O evangelho da Aretha Franklin mandando Spirit In The Dark

Dentro do que existe no Soul, a Aretha Franklin sempre pareceu estar um passo a frente das demais ladies que, assim como ela, guiavam essa tradição como se fosse o circuito da Tocha Olímpica. Acho que não era somente pelo climão Gospel, Aretha conquistou o mundo por que podia soar rústica e refinada como um toque de seda, tudo na mesma faixa.


São mais de 40 trabalhos de estúdio. Acredito piamente que uma discografia deste porte precisa de no mínimo meia vida para ser apreciada e realmente compreendida em toda sua magnitude, mas é claro que não precisamos de 20 anos para sacar que estamos ouvindo algo realmente único, que isso! Com 40 minutos à disposição já é possível se ligar que LP's como o ''Spirit In The Dark'' são verdadeiras dádivas da humanidade.

Line Up:
Aretha Franklin (vocal)
Eddie Hinton (guitarra)
Dave Crawford (órgão)
Howard ''Buzz'' Feiten (guitarra)
Ronald "Tubby" Ziegler (bateria)
Jimmy Johnson (guitarra)
Sammy Creason (bateria)
Jimmy O'Rourke (guitarra)
The Sweet Inspirations (vocal)
Roger Hawkins (bateria)
Wylene Ivy (vocal)
Margaret Bluch (vocal)
Tommy McClure (baixo)
Almeda Lattimore (vocal)
Harold ''Hog'' Cowart (baixo)
Pat Lewis (vocal)
Duane Allman (guitarra)
Jim Dickinson (teclados)
Cornell Dupree (guitarra)
Brenda Bryant (vocal)
Ray Lucas (bateria)
Barry Beckett (teclados)
Charlie Freeman (guitarra)
Evelyn Green (vocal)
David Hood (baixo)
Mike Utley (teclados)



Track List:
''Don't Play That Song (You Lied)'' - Ahmet Ertgun/Betty Nelson
''The Thrill Is Gone (From Yesterda's Kiss)'' - Rick Darnell/Roy Hawkins
''Pullin''' - Carolyn Franklin/Jimmy Radcliff
''You And Me''
''Honest I Do'' - Ewart Abner/Jimmy Reed
''Spirit In The Dark''
''When The Battle Is Over'' - Jessie Hill/Malcolm Rebennack
''One Way Ticket''
''Try Matty's''
''That's All I Want From You'' - Fritz Hotter
''Oh No Not My Baby'' - Gerry Goffin/Carole King
''Why I Sing The Blues'' - B.B. King/Dave Clark


A Aretha sim conhecia de música. Ouvir sua voz e seus discos é um convite irrecusável para se entender a profundidade dos Spirituals que tanta a influenciaram, do Blues e das mais primitivas gravações Jazzísticas. 

Esse disco, por exemplo, nos apresenta a 4 temas autorais da cantora, mas os outros 8 são versões de caras que variam de Carole King  à B.B. King. A riqueza instrumental e o climão de missa no Harlem se mantém durante todo o tempo que LP rodopia com órgãos uivantes ao fundo e passagens de guitarra de mestres como Duane Allman e Cornell Dupree.


É um fato, os melhores sempre tocam juntos e com um repertório desse não tinha como a Atlantic não bancar uma sessão decente. Escute a perfeição das cordas enquanto Aretha abre o disco com ''Don't Play That Song''. As vozes assoviando nos backing vocals, aquele piano que lhe joga na sarjeta com o Blues de ''The Thrill Is Gone'...

Como ela conseguia evocar as mais diversas reações nos seres humanos. Como ela ia do 8 para o 80 sem perder a passada do piano, atropelar o groove de ''Pullin''', tampouco titubear numa de suas melhores composições ("You And Me") para um dos maiores clássicos da história da música.

E tudo que ela fala entra nos ouvidos como a mais doce das verdades absolutas. Esse também é o grande lance com os melhores intérpretes, eles podiam cantar sobre qualquer coisa que é só dar play para começar a crer.


Talvez essa seja a maior lição de ''Spirit In The Dark'': crer no que você sente, mesmo que isso não seja palpável ou no fim das contas todas as 11 faixas foram uma mera desculpara para que a cantora pudesse encerrar o disco cantando Carole e B.B. King. Sei lá, vai saber, talvez ela esteja apenas nos usando, mas eu acho que vale a pena passar por esse perrengue.

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