John Mayall em 5 discos - a cavalaria do Blues britânico

Peter Green, Eric Clapton, Mick Taylor e Haryey Mandel. Sozinhos todos esses nomes já possuem um magnetismo incomensurável, juntos porém eles se confundem dentro do rico acervo do Blues britânico em toda a sua classe e soberania.

Mas o que poucos sabem é que se não fosse por um outro Blues Man britânico, dessa vez muito menos celebrado do que os nomes citados anteriormente, acredito que não existiria um Deus chamado Eric Clapton, tampouco o boogie no tapping de Harvel Mandel. 


Não, jamé! Se não fosse pelo guardião das escrituras dos campos de algodão, o senhor John Mayall, o mundo teria sido privado da companhia de seus Bluesbreakers. Isso com certeza nos desfalcaria musicalmente, inclusive não deixaria que o próprio Blues, como conceito estético, se desenvolvesse tanto, graças também a quebra de padrões propostas pelo inventivo som do mestre de 83 anos.

E como a carreira dessa lenda é muito longa (para a alegria da nação), resolvi selecionar 5 discos primordiais dentro de uma seleta lista de 65 registros de estúdio e algumas dezenas de ótimos discos ao vivo. Conheça o universo de Mayall e depois faça a sua própria viagem para as raízes do Blues.

1) Blues From Laurel Canyon - 1968



Lançando em 1968, "Blues From Laurel Canyon" é um disco riquíssimo, justamente por seu minimalismo. Parece conversa de gente louca, porém, em detrimento de seu contexto histórico, a musicalidade dessa gravação merece bastante atenção, justamente por resgatar um Mayall mais aberto criativamente, logo após a primeira ruptura com os Bluesbreakers. O disco já abre com um solo (ao som de "Vacation") e conta com Mick Taylor nas guitarras!

2) The Turning Point - 1969



Uma das maiores gravações ao vivo que você vai ouvir na sua vida, "The Turning Point" registra um dos maiores picos criativos da história do Blues. Gravado no icônico Fillmore East no dia 12 de julho de 1969, esse disco é a gênesis da estética Jazz-Blues-Fusion criada por John. Com uma formação bastante compacta (apenas com 4 integrantes) o músico mostra como o Blues ganha classe e dinamismo quando encontra o Jazz nas linhas de saxofone e flauta de John Almond.


3) USA Union - 1970



Lançado em 1970 e registrando em estúdio uma das maiores formações que Mayall já coordenou, "USA Union" é um LP fabuloso devido ao caráter de sua dinâmica sonora. Demorei umas 3 audições para perceber que o disco não tem bateria, tamanho o seu primor!

Contando com Don "Sugarcane" Harris no violino e com o não menos brilhante Harvey Mandel nas guitarras esse trabalho segue a linha dos experimentos do live "The Turning Poin" (lançado um ano antes em 1969) com uma formação americana que é a responsável por eternizar, entre outros grandes momentos, o maior hit da carreira do mestre, a belíssima "Nature's Disappearing", tema que inaugura a bolacha. 


4) Bare Wires - 1968



Precursor de toda a onda Jazzística de Mayall, "Bare Wires", lançado em 1968 é um dos exemplos de toda a magia criada pelos Bluesbreakers. Contando com uma banda robusta (dessa vez com 9 peças), esse registro mostra o trato de John no órgão, além de contar com a participação de Peter Green em duas faixas do LP ("Picture On The Wall" e "Jenny"), e com o talento de Mick Taylor.

Com um conceito musical bastante pautado na liberdade criativa, seus ouvidos serão alagados por temas sinuosos e longos como a suíte que nomeia o LP e seus quase 23 minutos de viagem cósmica. 


5) Live At BBC - 2007



Lançado em 2007, essa gravação apresenta um compilado de algumas das melhores apresentações de Mayall nas famosas BBC Sessions. Com performances que compreendem o período de 1965 até 67, passando rapidamente por 1975, esse registro é uma pérola.

Com participações de nomes como Eric Clapton, Jack Bruce, Larry Taylor, Don "Sugarcane" Harris e tantos outros mestres, esse compilado é uma amostra da força de Mayall dentro de suas mais diversas reencarnações musicais, além de seu tato radiofônico para liderar as FM's. Viciante é a palavra-chave.

0 comentários: