All My Friends: Celebrating The Songs & Voice Of Gregg Allman

Sempre tive dificuldade em entender DVD's tributos, se bem que CD's também, em suma (até para evitar confusões) sempre tive problemas com tributos de uma maneira geral. Muitas pessoas tem uma mania horrível, só pensam em determinados músicos quando estes morrem, ou seja, ninguém acaba dando o valor real para certos nomes, como se não fosse ''necessário'', afinal de contas, o cara está lá, de carne e osso.

Parece que é tudo muito reciclado, a música perde sua alma frente a covers que na tentativa de elevar algo, cometem o pegado de em dado momento tornarem-se desnecessários, se bem que isso ai valeu para boa parte dos tributos que vi, menos o do tenor do marfim, o senhor Gregg Allman.


Montem o show e chamem o homenageado, All My Friends: Celebrating The Songs & Voice Of Gregg Allman é um dos melhores DVD's que vi em 2014. O time de convidados é fantástico e o comprometimento dos envolvidos é realmente louvável. De Warren Haynes à Robert Randolph, de Widespread Panic até Dr. John. Aqui só tem fera e ninguém subiu no palco pra tocar com o nome... O Crossroads devia aprender com esse registro.


Track List:
''Come And Go Blues'' - Warren Haynes
''End Of The Line'' - Warren Haynes/Derek Trucks
''Stand Back'' - Susan Tedeschi/Derek Trucks
''You Can't Loose What You Ain't Never Had - Devon Allman/Jimmy Hall/Robert Randolph
''Please Call Home'' - Sam Moore
''Just Another Rider'' - Keb' Mo
''Before The Bullets Fly'' - Brantly Gilbert
''Let This Be A Lesson To Ya'' - Dr. John
''Queen Of Hearts'' - Pat Monahan
''One Way Out'' - John Hiatt
''Statesboro Blues'' - Taj Mahal/Gregg Allman
''Just Ain't Easy'' - Widespread Panic
''Wasted Words'' - Widespread Panic/Derek Trucks
''I'm No Angel'' - Trace Adkins
''Multi-Colored Lady'' - Vince Gill
''All My Friends'' - Martina McBride
''Can You Fool'' - Pat Monahan/Martina McBride
''Ain't Wastin' Time No More'' - Eric Church
''Win, Lose Or Draw'' - Eric Church
''These Days'' - Jackson Browne/Gregg Allman
''Melissa'' - Jackson Browne/Gregg Allman
''Midnight Rider'' - Vince Gill/Zac Brown/Gregg Allman
''Dreams'' - The Allman Brothers Band
''Whipping Post'' - The Allman Brothers Band
''Will The Circle Be Unbroken'' - Full Cast


Gravado ao vivo no belíssimo Fox Theathre em Atlanta e lançado no dia 06 de maio de 2000 e catorze, esse minucioso trabalho cumpre com uma tarefa muito complicada: resumir a carreira, vida e obra, de um dos maiores músicos e compositores de nosso tempo. No recheio do groove temos todo o sentimento de Gregg Allman, dando um foco em sua carreira solo (o que tira as coisas do lugar comum, vulgo clichê) mas que ainda nos presenteia com faixas de sua banda, afinal de contas ninguém é de ferro.

São mais de duas horas e quarenta de puro Rock sulista completamente imersas numa das apresentações mais inspiradas que já vi recentemente, e também pudera, todos os envolvidos presam por uma bela Jam, aliás boa parte deles ficou conhecido por esse fraco por passagens instrumentais.


Fraco é uma palavra péssima, na realidade aqui de fraco não tem nada! Destaco a participação de Dr. John, a destreza absurda do Widespread Panic e a lindíssima apresentação de Sam Moore como meus momentos favoritos. Não tem UMA música ruim, a banda de apoio é enorme, detalhes não faltam e a qualidade de som é fenomenal.

Peguei a edição em DVD simples, até por que não me restou escolha, só tinha essa. Foram lançados uma simples em Blu-Ray, outro com qualidade convencional, e as edições com o disco duplo, afinal como já foi dito são quase três horas de show.

Acreditem, vale cada centavo, inclusive vem um bookzinho muito bacana no pacote, afinal de contas todos os participantes merecem ser devidamente creditados. O Jimmy Herring, definitivamente, foi um dos destaques da noite.

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Saudem o The Brecker Brothers e fritem com Heavy Metal Be-Bop

Depois que o Miles Davis começou a experimentar brinquedos novos na década de 70, mal sabia ele o rumo que toda essa bagunça tomaria. Talvez o negrão soubesse, mas tenho certeza que até ele se assustou com a marola Jazz que virou um tsunami Fusion.

Depois que o Jazz clássico de nomes como Wynton Marsalis ganhou novos contornos, a ideia ficou mais louca que uma session do Chet Baker com a Björk. A partir do momento que deu-se a criação de um novo gene Jazzístico, rapaz, as aventuras foram vertiginosas.


A revolução Fusion foi uma ruptura necessária e que resetou todos os parâmetros conhecidos para um mergulho profundo no desconhecido. Um celeiro de cozinhas que tinham o mesmo elo, mas que se difersificaram criando, talvez, a ramificação mais criativa que o cenário musical já viu.

O elemento Jazzy se fundia em qualquer estado. Podia ser Funkeado, experimental, eletrônico... A única regra era que não tinha nenhum limite, o foco era justamente quebrar padrões e mostrar a vitalidade de um estilo que estava mais conservador do que a igreja católica.


Por isso, na hora de colocar aquele som pulsante, transgressor, swingado e pesado na vitrola, não se esqueça de agradecer aos grandes mestres. Nomes primordias como os The Brecker Brothers, um dos grupos mais insanos que já povoaram o cenário e que, sem dúvida alguma, mudaram as regras do jogo quando chegaram no show com trampos como ''Heavy Metal Bep-Bop'' debaixo do braço. 1978... parecia que o gás ia chegar ao fim, doce engano!

Line Up:
Randy Brecker (trompete)
Roy Herring (vocal)
Bob Clearmountain (percussão)
Michael Brecker (saxofone)
Terry Bozzio (bateria/vocal)
Barry Finnerty (guitarra/vocal)
Neil Jason (baixo/vocal)
Sammy Figueroa (percussão)
Paul Schaeffer (Fender Rhodes)
Rafael Cruz (percussão)
Jeff Schoen (vocal)
Victoria (percussão)
Kash Monet (percussão/vocal)
Allan Schwartzberg (bateria)



Track List:
''East River''
''Inside Out''
''Some Skunk Funk''
''Sponge''
''Funk Sea, Funk Dew''
''Squids''


Para se entender toda a fritação que o Jazz-Fusion alcançou, creio que um dos grandes pilares para consumar essa compreensão seja o The Brecker Brothers. Primeiro por que os irmãos Randy e Michael Brecker são dois dos maiores nortes para a arte do trompete/saxofone, segundo por que a dupla não é tão celebrada quanto deveria e por último, mas jamais menos importante, por que esses caras provam por A+B como é possível fazer uma Jazzeira pesar mais que muito combo de roquenrou.

''Heavy Metal Be-Bop'' é o único disco ao vivo do The Brecker Brothers. Acredite, a força explosivo deste set é avassaladora e reunia apenas a nata para consolidar uma das cozinhas mais intensas dos anos 70.


Lançado pela Arista Records em 1978 e gravado em Nova York (no My Father's Place, localizado em Roslyn) essa apresentação cumpre a difícil tarefa de captar e sintetizar toda a importância e relevância do trabalho dos irmão Randy e Michael Brecker.

A banda que acompanha toda essa síncope também é formidável. Em todas as posições só existiam verdadeiros experts na cozinha Fusion, mas o trabalho dos irmãos Brecker nos metais e toda a dinâmica que essa abordagem dava ao som do grupo, são, inquestionavelmente, o maior destaque do disco.

