Um raio cai duas vezes no mesmo lugar: conheça Purple Haze, o segundo tributo Hendrixiano do Lonnie Smith Trio

''Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar''. Quantas vezes você já não ouviu essa frase? Sua avó profetiza essa mentira das brabas pelo menos duas vezes por semana, mas antes que você me xingue, peço um minuto para me justificar, pois posso garantir que a sua coroa só fala isso por que nunca falaram pra ela que o Lonnie Smith gostava de Jimi Hendrix.


Sei que pode parecer muito louco falar da sua avó, de um dos maiores mestres do Hammond e do Hendrix, tudo no mesmo parágrafo, mas as coisas vão se encaixando na medida em que o seu dedo atinge o play.


Em 1994, o Dr. Lonnie Smith teve uma ideia no mínimo mirabolante: gravar um disco só de versões dos clássicos de Jimi Hendrix, colocando tudo sob a perspectiva Jazzística de seu órgão B-3. O ''problema'' é que tudo deu tão certo com seu trio que no ano seguinte ele resolveu repetir a dose e veio com ''Purple Haze'', o segundo tributo que finalizou as experimentações com o legado do apreciador de crepúsculos psicodélicos.

Line Up:
Lonnie Smith (Hammond B-3)
John Abercrombie (guitarra)
Marvin ''Smitty'' Smith (bateria)



Track List:
''Voodoo Chile''
''Up From The Skies''
''Gypsy Eyes''
''Purple Haze-Star Spangled Banner''


Repetindo o mesmo time do outro tributo e apostando em temas bastante interessante para sair do óbvio, Lonnie chega quente para esse segundo disco e mantém o mesmo número de Jams. A única diferença é que dessa vez não tem nada autoral. É tudo em nome do pai.

E para comprovar que a imersão foi completa e irrestrita, Lonnie já entra com ''Voodoo Chile'' e nos ofereceu o lado mais Jazzístico da lua como moeda de troca. Orientado pelo feeling das lágrimas do B-3, o compasso da guitarra se alterna entre o primeiro e o segundo plano com a mesma fluência com que a bateria preenche os espaços.

Considero esse disco superior em relação ao primeiro, pois a impressão que você, como ouvinte, terá após o fim do CD, é que a banda está mais azeitada. Dois discos nesse molde possibilitaram um maior entendimento e entrosamento dentro de um universo totalmente novo, e creio que essas doses etílicas de alquimia sonora fizeram muito bem para todos os envolvidos. Deve ter sido muito prazeroso encerrar um ciclo e recomeçar a pensar em novas composições depois dessa fase ''Hey Joe''.


Como dá gosto de ver que esses caras mataram tamanha responsabilidade no peito e ainda oferecerem um olhar completamente fresco, para uma música que dentro do referencial dos fãs, já tinha atingido o infinito dentro das possibilidades de mudança.

É brilhante observar como a cada composição, tudo parece mudar como numa pintura cubista. O referencial segue no Jimi, mas a cada suíte, seja ela com os quase 10 minutos de ''Up From The Skies'' ou os mais de 16 ao som de ''Gypsy Eyes''... Rapaz, o espólio do senhor James Marshall é torcido com a maior classe e visto de todos os ângulos da batuta Jazzística.

O sentimento é absurdo, o magnetismo quase xamânico. Depois que a Haze fica Purple no arroxeado de partituras da última jam, ''Purple Haze-Star Spangled Banner'' conclui algo de suma importância: não importância o referencial, a música do senhor Jimi Hendrix é tão poderosa que ela possui o poder de se renovar na mente dos melhores criadores. Fé em Jimi que ele é Hendrix. Obrigado Lonnie Smith & Trio, vocês entenderam o recado!

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