O Wishbone Ash está sempre de rolê

Realidade, talvez a coisa mais difícil de ser encarada na vida de qualquer pessoa. Hoje tive uma epifania bem trabalhosa sobre ela e sua forte ligação com a vida. Recentemente comecei a fazer um curso para poder dominar a ferramenta Excel, mas não se apeguem a este fatídico detalhe, o mais importante é saber que ele (o curso) começa as nove da manhã, e se dá por encerrado as seis da tarde, com uma hora de almoço para que os alunos não se matem, creio eu.

Hoje repeti a cantilena para poder cumprir mais um dia no curso. Acordei as seis, cheguei depois de pegar um ônibus (para variar lotado), e fiquei até as seis, concluindo este dia estafante falando com os senhores, já as dez da noite, depois de chegar em casa ha cerca de uma hora.

Ficar naquela sala foi a pior sensação da minha vida. O curso se dá dentro de um ambiente relativamente próximo ao corporativo, aliás, para se ter uma ideia, o desespero foi tanto que por alguns minutos imaginei como a vida era ''fácil'' vendo as aulas de química na época de colégio.


No intervalo para o almoço estava tão puto e cansado que jurei para mim mesmo que nunca levaria uma vida robótica, alienada e automática tal qual minha aula de Excel toma curso. E o motivo é simples, hoje me dei conta de que muitos fazem isso, mas não tive a real dimensão desse inferno até borbulhar meu cérebro em ideias, hoje, na hora do almoço.

A realidade de praticamente todos os trabalhadores do nosso país é essa, fazer o que não gosta, mas com vontade, pois caso contrário, vai pra rua. Todo mundo nasce e cresce nutrindo apreço por alguma profissão, mas hoje são poucos que conseguem delinear esse futuro e realmente fazer o plano funcionar sem que haja falsidade, expediente no piloto automático e essa vida (sem querer soar clichê mas já o fazendo), sem vida.

Sempre tentei me ver como o Wishbone Ash. Não pretendo ser rico, nem nada do tipo, quero apenas trabalhar com o que almejo daqui para frente, fazer um dinheiro razoável com isso e me manter por ai. Despreocupado de preferência, e apostando na longevidade como índice perpétuo de felicidade, tal qual a banda em sua mais pura e simples essência.

São mais de 40 anos de prestações de serviço sonoros, mas quem disse que acabou? O ano de 2014 apresentou um novo calendário, e como resposta surgiu ''Blue Horizon'', o vigésimo quinto disco de estúdio do grupo.

Line Up:
Andy Powell (vocal/guitarra)
Bob Skeat (baixo)
Muddy Manninen (guitarra)
Joe Crabtree (bateria)



Track List:
''Take It Back''
''Deep Blues''
''Strange How Things Come Back Around''
''Being One''
''Way Down South''
''Tally Ho!''
''Mary Jane''
''American Century''
''Blue Horizon''
''All There Is To Say''


Com uma carreira setentona fantástica e belos trabalhos de 80 para frente, o Ash é uma das várias bandas que foram grandes nos '70, mas que hoje perderam um pouco de terreno. Mas quem conhece a discografia dos caras de verdade sabe que o buraco é bem mais embaixo, é muito som! E quando nós pensávamos que uma das twin guitars mais seminais do Rock pudessem nos surpreender, eis que o Jazz desmonta todo o esquema com puro requinte.

Isso mostra muita coisa, além do simples fato de ser um grande disco, deixa claro que ainda existem campos para serem trabalhados e que a julgar pelo grande número de datas que foram confirmadas para a tour daquele ano, a banda ainda aprecia demais o que faz de melhor. Eis aqui uma grande lição de vida, e música, claro. ''Blue Horizon'' é um grande disco.


No recheio temos dez faixas com um ensinamento em plena convergência com cada um dos temas: a prudência musical. Repare que além do show da dupla de guitarristas Muddy Manninen e Andy Powell, ainda temos Bob Skeat arrebentando na profundidade do Groove em quatro cordas, e Joe Crabtree carregando a cozinha e sempre dando aquela carga de pulsação, tudo dentro de um clima bem cool jazz.


faixas longas, maravilhosamente bem trabalhadas, onde a banda soube administrar o tom dos instrumentais com a voz despreocupada e relax de Powell, que quando sola, meu deus do céu! São temas deliciosos, ''Take It Back'', ''Deep Blues''... Sempre com peso, mudando a velocidade, surgindo mais leve, parece até fácil! ''Way Down South'' e ''Tally Ho!'' são minhas preferidas do LP, mas a faixa título também é grandiosa.

E lembrem-se, além de ouvir boa música, preste atenção no que cada um de vocês querem para si, não sou nenhum Psicologo, mas não custa nada acentuar esse ponto, nem que seja para alimentar um Hobb. Não se pode ser infeliz dentro um mundo com tantas possibilidades, essa é a moral desse texto, eu tenho esse Blog para desabafar, e você?


2 comentários:

  1. Tá aí uma banda que eu sempre ouvi falar, já flertei com ela várias vezes, mas nunca parei para ouvir. Nunca despertaram curiosidade o suficiente.
    Essa resenha mudou minha percepção. Ouvi Deep Blues, linkada na sua postagem, e gostei do que ouvi. Hora de ir mais a fundo! Parabéns pelo ótimo texto.

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  2. Valeu meu caro, seguimos na missão de espalhar os bons grooves

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