De domingo a domingo com Trombone Shorty e as cores quentes de Say That To Say This

Agora estou de férias, mas até um mês atrás o processo de ''percusso semanal'', aquele famigerado ''dia-a-dia'', era bastante complicado. Me lembro que toda segunda levanta e pensava: ''mais um dia'', e de fato, não estava errado, pois depois daquele ainda teria mais quatro pela frente.


Segunda-feira é covardia. Parece que tudo é ruim, aliás, de todos os meus horários da faculdade, o da segunda era o mais cruel (veja que nada nessa vida é por acaso). De uns anos pra cá comecei a contar os dias a partir de terça, dia que para este que vos escreve, marca o fim dos ressentimentos pelo fim do final de semana. Você simplesmente precisa aceitar e a terça é o primeiro passo.

A quarta-feira, por sua vez, marca a metade do martírio, um dia em que normalmente todos estão de bom humor, pois o pior já passou (segunda) e agora já superamos o trauma do fim de semana na terça. Agora estamos prontos para tudo, no pique para virar e ir para a quinta-feira ou como gosto de chamá-la: pré sexta.


A quinta passa lentamente e acho que agora sei o motivo. Sempre que lembro desse dia a primeira coisa que surge é: ''falta um dia pra sexta, depois chega o sábado e ai estou feito!'' Talvez seja este o motivo de meu apreço pelas quintas... Um dia idealizado, na maioria das vezes tranquilo, até dormir e chegar na sexta.

Ah sexta-feira, que dia, parafraseando Milton Leite ''ai eu se consagro''. Dia de bar, fechar a semana de maneira tranquila e dar play nos dias vagos. Aliás, falando em delírios semanais, faz uns dois ou três meses que venho ouvindo um disco que toda vez que me perguntam se é bom ou não, respondo: ''tão bom quanto uma sexta-feira, alegra o ouvinte e o deixa pilhado na medida certa''.

Falo sobre ''Say That To Say This'' e o Jazz-Funk da revelação Trombone Shorty. Eis aqui um som que não falha, Pop na medida certa pra fazer toda a semana parecer sexta-feira e nos mostrar que a cena de Jazz contemporâneo é forte igual o DNA sonoro de New Orleans que permeia este registro.

Line Up:
Trombone Shorty (trompete/trombone/vocal/bateria)
Michael Ballard (baixo)
Lemar Carter (bateria)
Charles Jones (órgão)
Pete Murano (guitarra)
Art Neville (guitarra/órgão)
Cyril Neville (vocal)
Joey Peebless (bateria/percussão)
George Porter Jr (baixo)
Raphael Saadiq (baixo/guitarra/teclado/vocal)
Charles Smith (percussão/vocal)
Taura Stinson (vocal)
Calvin Turner (baixo)
Zigaboo Modeliste (bateria)



Track List:
''Say That To Say This''
''You And I (Outta This Place''
''Get The Picture''
''Vieux Carre''
''Be My Lady''
''Long Weekend''
''Fire And Brimstone''
''Sunrise''
''Dream On''
''Shortyville''


Esse CD fecha a primeira trinca do americano com a Verve. Tivemos (em ordem cronológica), ''Backtown'' (lançado em 2010) ''For True'' (lançado em 2011) e ''Say That To Say This'', lançado no dia 10 de setembro de 2013, talvez o ponto mais alto da carreira do americano até o presente momento.

Músico requisitadíssimo, Shorty abocanhou a cena Jazzística em pouquíssimo tempo e, com isso, os festivais mais tradicionais (do Jazz ao Blues) ficaram pequenos para sua cozinha swingada. O circuito ficou tão pequeno, que agora o maior foco é seguir emplacando o Funk, algo que neste trabalho se mostra bastante visível.


''Say That To Say This'' é um trampo completo, de fácil e deliciosa audição, com temas instrumentais e outros cantados. Um passeio tranquilo e pra lá de coeso pelo melhor do Jazz e pelo swing clássico do Funk. Viciante e dinâmico desde a faixa título, arrojado em ''You And I (Outta This Place'' e ácido com o groove preciso de ''Get The Picture'', Trombone Shorty mostra a importância da renovação. 



Munido de uma excelente banda de apoio, alguns de seus temas instrumentais, como ''Vieux Carre'', por exemplo, aparecem com bastante requinte. É claro que também existe espaço para uma jam mais malandra, como ouvimos em ''Be My Lady'', mas no geral os timbres se mantém com um alto índice de classe para não entregar toda a fritação logo de cara, pois se assim fosse, temas como ''Long Weekend'' e o veneno de rachar a emenda do telhado (''Fire And Brimstone'') seriam meros detalhes,

Com um track list bem montando, mesclando requintes rebolativos, momentos mais técnicos, feeling e mais temas instrumentais, a trinca final é um veneno. ''Sunrise'' é sublime, ''Dream On'' e ''Shortyville'' são os anúncios para um pré até logo que lamentavelmente aparece depois de pouco mais de 35 minutos. 

Eis aqui um belo disco, nada de outro planeta, mas às vezes é bom relembrar que a música Pop pode ser boa, sempre que bem pensado, é claro.

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