É um fato: o Snarky Puppy pode tocar qualquer coisa

Conheci o Snary Puppy quando a banda já estava ficando grande. Na época eles estavam concorrendo a um Grammy (que depois ganharam), as mídias especializadas sentiram firmeza no repertório da Big Band e começaram a dar aos caras toda a atenção que músicos deste calibre realmente merecem, mas, com tudo isso, ainda segui meio receoso quanto aos limites que eles poderiam quebrar, mas parei com essa baboseira depois que ouvi o trampo mais recente da banda.


''Culcha Vulcha'', o décimo primeiro disco dos apreciadores de Jazz Fusion (lançado no dia 29 de abril de 2016), chega com um quê instrumental único na discografia do coletivo até o momento. Antes a cozinha de Michael League & cia era calcada num som cheio de quebras abruptas, arranjos complexos e uma intensidade absurda, mas com ''Culcha Vulcha'' isso mudou bastante. 

Line Up:
Michael League (baixo/sintetizadores/teclados/viola/ukelele)
Bill Laurance (teclados)
Cory Henry (teclados)
Justin Stanton (teclados)
Bobby Sparks (teclados)
Shaun Martin (talk box/sintetizadores)
Bob Lanzetti (guitarra)
Mark Lettieri (guitarra)
Chris McQueen (guitarra)
Nate Werth (percussão)
Keita Ogawa (percussão)
Marcelo Woloski (percussão)
Robert ''Sput'' Searight (bateria)
Jay Jennings (trompete/trombone)
Mike ''Maz'' Mahler (trompete/trompa)
Chris Bullock (saxofone/flauta/clarinete/teclados)
Bob Reynolds (saxofone)
Zach Brock (violino)
Jason "J.T" Thomas (bateria)
Larnell Lewis (bateria)



Track List:
''Tarova''
''Semente''
''Gimini'' - Justin Stanton
''Grown Folks''
''Beep Box'' - Chris Bulllock
''GØ''
''The Simples Life'' - Bob Lanzetti
''Palermo'' - Marcelo Woloski
''Big Ugly''
''Jefe'' - Mark Lettieri


A complexidade ficou. O feeling que jamais deixou a banda na mão também, mas teve um convidado ilustre que chegou pra somar no groove: um Funk Chill Out que desconcerta qualquer um, até mesmo aqueles que ouviram o play umas vezes e começaram a reclamar que não era mais "o Snarky Puppy de antes''.

Balela, o som ficou finíssimo e acho que se tinha algo que eles precisavam provar, agora a banda definitivamente zerou o débito e pode solar tranquila, por que o que dava pra fazer dentro desse modelo moderno de Jazz, eles estão fazendo e muito bem.

Fora que nem assim eles perdem a naturalidade. Pra variar a música é tocada com uma aparente facilidade que chega a irritar os mais estudiosos e, pra quem gosta de swing, esse trampo é um prato cheio para evidenciar o tato Funkeado que a banda possui.


É claro que o Funk sempre esteve presente na cozinha, mas até aí, qual estilo que eles ainda não misturaram na panela de pressão? A única diferença agora é que dessa vez eles fazem a comida numa panelinha mais suave, com um groove intrincado, mas bastante volátil e tinhoso nos teclados.

O riff que abre o disco com ''Tarova'' já deixa isso claro. Daqui a pouco vai se necessário registrar firma por que na verdade o que temos aqui é um núcleo de alquimistas de todas as partes do globo que chegam com milhares de influências que sempre resultam num único DNA.

E o material genético sintetizado dessa vez é uma grooveria de lascar. Um som que começa quente já com os teclados que induzem ao riff de ''Tarova''. Aliás, se você gosta de umas teclas, esse disco vai descer redondíssimo, já que temos um time com 5 caras no front do marfim malhado.

Esqueça as gravações ao vivo da banda por um momento. Esse é de longe o disco mais produzido da história do Snarky Puppy, algo que não é ruim, muito pelo contrário. O som está bastante cristalino como sempre, mas a atmosfera do Funk, mesmo ainda que dentro de estúdio, deixa tudo bastante libertino.


Rola um insight raiz do carnaval de Olinda com ''Semente'', camadas embriagantes do mais puro creme de guitarra texturizada em ''Gemini'', e uma verdadeira baixaria com o que é possívelmente o riff de baixo mais bem grooveado que o Snarky criou este ano para o show de metais em ''Grown Folks''.

Bote fé que rola de tudo. Se você quiser um tema pra gratinar o cérebro, pode crer que tem: ''Beep Box'' chega emulando o que o Kool & The Gang fez em ''Tenor Madness''. "GØ", por sua vez, relembra os velhos tempos de caldeirão, mas com uma roupagem mais espacial bem trabalhada nas cordas e arranjos de metais. E se ''The Simples Life'' segue experimentando os timbres da modernidade, "Palermo'' mostra que o batuque da percussão não foi esquecido, além de "Big Ugly", tema que nos mostra o motivo pelo qual não podemos subestimar esses caras.

Música pra dançar, ficar de joelhos, desconcertado por tanto sentimento e até um bônus (''Jefe'') pra não falar que os caras não são gente fina. Como é bom ficar à mercê de um som instrumental tão completo, profundo e que está mudando as regras do jogo. Vida longa aos fritadores!

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