Admiral Sir Cloudesley Shovell - Don't Hear It... Fear It

Sons advindos da máquina do tempo estão em alta hoje em dia. Alguns dizem que ser vintage é cult, outros dizem que ser cult é o novo vintage, e juntos ambos trazem algum destaque ao cerne do ser humano, mas pra quem gosta de música isso é só idiotice catalogada. Se for pesado e bom, para nós, os fãs de Rock, já é o suficiente, o problema é quando é excelente, pesado e some.


O ano era 2012. Eu estava em casa vendo televisão e resolvi voltar ao computador por que... Bom, era um daqueles dias paradões, era isso ou voltar a dormir e se bem me lembro também já tinha feito isso... Bom, mudei a forma de procrastinar digamos assim. Entrei no Youtube pra colocar um som e um amigo me ligou exatamente na hora que a música começou a tocar, aliás aqui vão duas coisas que vocês não sabem sobre mim, mas deveriam:

1) EU ME NEGO A ATENDER LIGAÇÕES QUE INTERROMPAM MINHA MÚSICA.
2) ODEIO TELEFONES.


Logo, sempre quando narro essa história para alguém, faço questão de pontuar o acontecimento desta data como um milagre. O telefone tocou pela primeira chamada e eu olhei pra cima puto, pensando: ''O cara tem que me ligar depois que eu sentei?''

Depois tocou pela segunda vez, terceira... 10 minutos em silêncio e outra ligação... Mais 5 e mais uma... Na quarta eu atendi e esperava que fosse Deus, mas não, era um grande amigo meu me ligando de maneira desesperada, tudo para que eu ouvisse uma banda de nome excêntrico, o tal do The Admiral Sir Cloudesley Shovell, mais especificamente o primeiro disco do power trio britânico, inflamável  ''Don't Hear It... Fear It'', lançado em 2012.

Line Up:
Bill Darlington (bateria)
Louis Comfort-Wiggett (baixo)
Johnny Gorilla (guitarra/vocal)



Track List:
''Mark Of The Beast''
''Devil's Island''
''iDeath''
''Killer Kane (Reprise)''
''Red Admiral Black Sunrise''
''Scratchin' & Sniffin'''
''The Last Run''
''Killer Kane''
''Bean Stew''


O cara disse isso e desligou na minha cara, só que fiquei tão impressionado pela simplicidade e todo o acontecimento (em âmbito geral) que nem fiquei puto por isso. Fui atrás na hora, e cá estou eu, 4 anos depois.


Essa foto deixa claro tudo que eu precisaria dizer sobre o som do grupo, mas vou ser ainda mais explicativo. Veja que até as roupas dos caras remetem ao período áureo do Rock 'N' Roll. As estampas ridículas, os cortes de cabelo mal ajambrados, veja que os caras são bem ''trues'' nesse sentido e isso se reflete na música de uma forma muito mais contemporânea do que puramente reciclada.

A cozinha desses insanos é calcada na pura ignorância da timbragem do baixo, muito fuzz, Wah-Wah, gritaria e explorações instrumentais fantásticas no âmbito clássico de uma Jam. Mas não da forma comportada e "gentleman", mas sim com muito experimentação no ramo de distorções, efeitos, e na criação (consciente ou não, nunca se sabe) de camadas psicodélicas-e-arruaceiras.


No disco não está creditado, mas na faixa de abertura rola uma viola supersônica sensacional no começo da música. Claro que segundos depois o negócio todo vira um quebra-quebra fervoroso, aliás o baixista dos caras é excelente, foge do básico e mostra muita técnica. É um deleite prestar atenção nas linhas de Louis Comfort-Wiggett.

Mas não só ele, o cidadão da voz e guitarra também mostra uma garganta de talento, veja a levada chapada de seu vocal em ''Devil's Island'' e note a destreza de seus Riffs mastodônticos em ''iDeath''.. O trampo é formado por temas que passam dos sete minutos, outros que chegam aos 14 (!) e você aí, de fone de ouvido ficando cada vez mais surdo e impressionado.

Grandes solos, batera esmerilhando, efeitos, sujeira pura com estilhaços de uma cadeira que foi quebrada na cabeça de algum desavisado e aquele cheiro de mijo com Guinness... Parece disco de banda perdida dos anos setenta, não é brinquedo não.

''Bean Stew'' (cover do Buffalo) será sua Jam favorita da semana. O Fuzz faz até eco no disco e você não consegue chegar pra um amigo e explicar com o quê que isso tudo se parece. Na pior das hipóteses só fala que é The Admiral Sir Cloudesley Shovell  e ponto final, o fone de ouvido é auto explicativo: ou vai ou explode. Cozinhaça!

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