A classe de Ernest Ranglin com o Jazz Reggae de Ranglin Roots

O Reggae sofre um ligeiro Bullying quando alguns ignorantes recorrem a uma opinião fechada sobre o estilo. É quase rotineiro ouvir alguém falar que ''Reggae é tudo igual'' e etc e tal, mas uma coisa é certa: se tudo estiver igual você está surdo.


Existe uma nuance sublime e primordial na vertenta, e essa é a pegada. A marcação que para o som jamaicano, é tão importante quanto a escala pentatônica é para o Blues. E quando digo ''marcação'', falo sobre aquele cavalgar que deixa tudo mais lento, como num transe em que nada para, mas o paradoxo segue fluente para com o restante do instrumental.

É claro que existem exemplos de uma pegada roots mal feita, mas a definição acima só serve para os melhores trabalhos do gênero, aliás, falando neles... Coloque ''Ranglin Roots'' para seu amigo que paga de mestre jamaicano e mostre pra ele que se está ''tudo igual'', ele não está ouvindo Ernest Ranglin.

Line Up:
Ernest Ranglin (guitarra)
Wade ''Monkey Man'' Hampton (bateria)
Val Douglas (baixo)
Michael Chung (guitarra)
Michael Richards (bateria)
Art McLeod (baixo)
Alvin Haughton (percussão)
Junior Douglas (bateria)
Billy Johnson (guitarra)
Cedric Brooks (saxofone)
Bongo Herman (percussão)
Harold Butler (piano)
Herman Marquis (saxofone)
Leslie Butler (sintetizadores)
Jackie Willacy (trompete)
Joe McCormack (trombone)



Track List:
''On Higher Grounds''
''The Trip''
''Ranglin Roots''
''Explosion''
''Double Talk''
''Love Is Loving June''
''Hall Count Ossie''


Décimo primeiro disco de estúdio de uma das maiores lendas da Jamaica, ''Ranglin Roots'' (72') é um dos clássicos deste fantástico guitarrista. De longe um dos maiores músicos que você ouvirá em sua vida, Ernest goza de uma popularidade que infelizmente ficou restrita aos domínios da bela Jamaica.

Mas que em detrimento de sua importância para a música local, mostra uma vitalidade maior do que a do senhor de 83 anos que o mestre se tornou. Dono de uma elegância ímpar na hora de destilar o Ska, Rocksteady, o Jazz e o Reggae, claro, Ranglin teve a honra de tocar com os maiores mitos locais, nomes como Bob Marley, Skatallites, Jimmy Cliff, Prince Buster, entre outros.

Em sua longa e prolífica carreira, o guitarrista se dedica ao Jazz como moeda de troca para mostrar que o Reggae não tem limites. É possível encontrar seu nome abrilhantando discos de Dub, Fusion, servindo como bússola para ideias mais percussivas e redefinindo o papel da guitarra no Reggae.


Só que Ranglin desenvolve um trabalho único. Unindo uma técnica sublime na semi acústica e um feeling tão limpo quanto seu timbre, o velhaco passei pela escala das mais intrincadas formas e mostra um domínio que beira o virtuose, endossando a marcação dos Dreads com uma beleza quase platônica.

E creio que em ''Ranglin Roots'' essa distinta sonoridade atinge um dos maiores picos na carreira do mestre. Que apostando numa receita 100% instrumental, chega com 7 temas e 30 minutos de muito sentimento e refinamento.

Sei que é pouco tempo, mas o esmero é grandioso e paga com o melhor: boa música. Por isso, na hora de ouvir esse afiadíssimo instrumental, repare na elegância da faixa título, na grandiosa riqueza instrumental de ''Double Talk'' e na soberania dos metais para a brisa fresca em ''Hall Count Ossie''. Reggae é tudo igual eles disseram... Ouvir esse play é simular o por do sol em Trench Town.

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