Pat Metheny e o brilho insular de Bright Size Life

Toda vez que me deparo com algum músico gosto de saber sua idade. Não que ache que exista uma idade certa para começar ou que considere inapropriado usufruir de meu tempo com músicos da nova safra, mas não gosto de ouvir caras jovens demais.

Sempre parti do princípio que o exagero é a alma do negócio, às vezes o cara nem é tudo isso, mas o fato dele já possuir conteúdo gravado, com tão pouca idade, a ''mídia especializada'' acaba subindo a qualidade do material. A crítica acaba corrompendo o tempo de gestação para poder de fato avaliar a qualidade de um disco da maneira adequada.


Por isso que nessas horas me abstenho da crítica e tento elaborar hipóteses por mim mesmo, pois existem vários registros de músicos que atualmente são considerados geniais e que na época de certas gravações não tinham nem 20 anos.

É algo bem relativo, por isso, não se guie pela crítica, use-a a seu favor, veja por exemplo ''Bright Size Life'' (lançado em 1976), a estréia do brilhante Pat Metheny ao lado de nada mais nada menos que Jaco Pastorious.

O cidadão tinha 21 anos de idade quando esse disco se tornou público e o amadurecimento dos temas é simplesmente inacreditável, a técnica, as composições, a qualidade de fato magnífica de seu Jazz e o estrago de Jaco no baixo é um detalhe que torna qualquer tipo de comentário, absolutamente denecessário. 

Line Up:
Pat Metheny (guitarra)
Jaco Pastorius (baixo)
Bob Moses (bateria)



Track List:
''Bright Size Life''
''Sirabhorn''
''Unity Village''
''Missouri Uncompromised''
''Midwestern Nights Dream''
''Unquity Road''
''Omaha Celebration''
''Round Trip/Broadway Blues'' - Ornett Coleman


Pat Metheny foi um dos primeiros guitarristas de Jazz que conheci e como se não bastasse este fato, o americano ainda foi um dos primeiros caras que me mostraram a beleza de uma bela guitarra semi acústica. 

Aliás, até hoje esse cidadão e o George Benson são meus nortes neste campo, afinal com uma dessas não tem conversa ou indivíduo toca muito ou não toca nada. Nessa aresta da música o som é limpo, cristalino, 100% guitarra, sem essa de efeitos, tudo no feeling, assim como o Jazz desse grande baluarte.


Essa foi a estréia do guitarrista e a audácia do projeto já algo a se considerar, não só pelo fato de termos o baixo fretless do inconfundível de Pastorius, mas também por que o baixista concordou em tocar em um disco de estréia de um cara que, apesar de jovem espantava por seu talento desde muito cedo. 

E fazer uma Jam dessas em forma de trio é muita responsa. Bob Moses é pouquíssimo citado, mas o cidadão arrebenta nas baquetas. São cerca de quarenta minutos de um som primoroso, o único tilintar grooveado de um bom e raro fretless solando sob uma fabulosa semi acústica sob camadas leves e sinuosas de uma inspiradíssima bateria. 


Eis aqui um daqueles discos que impressionam não só pela qualidade, mas também pelo fato de mostrar um músico total e absolutamente pronto. Mas cuidado com interpretação, isso não quer dizer que Pat não tenha evoluído! Hoje o cabeludo toca muito mais, porém, desde o primeiro disco, ele mostrou a que veio com um domínio avassalador, algo que apenas os grandes conseguem. 

Grande Pat, escutem sem medo, a fluência desse trabalho é deliciosa, o cover do Ornett Coleman (''Round Trip/Broadway Blues'') é lindíssimo. Vamos manter o tom de surpresa e deixar que seus ouvidos solucionem outros mistérios sobre esses 37 minutos de perdição sonora. Pode me agradecer nos comentários hahaha!

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