Jim Hall & a destreza de sua Jazz Guitar

Com a passagem do tempo penso nos grandes sábios. Após várias décadas vejo mudanças e percebo as coisas de outra forma, noto que a ideia flui de uma maneira própria e que surge como um mirante com vista infinita.

A perpectiva é belíssima, parece um cubismo ao ar livre e nos brinda com tudo ao mesmo tempo. Com a idade, adquirimos o controle para poder dosar tudo isso e é pulsante acordar todo dia e ver como os acontecimentos de nosso cotidiano mexem conosco.


Aquele frio na barriga antes da entrevista de emprego. O medo de chegar na menina da sua sala. As inseguranças sobre o futuro. As surpresas que surgirão no caminho. Todas as dificuldades e os problemas. Incontáveis pétalas de alegria.

A vida é uma explosão de momentos e rapaz, podem-se passar vinte, trinta, quarenta anos... A fagulha que causará todos esses acontecimento será sempre a mesma: a música. E foi ao som do mestre Jim Hall que cheguei a essa conclusão. 


Faz quase dois anos que o velhaco nos deixou, mas sua guitarra destilava algo que ia além de meras melodias. Seu feeling era único e além de arrebatar plateias em todos os pontos do globo, o americano o fez com a sabedoria de alguém que buscava apenas tocar, por isso que adaptei essa filosofia e agora busco apenas viver.

Line Up
Jim Hall (guitarra)
Red Mitchell (baixo)
Carl Perkins (piano)



 Track List:
''Stompin' At The Savoy''
''Things Ain't What They Used To Be''
''Thanks For The Memory''
''Tangerine''
''Stella By Starlight''
''9:20 Special''
''Deep In A Dream''
''Look For The Silver Lining''
''Seven Come Eleven''
''Too Close For Comfort''


Se teve um guitarrista que teve estilo esse cara foi o reverendo Jim Hall. Depois de velho o menino chegava no palco de bengala, sentava na cadeira e pegava a semi acústica com cuidado, demonstrando até fragilidade. Quem olhava até devia pensar: será que ele aguenta? Meu amigo! Se você um dia pensou isso, mal sabes o sacrilégio verbal que cometeste, o lance do senhor Hall era chegar, ele via o repertório na hora.

O improviso se confundia com sua música e com isso o Jazz ganhou um pertencimento absurdo e sua guitarra praticamente definiu o estilo para efeitos de pós modernidade. Pat Metheny, John Scofield, Frank Gambale... Pode pegar qualquer grande nome da guitarra Jazzística e prestar atenção, sem Jim eles não fariam tudo o que já ousaram gravar.


É claro que isso não tira toda a inovação que os citados trouxeram para o Jazz contemporâneo, mas o importante aqui é compreender que sem esse cara talvez nem o George Benson seria tão ousado e isso fica claro depois que o ''Jazz Guitar'' entra nos falantes.

Reconheço que o principal motivo de possuir esse espaço é justamente para enumerar as qualidades de dezenas de grooves que muito me apetecem, mas nesse caso isso é tudo o que tenho para lhes dizer. Estou me segurando para nao falar um pouco mais, mas creio que nesse caso o mais importante é que você aperte play e preencha cada uma dessas 10 faixas (sou de humanas) com todo o significado que elas merecem.

Vá na fé que o senhor verá o por quê decidi fazer isso. Esse trio do maestro Hall irá lhe acompanhar por muitos e muitos anos meu chapa!

0 comentários: