Youthanasia: tudo sobre Pendurar crianças no varal e escutar Megadeth

Os grandes medalhões do Heavy Metal vem perdendo cada vez mais espaço hoje em dia e não é por falta de relevância, mas sim por que a qualidade da obra recente deles caiu muito, ainda mais se comparado aos anos de ouro.

Atualmente é bastante complicado para grandes grupos manterem sua soberania, e isso é muito bom. Por um lado, faz as bandas não se acomodarem, por que sabem que se não vierem com algo realmente bom, outros grupos vão fazê-lo, mas existem dois tipos de problemas nisso:

1 - Ou a banda segue alternando bons e maus discos.
2 - Ou cai em pleno declínio depois de anos de pura soberania.


Quando leio os dois parágrafos escritos acima e o complemento com as duas possibilidades listadas, a primeira banda que surge em minha mente é o Megadeth. E mesmo eu, que gosto da banda, não posso negar que os caras não lançam algo notável faz um tempinho. 

Para este que vos escreve, a coisa perdeu o fio da meada depois que o ''The Words Needs A Hero'' (2001) saiu, se bem que se você for mais exigente não seria tão exagerado afirmar que o último grande disco do Mega tenha sido o ''Youthanasia'', lançado em 1994.

Line Up:
Dave Mustaine (vocal/guitarra)
Marty Friedman (guitarra)
David Ellefson (baixo)
Nick Menza (bateria)
Jimmie Wood (gaita)



Track List:
''Reckoning Day''
''Train Of Consequences''
''Addicted To Chaos''
''A Tout Le Monde''
''Elysian Fields''
''The Killing Road''
''Blood Of Heroes''
''Family Tree''
''Youthanasia''
''I Thought I Knew It All''
''Black Curtains''
''Victory''


Esse disco encerra a fase de ouro do Megadeth, algo que estava fadado a acontecer. Ninguém consegue lançar seis discos excelentes como o grupo fez e ainda manter as tours monstruosas que a banda se propunha a traçar em seu calendário, sem ao menos começar a cair pelas tamancas. 

O Megadeth foi soberano dentro da cena durante quase uma década, desde a estréia do grupo, com o arregaço híbrido de Trash e Heavy de ''Killing Is My Business... And Business Is Good!'' (1985) até este disco, a banda de Dave Mustaine manteve um padrão de qualidade monstruoso.

Os discos que vieram depois deste aqui são até aceitáveis, mas depois do ''The Words Needs A Hero'', os fãs da banda sabem que no fundo nunca mais ouviram um grande trabalho como esse aqui, aliás, até a capa desse disco é excelente.

Na arte feita por Hugh Syme (famoso por por criar capas para o Rush e o Iron Maiden) nós temos uma velha pendurando crianças num varal. Essa prática tem como fim a rápida secagem dos pimpolhos, pois eles deveriam ter acabado de sair da máquina de lavar, claro.


Trocadilhos a parte, o conteúdo das letras desse CD é muito interessante. Para manter a destreza no verbo, Mustaine continua atirando para todos os lados, desde questões governamentais, até o ponto chapante das drogas, sua vida em sociedade e as guerras, um de seus assuntos preferidos. 

Aliás, a faixa título (tanto quanto a capa) merece um destaque especial. ''Youthanasia'' vem de ''Eutanásia'', que é basicamente a aceleração da morte de um indivíduo incurável, para que se termine todo o ciclo de sofrimento que o envolve. Neste ponto de vista, Mustaine joga na cara dos ouvintes que nós podemos produzir ou esperar a Eutanásia, algo válido a se pensar, ainda mais nesta sociedade.

Sobre o restante da gravação só tenho elogios a tecer, aqui a banda seguia muito bem, com um instrumental fantástico e com Dave no topo de seu jogo, exalando Riffs e contando com Marty para adicionar ainda mais peso e criatividade na cozinha. 


Temos um cenário muito criativo desde a primeira faixa. Começamos pesando o amplificador e testando a timbragem do baixo ao som de ''Reckoning Day'', temos ótimos riffs (afinal trata-se de Dave Mustaine) e ''Train Of Consequences'' é apenas um dos exemplos, isso fora a aula de Francês com a bela ''A Tout Le Monde'' e uma exibição de gala por parte de Friedman, rola até uma gaita!

São doze faixas excelentes e o disco como um todo é um trabalho muito linear, o único problema é que quando acaba, faz os fãs ficarem meio deprimidos, Os últimos CD's do grupo foram bem fracos, mas é aquela coisa, nunca duvidem de Dave Mustaine, afinal de contas ele foi expulso do Metallica e, SOZINHO, fez uma banda tão grande, seminal, mais pesada e rápida do que seu ex grupo.

