Os tempos líquidos do beat Criolêz

Recicle sua mente. Será que voltamos no tempo? Depois de uma crise econômica que colocou o Brasil nos trilhos da CPTM, diretamente para a estação de volta para o futuro, que o clamor do senhor Kléber Cavalcante Gomes, finalmente ganhou uma renovada licença poética. 

Para retornar os cânticos da quebrada, em prol de um set list de insights que jamais deveria ter abandonado a lírica bereta do Criolo Doido e de sua Odisseia, a Ilíada intitulada ''Ainda Há Tempo'', que os beats que deixaram esta obra mais compacta e futurista-contemporânea, pregam um serviço muito mais significativo do que apenas auxiliar um relançamento. 


Quando vemos um time de produtores que envolve Daniel Ganjaman, Sala 70, Vinicius Nave, Grou, Deryck Alonso Cabrera, Sem Grana, Papatinho, Tropkillaz e Marcelo Cabral... Bom, só lendo essa lista já deve dar pra matar a charada. O maior inimigo aqui era o ostracismo, um buraco negro que definitivamente não poderia ser o CEP de tamanho manifesto poético.

É como o Buda do Grajaú prega no ''novo'' disco. ''Esse Rap voltou pelo Rap''. E para demonstrar como as palavras de fato possuem poder, o sangue puro Criolêz mostrou a nobreza de sua lealdade frente ao seu melhor e paradoxalmente menos celebrado trabalho. Ainda Há Tempo de se fazer justiça frente a um dos CD's, que, definitivamente, é um do pilares do Rap nacional.


Track List:
''É o Teste''
''No Sapatinho''
''Chuva Ácida''
''Tô pra Ver''
''Breáco''
''Até Me Emocionei''
''Demorô''
''Vasilhame''
''Ainda Há Tempo''


E São nomes como o do Criolo que fazem jus ao status na gerência da biqueira artistica. Esse cidadão aí pode acordar pleno, todo santo dia, e crer com toda sua força que ele realmente existe como intérprete. Íntegro com sua arte, o agora Criolo (sã), ressurge com esse registro para provar como nada mudou em 10 anos de estrada.

O conteúdo desse trabalho é tão profundo e atual. A oportunidade de ouvir uma versão como essa. Um bem, agora, tão renovado e precioso como uma tarde de versos no Café Filosófico, espaço situado no Grajaú e mantido por sua mãe, a cabulosa dona Maria... Liberta, pelo menos assim o nosso caos de cada dia nos dai hoje se transforma em poesia. 


Eis aqui um brinde a reflexão. E para você que achou que as festividades iriam cessar com o lançamento de apenas um single, bom, quanta inocência meu caro! Não se engane pela reforma agrária no set list, se antes eram vinte e duas tracks, agora são apenas nove, mas a sabedoria ainda é de ébano.

Lázaro, creio que agora não seja necessário esperar por suas explicações. Entendemos tudo. É um fato, ainda há tempo.

2 comentários:

  1. Mano, muito bom o texto, muito bom que ainda há tempo de renovação e revisitação!
    Abraxxxx

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  2. Tem roolar man, o beat precisa pulsar!

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