A estirpe italiana de Detroit, debutante dos arruaceiros do Killer Boogie

Quando era moleque lembro de sacar várias bandas de Prog italiano. Era uma brisa potente, cheia de variação e com uma classe bastante acentuada, afinal de contas muitos dos músicos envolvidos em bandas como o Premiata Forneria Marconi, Banco Del Mutuo Soccorso e Museo Rosenbach, tinham em sua base criativa, os flereios da educação erudita.

Só que engane-se o indivíduo que acha que os seres nascidos na Itália só pratiquem o Rock Progressivo. São graças à bandas como o Killer Boogie que vemos como a renovação existe e como ela também aposta em novas cozinhas. ''Detroit'' (debutante lançado no dia 14 de janeiro de 2015), mostra quem o CEP nem sempre garante o padão FIFA da educação Européia. Esse trio de vandalos chega invadindo sua residência e a moeda de troca são 9 faixas e quase 38 minutos de surra numa garagem qualquer.

Line Up:
Gabriele Fiori (guitarra/vocal)
Luigi Costanzo (bateria)
Edoardo Mancini (baixo)



Tracklist:
''Bad Rebel''
''Riding The Wind''
''My Queen''
''Little Flower''
''Silver Universe''
''Cosmic Eye''
''Summertime''
''The Golden Age''
''Dynamite''

Liberado soba  tutela dos fritadores da Heavy Psych Sounds, esse play é resultado de uma abordagem ignorante, sob camadas de Punk, Stoner, Rock 'N' Roll e um toque de glacê na Psicodelia. Formado pelo guitarrista da Black Rainbows, Gabriele Fiori, esse combo aposta numa sonoridade menos chapante, se comparado à sua banda de origem, além de estar imerso numa outra cena.

A cozinha dos caras está na mesma quebrada underground do Graveyard, só que com muito menos nome e público claro, até por que o projeto é bastante recente. Não pense que o nome ou o conteúdo das letras é um mero acidente, aqui de fato, o Boogie é matador.


Parece que eles acionam um botão dentro do seu cérebro e, a partir do momento que o senhor aperta o play, os temas lhe estimulam a querer bater em alguém. Abrindo com o riff sujo de ''Bad Rebel'', seguindo com a vitalidade bêbada de ''Riding The Wind'' e concluindo a primeira trinca com ''My Queen'', esses caras irão deixar claro para seus ouvidos como o Boogie pode ser do mal.

Mas é válido ressaltar que nem só de pancadaria, vive uma banda de noias inveterados como essa. Até os mais brutos apreciam um relax, e para isso, os mais de 8 minutos de ''Cosmic Eye'' caem como uma luva. 

A psicodelia é bem mais pronunciado nessa faixa, mas depois esse elemento aparece muito bem dosado em outros momentos, graças ao efeitos ou outras timbrages, mas o verbo imperativo aqui é a ignorância. E ao som de um baixo calibrado, guitarras cortantes, uma batera que segura a responsa de fazer o som pulsar e um vocal sem frescuras, o volume máximo chega até a ser um brinquedo.

Seja na panorâmica ''Summertime'', nos devaneios acústicos (com um pé no Prog) em ''Silver Universe'' ou na pegada radiofônica da rifferamática ''The Golden Age'', o Killer Boogie será sua brincadeira favorita durante semanas.

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