Saudem o The Brecker Brothers e fritem com Heavy Metal Be-Bop

Depois que o Miles Davis começou a experimentar brinquedos novos na década de 70, mal sabia ele o rumo que toda essa bagunça tomaria. Talvez o negrão soubesse, mas tenho certeza que até ele se assustou com a marola Jazz que virou um tsunami Fusion.

Depois que o Jazz clássico de nomes como Wynton Marsalis ganhou novos contornos, a ideia ficou mais louca que uma session do Chet Baker com a Björk. A partir do momento que deu-se a criação de um novo gene Jazzístico, rapaz, as aventuras foram vertiginosas.


A revolução Fusion foi uma ruptura necessária e que resetou todos os parâmetros conhecidos para um mergulho profundo no desconhecido. Um celeiro de cozinhas que tinham o mesmo elo, mas que se difersificaram criando, talvez, a ramificação mais criativa que o cenário musical já viu.

O elemento Jazzy se fundia em qualquer estado. Podia ser Funkeado, experimental, eletrônico... A única regra era que não tinha nenhum limite, o foco era justamente quebrar padrões e mostrar a vitalidade de um estilo que estava mais conservador do que a igreja católica.


Por isso, na hora de colocar aquele som pulsante, transgressor, swingado e pesado na vitrola, não se esqueça de agradecer aos grandes mestres. Nomes primordias como os The Brecker Brothers, um dos grupos mais insanos que já povoaram o cenário e que, sem dúvida alguma, mudaram as regras do jogo quando chegaram no show com trampos como ''Heavy Metal Bep-Bop'' debaixo do braço. 1978... parecia que o gás ia chegar ao fim, doce engano!

Line Up:
Randy Brecker (trompete)
Roy Herring (vocal)
Bob Clearmountain (percussão)
Michael Brecker (saxofone)
Terry Bozzio (bateria/vocal)
Barry Finnerty (guitarra/vocal)
Neil Jason (baixo/vocal)
Sammy Figueroa (percussão)
Paul Schaeffer (Fender Rhodes)
Rafael Cruz (percussão)
Jeff Schoen (vocal)
Victoria (percussão)
Kash Monet (percussão/vocal)
Allan Schwartzberg (bateria)



Track List:
''East River''
''Inside Out''
''Some Skunk Funk''
''Sponge''
''Funk Sea, Funk Dew''
''Squids''


Para se entender toda a fritação que o Jazz-Fusion alcançou, creio que um dos grandes pilares para consumar essa compreensão seja o The Brecker Brothers. Primeiro por que os irmãos Randy e Michael Brecker são dois dos maiores nortes para a arte do trompete/saxofone, segundo por que a dupla não é tão celebrada quanto deveria e por último, mas jamais menos importante, por que esses caras provam por A+B como é possível fazer uma Jazzeira pesar mais que muito combo de roquenrou.

''Heavy Metal Be-Bop'' é o único disco ao vivo do The Brecker Brothers. Acredite, a força explosivo deste set é avassaladora e reunia apenas a nata para consolidar uma das cozinhas mais intensas dos anos 70.


Lançado pela Arista Records em 1978 e gravado em Nova York (no My Father's Place, localizado em Roslyn) essa apresentação cumpre a difícil tarefa de captar e sintetizar toda a importância e relevância do trabalho dos irmão Randy e Michael Brecker.

A banda que acompanha toda essa síncope também é formidável. Em todas as posições só existiam verdadeiros experts na cozinha Fusion, mas o trabalho dos irmãos Brecker nos metais e toda a dinâmica que essa abordagem dava ao som do grupo, são, inquestionavelmente, o maior destaque do disco.

Desconsiderando a apoteótica "East River", que foi um single gravado em estúdio, todas as outras 5 faixas restantes eternizam o combo num set ao vivo que mais parece uma sessão de estúdio. Não se engane com o set aparentemente enxuto, depois que os quase 10 minutos de "Inside Out" colam nos falantes, já dá pra se ligar que o improviso tira até a última gota de caldo deste groove.


São quase 45 minutos de embates épicos, uma verdadeira baixaria nas 4 cordas e 2 grandes visionários no controle disso tudo. Aliás, se esse disco fosse gravado no ano passado, não seria exagero nenhum afirmar que mesmo assim ele estaria completamente a frente de seu tempo. Até hoje tem muita gente que estuda sax e trompete que não se cansa de ficar perplexa com os timbres que os irmãos Brecker tiravam de seus metais.

Em faixas como a praticamente inflamável "Some Skunk Funk'', Neil Jason engrossa o slap, mas nem assim os metais sentem o baque, os vigorosos sons  de sax e trompete com efeitos advindos das primeiras experimentações eletônicas da época, chegam com partes que se cruzam como se os metais fossem 2 caças da NASA brincando numa competição da Red Bull.

Em estúdio eles foram fantásticos, mas depois de ouvir esse ao vivo você vai entender por que eu não escuto a versão de estúdio de "Some Skunk Funk" mais... Acredite, é muita eletricidade!

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