O Funk vadio de Groove Is King, segundo disco do Rock Candy Funk Party

O Funk é um estilo que consegue ser emulado de duas maneiras:

1) Mostrando seu caráter ácido.
2) De terninho e gravata, swingando, mas com frescura.


Na verdade, o que temos aqui é uma clássica pegadinha da FUVEST. O Funk de verdade só pode ser feito da maneira sexy e selvagem que eterniza os mestres do groove quente e pulsante. Por que se o balanço ficar enfeitado demais, o disco pode até ficar bom, mas quando acaba lhe faz pensar: é quente, mas poderia me queimar.


É igual o primeiro disco do Rock Candy Funk Party. O Fusion Funkeadamente Rockeado de Joe Bonamassa & cia, surgiu no começo de 2013 com ''We Want O Groove'', mas apesar do alto padrão técnico, do feling e do próprio fator rebolativo, o disco (mesmo com muitos elogios), passa a impressão de ser certinho demais.

Algo que definitivamente não acontece quando você coloca ''Groove Is King pra tocar''. O segundo trabalho dos caras (lançado no dia 31 de julho de 2015) achou o caminho da sacanagem. Equipado com um time de metais cheio de marra, guitarras mais secas, teclados mais ousados e um linha rítmica sacana, esse trampo comprova: quem não cola não sai da escola, malandro.

Line Up:
Randy Brecker (arranjos)
Joe Bonamassa (guitarra)
Tal Bergman (bateria)
Ron DeJesus (guitarra)
Ada Rovatti (saxofone)
Fred Kron (teclas)
Mike Merritt (baixo)
Daniel Sadownick (percussão)
James Campagnola (saxofone)
Renato Neto (teclas)
Billy Gibbons - ''Mr. Funkadamus'' (narração)




Track List:
''Introducing the Master of Ceremonies Mr. Funkadamus''
''Groove Is King''
''Low Tide''
''Uber Station''
''East Village''
''If Six Was Eight''
''Cube's Brick''
''And now a word from our find sponsors with Mr. Funkadamus''
''Don't Be Stingy With The SMPTE''
''C You On The Flip Side''
''Digging In The Dirt''
''Don't Funk With Me''
''The 6 Train To The Bronx''
''Rock Candy''
''Mr. Funkadamus thanks all the senors but especially the senoritas''
''The Fabulous Tales of Two Bands''


Para compravar que o Rock Candy Funk Party é de fato uma banda, e não apenas um projeto paralelo, creio que esse disco tenha sido elementar. Aqui somos alvejados pelos novos ares da mudança. Elemento que se mostrou bastante comprometido em elevar e redirecionar o groove da banda, algo que apenas uma banda teria arquitetado com tamanho esmero.

Aliás, isso fica claro, assim que Billy Gibbons (Mr. Funkadamus), faz cosplay de George Clinton e apresenta os meliantes. Logo depois a faixa título aparece e suas firmes marcações, guitarras cortantes e seu riff alcalino, já tomam conta de tudo.

É apenas ao som de um instrumental desse porte que notamos a tônica em formações tão bem nutridas técnicamente. Todos os instrumentos tem espaço, é notável perceber que mesmo imersa em tanta virtuosidade, o groove acha seu caminho até o equilíbrio.


Na sequência, com ''Low Tide'', a maior mudança na sonoridade dos caras aparece: o time de metais. Com os arranjos feitos pelo mestre do trompete, Randy Brecker, os enolvidos entrelaçam linhas sólidas, livre e tão fluidas quanto um show do esquadrão de Maria Fumaça.

Isso mudou bastante as regras do jogo. Esse glorioso detalhe deixou a cozinha ainda mais improvisada e com temas como as potentes uniões de baixo e guitarra em ''East Village'' e ''Uber Station'', fica claro que é só correr para o slap.

E com um menu mais bem equalizado no quesito opções, não é necessário nem pestanejar. Temos uma malandragem explícita nos teclados, uma percussão noizeada em ''If Six Was Eight'' e o groove só para por que o Gibbons chega com outro insight de opera rock.


Por que logo depois os caras já voltam para o batente e modernizam a Disco Music com ''Don't Be Stingy With The SMPTE''. Pirando na vitalidade dos sintetizadores, unindo uma viola ao slap ao som de ''Digging In The Dirt'', cantarolando uma melodiosa linha vocal com trompete pra fechar a conta em ''The Fabulous Tale Of Two Bands'', e garantir sua insanidade durante o repeteco ou seu Groove de volta.

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