Observação: depois do fim do disco, tire as crianças do varal, acredito que depois de uma hora elas já estejam secas.

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De domingo a domingo com Trombone Shorty e as cores quentes de Say That To Say This

Agora estou de férias, mas até um mês atrás o processo de ''percusso semanal'', aquele famigerado ''dia-a-dia'', era bastante complicado. Me lembro que toda segunda levanta e pensava: ''mais um dia'', e de fato, não estava errado, pois depois daquele ainda teria mais quatro pela frente.


Segunda-feira é covardia. Parece que tudo é ruim, aliás, de todos os meus horários da faculdade, o da segunda era o mais cruel (veja que nada nessa vida é por acaso). De uns anos pra cá comecei a contar os dias a partir de terça, dia que para este que vos escreve, marca o fim dos ressentimentos pelo fim do final de semana. Você simplesmente precisa aceitar e a terça é o primeiro passo.

A quarta-feira, por sua vez, marca a metade do martírio, um dia em que normalmente todos estão de bom humor, pois o pior já passou (segunda) e agora já superamos o trauma do fim de semana na terça. Agora estamos prontos para tudo, no pique para virar e ir para a quinta-feira ou como gosto de chamá-la: pré sexta.


A quinta passa lentamente e acho que agora sei o motivo. Sempre que lembro desse dia a primeira coisa que surge é: ''falta um dia pra sexta, depois chega o sábado e ai estou feito!'' Talvez seja este o motivo de meu apreço pelas quintas... Um dia idealizado, na maioria das vezes tranquilo, até dormir e chegar na sexta.

Ah sexta-feira, que dia, parafraseando Milton Leite ''ai eu se consagro''. Dia de bar, fechar a semana de maneira tranquila e dar play nos dias vagos. Aliás, falando em delírios semanais, faz uns dois ou três meses que venho ouvindo um disco que toda vez que me perguntam se é bom ou não, respondo: ''tão bom quanto uma sexta-feira, alegra o ouvinte e o deixa pilhado na medida certa''.

Falo sobre ''Say That To Say This'' e o Jazz-Funk da revelação Trombone Shorty. Eis aqui um som que não falha, Pop na medida certa pra fazer toda a semana parecer sexta-feira e nos mostrar que a cena de Jazz contemporâneo é forte igual o DNA sonoro de New Orleans que permeia este registro.

Line Up:
Trombone Shorty (trompete/trombone/vocal/bateria)
Michael Ballard (baixo)
Lemar Carter (bateria)
Charles Jones (órgão)
Pete Murano (guitarra)
Art Neville (guitarra/órgão)
Cyril Neville (vocal)
Joey Peebless (bateria/percussão)
George Porter Jr (baixo)
Raphael Saadiq (baixo/guitarra/teclado/vocal)
Charles Smith (percussão/vocal)
Taura Stinson (vocal)
Calvin Turner (baixo)
Zigaboo Modeliste (bateria)



Track List:
''Say That To Say This''
''You And I (Outta This Place''
''Get The Picture''
''Vieux Carre''
''Be My Lady''
''Long Weekend''
''Fire And Brimstone''
''Sunrise''
''Dream On''
''Shortyville''


Esse CD fecha a primeira trinca do americano com a Verve. Tivemos (em ordem cronológica), ''Backtown'' (lançado em 2010) ''For True'' (lançado em 2011) e ''Say That To Say This'', lançado no dia 10 de setembro de 2013, talvez o ponto mais alto da carreira do americano até o presente momento.

Músico requisitadíssimo, Shorty abocanhou a cena Jazzística em pouquíssimo tempo e, com isso, os festivais mais tradicionais (do Jazz ao Blues) ficaram pequenos para sua cozinha swingada. O circuito ficou tão pequeno, que agora o maior foco é seguir emplacando o Funk, algo que neste trabalho se mostra bastante visível.


''Say That To Say This'' é um trampo completo, de fácil e deliciosa audição, com temas instrumentais e outros cantados. Um passeio tranquilo e pra lá de coeso pelo melhor do Jazz e pelo swing clássico do Funk. Viciante e dinâmico desde a faixa título, arrojado em ''You And I (Outta This Place'' e ácido com o groove preciso de ''Get The Picture'', Trombone Shorty mostra a importância da renovação. 



Munido de uma excelente banda de apoio, alguns de seus temas instrumentais, como ''Vieux Carre'', por exemplo, aparecem com bastante requinte. É claro que também existe espaço para uma jam mais malandra, como ouvimos em ''Be My Lady'', mas no geral os timbres se mantém com um alto índice de classe para não entregar toda a fritação logo de cara, pois se assim fosse, temas como ''Long Weekend'' e o veneno de rachar a emenda do telhado (''Fire And Brimstone'') seriam meros detalhes,

Com um track list bem montando, mesclando requintes rebolativos, momentos mais técnicos, feeling e mais temas instrumentais, a trinca final é um veneno. ''Sunrise'' é sublime, ''Dream On'' e ''Shortyville'' são os anúncios para um pré até logo que lamentavelmente aparece depois de pouco mais de 35 minutos. 

