Emily's D+Evolution: aqui Jazz Esperanza Spalding

A Esperanza Spalding faz o universo crer em novas dádivas para o mundo da música. Como da gosto ver essa moça trabalhar, como é reconfortante saber que dentro dessa nova geração de músicos da modernidade, ainda existam um bocado de mentes inquietas como a dessa bela senhora.

Acompanhar sua carreira é um deleite. É ótimo estar vivo, respirando e ocupando o mesmo espaço/tempo que essa distinta musicista utiliza como plano de fundo para suas ideias. É de uma beleza sem prescedentes ver o bem que ela faz, não só para o Jazz, mas a para a música de maneira geral.


Desde 2006 com o singular ''Junjo'', passando por ''Esperanza'' (2008) e a badaladíssima dupla ''Chamber Music Society'' (2010) e ''Radio Music Society'' (2012), que a Esperanza conseguiu atingir a massa Jazzística, mas também conseguiu sair um pouco desse polo ''erudito'' e atingir outros públicos também.

Tudo isso graças à excelentes colaborações com outros músicos, que surpreendendo também pelo ecletismo - vale lembrar que a sinhá já gravou até com o mestre Milton Nascimento - evidenciam como o grave da senhorita Spalding busca criar, priorizando apenas sua liberdade criativa.


Mas ainda assim, depois de tudo isso que já foi acrescentado, creio que foi só agora, em 2016, com seu quinto trabalho de inéditas (o exuberante ''Emily's D+Evolution''), que ela se escancara para o mundo todo. Por isso, antes do play, vista seu terninho psicodélico e entre nesse baião em Jazz.

Line Up:
Esperanza Spalding (baixo/piano/sintetizadores/vocal)
Katriz Trinidad (vocal)
Matthew Stevens (guitarra)
Fred Martin (vocal)
Karriem Riggins (bateria)
Emily Elbert (vocal)
Corey King (teclados/trombone/sintetizadores/vocal)
Celeste Butler (vocal)
Justin Tyson (bateria)
Nadia Washington (vocal)



Track List:
''Good Lava''
''Unconditional Love''
''Judas''
''Earth To Heaven''
''One''
''Rest In Pleasure''
''Ebony And Ivy''
''Noble Nobles''
''Farewell Dolly''
''Elevate Or Operate''
''Funk The Fear''
''I Want It Now''
''Change Us'' - Bônius
''Unconditional Love (Alternate Version)'' Bônus


''Emily's D+Evolution'' é um disco de um artista plena, uma alma que visa mais do que o lado estético das artes. Um excelente trabalho que mais do que músicos comprometidos, carrega a assinatura de um talento raro. O talento que fica pra sempre no tempo, o feeling de quem faz música por paixão. Música pela música, como deveria ser em todas as ocasiões.

E aqui, se você contar as duas faixas bônus da versão Deluxe, temos 12 excelentíssimas ocasiões. Grandes passagens que, plenamente produzidas pela própria Esperanza, junto ao incansável Tony Visconti, chegam para desconstruir todo o seu vocabulário musical, a ponto de originar um novo conceito que até agora não sei classificar, e rapaz, como é bom ouvir algo inclassificável!


Em cada tema Esperanza & banda tiveram o talento de cumprir a principal missão que a concepção desse trabalho teve: criar um universo particular em cada um dos temas. É interessante que todas as faixas são bem compactas (nenhuma delas supera a marca dos cinco minutos), mas em todas as oportunidades, elas são tomadas por uma grandeza que explora todas as possibilidades dentro de cada contexto.

Antes do lançamento desse disco (8 meses atrás), a americana que canta ''Ponta de Areia'' participou de mais uma session patrocinada pelo Skype. Esse foi o primeiro contato com a nova persona que gravou esse CD, e acredito que o impacto tenha sido impressionante.


Realmente, tudo mudou. O baixo trampa como baixo, mas faz estágio num som que as vezes entra muito mais como percussão do que como a espinha dorsal da jam. A bateria é bastante beneficiada pelo formato em trio e consegue segurar o ímpeto da Telecaster em nome dos experimentos quase sinfônicos em alguns momentos.

A harmonia foi o elemento que cunhou esse trabalho. Com uma banda montada só para este novo começo, alguns dos insights Progressivos que aparecem aqui com uma voz angelical na cobertura, jamais seriam possíveis sem Karriem Riggins na bateria e Matthew Stevens na guitarra. Acredite, essa dupla (junto com a Esperanza), parecem brincar com os tempos de todos os sons, o tempo todo.

O time de backing vocals que complementa a banda com Corey King nos metais, teclados, sintetizadores e voz, também faz um trabalho sublime. Com novas camadas de vozes, Spalding consegue trabalhar com a sua lírica nos microfones de uma maneira também inédita.


É engraçado como algumas pessoas ficaram chocadas com esse lançamento. Antes da data ninguém entendia nada. Todos estavam impressionados com a nova música e o novo visual, mas poucos souberam diluir os fatos.

Emily é o nome do meio de Esperanza. O conceito desse disco surgiu de um sonho onde a criadora desse universo particular se viu em 11 retratos. O fio condutor é pegar Emily, uma criança, como referência, e caminhar nesse campo rumo a um maior auto conhecimento dentro dos campos da vida, amor, sexo e processo criativo.


E o melhor de tudo é ver como todos esses climas  conspiraram a favor de um LP que exala originalidade. Em sons como ''Good Lava'' e ''Funk The Fear'' a baixista nos mostra que seu conservatório foi Rock 'N Roll. Com ''Ebony And Ivy'' temos um poema musicado que comprova sua nova abordagem com a voz, numa pegada que deixaria Gil Scott-Heron muito orgulhoso.

Mas é ao som da belíssima ''Unconditional Love'' que o ouvinte já se apaixona. Aquele bom e velho baixo cristalino. Ondas de Jaco Pastorius. Guitarras jugulares na medida de um McLaughlin solando em ''Judas'', com uma conexão em ''Earth To Heaven'' e ''One'', que só foram possíveis graças ao vigor técnico de uma batera que ouviu bastante Alphonse Mouzon.

A Esperanza sempre foi todo esse estardalhaço. A diferença é que agora ela regularizou a situação no cartório. Muito obrigado Emily, aqui Jazz Esperanza Spalding e sua poesia, toda trabalhada em vossa contemporaneidade.

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