O eruditismo de D-Stringz, colaboração entre Stanley Clarke, Biréli Lagrène e Jean-Luc Ponty

O ano era 2010. Nessa data estelar Jean-Luc Ponty celebrava seus 50 anos de carreira na música, logo, o mínimo que seus iguais poderiam lhe oferecer era um show.em sua homenagem. Na hora de tocar, Ponty firmou um trio com Stanley Clarke e o também francês Bireli Lagrene.


Para resumir, aquela performance de 20 minutos que o trio fez, foi a semente para esse discasso que a IMPULSE! lançou no dia 06 de novembro de 2015. De fato, a espera foi longa, mas finalmente os envolvidos conseguiram separar um tempo para registrar algo, e acredite, se depois de 5 anos ninguém desistiu, é por que a sinergia que aguardou o belo ''D-Stringz'', foi grande!

Line Up:
Stanley Clarke (baixo)
Jean-Luc Ponty (violino)
Bireli Lagrene (violão)



Track List:
''Stretch''
''To And Fro''
''Too Young To Go Steady''
''Bit Of Burd''
''Nuages''
''Childhood Memories''
''Blue Train''
''Paradigm Shift''
''Mercy, Mercy, Mercy''
''One Take''


Um dos discos que mais impressionou o mundo da música em 2015, ''D-Stringz'' foi uma união que, para quem não sabia do plano de fundo, parecia algo bastante recente e inovador. Só que esse formato já era conhecido por Stanley e Ponty, que em 1995 realizaram um trabalho no mesmo esquema, quando chamaram Al Di Meola para hravar ''The Rite Of Strings''.

A única novidade de fato foi que a dupla formada por um dos maiores mestres do baixo e do violino, em prol do Jazz, nunca gravaram nada com Lagrene, um dos maiores mestres da viola contemporânea.



Só que se existia alguma dívida, esse disco paga com juros e correção, fazendo frente, inclusive, à nossa bela inflação. O entrosamento é milimétrico, o feeling gigante e o nível técnico do instrumental, simplesmente sublime,

Por isso, na hora de apertar play, certifique-se de que, entre standards como ''Blue Train'' e temas originais, como a tinhosa ''Stretch'', o senhor encontre um homérico registro acústico. Uma obra que além de soberba, traça uma linha entre o Bop e o Post-Bob, salientando o trabalho cigano de temas que em alguns momentos beiram o Funk/Soul.

E nos deixam boquiabertos, assim como a precisão encorpada de feeling por parte de Biréli, em ''Mercy, Mercy, Mercy''. Desnorteados com a classe de Clarke no rabecão de ''Too Young To Go Steady''. E sem palavras para o tilintar modal, clássico do feitio de Ponty, ao som da Bossa em ''Nauges''. Bonito é pouco, esse disco é belíssimo.

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