Stevie Wonder e sua fidalguia Funkeada no Beat club 74'

O Stevie Wonder está vacilando faz mais de 40 anos. Em 1974 ele foi gravar um especial pra TV alemã, na ocasião a Musikladen/Beat Club, famosa e tradicionalíssima session, que além de servir como uma senhora plataforma de exposição para diversas cenas, foi um dos programas mais importantes para o cenário musical europeu, e claro, mundial.


Só a nata ia tocar nesse palco. O Rory levou o Taste, Jeff somou no groove com seu Beck Group, Ginger Baker com certeza arrumou uma treta com Jack Bruce nos bastidores, antes de tocar com o Cream... Teve de tudo meu caro, mas pode crer que se você me falasse pra escolher o melhor programa, mesmo sabendo que eu ainda não vi todos, digo sem pestanejar que a performance do Stevão seria a primeira que surgiria em minha mente.


Logo que você abre o show, primeiro aparece a vinheta e ai sem apresentação nem nada as imagens já cortam para os finalmente. A bandassa do Wonder ali, já esquentando a artilharia num improviso claramente não ensaiado, onde as Wonderlover's (o time de backing vocals do mestre), arremata uma melodia no gogó que serve de introdução para um groove que escalda até os ouvintes mais calejados.

Juro meu senhor, essa faixa merecia ser gravada. Na track do especial vemos que essa passagem está creditada da mesma forma que veio ao mundo. Está lá, faixa 1: ''JAM''. E durante pouco mais de 5 minutos é essa brincadeira embriagante que coloca todos no mesmo patamar espiritual e já solta o disparate Fusion de ''Contusion'', logo em seguida.


No baixo temos Reggie McBride. Michael Sembello é quem acompanha toda essa alquimia utilizando sua nobre semi-acústica como porta voz, enquanto Ollie E. Brown deixa tudo sincopado pelos nortes de sua batera e só observa Wonder administrar o feeling nas teclas.

É uma palhaçada, e o melhor de tudo é que o clima que permeia todo o especial é o mesmo da jam que abriu a caixa de Pandora como quem não quer nada, mas levou as viagens com sintetizadores de Wonder para outros nível em temas como ''Higher Ground'' e ''Don't Worry Bout A Thing''. Passagem que aqui, vale ressaltar, ganha uma de suas melhores versões ao vivo.


Nessa época esse cidadão brincava de fazer música e esse registro é uma prova disso. Tudo dava certo, os limites eram inexistentes e essa banda só precisava estar acordada para fazer algo surreal. Quem manja de música assiste isso e fica com a boca aberta uma semana por que sabe o nível de entrosamento, feeling e imersão que essas pessoas atingiram para conseguir elevar a plateia dessa maneira.

Podia ser cortando seu coração com ''I Can See The Sun In Late December'', fazendo você se recuperar ao som de ''He's Misstra Know-It-All'' ou simplesmente indo pra galera com ''Living For The City''... O planos dos caras era infalível e se mesmo assim não desse certo, a consagração era garantida durante o estrago de ''Superstition''.

Definitivamente, tome cuidado com essa apresentação. Vou deixar o set list aqui pra você tentar se encontrar em algum momento, mas no fim da postagem também deixarei o video completo do especial, e declaro desde já que não me reponsabilizo pelas sequelas.

Set:
''Jam''
''Contusion''
''Higher Ground''
''Don't You Worry 'Bout A Thing''
''I Can See The Sun In Late December''
''Hes Misstra Know-It-All''
''Living For The City''
''Superstition''


2 comentários:

  1. Coincidentemente estou a ouvir o disco I Can't Stand a Little Rain do Joe Cocker, onde mr.Ollie E. Brown empresta seu talento, o groove dos primeiros segundos de Put Out the Light atesta o talento do cara,
    e esse registro é maravilhoso, uma jam impossivel de ser repetida nos dias de hoje, músicos do mais alto gabarito tocando juntos, sem egocentrismo, tudo em prol da música, coisa rara nos dias de hoje
    parabéns pelo texto

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  2. Eu que agradeço man, performances como essa precisam estar sempre na ponta da língua!

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