DeWolff: você precisa escutar esses caras

O Rock Holandês sempre foi algo que me intrigou, e não pelo fato de ser ruim, muito pelo contrário. Quem já escutou um pouco do que este país fez em benefício do Rock (seja ele Progressivo, com pitadas de Blues, Psicodélico, Fusion ou tudo misturado), sabe do que estou falando, mas o problema mesmo é localizar tantas pérolas setentistas.

Golden Earring, Trace, Focus, Kayak, Fynch... Achar esses discos não é fácil, na internet já é uma missão e tanto, em material físico então é tarefa para enlouquecer qualquer colecionador. Mas eis que surge a pergunta: dentro de uma história tão rica e importante para o Rock, como os Holandeses não deram continuidade à sua vitoriosa linhagem? Será mesmo que não tem nada de novo na terra de Johan Cruyff?


Line Up:
Robin Piso (órgão/vocal/piano)
Luka Van De Poel (bateria)
Pablo Van De Poel (guitarra/vocal)



Track list:
''Mountain''
''Medicine''
''Don't You Go Up The Sky''
''Desert Night''
''Wicked Moon''
''Birth Of The Ninth Sun''
''Parloscope''
''Fire Fills The Sky''
''Red Sparks Of The Morning Dusk''
''Silver Lovemachine''
''Leather God''


Claro que tem meus amigos! Um país com tanta tradição não pode rejeitar o berço, veja que até mesmo no cenário atual, temos holandeses despirocando musicalmente, e em todas as cenas, esbanjando qualidade e criatividade.

Aliás estes são apenas dois dos possíveis sinônimos para o Power Trio mais vibrante dos países baixos. Falo sobre o DeWolff e as mudanças meteorológicas do disco de estréia do grupo, o impressionante ''Strange Fruits And Undiscovered Plants'', lançado em 2009.


Sons cavernosos bem voltados para a fritadeira de um épico órgão Hammond? Confere. versões Blueseiras de um Hard chapadíssimo? Por quê não? Temas longos, toques psicodélicos arrepiantes e distorções de explodir o Wah-Wah? Tem também. Chamar esse som de completo é o mínimo que se pode fazer.

Primeiramente gostaria de pedir que os senhores prestem atenção, por que a primeira quadra do disco passa em menos de quinze minutos. ''Mountain'', ''Medicine'' ''Don't You Go Up The Sky'' e ''Desert Night'' chegam com um beat fulminante.

Mas o interessante é que depois desta primeira parte, as faixas começam a ter um caráter mais viajado. atingindo um teor que beira o Hard-Prog em alguns momentos. As guitarras acelera, o som fica fritadíssimo, os vocais absorvem efeitos e parece que você está sob o efeito de morfina.


As extremidades esquentam, a cabeça pesa, você fica num semi coma... ''Birth Of The Ninth Sun'' chega arrastada em psicoses, ''Fire Fills The Sky'' adentra o recinto rastejando com seus riffs bipolares, enquanto ''Red Sparks Of The Morning Dusk'' parece despertar lados obscuros do seu cérebro.

Em questões de segundos o bendito tempo que parecia voar, e incomodava o ouvinte pela velocidade com que o disco parecia chegar ao fim, começa a se arrastar e você delira de alegria, acordando num ataque epilético quando os deca minutos de ''Red Sparks Of The Morning Dusk'' floreiam as ondas sonoras de seus sistema de som.

Os vocais chegam num clima Doom pesadíssimo com pinta de Peter Hammil, encerrando a viagem com o fim abrupto e surpreendente de ''Leather God''. Este é o DeWollf, uma das bandas com o som mais não óbvio que surgiram nos últimos tempos.

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