Desconsiderando a apoteótica "East River", que foi um single gravado em estúdio, todas as outras 5 faixas restantes eternizam o combo num set ao vivo que mais parece uma sessão de estúdio. Não se engane com o set aparentemente enxuto, depois que os quase 10 minutos de "Inside Out" colam nos falantes, já dá pra se ligar que o improviso tira até a última gota de caldo deste groove.


São quase 45 minutos de embates épicos, uma verdadeira baixaria nas 4 cordas e 2 grandes visionários no controle disso tudo. Aliás, se esse disco fosse gravado no ano passado, não seria exagero nenhum afirmar que mesmo assim ele estaria completamente a frente de seu tempo. Até hoje tem muita gente que estuda sax e trompete que não se cansa de ficar perplexa com os timbres que os irmãos Brecker tiravam de seus metais.

Em faixas como a praticamente inflamável "Some Skunk Funk'', Neil Jason engrossa o slap, mas nem assim os metais sentem o baque, os vigorosos sons  de sax e trompete com efeitos advindos das primeiras experimentações eletônicas da época, chegam com partes que se cruzam como se os metais fossem 2 caças da NASA brincando numa competição da Red Bull.

Em estúdio eles foram fantásticos, mas depois de ouvir esse ao vivo você vai entender por que eu não escuto a versão de estúdio de "Some Skunk Funk" mais... Acredite, é muita eletricidade!

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Olha o Prince malhando o Jazz Funk nas Loring Park Sessions 77

Quando o Prince nos deixou, muita especulação começou a pipocar na mídia, algo relativamente comum quando um músico deste quilate, feeling e absoluta criatividade, abandona este plano. Mas entre dezenas de boatos e muito "mimimi", quando o assunto é música mesmo e não as doses de bafafá da revista Contigo, ocorreram 2 grandes acontecimentos positivos para o legado desse que foi, sem dúvida alguma, um dos maiores de sua espécie. 

1) A primeira coisa foi que a sua discografia chegou em peso aos serviços de streaming, mesmo depois que o americano, ainda em vida, afirmou e reafirmou que só entraria nesse jogo filiado ao Tidal, o serviço de streaming do Jay-Z que além dele tinha o Jack White como discípulo também.

2) A segunda coisa foi que logo depois que seus discos entraram no acervo dos serviços streaming (Spotify, Deezer, Apple Music e etc) uma certa Jam Session começou a circular pelos cantos mais obscuros da internet, junto de dezenas de bootlegs e gravações nunca antes lançadas.


É importante pontuar que no meio disso tudo existe muito material "duvidoso". Inclusive em muitos sons é até complicado afirmar se o músico esteve de fato presente, devido, primeiro a qualidade da gravação e segundo a veracidade dos fatos relatados.

Porém, se por um lado apareceu muita tralha, por outro, conseguiram desenterrar uma sessão de estúdio que mostra um Prince ainda bem jovem (com 19 anos) malhando o Jazz Funk numa gravação em trio que é o mais puro veneno. Senhoras e senhores, por favor apertem play nas fritações da Loring Park Sessions 77.

Line Up:
Prince (teclados/guitarra)
André Cymone (baixo)
Bobby Z (bateria)


  

Track List:
''Instrumental #1''
''Instrumental #2''
''Instrumental #3''
"Instrumental #4''
''Instrumental #5''
''Instrumental #6''
''Instrumental #7''
''Instrumental #8''

Sem nome de faixa, nenhum verso cantado e sustentando o mais puro groove, é assim que o Prince e 2 de seus mais célebres colaboradores eternizaram essa grande sessão, que, após o play, será cultuada pelos seus ouvidos.

Gravado um ano antes de "For You", lançado em 1978, essa sessão iria anteceder o primeiro (e competente) esforço criativo do músico que já mostrava, desde muito jovem, possuir um raro tato.


Essas sessões foram gravados na sala de ensaios do primeiro agente do Prince, Owen Husney, no Q.G. de operações da Loring Park, localizado em Minneapolis. O som é um Funk carnudo, bem na linha frita do que estava em voga na mente do Herbie Hancock com um toque meio Madhouse, o projeto de Jazz que o Prince criou no fim dos anos 80.

Coisa fina meu caro, isso definitivamente não poderia ficar ganhando poeira no estúdio!

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O nobre Sonny Rollins e o Gás no sax de Tenor Madness

Um gás nobre é um membro da família dos playboys da Tabela Periódica. O termo, ''gás nobre'', foi escolhido para deixar claro que essa seleta categoria não se mistura, citando a grande Dona Florinda: ''Com esta gentalha''.

Não, jamais, os comuns não tem chance com essa panelinha, o Hélio não dá rolê com qualquer um... A coisa simplesmente não flui, esse pessoal mais cult não combina com os demais elementos, a reatividade é baixa e o bom gosto é supremo.


Perceba que existe um paralelo em potencial, a música é perfeitamente comparável com este fenômeno científico. Tente requintar seus sentidos e perceba que os gêneros não tem um elo de ligação, a volatilidade de cada jam é bem diferente, tal qual a minha estapafúrdia comparação entre gases, e seus parâmetros químicos.

Mas ainda trabalhando com essa de ideia de improvisos gaseificados, qual seria o seu gás nobre preferido? O meu é o Jazz, algo como um Hélio para Miles Davis, doses de Xénon para Dizzy Gillespie e um Néon para Sonny Rollins e o seu laboratório Jazzístico. ''Tenor Madness'' é a personoficação de um gás nobre e apenas um dos clássicos que Sonny emplacou. É meu amigo, o ano de 1956 foi sem precedentes para a música.

Line Up:
Paul Chambers (baixo)
Red Garland (piano)
John Coltrane (saxofone)
Sonny Rollins (saxofone)
Philly Joe Jones (bateria)



Track List:
''Tenor Madness''
''When Your Lover Has Gone'' - (Einar Aaron Swan)
''Paul's Pal''
''My Reverie'' - (Larry Clinton/Debussy)
''The Most Beautiful Girl In The World'' - (Rodgers/Hart)


Sonny é conhecido principalmente por ser o criador do icônico ''Saxophone Colossus'', também lançado em 1956, mas quem conhece Jazz, e principalmente, quem já foi a fundo na discografia do americano, sabe que o mestre possui diversos trabalhos brilhantes, inclusive até a crítica se divide em relação a certas gravações, e ''Tenor Madness'' é um delas.

O primeiro registro que Sonny lançou em 1956 foi ''Sonny Rollins Plus 4'', depois tivemos o advento deste aqui, embalando o ''Saxophone Colossus'', além de ''Rollins Plays For Bird'', ''Tour De Force'' e ''Sonny Boy''. Essa é pra você que se acha workaholic... Parece loucura mas o saxofonista gravou seis discos em um ano. A Prestige Records (selo do cidadão de 1953 até 1956) nem se pronunciou sobre o assunto. Isso sim é que é ter crédito no sentido literal da palavra.

E o resultado é de uma proeza sonora que contou com uma banda de apoio fabulosa por trás e com direito até a participação de John Coltrane na abertura do disco (com a faixa título), reforçando ainda mais o impacto que seu Jazz teve na evolução do estilo.

Um Hard Bop fervoroso, quente, imponente e que sempre polarizado nas improvizações equilibra seu embriagante fraseado saxofonístico. Dessa maneira a cozinha consegue até abrir espaços para quebras de tempo completamente imersas numa estética que não seguia métricas, mas que ainda assim conseguia brincar com elas.

Com performances excelentes por parte do back up de apoio, as peças chaves são o piano e a bateria, tocados respectivamente por Red Garland e Philly Joe Jones. Como se não bastasse o sax e a cia de Red e Joe, os caras ainda são apadrinhados pelo baixo de Paulm Chambers... É quase uma poesia concreta, um disco importantíssimo, a nata dos gases Jazzísticos.

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