ainda o faz junto dos melhores nomes da nova safra jazzística.

3) Elder - Lore



''Lore'' é o disco que finaliza a primeira trinca dos americanos do Elder e pode ser considerado a obra prima do trio até o momento. Esse trabalho fez muito barulho por passou e são vários os motivos que conspiraram para isso.


A banda é fantástica, encontra-se bastante entrosada e cada um dos envolvidos entendeu muito bem seu papel para que as festividades no formato power-trio pudessem ser concretizadas. A produção ficou muito interessante, o resultado final bastante cru e manteve a fidelidade do que os caras fazem no palco,

Fora que todas as composições desse disco beiram o ridículo. A criatividade para elencar o Stoner-Sludge foi louvável, mas as quebras de tempos/ritmos e as influências progressivas são os elementos que fazem desse disco, um estardalhaço vinílico obrigatório. 100% baixo, bateria e guitarra. Aprende a arte rifferamática.

4) Graveyard - Innocence & Decadence



Depois de passar por uma leve turbulência, o Graveyard fez pequenos ajustes na cozinha e quebrou o silêncio com ''Innocence & Decadence'', quarto disco de estúdio desses suécos que manjam e muito de Blues-Rock com alicerces psicodélicos.


Como é bom ouvir um disco com um vocal cru, sem aquele mimimi de front man bibelô da vovó. Sacar uma instrumentação seca e inventiva, cheia feeling, swing e muita potência. A cada trampo que esses caras jogam no praça, o que fica é essa sensação de ''melhor disco até o momento''. Excelente, o próximo vai ser o melhor haha

5) Gov't Mule Featuring John Scofield - Sco-Mule



Gravado em 1999, o extravagante Jazz-Funk desse disco só foi liberado no dia 27 de janeiro deste ano. Cerca de seis meses depois desses memoráveis momentos (já nos anos 2000), o baixista do Gov't Mule, Allen Woody, nos deixou. 


Por isso essa dádiva em forma de Live foi arquivada, só que os relatos sobre a força dessas duas noites (uma em Atlanta e outra na Georgia), ganharam tamanha força com o passar dos anos, que além da banda fechar 30 datas com o Scofield, os caras lançaram mais um trabalho que celebra os 20 anos de história de Warren Haynes & Cia. Todos arrebentam, mas o Scofield e o Woody... Esses ai atingiram outro patamar.

6) Kamasi Washington - The Epic



Três horas de Jazz. Um épico (sem trocadilhos) registro triplo. Um total de 62 músicos envolvidos e um resultado que mesmo munido de numerologias absurdas, jamais peca por nenhum tipo de excesso, muito pelo contrário.


O que o saxofonista Kamasi Washington fez em ''The Epic'' ficará para a história. A profundidade das composições é sem tamanho, o sentimento é grandioso e o resultado é um registro que trata de provar que ainda existem músicos capazes de lhe deixar de joelhos com projetos desafiadores.

7) Marbin - Agressive Hippies



Se você gosta de Jazz-Funk, prepare-se para o estrondoso ''Agressive Hippies'', quinto trabalho de estúdio de uma das bandas instrumentais mais chapantes do cenário americano. Formado pela dupla de assombrosos músicos israelenses Dani Rablin (guitarra) e Danny Markovitch (saxofone), (músicos radicados em Chicago), o Marbin assusta pela virtuosidade técnica.


A precisão do quarteto é elementar e o approach dos caras para fazer o Fusion Funkear com um ar Rocker é notável. A música é fresca, emana criatividade e uma energia sem tamanho. Prepara-se para grudar os ouvidos no fone de ouvido, o feeling é retumbante.

8) Mondo Drag - Mondo Drag



Quem escuta os 2 discos que o Mondo Drag gravou, mal sabe que essa proeza em forma de Hard-Prog estava praticamente acabada. Foi difícil, foram 5 anos de espera (!) mas depois de uma estréia do nível de ''New Rituals'' (2010), um som deste porte não poderia morrer na praia.


Por isso que todo o trabalho de John Gamino para remontar o grupo merece todo o respeito. O quinteto superou os problemas na line up e depois de tudo isso, gravar esse autointitulado deve ter sido até fácil, tamanha o nível das dificuldades superadas e dos músicos envolvidos nesse estonteante projeto.

Cheio de nuances excepcionais, a viagem desses caras está rendendo flashbacks até agora, e antes que os mais emotivos entrem em pânico, declaro: seguerem a onda. O Mondo Drag embalou de vez, já saiu até o single para o terceiro disco da banda. 2016 será bem louco.

9) Snarky Puppy & Metropole Orkest - Sylva



Realizando o complexo sonho do chefia dessa enterprise Jazzística, a Sarky Puppy finalmente conseguiu tempo o suficiente para planejar a gravação de um trampo com orquestra ''para'' Michael League. O bass man deve ter ficado no mínimo orgulhoso com a beleza de ''Sylva'', fruto da união entre uma das maiores bandas do planeta e a Metropole Orkest.


Não se engane pelo pequeno track list, pois as seis faixas que formam esse grande disco, exploram todas as possibilidades que apenas uma lista de músicos tão grande poderia prover. Perfeito dentro do que se presta a fazer, esse CD é a prova factual de como a Snarky está voando baixo, o tato dos instrumentistas envolvidos é sem precedentes e a riqueza de detalhes desse lançamento da IMPULSE! precisa de uns bons meses para ser devidamente assimilada. Exuberante é pouco.

10) Uncle Acid & The Deadbeats - The Night Creeper



Depois de escutar ''The Night Creeper'' você vai borrar sua calças. Sério, se você ainda tinha dúvidas, o quarto disco de estúdio dos britânicos do Uncle Acid & The Deadbeats, pra variar, ficou muito bom e antes que comece o mimimi de que ''nós já temos um Sabbath'', Melody Lane lhe deixará consternado.


O titio ácido e as batidas mortas comprova, trampo depois de trampo, como é possível revitalizar uma fórmula e criar um som próprio. Isso é difícil pacas, mas o quarteto de Cambridge o faz com uma naturalidade assustadora. A riqueza de climas em ''The Night Creeper'' é monumental, e depois do primeiro play é tiro e queda: se você gosta de Ghost, ai coitado do Papa, quebre todos os discos e comece a louvar o deus Uncle Acid.

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