Eis aqui um belo disco, nada de outro planeta, mas às vezes é bom relembrar que a música Pop pode ser boa, sempre que bem pensado, é claro.

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Jerry Garcia & David Grisman: Coloque Not For Kids Only pra tocar no berçário

Um bom músico é aquele que se preocupa com o futuro. Um cidadão que além de notar e aplicar as novas tendências, sente uma necessidade incrível de acrescentar algo para seus companheiros humanos. Um objetivo que as vezes é maior do que apenas mais um disco de inéditas.

É um encontro entre gerações. Uma tentativa que visa compreender as mudanças que muitas vezes nos tornam antiguados perante os pimpolhos da geração Y. Aquele detalhe que faz uma criança nos diferenciar de um velho babão e falar que o tio é um cara bacana.


O elemento Jerry Garcia & David Grisman. Uma das uniões mais humanas, puras e prudentemente acústicas que você encontrará por aí. E se você acha que a sonoridade é um híbrido de Gtraful Dead com Country, fique o senhor sabendo que outros trabalhos da dupla poderiam carregar essa alcunha, todos eles, menos ''Not For Kids Only''.

Line Up:
Jerry Garcia (guitarra/vocal)
David Grisman (banjo/bandolim/vocal)
Hal Blaine (percussão)
Joel Craven (violino/percussão)
Matt Eakle (percussão)
Larry Granger (violoncelo)
Larry Hanks (harpa)
Heather Katz (violino)
Jim Kerwin (baixo)
Daniel Kobialka (violino)
Pamela Lanford (oboé)
Jim Miller (baixo)
Rick Montgomery (guitarra)
Kevin Porter (trombone)
John Rosemberg (piano)
Jim Rothermel (clarinete)
Willow Scarlet (gaita)
Nance Severance (violão)
Jody Stecher (violino/vocal)
Peter Welker (trompete)


Track List:
"Jenny Jenkins"
"Freight Train"
"A Horse Named Bill"
"Three Men Went A-Hunting"
"When First Unto This Country"
"Arkansas Traveller"
"Hopalong Peter"
"Teddy Bears' Picnic"
"There Ain't No Bugs On Me"
"The Miller's Will"
"Hot Corn, Cold Corn"
"A Shenandoah Lullaby"


Em tempos de grande consumo quando o assunto se volta à soda cáustica musical, o público brasileiro está quase no padrão FIFA. Por isso, é necessário pensar no futuro. ''Save the children'', já diria Marvin Gaye. Só que trocadilhos à parte, falo sério, a nova geração é o futuro e se der pra escolher entre tudo que rola no cenário mainstream nacional e esse disco, aumente o volume e deixe que seu descendente se encante com Jerry e Grisman.

Além de ser uma ótima opção para substituir a Galinha Pintadinha e todos seus sucateados derivados, ''Not For Kids Only'' é um disco pensado e tocado para as crianças, mas no fim das contas o choro da guitarra de Jerry é universal, logo, você também o apreciara.

David Grisman foi um carra muito importante no fim da carreira do guitarrista do Grateful Dead. Depois de anos se perdendo na jam, Jerry foi atrás de novas possibilidades, montou uma banda acústica, começou a brincar com o Country, mexia no Folk... Tudo isso só aconteceu devido à influência do talentosíssimo Grisman, que além de gravar 3 trabalhos de estúdio com o mestre, tocou e ainda toca com meio mundo.


Lançado no dia 20 de outubro de 1993, essa colaboração é um dos discos menos comentados da dupla e um dos mais profundos. Falar com o público infantil é difícil e, quando dois gigantes o fazem, tenha certeza de que não deve ser um hobby.

Temos aqui 12 temas e pouco mais de 50 minutos de algo sublime. Pegue a nata dos clássicos da música tradicional americana e sente com seu filho no sofá. Isso é tudo que permeia essa gravação, isso e um acabamento soberbo por trás, o test drive de ''Jenny Jenkins''.

Se você reparar bem, Jerry sempre foi a cara de ''Nor For Kids Only'', a única diferença é que antes de gravar temas como ''A Horse Named Bill'', ''There Ain't No Bugs On Me'' e ''A Shenandoah Lullaby'', ele estava mandando ver com ''Dark Star''. Coisas da vida meu amigo, quando coloco esse disco no play minha irmã fica até mais calma... Boa música, meu rapaz, são outros 500, até eu encaro uma soneca com os pequeninos quando essa dupla pega o banjo. Coisa fina!

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