Ooh Yeah The Betty Davis Songbook: o disco que salvou o ano do Bonamassa e mostrou o talento da Mahalia Barnes

Apesar do título dessa matéria, é válido ressaltar que dois discos salvaram o 2015 do Joe Bonamassa, mas como esse saiu antes e surpreendeu mais do que a sequência com o Rock Candy Funk Party, creio que não seja um exagero dizer que sem essa gravação, sua banda de Rock-Fusion não mudaria os rumos do Funk da maneira que o fez.


Tudo começou quando Kevin Shirley (produtor do Bonamassa), se envolveu na produção de um disco da Mahalia Barnes. Conversa vai e conversa vem, a filha do mestre Jimmy Barnes acabou entrando na onda do produtor sul-africano e, quando a moça disse sim para um songbook da Betty Davis, Shirley comentou sobre o projeto para Joe e deu no que deu. 

Além da ótima banda de apoio da australiana (The Soul Mates), Bona (depois de implorar para se envolver nesse projeto), ficou à cargo das guitarras e coroou um dos melhores e mais surpreendentes vocais gravados em 2015. Santa traquéia Batman, segura esse groove! 

Line Up:
Mahalia Barnes (vocal)
Ben Rodgers (baixo)
Franco Raggatt (guitarra)
Lachlan Doley (clavineta/teclas)
Clayton Doley (órgão)
Dave Hibbard (bateria)
Joe Bonamassa (guitarra)




Track List:
''If I'm Luck I Might Get Pickep Up''
''Steppin' In Her I. Miller Shoes''
''In The Meantime''
''He Was A Big Freak''
''Your Mama Wants You Back''
''Game Is My Middle Name''
''Nasty Gal''
''Ooh Yeah!''
''You Won't See Me In The Morning''
''Anti-Love Song''
''Walking Up The Road''
''Shoo-B-Doop And Cop Him''


Na boa parceiro, se você não manja o trampo da Betty Davis, entre no youtube agora mesmo, pois lá é possível encontrar os três (tinhosos) LP's que a americana gravou. Caso você ignore esse aviso, ouvir esse songbook será um pouco vago, mas o contexto de excelência sonora jamais sofrera um abalo, pois o repertório é fortíssimo, só que até para elogiar o vocal da senhorita Barnes com mais embasamento, você vai ter que ouvir a Betty, rapaz.

É um faca de dois grooves, digo, Funk's, opa, cumes. Só quem já se ligou nessa vocalista temperamental sabe do que digo. Primeiro que ela foi a única esposa do Miles Davis (68-69)  que na hora de preencher o formulário no quesito profissão, não precisa colocar: ''esposa do senhor Bitches Brew''. Não, Betty foi uma modelo de sucesso nos anos 60, só que resolveu largar a profissão, e o motivo já mostra um pouco de sua excêntrica personalidade.


Certa vez Davis disse numa entrevista: ''não é preciso ter um cérebro para ser modelo''. Por isso que ela largou as passarelas e foi desfilar nos palcos. Só que veja só como a vida é injusta, mesmo gravando 3 trabalhos (que hoje são cultuados no mundo todo), na época do lançamento, nenhum deles fez o sucesso merecido. Por isso, além de resgatar uma música de ótima qualidade, esse songbook também relembra uma voz, que como ela mesma fala num de seus hits, era de uma ''Nasty Gal''.

Com um acabamento mais modernoso e um peso nas notas graves que mantém a estrutura do som de forma bastante fiel, esse disco é um de uma força notável, aliás, usei o Bonamassa aqui só pra começar a distribuir as notas verbais, por que o principal destaque é a senhorita Barnes e sua banda.

A The Soul Mates é excelente e o trabalho dela na voz beirou o ridículo. Além de ter o mesmo drive da senhora Black Power, Mahalia mostra que o swing corre em sua veia e ainda o faz enquanto a mulher encarna o melhor do repertório da sinhá que apresentou Sly Stone e Jimi Hendrix para o mestre do trompete... Sim, se você escuta o ''On The Corner'' e pira na odisséia do Jazz em ''Bitches Brew'', agradeça à senhora Betty Mabry, rapaz. Obrigado. De nada.



Relembrando a força de uma das vozes mais ardidas dentro do ramo Funk/Soul, Barnes, além de mostrar muito talento e feeling, consegue entoar temas dos mais ácidos com uma naturalidade impressionante.

A semelhança é tanta que a australiana lembra a musa das passarelas Funkedas até pela aparência! Só que é tudo muito intenso, rápido e com a roupagem mais classuda escolhida na produção, o legado da senhora Davis chega com elegância, mas ainda assim, a selvageria é a tônica desse registro.

Apostando alto no debutante autointitulado (73) o disco surge com 8 temas do disco de estréia. Equaliza 3 tracks do LP seguinte, ''They Say I'm Different'' (74) e finaliza a session com apenas um take (''Nasty Gal'') do último trabalho oficial de mesmo nome, que uma das vozes mais faiscantes que o senhor ouvirá na vida lançou, também em 1974.


É bem verdade que rolou uma concentração de renda no debutante e que dava pra ter escolhido as jam de forma mais homogênea, só que ai a opinião dos caras entra em campo, e apesar de possuir apenas 3 discos, todo o repertório da senhora Mabry é deveras chavosos.

A experiência fazendo esse tipo de trabalho com a Beth Hart fez bem para o Bona. Seja na marrenta ''If I'm Luck I Might Get Picked Up'', na sublime ''In The Meantime''  ou na chapante ''Big Freak'', o que temos aqui é sem dúvida alguma, uma das maiores vozes femininas que o senhor vai ouvir. Fora que reencarnar as linhas cheias de maneirismos da Betty não é mole não, e o beat sexy da Mahalia Barnes deixa até os mais velhos de joelhos.

O baixo ronrona na sua orelha ao som de ''Your Mama Wants You Back''. Em ''Nasty Gal'' temos um open bar de gritaria valvulada pelos poderes de James Brown, e durante todo o disco o instrumental é de tirar o chapéu. Cheio de timbres animalescos, encorpados e com aquele ar de pura responsa uivante no órgão, esse R&B é diversão garantida ou seu molejo de volta. Esse é mais quente do colocar a língua na tomada, pequeno gafanhoto!
   

3 comentários:

  1. é brother, Mahalia Barnes é uma boa cantora que assim como algumas outras dos discos atuais, apesar de um belo gogó carecem de material inédito, nenhum artista se sustenta em cima de covers

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  2. é brother, Mahalia Barnes é uma boa cantora que assim como algumas outras dos discos atuais, apesar de um belo gogó carecem de material inédito, nenhum artista se sustenta em cima de covers

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  3. Isso é verdade, mas o primeiro trampo dela merece atenção, agora é ver o que rola na próxima gravação!

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