The Admiral Sir Cloudesley Shovell e o som arruaceiro de Check 'Em Before You Wreck 'Em

O Rock é sempre visto como aquela explosão de tudo que potencialmente pode ser exacerbado, mas quem tem o mínimo de noção sabe que não dá pra ser um louco desvairado 24 horas por dia. É necessário saber disfarçar, ter um pouco de auto controle, algo que é difícil pacas dependendo do que você esteja ouvindo no momento.

Uma cena que sempre imagino (e que invariavelmente me rende ótimas risadas) é achar alguém no ônibus, metrô ou até mesmo andando na rua, que esteja ouvindo música sem ''segurar a onda''. Gosto de ver aquele cara que está dando pala, que esteja fritando mesmo, curtindo o som e tratando de deixar isso bem claro para quem estiver perto. Respeito muitos os ouvintes fanáticos que estão literalmente cagando e andando para olhares estranhos de donas de casas e populares desconhecidos.


Alguns sons, quando combinados com a força de um bom par de fones podem produzir uma onda de euforia incontrolável... acredite, acontece com as melhores bandas e seus respectivos discos, aliás, andei ouvindo um petardo esse mês que muito provavelmente me fez passar papel de otário pelas ruas de São Paulo, mas no fim das contas quem é que liga? Aposto que o The Admiral Cloudesley Shovell não está nem aí, mas deveria, por que ''Check 'Em Before You Wreck 'Em'' (lançado em 2014) é um puta disco.

Line Up:
Bill Darlington (bateria)
Louis Comfort-Wiggett (baixo)
Johnny Gorilla (guitarra/vocal)



Track List:
''Do It Now''
''2 Tone Fuckboot''
''Captain Merryweather''
''Running From Home''
''Happines Begins''
''Shake Your Head''
''Don't Hear It... Fear It!''
''Bulletproof'''
''The Thicker The Better''
''Late Night Mornings''


Em comparação com o primeiro disco dos ingleses ("Don't Hear It... Fear It" lançado em 2012), ''Check 'Em Before You Wreck Em'' mostra uma cozinha mais ousada. A estética do som continua a mesma: um resumo caótico e sujo até a medula do que parece ser a narração de um porre no bar mais decadente de todos os tempos, só que tudo com uma técnica apuradíssima e grandes embates instrumentais.

Temos Hits em potencial na mesma proporção habitual, como na abertura do disco com ''Do It Now'', e na sequência com ''2 Tone Fuckboot'', mas notamos, por exemplo, um maior trato instrumental... Um lance mais meticulosamente calculado.

E s mais de 8 minutos de ''Captain Merryweather'' comprovam isso. Em certos momentos a banda chega a abdicar do peso costumeiro para temperar e levar a jam no feeling, sempre ao som de ideias frescas e de uma criatividade pulsante.

Não dá nem tempo de raciocinar, pois faixas como ''Running From Home'', ''Shake Your Head'', e ''Don't Hear It... Fear It!'' pregam um evangelho onde a insanidade é a única porta de saída. A banda consegue construit um cenário épico com aquela mesa de bar caída na fase de ouro do Garage Rock e aquele cheiro de mijo misturado com Whisky e trilhas de bituca de cigarro.


É só acender um fósforo que o lugar todo explode... Talvez essa seja a essência desse som: o momento vacilante entre uma tentativa de explosão (com ''Bulletproof''' e ''The Thicker The Better''), junto com o peso, a velocidade e toda a chapação que serve como um tênue meridiano que divide os bêbados de quem queimou a largada.

 ''Late Night Mornings'' é a faixa que resume o que a banda buscou com esse novo trabalho: manter a mesma fórmula, mas elevar o padrão e criar coisas diferentes. É possível até pra dar uma dispersada nessa viagem com clima de banho maria. Pra variar Bill Darlington, Louis Comfort-Wiggett e Johnny Gorilla cunharam mais um grande disco.

0 comentários: