Os versos livres do Chris Robinson na viagem solo em New Earth Mud

O Chris Robinson sempre foi uma voz que me assegurou os mares da tranquilidade. Um dos grandes vocalistas de Rock que ainda estão na ativa, e que além de ir além da linha Southern/Rock 'N' Roll, se revelou um excelente compositor, seja nos tempos de Crowes, mais recentemente com a Chris Robinson Brotherhood ou no começo dos anos 2000, em sua obscura carreira solo.


Sim, até poucos anos atrás nem sonhava com trabalhos solo dessa grande mente criativa, mas eles de fato existem e são registros realmente diferenciados. Todos cheios de sentimento e com uma abordagem bastante própria e com a marca de um belo músico.

E ''The New Earth Mud'' foi o primeiro deles. Esse belo trabalho (datado de 2002) é um registro singelo e intimista, onde Chris mostra todas as suas raízes. O resultado surpreende, mas é bom salientar que além dessa gravação, o hippie ainda possui um segundo disco de estúdio, falo sobre ''This Magnificent Distance'', lançado dois anos depois, já em 2004.

Line Up:
Gordie Johnson (standup bass)
Jeremy Stacey (bateria)
Paul Stacey (baixo/violão/guitarra/órgão/piano)
Chris Robinson (violão/guitarra/percussão/vocal)
Matt Jones (piano)



Track List:
''Safe In The Arms Of Love''
''Silver Car''
''Kids That Ain't Got None''
''Could You Really Love Me''
''Untangle My Mind''
''Fables''
''Sunday Sound''
''Barefoot By The Cherry Tree''
''Katie Dear''
''Ride''
''Better Than The Sun''
''She's On Her Way''


Os 2 discos citados são de fato muito bons, mas pelo fato de serem meio desconhecidos, é bastante complicado de incluí-los em sua coleção, pois como se não bastasse o lançamento via um label de menor expressão (Redline Records), os mesmos estão fora de catálogo e nem mesmo a Amazon consegue quebrar este galho.

Só que o tempo fez bem para o poética bucólico. Com o passar dos anos, cada vez mais pessoas descobriram essas raridades e Chris sabe que se tudo der errado com a Chris Robinson Brotherhood, ele estará a salvo e ainda manterá um repertório firme, com o mesmo nível de seus clássicos.


Por isso, para inaugurar essa bolacha, admire os devaneios de ''Safe In The Arms Of Love'', aliás, desde a primiera faixa, é importante citar a qualidade instrumental que envolve todo o trabalho. Temos aquele teor viajante, mas tirando isso, rola aquele som limpo e que em alguns momentos aparenta ser simples, mas só aparenta, e escutando temas como ''Silver Car'', isso fica bem claro 

São pequenos detalhes, mas que abrilhantam o todo de uma maneira impressionante, e enquanto a poesia discorre dos lábio do poeta Robinson, em belos versos, como os de ''Kids That Ain't Got None'', por exemplo, sua mente vai longe...

É um clima tão orgânico, são canções tão plenas e livres que você se sente até mais leve. É feeling puro. Descanse ao som de ''Could You Really Love Me'', feche os olhos e imagine o mundo a sua volta ao som da baladinha ''Untangle My Mind'' e sinta a doçura e a sinceridade em cada verso.


Chegando em  ''Fables'', fazendo escala na brisa de ''Sunday Sound'', observando a contemplativa ''Barefoot By The Cherry Tree'', e passando pela amorosa ''Katie Dear'', o ouvinte chega a ficar embriagado.

Você sente que esse disco é mais que um simples CD. Chris tenta passar algo para nós e muda até de estilo para facilitar o entendimento! Rola até um Funk camuflado em ''Ride'', pena que acaba, depois de ''Better Than The Sun'' temos o respiro final do mestre em ''She's On Her Way''.

Esse é um daqueles trabalhos simples, mas que são pra lá de efetivos. Um disco que terá um canto especial em sua coleção, e não por ser possuir um conceito de outro planeta, mas sim por ter algo de verdadeiro, sincero e real nas letras e melodias, um detalhe inestimável, ainda mais hoje em dia.

2 comentários:

  1. Também curto muito esse cara, em todas as fases. Nada de excepcional, mas essencial.

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