O ácido Tommy Bolin e a Strato funkeada de Teaser

No mundo da música existe uma seleta categoria de músicos que faz com que uma grande parte dos entusiastas do Groove fiquem malucos imaginando como seria seu possível futuro se os mesmos ainda estivessem entre nós. 

Algo diferente e vibrante se comparado à verdade das mortes repentinas e prematuras que envolveram a vida de grandes músicos, caso estes não tivessem morrido cedo pelo uso abusivo de drogas e consequentemente desperdiçado todo o talento e potencial que tinham. E se tem um cara que entraria fácil numa lista dessa é o guitarrista Tommy Bolin, músico de raro talento vocal, repertório guitarrístico e feeling Funkeado, Jazzístico, Hardeiro, Blueseiro e o que mais você quiser.


Tommy foi um guitarrista americano nascido em Sioux City, Iowa. E apesar de ter fraseado uma carreira curta e ter deixado este plano cedo demais (com apenas 26 anos) devido a uma overdose de heroína, o dono de um sinuoso timbre Stratocasteriano deixou bastante coisa registrada.

Foram 2 discos solos (fora os póstumos descartáveis), uma bela trinca com sua banda de Hard Rock o Zephyr, um trampo primoroso ao lado de nada mais nada menos que Alphonse Mouzon, mais 2 excelentes bolachudos com os motoqueiros fantasmas do James Gang, uma coleção de inéditas com o Moxy (antes de vazar para o Purple), uma colaboração mítica em  ''Spectrum'', clássico do grande Billy Cobham e uma session funkeadíssima com o Deep Purple no injustiçado (mas hoje em dia bastante exaltado), ''Come And Tasta The Band'', é mole? Isso que ainda teve mais, esse foi só o pente fino!


Bolin tinha aquele som malandro, de levada aparentemente simples, fácil. Sua lírica tinha um quê irresistível e suas notas eram emolduradas com uma sagaz versatilidade. Tecnicamente falando sua expertise num exemplar de Fender aglutinava um vasto arsenal de estilos que fluía maravilhosamente bem, as vezes podendo ser mais visceral, alimentando belos solos e grandes passagens vocais.

Mas mesmo deixando tantos discos bons, é bem verdade que dentro de suas capacidades, essa curta narrativa de destaques discográficos mostra como seu som foi eternizado em discos que hoje são grandes teoremas glorificados de nosso tempo. Só que estas fabulosas gravações também comprovam como ele bem que poderia ter esticado sua estadia no plano dos vivos, por que seu talento vazava pelo ladrão.

Fora que seu som é bom demais para ser esquecido hoje em dia. Seu vocabulário musical era estupendo e continua sendo uma grande meca para músicos que buscam horizontes diferentes. Sua cozinha mostra como uma música sem amarras estéticas atinge um patamar fora da curva após experimentações que buscam apenas localizar um som genuíno, algo que o menino já fazia em 1975 com ''Teaser'', um excelente e clássico quarentão vinílico.

Line Up:
Tommy Bolin (guitarra/vocal)
Stanley Sheldon (baixo)
Paul Stallworth (baixo)
Dave Foster (piano/sintetizadores)
Jan Hammer (sintetizadores/bateria)
Ron Fransen (piano)
David Sanborn (saxofone)
Jeff Porcaro (bateria)
Prairie Prince (bateria)
Michael Walden (bateria)
Bobbie Berge (percussão)
Phil Collins (percussão)
Sammy Figueroa (percussão)
Rafael Cruz (percussão)
Dave Brown (vocal)
Lee Kiefer (vocal)



Track List:
''The Grind''
''Homeward Strut''
''Dreamer''
''Savannah Woman''
''Teaser''
''People, People''
''Marching Powder''
''Wild Dogs''
''Lotus''


Depois que o senhor apertar o play surge ''The Grind'' e aí a brincadeira começa, Tommy solto como sempre, já chega junto com os riffs enquanto administra a Jam com sua bela voz e o piano de Dave Foster para efeitos de sua cozinha funkeada.

Depois de um solo arrebatador surge a instrumental ''Homeward Strut'', uma faixa bem parecida com a sonoridade que Tommy desenvolveu com Billy Cobham quando juntos, gravaram ''Spectrum'', mas o mais bacana é que a faixa começa com essa pinta meio Jazz e do nada vira um Funk irresistível.

Mas o que nos mostra como o mundo perdeu quando seu corpo parou de pulsar neste plano é um dos pontos altos do disco, a maravilhosa brisa pianística de ''Dreamer''. A voz de Tommy é maravilhosa e o piano é mais uma vez digno de nota, mas o solo mostra que o americano sentia a música como poucos!


Depois de emocionar o ouvinte, Bolin decide surpreender e para tal aparece com a malandragem latina de ''Savannah Woman'', mergulhando no Groove e solando em rios de criatividade, seja no Jazz no Hard, Blues o que vier ele traça e a faixa título prova isso. Eis aqui um belo exemplo de algo mais mais seco, puro e com um baixo encorpado no slap, cortesia de Stanley Sheldon.

Continuando nossa viagem pelas várias facetas do americano, surge ''People, People'', faixa que exemplifica o estágio frágil do compositor em virtude do conteúdo da letra e mostra uma levada que beira o Reggae que um dia foi dominado pelo mestre Tosh.

''Brother, brother, hear me please
I'm as lonely as i can be''.

Tommy Bolin


Prestem atenção no sax... A voz é o termômetro e o cara não perde a pegada. A percussão de Sammy Figueroa mostra seu lugar ao sol etc e tal, mas Tommy já chega com a instrumental ''Marching Powder'' para mostrar quem chefia os caminhos do ritmo de uma das guitarras mais sexy's que já passaram por aqui. é possível cortar a energia deste som com uma faca!


Só que não levante para pegar a faquinha agora, antes, escute ''Wild Dogs''. Eis aqui um som que cumpre com a difícil tarefa de condensar tudo que o senhor já passou para chegar até aqui, enquanto a guitarra segue judiando de seus ouvidos.

Esse cara definitivamente merecia mais... Suas letras eram sinceras (talvez pelos vícios da época), só que mais do que isso, sua música mostrava um talento na guitarra que não era especifico em nada, por isso sua obra é tão importante, por que ele não gostava de Hard, Blues ou Jazz, o menino fazia música e sua vida foi desbravar os vários estilos para no fim criar algo que poucos tiveram: originalidade.

Enquanto você procura o tom de alguém, inspire-se nesse cara e procure o nada, busque o novo e crie uma base, para apenas encontrar sua própria temperatura no termostato da jam. Pode não ser tão quente como esse som no início, mas siga tocando, tocando não, sentindo, assim como Tommy fazia.

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