A viola e seus encantos: Banco e prosa na Kabul Bar - 17/01/2016

A viola não mente. Ela é crua, nunca se cala e jamais consente. Parece frase de livro de autoajuda, mas não é, esses são apenas alguns fatos já perpetuados quando o assunto é uma boa e velha session acústica.

Com um violão, rapaz, pode esquecer de toda aquela pirotecnia da sua pedaleira. Quando o Giannini começa a vibrar as notas, tudo o que você tem são os seus dedos, o feeling e a vibe de eletrificar o ambiente sem ao menos um watts de potência.

É uma das experiências mais pessoais que um músico pode ter. Sentar com seu instrumento e ver que com um violão você pode enfrentar o mundo... Com certeza existe algo de utópico nisso tudo, mas o que vale é o primeiro contato, as ranhuras, o nylon e o dedilhar seco que conta histórias. Parecia a trilha sonora da Kabul Bar na semana passada, quando o recinto recebeu três violeiros para uma prosa na banqueta!


Contando com 3 atos bastante distintos, esse fim de tarde, começo de noite na Kabul Bar, comprovou tudo que disse no parágrafo acima. A viola é crua, e ver a diversidade na abordagem para com esse belo instrumento, apenas ressalta como o tom de suas criações é único.

Com um cronograma que começava a uivar com a viola de Jhonny Jamal, o primeiro show da noite chegou num clima mais aveludado. Com temas melodiosos, um vocal afinado e letras leves, Jhonny Jamal mostrou um pouco de suas composições, apostou em algumas versões e entrou da mesma forma que saiu: sem sair do tom.


Na sequência veio Leonardo Biazoli, o músico mais jovem que tocou nesta noite. Com uma abordagem menos viva do que a de Jamal, Biazoli apostou alto nas versões e mostrou um ecletismo bastante singular, intercalando com poucas faixas autorais, o que talvez tenha sido a principal tônica da noite.

Foi um bom espetáculo, mas creio que pela falta de uma fórmula mais homogênea, o posicionamento do artísta tenha ficado meio vago, algo que realmente não aconteceu com a dupla que encerrou a resenha unplugged. 


Se faltou ousadia por parte de Jhonny ou Leonardo, o trabalho da dupla Otávio Cintra e Luiz Felipe Cardim chegou para mostrar um approach interessantíssimo no trabalho de base e ainda nos revelou um belo compositor (Otavio Cintra), além de ressaltar o feeling Bluesy do guitarrista da Hammerhead Blues, Luiz Felipe Cardim.

Antes de seguir com a crítica, vale ressaltar que  o reverendo Otavio Cintra é baixista (e vocalista) da Hammerhead Blues, por isso, vê-lo assumir um papel completamente diferente no som, foi bastante interessante. 


Aqui sua viola assumiu o primeiro plano e entre belos arranjos, um ótimo repertório que passeia pelo inglês e nossa língua nativa, e o tear de notas que ele armou com os solos de Luiz, que em muitas das vezes se confundiam em bases, soou bastante harmonioso.

Teve de tudo, Alceu Valença, muito feeling no nylon e no Blues elétrico de Luiz, que sabendo da necessidade de manter o tom de sua guitarra com a viola, demonstrou bastante sensibilidade. É claro que o entrosamento entre os dois já existe, mas é algo completamente diferente com o que eles fazem em trio.

E o melhor de tudo, perto da última faixa do set, a ascendente ''Kilimanjaro'', Otavio deixou escapar que eles ensaiaram apenas uma semana! Os caras andam ouvindo muito Terry Reid!

0 comentários: