Jonas Hellborg & sua Little Wing

Quando ouvi ''Little Wing'' pela primeira vez, foi como se o tempo tivesse parado de passar. Tudo parou para que eu assimilar tais acordes, sequências de notas insulares que, para essa faixa em especial, é um dos movimentos mais lindos que já escutei.

Talvez mais enigmático do que o sorriso da Monalisa, Jimi Hendrix eternizou um tilintar de sonho-e-realidade que ecoa de sua Fender com o impacto de uma verdade absoluta. O sentimento é supremo, os bends do mestre nos levam para vários planos. Nós apenas vamos e voltamos e, ao meu ver, nosso destino sensorial sempre muda, mas o senhor do tempo é sempre o mesmo, o universo harmônico do Sr. Woodstock..


Tocar Jimi é impossível, muitos fazem mas praticamente ninguém capta a essência. É plenamente possível contar nos dedos de uma mão (a sua escolha, claro) os covers dignos do mestre, e o motivo? Bom, não se explica, tal qual Hendrix em sua essência. Além da guitarra dionisíaca, a voz do Cherokee também era singular, e a forma como o discurso fluia em sua lírica desleixadamente banal, irradiava muito brilho dentro de sua Via Láctea psicodélica.

Porém ainda é possível tocar algumas faixas do membro da dinastia Marshall com certo capricho e destreza, só que nenhuma transcrição vai lhe ajudar, Vale lembrar que Jimi não sabia ler música, logo, se você o fizer, já está começando errado, e mesmo se eu soubesse tocar algo de seu espólio, jamais o faria, pois errar uma cópia é triste, e na minha mente, o americano apenas acordou, pegou sua Strato e tocou ''Little Wing'' toda, sem nem falar, apenas a colocando pra fora de sua mente, corpo e alma.


''Little Wing'' sim é impossível de ser tocada, pelo menos na guitarra nunca achei nada que chegasse perto do transe... Nunca ouvi nada que me fizesse ficar quieto, uma versão que tentasse emanar o equilíbrio, aquele sentimento de satisfação que depois do play desliga nosso cérebro tal qual a versão de quatro cordas de Jonas Hellborg, para o carpe diem das guitarras.

O baixo desse Suéco é deveras virtuoso, e sua linha para tirar esse som com as notas graves é belíssima, bate mais profundo pelo peso das cordas e deixa o ouvinte perplexo pela proximidade com o tema original e seu retumbante feeling. Aliás para os interessados, essa versão saiu em um disco solo do baixista, falo de ''Elegant Punk'', seu segundo trabalho lançado em 1984.

E você aí achando que não existia segunda opção...

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