Circo Motel: um Auê na Casa do Mancha

A Casa do Mancha sempre foi um lugar especial para se ver um show. Além da casa do senhor Mancha parecer de fato a sua própria residência, o clima do espaço sempre pareceu emular uma mística muito particular.

É até engraçado, aposto que se muitos shows não fossem sediados ali na casinha... Rapaz, muita coisa não teria acontecido da melhor maneira possível, no padrão que apenas aquele canto da Vila Madalena consegue estabelecer: da forma mais espontânea possível.

Fabio Linhares: Fotografia Transcendental

Ali é o lugar pra esquecer o script piegas de alguns espaços e apenas tocar. É claro que se você for músico o referencial muda completamente. Da plateia rola uma química insana, afinal estamos todos no mesmo nível, sem um palco pra limitar nada.

Já para a banda, o espaço pode até ser considerado pequeno, mas a sinergia, essa meu amigo, dá pra cortar com uma faca. Daquelas de plástico mesmo que acompanham o rocambole da padaria. E se teve um dia durante esse primeiro mês do ano em que tive que usar essa faquinha, esse dia foi quando o Circo Motel foi fazer o pré lançamento de seu segundo disco, o ''Auê'', registro que sai durante esse ano par de 2016.

Line Up:
Felipe Seabra (baixo)
Rafael Charnet (guitarra)
Rafael Gregorio (vocal)
Rodrigo Machado (guitarra)
Thiago Coiote (bateria)
Irina (teclado/percussão) *convidada
Lucas Joly (trompete) *convidado
Jorge Cirilo (saxofone) *convidado
Ademílson Guarujá (trombone) *convidado


Fabio Linhares: Fotografia Transcendental

Voltando com aquele Funk/Soul classudo que chamou a atenção de quem mostrou um alto Q.I rebolativo com ''Sobre Coiotes e Pássaros'' (2012), a banda voltou para o estúdio depois de 4 anos maturando novas ideias e composições, e apareceu com um combo reforçado para as festividades do pré lançamento. Teve de tudo, desde um trio de metais envenenadíssimos, até uma tecladeira inspirada nas timbragens.

Fazendo frente ao nome do segundo disco, a banda fez um verdadeiro Auê na casinha. Esse trabalho demorou pra nascer, mas pra compensar, o resultado está ainda mais invocado que o anterior, cheio de climas envolventes e com um instrumental que está pra lá de azeitado. Sempre adicionando aquele requinte que apenas o balanço do Funk pode prover.

Fabio Linhares: Fotografia Transcendental

Fora que se ouvindo o play de estúdio já parece que os caras estão improvisando, ao vivo então... Rapaz, a faquinha de rocambole foi requisitada. A banda estava tinindo e ninguém conseguiu ficar parado.

Foram pouco mais de 60 minutos de jam, aquele puro néctar instrumental que, para essa noite, fez um mesclado entre novas e antigas composições. Passando pelo single mais recente da banda (''Feijoada''), e chegando até um um chapadíssimo cover para a clássica ''Um Lugar do Caralho''.

Foi elétrico, pulsante, quente e muito louco. Agora é só seguir a caravana para outros slaps, por que esse disco (produzido pelo Cris Scabello do Bixiga 70), definitivamente, irá fazer a sua cabeça.

0 comentários: